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28/02/2020

Os pobres e os idiotas


Morador de ruaOs pobres e os idiotas

Há pessoas que pensam e dizem que qualquer ajuda estatal aos pobres gera a vagabundice. Quando pressionadas, então admitem que o estado “até poderia ajudar”, sim, mas com discriminação. No limite gostariam que não existisse uma política social e, sim, uma política assistencial – justamente o que criticam na administração federal – que viesse a entrevistar cada pobre para ver como que ele poderia empregar os cem reais dados pelo governo.

É muito difícil levar a sério tais pessoas enquanto pessoas inteligentes. Porque é duro de acreditar que pessoas inteligentes não possam se imaginar na situação de miséria, isto é, não possam se imaginar naquela situação em que se olha para os lados e nenhuma saída aparece. No entanto, é justamente isso que ocorre com tais adeptos do “salve-se quem puder” social. Essas pessoas realmente não conseguem imaginar uma situação assim, tão fácil de ser ficcionada.

Imagine que você é uma dessas crianças que, mais ou menos aos cinco anos de idade, começa a disputar com os gatos da vizinhança a comida do lixo do vizinho. Um dia você passa bem, outro dia a comida estragada lhe faz mal. Sua vida é exatamente isso: passar o dia quieto, rodeado de mosquitos, torcendo pela sorte: talvez aquele dia não seja um dia de diarreia ou febre, talvez seja. No outro dia, tudo de novo. Até os seis anos, quando então toda dor de barriga passa, inclusive a fome: aprende-se com os mais velhos a cheirar cola. Revitalizado pela cola, pode-se então participar de uma ajuda ao assalto feito pelos adolescentes. Chega-se assim aos heroicos sete ou oito anos. Três anos fedendo urina, consumindo cola, comendo pouco, roubando. Voltar para casa à noite? Nem pensar! Um padrasto bêbado pode partir para a violência, talvez a violência sexual. Você consegue se imaginar nessa vida e, então, com sua brilhante inteligência atual, de classe média, encontrar uma saída desse mundo amaldiçoado?

É incrível, mas as pessoas que são contra os programas sociais do governo não fazem esse exercício de pensamento. É um exercício simples, qualquer um pode fazer. Por que elas não conseguem? O que as impede? Falta-lhes neurônios?

Certa vez coloquei uma moça na parede, forçando-a a se imaginar nessa situação de miséria. A certa altura da conversa, sabe o que ela me falou? Isto: “ah, mas nesse momento aqui, mais difícil, eu voltaria para a casa e chamaria minha mãe, afinal, eu teria mãe, não?” Fiquei olhando para aquela moça, embasbacado. E ela insistiu: “bem, eu teria mãe não teria? Afinal, como nasci?” Eu continuei olhando, sem fala. Não pude mais continuar a conversa. Ela saiu chateada: “ah, filósofos malucos!”. Em outros tempos esse tipo de moça talvez dissesse: “ah, comunista!”.

Os programas sociais em vários países do mundo não são para os pobres, são para os miseráveis. São para os que estão vivendo como bichos entocados, sem água potável, sem qualquer saneamento, sem possibilidades de qualquer emprego porque não podem sequer se apresentar como humanos na fila do emprego. Mas quem se indispõe diante dos programas sociais dos governos que querem salvar tais populações e, enfim, salvar os países que as possuem, acaba por mostrar uma incrível falta de imaginação para se colocar nas condições dos miseráveis. No passado, eu pensava que havia uma certa maldade nisso, nessa incapacidade intelectual de se colocar na situação de desgraça do outro. Mas, na verdade o que há é aquela visão típica que ecoou na história: “o povo está sem pão? Ora, mas por que eles não comem brioche?”

Há dupla cegueira aí nesse caso. As pessoas incapazes de imaginação não conseguem olhar o lado do miserável e também não conseguem olhar o lado do país – sim, pois há o lado coletivo nisso tudo, que deveria ser até mais fácil ver: se o miserável sai da miséria ele implementa o consumo e este gera emprego e, enfim, a roda da economia começa a girar, de modo que logo as classes médias também começam a viver melhor.

Quando vejo alguns intelectuais insuflando os sem imaginação a ficarem ainda mais sem imaginação, eu começo a pensar comigo mesmo: “será que eles vão dizer que é a filosofia que os ensinou a ensinarem os outros a serem burros?” Fico triste, porque alguns dizem que sim, que eles, ao ensinarem os outros a não conseguirem se colocar no lugar dos miseráveis (e nem mesmo do lado coletivo, do estado), aprenderam isso com a filosofia. Mentira. Eles não aprenderam isso com ninguém. É que eles próprios também não possuem imaginação nenhuma. São uns vazios. São o cocô do bandido.

© 2013 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

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45 Responses “Os pobres e os idiotas”

  1. Ricardo Cruz
    21/06/2013 at 21:44

    Obrigado pelo despertar. Não consigo saber se o que sinto é raiva ou algo melhor. Sei que precisava de uma referência desde a juventude, hoje tenho 45 anos. Sei somente que faço propaganda sua para todos. Parabéns pelo trabalho e pela atitude. Abraços.

    • 22/06/2013 at 19:12

      Ricardo, fazendo propaganda minha, estará fazendo propaganda sua. Pois o que esscrevo é para que os inteligentes sejam tratados melhor. Só isso.

  2. Ricardo Cruz
    20/06/2013 at 00:00

    Caro Professor…fico arrependido de ser mais duro que o sr…principalmente que fui duro somente com o sr. Nunca deixei de ler o que escreve.

    • 20/06/2013 at 00:51

      Ricardo, sinceramente, não lembro do que se trata. Eu atendo muita gente e, como sou filósofo que me disponibilizo, diferente de todos os outros, as pessoas xingam mesmo. Elas descontam em mim a raiva de mim e dos outros, que não os atendem.

  3. LENI SENA
    28/05/2013 at 22:03

    Talvez as pessoas que criticam a ajuda dada pelo Estado até consigam se imaginar na situação de miséria. Só que o que elas veem é o que a aluna citada pelo senhor no texto querem enxergar: soluções pra tudo, não é porque não tenho isso nem aquilo que eu vou roubar, cheirar e até matar. Na imaginação delas só cabe a vitória dela contra a miséria. Penso que elas imaginam além da conta ou pior vivem no mundo de fantasias em que nenhum ser humano precisa da ajudada do governo, uma vez que todas são capazes de feitos extraordinários, como por exemplo, matar a fome olhando apenas o menu.

  4. Paulo Vitor Carvalho
    27/05/2013 at 23:33

    O pior é que ele vai “dar certo” do jeito errado. Ele está mirando no que vê e acertando no que não vê.

    O discurso dele a favor do “politicamente incorreto” está é sendo usado por gente que quer mais desqualificar o interlocutor, para ganhar o debate em favor do reacionarismo.

    É mais capaz desse pessoal pular do Pondé (frigideira) e cair no Olavo de Carvalho ou coisa parecida (fogo).

    • 28/05/2013 at 16:11

      O Pondé deveria pensar nisso, o quanto ele às vezes leva incaultos aos braços do desescolarizado Olavo.

  5. Diego Michel
    27/05/2013 at 21:22

    Ontem, como o nosso colega citou, eu pude ver um trecho do debate de Pondé e outros na TV. O que é aquilo? Eu já bem acreditava que Pondé não seja um filósofo que mereça uma atenção mais continua, mas, fazer o que ele faz, a dizer, pegar casos isolados das políticas sociais governamentais e, levar à um âmbito geral dando validade a esta tática, e refutar tais políticas com base nisso, é demais.

    Ele não consegue articular um pensamento político, ele não consegue visualizar medidas políticas.

    • 27/05/2013 at 21:35

      Diego, Pondé é um bom filósofo, conhecedor de Pascal e está tentando articular um pensamento próprio, como eu tenho feito. Mas ele nunca se dedicou à política e, agora, requisitado pela mídia, tenta formatar a realidade na perspectiva do seu conservadorismo. Eu acho que não está dando certo.

  6. Alexandre Junqueira Prado Gasparotti Nunes
    27/05/2013 at 21:10

    Olá professor Paulo. Concordo 100% com o senhor. Eu que sou professor do ensino fundamental numa escola pública convivo com realidades parecidas com a que o senhor descreveu em seu texto, pois muitos dos meus alunos são oriundo de famílias que sobrevivem com a ajuda de programas sociais e isso é o que permite a eles frequentarem a escola. E se eu hoje posso trabalhar é porque esse aluno está lá na escola graças aos programas sociais. A única coisa que é de se lamentar é que muitos dos professores que trabalham comigo também possuem essa miopia que o senhor descreveu e criticam os programas sociais, sem ao menos se tocarem de que se os programas sociais acabaram hoje, amanhã serão eles próprios que terão que procurar mais escolas para completar as sua carga horária, já que os alunos que eles tanto criticam não podem mais estar naquela escola em que eles tem estabilidade para trabalhar. É isso.

  7. Micaías de Souza
    27/05/2013 at 17:34

    Paulo Ghiraldelli, existe política pública de ajuda de subsistência em outros países: EUA. Inglaterra, França, Noruega. Por que vejo um monte de pessoas que dizem “em tal pais não é assim, isto é coisa de Brasil”.

    • 27/05/2013 at 20:31

      Micaías, porque as pessoas que dizem isso são burras e elas medem os outros pela burrice delas.

  8. Orivaldo
    27/05/2013 at 16:01

    E o engraçado é que essas mesmas pessoas que criticam politicas sociais do governo não veem nada de errado quando o mesmo socorre bancos a beira da falência e adoram fazer uso de juros subsidiados pelo BNDS ( Nada contra). Parece que quanto mais pobre menos merecedor de socorro.

    • 27/05/2013 at 20:32

      Orivaldo, mas não há nada de errado nisso que você falou. O Safatle acha que há, mas ele está errado.

  9. Orivaldo
    27/05/2013 at 14:18

    Pode -se dizer que o problema da humanidade não é a maldade e sim a ignorância. O MAL é um problema menor por ser característica de uma parcela bem pequena da sociedade (hipoteticamente 10%) Porém dos 90% chamados de pessoas do bem, boa parte ( a maioria) são ignorantes bens intencionados que “por ignorância” servem com suas idéias (ou falta delas) como adubo pra proliferação de tantas maldades.

    • 27/05/2013 at 14:28

      Orivaldo, às vezes penso que Sócrates está correto: se se sabe, não age mal.

  10. Adélia
    27/05/2013 at 12:29

    O PT tem acertado na macroeconomia, conseguiu fazer o Brasil passar pela crise sem grandes problemas, pagou a dívida externa, etc. No mais não fez grandes diferenças. Apesar da pobreza ter diminuido, a diferença entre ricos e pobres aumentou no governo Lula. O PT é um partido conservador nas políticas sociais, mas isso se explica pelo fato do PT ter um pacto mais forte com as elites economicas e políticas que fazem do Brasil um país muito atrasado em comparação com o mundo desenvolvido.

    • 27/05/2013 at 14:33

      Adélia, em grande parte você tem razão. Agora, como nossa política social é sempre minguadinha, quando fazemos pouco, já há algum reflexo positivo. Agora, sobre macroeconomia, não concordo com você. Acho que justo aí o PT falha, não investe em infra estrutura e por isso mesmo corre o risco de não fazer o país crescer e gerar, então, inflação.

  11. ValmiPessanha Pacheco
    27/05/2013 at 12:03

    PAULO:
    Seus argumentos favoráveis ao assistencialismo são extremamente consistentes, todavia ressuscitar Carlos Lacerda, perdoe-me, parece demonstrar o desconhecimento das políticas que esse polêmico, porém instigante homem público imprimiu ao então estado da Guanabara, no curto espaço de tempo e no contexto histórico em que o governou.
    Com admiração.
    Valmi Pessanha.

    • 27/05/2013 at 14:30

      Valmi Pessanha, referi-me ao Carlos por conta de sua birra contra o varguismo. Agora, cá entre nós, Carlos Lacerda odiava pobre. Outra coisa: não defende nenhum assistencialismo.

  12. Alex
    27/05/2013 at 11:07

    Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé.

    • 27/05/2013 at 14:31

      Ah sim, o Pondé. Mas ele é um bom filósofo, gosto dele. Agora, politicamente ele está errado. Acho que ele jamais levou a sério a política e fala sem pensar sobre o assunto.

  13. Alex
    27/05/2013 at 10:50

    Ontem vi no canal livre da Band um desses idiotas! Valeu Paulo você realmente desbanaliza o banal!!

  14. Marcelo Maia
    27/05/2013 at 10:05

    Acontece que muitas vezes as nossas bolsas são criadas não para acabar com a miséria apenas, mas para coisa bem pior.É disso que se reclama frequentemente.

    • 27/05/2013 at 10:55

      Marcelo, não, não é isso. Perceba que os que criticam não criticam para aperfeiçoar, fazem porque não entendem nada de como funciona um país.

  15. Adélia
    27/05/2013 at 09:48

    O problema é que o povo é obrigado a bancar a irresponsabilidade natalícia de grandes grupos humanos. O governo estimula de certa forma certos grupos a terem filhos como coelhos. O problema do terceiro mundo é também um problema de moral. Porque outros povos mais desenvolvidos conseguem com menos recursos naturais terem uma sociedade mais equilibrada e igualitária? Algo está errado no Brasil. É tanta desonestidade, por tantos os lados, desde a vida universitária até outras prestações de serviços menos técnicas e mais simples. Muitos falam que a culpa de tudo é o malfadado “jeitinho”, a espertíce típica de levar vantagem. Acho que isso explica muito pouco, apesar de acreditar que realmente faça algum sentido quando pensamos em como a sociedade brasileira tem se perpetuado cada vez mais nessas lógicas da exploração alheia e da falta de ética governamental e política.

    • 27/05/2013 at 10:53

      O povo banca a irresponsabilidade ou a responsabilidade natalícia do povo, Adélia. Você não percebeu que o metrô e tantas outras coisas são feitas pelas pessoas, você imagina que são feitas por deuses ou … por trabalhadores estrangeiros. Adelia, Adelia!

    • Adélia
      27/05/2013 at 12:42

      Na sociedade capitalista se vc é um desempregado vc é visto pior do que um bandido.

      O povo só sabe falar em trabalho, da forma mais mesquinha possível. E com dinheiro as pessoas passam a ser suas amigas, vc se torna uma pessoa procurada. Sem dinheiro tudo desaparece vc vira mendigão e termina morto sem direito a nada.

    • 27/05/2013 at 14:34

      É Adélia, é duro fazer o cara procurar emprego se nem roupa para ir procurar emprego o cara tem. As pessoas que não olham isso me deixam um pouco com dúvida sobre a inteligência delas.

  16. Julio
    27/05/2013 at 00:54

    Paulo, vc devia escrever sobre a polêmica em torno do comercial da lupo com o Neymar.

  17. Juscelino Gomes Miranda
    27/05/2013 at 00:54

    Professor Paulo, sempre leio com atenção os textos de sua autoria, leciono Filosofia e Sociologia para o Ensino Médio (Rolim de Moura – Rondônia). Por Favor, elabore uma ou duas questões para que eu possa trabalhar este texto em sala de aula no conteúdo “desigualdades sociais” (Sociologia). Grato.

    • 27/05/2013 at 10:54

      Juscelino, mas tem tanta coisa no Hora da Coruja, no meu blog e agora no livro novo!

    • Fernanda Soares
      27/05/2013 at 14:16

      Podia ter deixado o numero da conta para depositar parte do salário, né? Professor de Filosofia e Sociologia com preguiça de pensar é duro de engolir, viu?

    • Fernanda Soares
      27/05/2013 at 14:17

      * ter deixado = ter pedido

      hehehehe

    • 27/05/2013 at 14:34

      Para quem está dizendo isso Fernanda?

  18. Erick
    26/05/2013 at 21:32

    Eh, paulo, vejo muito desses por aí, alguns bem conhecido – como rodrigo constantino, daniel fraga. “pregam” o que chamam de anarco-capitalismo. Vejo uma incapacidade dessa gente em se colocar no lugar do outro. Eles partem de uma ideia aprioristica da realidade onde todos tem as mesmas condições físicas e psicológicas de subirem na vida. Ou seja, excluem toda uma instância subjetiva (e social mesmo) – como você mesmo citou com exemplos práticos do pai bêbado, o menino sem perspectiva alguma – e se fixam numa ideia de que “se eles estão assim é somente culpa deles”, como se todos fossemos um átomo social.

    • 27/05/2013 at 00:47

      Erick, mas não deve perder tempo com esse pessoal que você citou. Deve ler os professores das boas universidades e os clássicos. Esses aí não conta. Isso aí é como o Olavo de Carvalho, não passou no vestibular. Esse tipo de radicaloide sem formação não deve roubar seu temmpo.

  19. Leandro Nakamura
    26/05/2013 at 21:29

    A sociedade tem preguiça de pensar. Também há uma imensa má vontade. Qualquer política pública é vista de forma equivocada e simplista. Bolsa Família = Incentivo a vagabundagem. Auxílio Reclusão = Bolsa bandido. Cartão Recomeço = Bolsa Crack. Sinceramente é deprimente “tentar” conversar com as pessoas, elas se proclamam, no facebook, como preocupadas com os problemas sociais e não leem nada, não discutem, só postam para mostrar que não são idiotas. Numa conversa com pessoas “normais” é triste perceber que só sabem sobre novelas, filmes e gostos pessoais, parece elas estão congeladas no tempo. Uma única conversa com algumas é necessário para saber como irão morrer.

    • 27/05/2013 at 00:48

      Leandro, mas isso está mudando. Há muita gente que está amadurecendo com a democracia. Muita gente que é capaz de não ser petista e, ao mesmo tempo, avaliar onde o PT acerta etc. Isso está sim ocorrendo.

  20. 26/05/2013 at 17:32

    Isso das pessoas n conseguirem se imaginar nos lugar das outras é pq são burras ou egocêntricas demais?

    • 26/05/2013 at 17:49

      Marlin, claro que há má vontade. Mas é burrice sim. Um conservadorismo nesse grau aí é burrice.

  21. Mauricio Bonetti
    26/05/2013 at 14:39

    Professor, também ando indignado com esse tipo de gente. É inacreditável como as pessoas acreditam na lenda do mérito individual. Sou membro de uma classe da qual sinto nojo. Não faltam imagens no meu face com piadas sobre programas sociais. E quem as publica geralmente são os caras mais limítrofes que já conheci e vivem de ajuda dos outros. No Brasil, sempre existiu esse tipo de gente? Ou é coisa de agora?

    • 26/05/2013 at 17:29

      Maurício, o cara que fica entre classes, indefinido, em geral é o mais reacionário – não raro o mais burro. Sempre tivemos isso. Sempre que há um governo que tenta alguma política social, assistencialistas ou não, surge na sociedade esse reacionarismo. Carlos Lacerda sai do túmulo para encher nosso saco.

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