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22/10/2017

“Ordem e Progresso” do presidente Temer


Ordem e progresso, de novo? Mas do que se trata?

Os brasileiros escolarizados sabem que o lema “Ordem e Progresso”, que está inscrito na Bandeira Brasileira, tem a ver com a filosofia do francês Augusto Comte. Também tem conhecimento de que o positivismo foi uma doutrina forte entre os republicanos, tanto os civis quanto os militares. No entanto, nem todos sabem localizar a parte boa das raízes desse empreendimento filosófico.

Por não entenderem corretamente a origem do lema no seu contexto filosófioco e, então, por desprezarem a formação jurídica e old school do Presidente Temer, trataram logo de ridicularizar a frase escolhida por ele para guiar o seu governo. Por má vontade com Temer, acabaram tendo má vontade com o um lema que tem lá uma origem interessante. Uma pequena retrospectiva se faz necessária.

A frase “ordem e progresso” entrou na bandeira com um corte, talvez justamente porque a primeira parte da frase fosse uma camisa de força para pessoas que deveriam, ao menos naquele momento de criação da República, dar combate ao Império, em nome da nova ordem. Qual corte? Bem, a frase original de Comte era uma maneira de sintetizar sua proposta filosófica: “amor por princípio, ordem como base e progresso como fim”.

Fazendo da filosofia da história de Hegel um esquema de teoria social, Comte viu o desdobramento cultural humano segundo três fases: mítico-religiosa, metafísica e científica. Os homens deveriam ir do mito para a filosofia e desta para a ciência. Chegar ao progresso seria algo desejável, claro, e isso significaria entrar para a última e melhor fase da humanidade. O progresso era visto por Comte como aquela fase na qual as pessoas deveriam deixar de pensar miticamente e filosoficamente para abordar os problemas da vida segundo procedimentos científicos. Mas isso não seria possível de ser realizado sem um impulso motivacional tomado como princípio e guia: o amor. A força da união entre as pessoas, um eco da fraternidade da Revolução Francesa, sempre teria de estar presente. Por sua vez, a ordem deveria ser tomada, por definição, como contrário do caos, como a harmonia de uma etapa que segue outra. (Cosmos é ordenação, e a palavra cosmético, que deriva de cosmos, é a arte e produto de tornar um rosto harmonioso, e por isso mesmo belo).

Embora vindo de outra formação, Darcy Ribeiro soube entender a história republicana no sentido de tomar o positivismo como uma filosofia doce, própria das origens republicanas no Brasil, e queria reintroduzir o “amor” em “ordem e progresso”, de modo a mudar o inscrito na Bandeira Nacional. Chegou a conversar com Sarney, então presidente, sobre o assunto. O Senador Eduardo Suplicy também caminhou nesse sentido. Muitos não entenderam a proposta, pois já não sabiam apreciar a filosofia de Comte e nem entender o quanto ela estava e está impregnada em nós. Talvez a palavra “amor” viesse mesmo a dar sentido à frase de um modo especial, criando para o senso comum a chance de repensar o dístico, de evocar e invocar a história, de reapropriar-se, inclusive, de que a filosofia sempre está em todas as nossas instituições. Sempre que um movimento político pode trazer mais consciência histórica de modo a refazer lições filosófica, só ganhamos.

Muitas vezes, quando vemos alguns criticando a filosofia, dizendo que ela não serve para nada, há ecos aí do positivismo. No Brasil há essa mentalidade, mas não tão diferente do resto do mundo. Todavia, o positivismo entrou por uma situação paradoxal, pois ele próprio nunca foi uma sociologia seca, mas também e principalmente uma filosofia. Também nesse sentido, reintroduzir o “amor” na Bandeira talvez pudesse mesmo ser uma boa sugestão, já que Temer, agora, reinvocou o dístico. Aliás, o fez em boa hora. Nada melhor que usar de símbolo de gestão o que já temos como símbolo da Repúblic, sem inventar outros que se tornam ridículos, artificiais, inoperaantes (“Brasil, um país de todos” e “Brasil pátria educadora” foram vergonhosos, principalmente na boca do PT). Símbolos que já temos têm história, e nos empurram para tentar fazer justiça a eles, criando de novo uma certo patriotismo necessário (o que é bem diferente de tolo nacionalismo) para um povo que tem dificuldade de olhar com bons olhos para sua geografia e sua história.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo

 

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26 Responses ““Ordem e Progresso” do presidente Temer”

  1. Junior
    27/05/2016 at 12:19

    Nem o professor nem os dos comentarios sabem como a vida é dura aqui na favela

    Percebo que o professor tem interesse em igualdade porem nao troca seus confortos para vir aqui na quebrada ver de perto como o molho esta.

    E por outro lado vejo os comentaristas ou fazer igual o professor ou canalizar suas frustaçoes em ataques.

    Quando vcs boys vao percebe que essa teorias nao dao em nada?
    Agora deixa eu ir no meu corre o que pra vcs é crime pra mim é equiparaçao.
    QUEM É MAIS IGNORANTE EU NOS LIVROS OU VCS NA REALIDADE?

    Obs: EscreveR corretamente é so umA decorreba, eu fiz vc entender é o que importa.

    • 27/05/2016 at 13:20

      Junior essa história de culto da favela e da burrice é problema seu, é inferioridade que você quer assumir. Azar seu.

  2. Angelo Campos
    17/05/2016 at 20:54

    “…de reapropriar-se, inclusive, de que a filosofia sempre está em todas as nossas instituições”.
    ???
    Que piada é essa?

    • 17/05/2016 at 23:01

      Ãngelo escrevo para inteligentes. Mostrei a filosofia na bandeira, você não entendeu. Paciência, problema seu.

  3. Rodrigo Bonfim
    17/05/2016 at 20:46

    Ainda veremos tremendas decepções nesse governo Temer. E das grandes! É o homem dos bancos e do capital extrangeiro.

    • 17/05/2016 at 23:02

      Rodrigo estranho você escrever isso como réplica do meu artigo que não fala dessa assunto! Está com problemas?

    • LMC
      18/05/2016 at 14:24

      O Rodrigo é parente do Tiririca
      pra escrever “extrangeiro”.kkkk

  4. Guilherme Pícolo
    17/05/2016 at 19:37

    Só foi estranho o uso do globo da bandeira nacional que existia na versão de 1960, inclusive com 22 estrelas em vez de 27. Fico me perguntando se foi involuntário…

  5. Valmi Pessanha Pacheco
    17/05/2016 at 12:07

    Prof. PAULO
    Comte influenciou uma geração de jovens militares brasileiros, entre os quais se sobressaiu o Professor de Matemática Benjamin Constant Botelho de Magalhães, que não tiveram pejo em promover “um golpe” contra o, ainda mais longo período administrativo de nossa História. Iniciado, curiosamente, com outro” golpe” nas instituições ao promover a maioridade de um jovem imperador aos 14 anos, 7 meses e 21 dias. Por favor, não tenho simpatias pela Monarquia e, sim, pelo Parlamentarismo.
    Talvez o”‘amor” defendido por Comte tenha sido pensado por Aristóteles, dois milênios e meio antes, ao tentar explicar a força de atração do Motor Imóvel.
    Quanto ao Sr. Temer, tudo leva a crer que tenha sido restaurada, pelo menos, a incolumidade da “última flor do Lácio”, tão vilipendiada pelos governantes na última década.
    Com admiração
    Valmi Pessanha.

    • 17/05/2016 at 13:50

      O Temer aparece na minha história secundariamente, o principal da história é Suplicy.

  6. Matheus
    16/05/2016 at 23:48

    Eu com 25 anos não consigo ter tanto “positivismo” (ou melhor, otimismo) quanto vc tem Paulo.

    Tome isso como um elogio.

    Vou ficar aqui esperando no que vai dar o Nosferatemer e sua série de ressurreições de velharia…

    • 17/05/2016 at 01:14

      Não há otimismo nenhum. O texto é enxuto, só não é lamuriento.

    • Matheus
      17/05/2016 at 14:57

      sim, acabei usando otimismo como um contra-ponto às lamúrias de esquerdas totalitárias/PT e Pt2.0, mas não seria o termo mais adequado mesmo

  7. José Edson
    16/05/2016 at 23:11

    Não consigo deslumbrar amor depois da falta de ordem. Progresso tivemos do ponto de vista das discrepâncias sociais por lapsos de tempo. Considerar que temer e seus asseclas seja uma alternativa para o progresso surte muitas dúvidas. Aliás com a bênção de sujeitos políticos como Malafaia e sequaz tenho sinceras dúvidas.

    • 17/05/2016 at 01:15

      José Edson, nem explicando você entende heim?

  8. Lohas
    16/05/2016 at 17:22

    Estou ainda achando meio borococho esse inicio de governo Temer. Sera que vai pegar no tranco? Espero que sim.

    • 17/05/2016 at 01:15

      Para o meu texto, pouco importa, não escrevi sobre o Temer

    • LMC
      17/05/2016 at 13:41

      Lohas,o que você achou dos 13
      anos perdidos do PT,hein?Ah,
      jegue não fala,me desculpe.kkkk

  9. João Paulo Matheus
    16/05/2016 at 15:43

    Paulo, qual é a sensação em ler uma resposta como a do Luís após escrever um texto tão esclarecedor? É parecida com a que te levou a escrever sobre a aposentadoria de um país? Ou aquela era mais grave? Já que bolsonaristas são uma piada de mal gosto.
    Abraço

    • 17/05/2016 at 01:17

      João Paulo Matheus, é uma felicidade ver que há gente como você, que percebe que há o energúmeno feito o Luis.

  10. Luiz
    16/05/2016 at 14:37

    Esse país só terá ordem e progresso quando Bolsonaro se tornar o presidente do Brasil e expulsar toda a esquerda que contamina o ambiente cultural Brasileiro.

    Enquanto isso não acontece, continuará existindo varios profesores universitarios e de colégio que querem impor a ideología comunista para nossas crianças e jovens, além desses vagabundos dos direitos humanos que defendem bandidos e querem ver toda a sociedade ser destruída.

    Quando Bolsonaro virar presidente, ele irá acabar com todos esses vermes esquerdopatas, além disso Bolsonaro irá revogar o estatuto do desarmamento, decretar a pena de morte e diversas penas mais severas para proteger a sociedade da bandidagem.

    • 16/05/2016 at 14:46

      Luiz, em 25 anos de parlamentar Bolsonaro conseguiu passar só um projeto na Câmara. É um político inexpressivo. Seu feito tem sido ganhar cusparada e ser ridicularizado. Aliás, bolsonarista é piada em todo lugar, como você aqui.

    • Orquideia
      16/05/2016 at 22:47

      Luiz, vc está confundindo Bolsonaro com Jesus Cristo e a política,com o apocalipse.

    • Claudio Dionisi
      17/05/2016 at 14:12

      Mais uma vez… Agora só foi preciso ler uma linha!
      Essa gente não tem noção do papel ridículo que fazem.
      Adaptando a frase do professor sobre idiotas:

      “O Brasil podia ter menos bolssonaristas, é verdade, mas sem eles ia ser menos divertido.”

    • LMC
      18/05/2016 at 14:22

      Por mim,não teria nenhum
      bolsonarista,CD.Mandaria
      matar todos.

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