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27/06/2017

Lula boy: o rico consultor da Wikipédia


Nada envelhece mais depressa que o moderno. Sabemos disso. Mas, por que é assim? Talvez se possa dizer que a modernidade é a época da mercadoria, e esta está calçada por um produto que precisa ter uma data de validade. Não é nada alvissareiro para uma sociedade de mercado que existam produtos com a ousadia de não se tornarem obsoletos rapidamente. Nesse mundo, para existir é preciso deixar claro que se vai deixar de existir no prazo correto.

Os ídolos seguem à risca esse figurino. São facilmente integrados ao mundo do mercado e imitam quase que perfeitamente as mercadorias. Portanto, logo se mostram com data vencida. Não agradam mais. “Saiu da moda!”. “Perdeu a graça!”. “Nossa, ficou chato!”. Como tudo que é produto moderno, também o ídolo político passa por isso. Seu discurso, até ontem cheio de vigor e verdade, repentinamente é tomado como capenga, tedioso e, não raro, uma grande mentira. Não se trata aí de ver a degradação do político, o que é uma bobagem, mas, antes, ver a degradação como aquilo que permite ao político ameaçar seus opositores dizendo que pode voltar. Sabe-se bem: a segunda vinda é antes pastiche que a própria farsa.

Um político diz: “olha que eu vou voltar, heim!”. Mas o que ele não sabe é que a fábrica que o fez lhe deu data de validade. Mas tal data é colocada nas costas do boneco de brinquedo e, ele mesmo, como o Buzz Lightyear, não tem a menor ideia de que é um brinquedo. Aqui, a comédia ganha um tom hegeliano, mas ainda assim, comédia. Hegel disse: Napoleão é a história a cavalo. Sim, o político em questão tem um espaço de atuação diferente. Ele se parece mais com algum boneco de Toy Story, o seu cavalo branco é uma peça de plástico ou cera, e o enredo é assinado pelo fantasma que coloca lá: “Walt Disney Production”.  É consumo de férias de crianças.

O problema de alguns bonecos é que se imaginam não-bonecos. Nem com dicas do Hegel-Disney eles se tornam capazes de notar em que espaço do quarto estão.  Por exemplo, se um filho meu pega a Wikipedia para fazer um trabalho de escola, eu já sei que algo não vai bem. Falhei ou estou falhando em algo. Sou mesmo burro e, portanto, tenho filhos burros iguais ou piores que eu.  Mas, se um filho meu pega a Wikipedia para dar consultoria, numa empresa, e ganha milhões, não tenho que ver isso como uma burrice somente, tenho de notar que todas as noites alguém me guarda numa caixa – uma caixa de brinquedos. E meu prazo de validade já se foi. Sou peça de uma brincadeira que acabou, uma vez que meu proprietário já tem coisa nova para fazer. Talvez ele tenha crescido e, agora, guarde para sempre seus companheirinhos. Alguns guardam outros defenestram brinquedos velhos. Outros, ainda, fazem doações.

Nenhum ser humano tem prazo de validade dado por lápides em cemitérios. Os ídolos, menos ainda. Uns vão antes, outros muito depois. Alguns não vão, e se tornam clássicos. Mas nenhum clássico usa a Wikipédia.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo

PS: Lula não sabe que sua falta de escolaridade e sua boa inteligência não dão conta de uma situação complexa que, agora, se impõe, e o coloca fora da vida do país. O país no qual ele foi bom ele mesmo contribuiu para desaparecer – no bom e mal sentido. Ele tinha um papel a cumprir, e cumpriu. A cabeça não dá para mais. Aécio não tinha papel nenhum, quis cumprir, não eu e agora o nariz não permite mais também.

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2 Responses “Lula boy: o rico consultor da Wikipédia”

  1. Roberto
    01/12/2015 at 16:40

    “Mas, se um filho meu pega a Wikipedia para dar consultoria, numa empresa, e ganha milhões, não tenho que ver isso como uma burrice somente, tenho de notar que todas as noites alguém me guarda numa caixa – uma caixa de brinquedos. ” Como? ganhar milhões usando wikipédia é burrice? Jamais, não por isso. Se for assim, a pessoa que recebe esse tipo de consultoria é o que?

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