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27/03/2017

O professor “demitido por racismo”


Mussolini definiu o fascismo, certa vez, como o “horror à vida cômoda”. Um oficial de Hitler, comentando sobre o movimento nazista, disse sem pestanejar: “poderão nos acusar de tudo, menos de tédio”.

A ideia do fascismo é sobrecarregar, tensionar, agir e fazer sentir a ação. O ódio do fascismo à universidade se manifestou desde o início, exatamente por esta ser o lugar do pensamento e da reflexão, não da ação. Os grupos de ação internos à universidade, que se mobilizam aqui e ali, até mesmo quando estão certos, estão errados. São grupos que mais cedo ou mais tarde acabam cumprindo os desejos de Mussolini.

Aliás, na universidade, sempre temi grupos. Até mesmo o próprio sindicato, que é criado para proteger o professor, às vezes me deu medo.

A demissão de professores universitários no mundo todo obedece sempre a mesma regra. São demitidas as pessoas que fustigam o pensamento e quebram as ações “que devem ser feitas”, ou seja, são os que põem questões que não deveriam ser postas, e nos fazem ter de debater. Então, para que os questionamentos não se ponham, e tudo siga a ordem e a programação da ação, que se mandem embora os que teimam em ser provocadores. 

Todos os argumentos do Professor Malagutti, acusado de racismo por alunos e demitido da sua universidade, são possíveis de serem rebatidos argumentativamente. Todos as posições dele são, a meu ver, equivocadas. Aliás, algumas delas são até ingênuas, sobre a diferença entre “o que é” e o que “deve ser”. Mas todas as posições dele são legítimas na Academia. E são posições de vários outros professores e estudantes. São tão legítimas de serem colocadas quanto as posições do professor da UFRJ que, por esses dias, citando Brecht, disse que os conservadores mereciam “um bom paredão e uma boa cova”. Aliás, em termos de provocar o debate, as de Malugutti são melhores. Esses discursos todos são claramente políticos. Mas política, religião, futebol, mulher, homem, tartaruga, drogas, racismo, lamarckismo, maconha, cinema, Marx, Santo Agostinho e o Surfista Prateado devem ser discutidos na universidade. Na universidade pode caber um professor chamado Umberto Eco, que diz que a internet só possui tonto. Ele está errado. Mas ninguém contesta, afinal, é o Umberto Eco. Outros são contestados. Outros ainda, não são contestados, são expulsos, perdem o emprego. Estes últimos, são vítimas do fascismo.

Eles ensinam coisa errada? Não se trata de opinião, mas de erro crasso? Ora, então, como foram contratados?

Em um país em que a esquerda escreve um livro autoritário para dizer “como conversar com fascistas” e onde a direita diz que “o PT nunca deveria ter saído do chão de fábrica”, as coisas não vão bem. Mas serão piores se tais livros e tais frases, autoritárias e dogmáticas, não puderem ser ditas. Elas precisam ter o lugar de serem faladas. E na universidade cabe tais posturas, pois nela e só nela, ao serem postas, naturalmente terão que ser debatidas. É isso que a universidade faz. Caso um professor coloque suas posições em forma de proselitismo ou não, tanto faz, cabe ao outros professores, aos estudantes, alertá-lo no seguinte sentido: “vamos trazer sua frase não para o campo da repetição e propaganda, na qual você a inseriu, mas para o campo da roda de investigação?” Vamos por à prova às frases racistas. Esse é o comportamento universitário. Esse é o comportamento que tenta fugir do fascismo e preservar a universidade como lugar de respiradouro de ideias. Não entender isso é não entender que uma sociedade, por mais fechada que seja, precisa de uma universidade aberta, ou justamente por ser fechada precisa de uma universidade que seja um lugar do debate completamente livre. Ela é o respiradouro social (Weber).

Pode-se encontrar mil formas de admoestar um professor ou um aluno que extrapolem uma discussão e cometam faltas previstas na legislação comum. Mas, fazer a universidade virar quartel policial e, por meio de fascios, tentar eliminar do mercado de trabalho um professor, é algo que só um completo desconhecedor do papel da academia pode levar adiante. Na verdade, é de uma burrice insuportável. A universidade deveria é ter feito várias mesas redondas sobre o assunto, e não posto a guilhotina em um professor, para satisfazer o populismo de grupos.

Engana-se quem pensa que, com isso que digo, estou defendendo uma sociedade liberal, ainda que também esteja. Gosto da democracia liberal. Mas, antes, estou defendendo uma sociedade inteligente. Só temos a verdade se pudermos ter várias pessoas mentindo ou falseando ou errando. E se isso não pode ser feito em todos os lugares da sociedade, é necessário existir um em que a “experiência com o pensamento” (Nietzsche) possa ser feita. Esse lugar, no Ocidente, é a universidade.

O Brasil, e principalmente os liberais, conservadores ou não, e mais ainda a esquerda, deveriam aprender isso. O Brasil, que já viveu vinte anos de ditadura militar de direita, deveria ter uma esquerda que fosse capaz de não tentar tirar o emprego de professores que são discordantes da ordem oficial, pois esse era o comportamento do regime de 1964. Tirar o emprego é o equivalente, na sociedade atual, à eliminação. A eliminação e não a oposição é própria da ação fascista. Vamos nos mobilizar, vamos “tirar” da cátedra aquele que nos incomodou, pois, afinal, não queremos gastar energia tendo de refutá-lo. Vamos tirá-lo pela ação e pressão do fascio. Isso é a SS na universidade.

É isso que esquerda e direita na universidade estão querendo? Fazendo isso, vão destruir de vez o ensino superior brasileiro. Aliás, penso até que desejam isso. Os professores que mandaram o colega embora são como aqueles deputados que, em 1964, permaneceram no Congresso para esperar os militares chegarem e fecharem o Congresso.

Odeio discurso ideológico na universidade. Mas sei muito bem, e todos deveriam saber, que todos nós, por mais que tomemos cuidado, ao falarmos o que entendemos como não sendo ideológico, podemos estar sim fazendo ideologia e até mesmo proselitismo e, não raro, propaganda. Toda aula acaba nos colocando meio que “de modo pessoal” nela. Seríamos uma farsa completa, como professores, se não fosse assim. Um bom professor tenta a toda aula ampliar sua narrativa não ideológica e diminuir sua narrativa ideológica. Mas isso é tarefa de cada professor, e não de avaliação de grupelhos nazi-fascistas, travestidos ou não de esquerda, que ficam policiando aulas.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

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53 Responses “O professor “demitido por racismo””

  1. LMC
    13/11/2015 at 12:08

    Será que o Malagutti é
    adepto da Meritocracia
    Padrão Pondé?Pois é….

  2. Valmi Pessanha Pacheco
    13/11/2015 at 11:05

    ´´E meu caro PAULO…
    François Marie AROUET (Voltaire) tinha toda a razão:” não concordo com qualquer das suas palavras, mas enfrentarei todos os obstaculos para que tenha o direito de pronuncia-las”.
    Parece que os corpos docente e discente (e indecentes)dessa “universidade ” repressora desconhecem a própria Historia da primeira universidade fundada no mundo (a de Bolonha, na Emiglia Romana, Itália, em 996 d.C. nos acordos celebrados então entre o governante Frederico Barba Roxa e os verdadeiros mestres e alunos. Como voce mesmo diz: precisam urgentemente voltar aos bancos escolares
    Com admiração
    Valmi Pessanha. .

    • 13/11/2015 at 11:31

      Valmi! Obrigado por ler e participar da conversa. Olha, não sou adepto do Voltaire não. Não luto para que o adversário venha dizer coisas à toa não. O que quero dizer é que a Universidade perde uma grande oportunidade de ser universidade que foge de um assunto, quando teme cumprir seus papel de pesquisadora e educadora.

  3. Luiz Antonio
    12/11/2015 at 16:34

    O texto diz o que deve ser dito. Eu acrescentaria o papel ridículo representado pelos porta-vozes desses grupos militantes e dedicados a uma suposta causa negra. O que fazem é continuar a eleger ‘senhores’ a combater, mantendo em pauta a ideologia do sujeito que se percebe como ‘escravo’, cuja razão da existência não se encontra em si pela condição atual de cidadãos livres, mas na permanência do ‘senhor’, que o oprime e assim o determina. Cortem os laços e perguntem-se a quem eles servem.

  4. Julio
    12/11/2015 at 01:59

    Paulo, os alunos ao invés de enfrentar o professor no debate, prefiram chamar o poder pra resolver o assunto: o poder da universidade, do estado, do controle social.
    Em lugar de enfrentarem o professor que dizia asneiras diante deles, foram correr pra barra de saia de um poder maior.
    Que futuro tem o cara que aos 20 anos cultiva a impotência?

    • 12/11/2015 at 11:22

      Júlio! Esses alunos, pode acreditar, nunca serão alguém na vida. Tome o nome dos mais ativos e consulte daqui dez anos, vinte anos, não achará nenhum mais. Nem no Google. Alguns você achará na cadeia. Estou falando sério. Já vi muita coisa. Esse tipo de aluno é cara derrotado.

  5. David
    11/11/2015 at 23:47

    Caro Prof. Ghiraldelli,

    Sou professor, também de filosofia, na UFPI, e lecionei na UFES, onde me formei, na época da polêmica com Malagutti. Por mais que seus argumentos tenham algum grau de razão, creio que o senhor não está a par de tudo o que ocorreu na época. Malagutti respondia a uma pilha enorme de processos administrativos pelos mais variados atos. Ele também discriminou e ofendeu um aluno cadeirante (eu estava presente na ocasião), o que lhe rendeu outro procedimento administrativo poucos dias antes da aula que gerou a polêmica sobre racismo. E, no dia da aula em que ele aparentemente fez declarações racistas, fui eu a lecionar no horário imediatamente seguinte. Vi como os alunos estavam abalados emocionalmente e se sentiam agredidos, e pelos relatos ele não fez apenas as declarações que aparecem na entrevista que cedeu à imprensa local. E foram sim criadas rodas de conversa e seminários para debaterem os “argumentos” dele nas semanas subsequentes. Temo dizer que, mesmo havendo alguma razão na sua argumentação geral, o senhor se equivocou quanto ao caso em particular que usa como exemplo em seu texto.

    • 12/11/2015 at 11:24

      David. Mesmo assim, meu caro, cada processo é um processo. Juntar o histórico do cara para derrubá-lo exatamente onde ele não estava errado? Não pode. Outra coisa, esse negócio de aluno ofendidinho, de aluno coitadinho, a gente sabe muito bem com que tipo de carga aparece. E sabe muito bem como que aparece. Não sei quantos anos você tinha, mas na ditadura, muitos professores bons foram mandados embora, em alguns casos, entraram no lugar gente favorável ao regime. Nunca quisemos expulsá-los como fizeram com nossos mestres, debatemos com eles. Inclusive, alguns, depois de 1985, ficaram na universidade, enquanto que outros, anistiados, não puderam voltar. Eu me formei e fui fazer bancas com alguns que ficaram, e os tratei como intelectuais, não como bandidos. Não saber conversar e apelar para a “lei”, na universidade, é uma derrota. Agora, meu caro, espero que um dia você não esteja no lugar dele. Não pense que não pode estar, mesmo sendo “bonzinho” com aluno ou mesmo bem correto. Tome cuidado. Uma palavra sua mal entendida (o que não custa) e você, aí na UFPI, toma uma rasteira de todos seus amigos, sabia? E sabe quem vai defendê-lo? Só eu aqui. Todos os seus coleguinhas dirão “ah, ele já era problemático”.

  6. Marcos
    11/11/2015 at 22:43

    Esse professor aí fez uma leitura de Pierre Bourdieu a la Hilter.

    • 12/11/2015 at 11:26

      MARCOS, ele não fez leitura nenhuma, os argumentos do Malagutti são fracos, puro preconceito. Mas ele venceu. Ele derrotou a universidade, que fugiu dele.

  7. Daniel Ricco
    11/11/2015 at 22:19

    Os alunos que protestaram a favor da saída do professor só deram importância ontológica para o que ele quis defender, ou seja, pensando como os medievais, que o professor é uma autoridade, mas também contra os medievais apoiando a expulsão sem argumentos, sem processo de refutação. Cometeram um ato inquisitório.
    Daí já deu para ver que a questão não é se racismo é crime, porque ele foi expulso sem um processo criminal, a questão foi que os alunos e a universidade apoiaram uma prática que tem seu nome desde 64 que é de censura, porque o professor pelo o que eu sei até agora não apoiou práticas racistas, só defendeu uma tese, portanto, cabe a refutação que é benéfica para todos na Universidade.

    • 12/11/2015 at 11:27

      Daniel, Malagutti, com uma tese fraca, derrotou a universidade toda. Ela fugiu.

  8. José Silva
    11/11/2015 at 19:29

    Lembrei de seus textos sobre o machismo ao ver a entrevista do Professor Malagutti dada a um jornal. Em nenhum momento ele recusa o negro, por ser negro. Mas sim, por que os negros teriam uma formação menos qualificada do que os brancos, por causa dos negros serem de condições menos favorecidas. Isso é um preconceito contra os pobres, racismo não.
    E a questão dada por Malagutti deveria ser discutida, não reprimida.
    Quantos alunos que estavam na manifestação pedindo a demissão do professor Malagutti, discutiram em sala ou fora dela com o mesmo? Quantos desses alunos sabem o que é conversar?
    Acho que foi no ano passado que, o deputado Jean Willys em uma palestra dada em uma Universidade, colocou a questão de que a série “Sexo e as Nega” da TV Globo não seria racista, pelo contrário, seria uma das vozes de auto afirmação da população negra feminina. Nunca tive a oportunidade de ver essa série para saber se o deputado está certo ou errado. Mas o que sei é que, por meio das redes sociais ele foi perseguido por setores da esquerda que achavam um absurdo ele discordar do pensamento dominante de que a “Globo é racista”.
    Lastimável, daqui a pouco terão pessoas pedindoa morte de outras, por tais serem “intolerantes e preconceituosas”, sem nem pensar na contradição de tal atitude. Intolerância, racismo, se tornaram clichês, palavras vazias, na cabeça de algumas pessoas no Brasil

    • 11/11/2015 at 20:31

      José você lembrou bem, o movimento negro, em parte, já quis linchar o Jean Wyllys!

  9. LMC
    11/11/2015 at 18:49

    Agora,esse professor vai
    escrever pra Veja,dizer que só
    tem marxista e petralha na
    UFES,etc,etc,etc….

    Será que ele é contra as
    cotas pra negros nas
    universidades?

    • 11/11/2015 at 20:32

      LMC as coisas não funcionam nessa dualidade que você quer para, então, denunciar. Você exagera nela.Não trabalho com esquemas assim.

  10. Ednéia
    11/11/2015 at 18:00

    Paulo, acredito que se você fosse pobre e (ou) negro, o seu discurso seria outro! Você se calaria se ouvisse alguém dizer que, devido á cor de sua pele e de sua origem social, você não seria capaz de ser um bom profissional? Malagutti como professor, é um formador de opinião e como tal, não deveria tentar incultir na mente de seus alunos, pensamentos racistas e preconceituosos!

    • 11/11/2015 at 18:07

      Ednéia, não me calaria como não me calo. A universidade se calou e tentou calar Malagutti. Ou seja, Malagutti derrotou todos. No silêncio dele, só ele falou. Agora, pelo que vi, você não leu o que ele falou e nem o que eu escrevi. Leia. Reflita. Olha um livro: Filosofia Política para educadores (Manole). Leia outros textos aqui no blog sobre cota, etnia etc. OK?

    • 11/11/2015 at 18:12

      Só para você saber, Edneia, tive irmã negra. Sei o que falo.

    • Gabriel
      11/11/2015 at 20:25

      Você sabe o quê? O que ela te contou. Amigão, cê nem tem como saber o que é sofrer racismo. Você sabe o que sua irmã passou quando ela te contou e se “revoltou” (não sei) porque a afetou. Mas nós, negros e negras, sofremos isso cada segundo das nossas vidas. Então sem essa de tive irmã negra.

    • 11/11/2015 at 20:28

      Gabriel, não sou seu amigão. Tenho amigos só inteligentes.

    • Thiago Carlos
      12/11/2015 at 14:24

      Paulo o Gabriel é bobão e juvenil mesmo. Se a gente fosse considerar essa lógica dele, um pai branco de um garoto negro não sofreria e não conseguiria sofrer pelo filho que é discriminado. Aí nem faria sentido lutar pela diminuição do preconceito, porque ninguém conseguiria sentir empatia por ninguém e mudar de atitude.

      Não tem jeito mesmo e eu não aguento mais ter que ficar me negando a falar sobre isso, porque as pessoas se sentem diminuídas. Se o movimento negro brasileiro não começar a se inspirar no movimento negro norte-americano e entendê-lo, buscar saber quais são as correntes e os principais intelectuais que formaram e formam parte do discurso público de combate ao racismo e que as entidades de proteção aos direitos dos negros, como a NACCP, se inspira para continuar o trabalho de diminuição do preconceito, a gente nunca vai começar a discutir seriamente as questões raciais nesse país. Já tá mais do que na hora de trazer o Cornel West para cá e pedir que ele faça um texto bem completo sobre questão racial no Brasil. A visão dele seria muito esclarecedora sobre a forma como o brasileiro recebe e entende o racismo em comparação com o norte-americano.

      Se você tivesse tempo , já que a merda tá feita mesmo e se souber em detalhes sobre o assunto, de fazer um texto mostrando em detalhes o discurso supremacista branco e as principais teses que sustentam esse discurso, seria de grande valor para a polêmica. Incluindo o tipo de visão filosófica que o sustenta. Não só o discurso racista do séc XVIII e XIX e as teses nazistas em detalhe, mas o discurso racista contemporâneo que se expressa nas entrelinhas.

      Eu sei que você tem vários textos sobre o preconceito, mas se puder fazer com esse tema em específico seria legal.

    • 12/11/2015 at 14:54

      Thiago, tentarei num momento voltar ao assunto. Obrigado mais uma vez.

    • Thiago Carlos
      12/11/2015 at 11:46

      Gabriel sem essa de “você não sabe o que é o racismo”. Todo mundo pode entender o problema muito bem e isso não é exclusividade biológica ou social. Você é humano, o Paulo também e é isso que basta.

      Eu também sou negro e aprendi muito mais com o Paulo sobre o que é o racismo na sociedade brasileira do que os vários setores da universidade que se dizem a favor das cotas e da diminuição do preconceito.

      É por essas e outras que uma parcela do movimento negro e das pessoas negras do Brasil não conseguem atingir os objetivos que buscam, porque não conseguem ser democráticos, pois chega um momento em que todo mundo quer ganhar tudo no grito, sem abertura para o debate, sem criar a polêmica sobre o problema do preconceito racial e derrotá-lo por meio da problematização do que é o discurso racista. Ao invés de entender o problema que ele apresenta no texto e melhorando sua conduta como indivíduo que se relaciona com outros que são diferentes de você, mesmo que eles sejam criaturas abomináveis e estúpidas, você prefere criar essa polarização tosca e defender a atitude de censor porque alguém discorda de você.

      O país já tá polarizado e você cria essa divisão que piora ainda mais o problema quando faz isso.

    • 12/11/2015 at 12:14

      Thiago, meu emocionei com seu depoimento. Parece que há um gap entre negros e movimento negro, e esse gap está aumentando. Eu sou a favor de cotas étnicas, sou amplamente anti-racista e, de certo modo, sou até radical nisso. Mas, pessoas completamente ignorantes já me acusaram de racismo. E pior: meus amigos negros, professores, nessa hora, sumiram. Ficaram com medo de me defender, por medo do movimento negro. Só aí eu vi como que uma minoria que quer combater o fascismo se torna fascista.

  11. Ednéia
    11/11/2015 at 17:58

    Paulo, acredito que se você fosse pobre e (ou) negro, o seu discurso seria outro! Você se calaria se ouvisse alguém dizer que, devido á cor de sua pele e de sua origem social, você não seria capaz de ser um bom profissional? Malagutti como preofessor, é um formador de opinião e como tal, não deveria tentar incultir na mente de seus alunos, pensamentos racistas e preconceituosos!

    • 11/11/2015 at 18:14

      Mais uma para você, Edneia: Malaguti não dá aula para criancinhas, e a universidade não incute nada, incute se não houver o debate. Aí sim.

    • 11/11/2015 at 18:20

      Ednéia, já respondi para você. Procure aí a resposta e pare de falar bobagem. Isso que escrevi não tem nada ver com negro ou não negro.

  12. RAMBO
    11/11/2015 at 17:07

    O que exatamente esta acontecendo nessa reforma das escolas em SP? A troco de quê?

    • 11/11/2015 at 18:07

      Rambo, tente comentar nos artigos certo, porra!

    • RAMBO
      11/11/2015 at 20:06

      Ok, mas vc se omitiu a falar desse, então não há.

  13. Lucas
    11/11/2015 at 16:51

    A very similar case happened at the university I am at. A professor was mocking christian religion in his class. A student argued that he and other students were being offended. The professor said: “This is a university, and a philosophy class, I’m not going to say what you want me to say, if you want to offend atheists too, go ahead, I’m here for it”. Thankfully, the professor wasn’t expelled, the student have given up the subject of the course.

  14. Wesley Santos
    11/11/2015 at 13:21

    Faço minhas as palavras da Elisabeth. Se esquerda e direita é tudo farinha do mesmo saco, penso que devemos ser mais criteriosos para chegarmos a essa conclusão. Mas relativizar a discussão acerca do racismo… fazendo menção as supostas retaliaões sofridas por quem veio a cometer tal ato, é coisa para os conservadores entoar uma salva de palmas..

    • 11/11/2015 at 13:56

      Wesley você nem leu meu texto e só falou coisa pré-concebida. É mais um que não entende o que é uma universidade.

    • Wesley Santos
      11/11/2015 at 15:49

      Paulo, claro que li seu texto. Senão nem estaria comentando. Inclusivi já li e compartilhei vários outros que vc escreveu. Mas, sinto muito, esse não dá! Reafirmo o que eu disse antes. Se eu não sei o que é universidade, então me explique tal conceito é ponto exato em que essa definição se diverge com a demissão do ex-professor da UFES. Entendo o espaço acadêmico como um lugar que deve abrigar diversos conhecimentos, posicionamentos, debates. Fundamentar uma suposta base “legitima” de alguem em ter posicionamento racista e facista no meio universitário não tem nada haver com essa questão. Não sei se percebeu (também não digo que foi essa sua intenção), mas seu texto conseguiu uma faça de desviar a condição reu do respectivo professor, para a de perseguido pelos facios universitários. É isso que dá relativisar (também não digo vc quis fazer isso) posturas conservadores e racista… muito cuidado com isso! Enquanto injuria racial, a atitude de Malagutti é passiva de punição e processo administrativo…. Se a punição recebida foi justa ou não, ai já é outra discussão!

    • 11/11/2015 at 16:19

      Wesley meu tempo com você eu já gastei. Você não quer pensar, apenas responder. Quando, um dia, quiser pensar, quiser refletir sobre a história da universidade, da academia, e falar com menos paixão sobre um assunto que apaixona, você perceberá que está errado. E então crescerá. Mas, talvez, se isso ocorrer, talvez o Brasil já seja outro, um país onde ao menos a universidade seja livre, e não esse conluio do medo diante de Malagutti. Aliás, para falar a verdade, Malagutti não cometeu crime algum. A não ser que existam coisas que não foram postas no passado, quando o caso ocorreu, no jornal. Pelo jornal, pelo que ele falou, não há nada de racismo. No máximo ele exerceu o direito de ter preconceito contra pobre, dizendo que não escolheria médico preto, uma vez que esse médico, vindo de um meio pobre e pior, nunca conseguiria superar um médico branco, desde cedo (historicamente, inclusive) já mais apto. Isso é tolice. Mas um monte de gente age assim, a universidade, com medo de abrir o debate, preferiu punir Malaguti. E isso não é universidade. Olha, até respondi demais. Um dia você entenderá. Tomara. Tomara que o Brasil saia desse merda e gente como você possa sair também.

    • Wesley Santos
      11/11/2015 at 18:32

      Paulo, eu não defini o que é ou não uma universidade, apenas o pouco que eu entendo de como ela deve se comportar… Mas, enfim, sem mais delongas… esperava mais de você. Espero que vc reveja algumas questões que vc levantou. De toda forma, continuarei acompanhando seus textos, já li muita coisa boa que vc produziu… Mas agora sem qualquer interferência minha, isso para não fazer vc perder seu tempo comigo! Abraços, e boas reflexões…

    • 11/11/2015 at 18:36

      Wesley para de chorar e vai estudar vai. Vou ter que reescrever meus livros e o monte de artigos aqui do blog por conta de que você não quer entender o simples? Putz! Meu saco tem tamanho limitado cara.

    • Silvia
      13/11/2015 at 12:04

      Paulo, como você tem paciência com esses caras?
      Wesley, a universidade deve ser aberta a qualquer tipo de opinião e expulsar um professor por expressar opiniões racistas é esquecer o papel da universidade, que é fomentar o debate, a favor do q a nossa Lei diz. Se for pelo mesmo raciocínio um professor não pode fazer defesa do anarquismo ou dos black blocs, por eles infrigirem a lei.

    • 13/11/2015 at 12:08

      Sílvia querida, eu não perco a paciência nem quando dou paulada nos mais burrinhos. Quando faço isso, acredite, é para que meu leitor se divirta. Faz parte da atividade do filósofo essa paciência. Sempre a tive. As pessoas não percebem que minha reação, às vezes dura, é por paciência. Sou o único filósofo do Brasil, um dos únicos autores, que atende diretamente seu público. O resto fala e nao quer ouvir.

  15. Elizabeth Florencio
    11/11/2015 at 12:18

    Mas Sr. Filósofo, o raciscmo é crime!. E ponto final. Discutí-lo é preciso sim como também é preciso punir quem comete atos de racisco. Senão é melhor rasgarmos o texto legal e deixar tudo pra lá pra depois ver como é que fica.

    • 11/11/2015 at 12:30

      Florêncio! Ele não cometeu nenhum crime. Mesmo que cometesse, deveria existir processo na justiça, ele teria que ser condenado, só então poderia haver sindicância. Além disso, o que ele fez foi defender uma tese (vazia) mas legítima: ele acredita que um negro, por vir de meio social mais pobre, não terá nunca “experiência” para o trabalho intelectual da medicina. Veja, isso nem mesmo é preconceito de raça, mas muito mais contra pobres. A universidade não é lugar para pensamento igual ao seu, Florêncio. Nem a pau. Pensamento igual ao seu, que seria o meu também se eu não tivesse vindo do meio filosófico, destrói a universidade.

  16. Sergio Fonseca
    11/11/2015 at 12:07

    Professor Guiraldelli, excelente o seu texto. Como negro fico com a dúvida sobre o que fazer com a lei. Porque mesmo se o professor Malaguti não tivesse sido estrangulado na seara administrativa, ele teria sido citado na esfera criminal pois o racismo é crime de ação pública e o MP não poderia ficar inerte dado a repercussão do caso. E aí? Trazer a fala de Malaguti para o campo da investigação e do debate é anular a tipificação penal de crime racial.

    • 11/11/2015 at 12:35

      Sérgio, primeiro que ele não cometeu crime de racismo pelo que falou. Ele cometeu um auto de preconceito contra pobres em geral. Além disso, justiça é justiça, universidade é outra coisa. O fato é que muitos alunos e professores pensam como Malagutti, vão se calar e continuar assim. Ou seja, o que sempre existiu: preconceito velado contra pobres, negros etc. Disscussão, esclarecimento? Não! Que se faça fora da universidade? Ora bolas! Se ele falasse o que falou nos jornais, teria mais debate que na universidade. A universidade não é lugar de criança. É lugar de adulto. Se há proselitismo racista, vamos debater, vamos mostrar que ele está errado. Por que o medo do debate? Ah, medo de que ele mostre que há alguma verdade no que ele diz? É isso? Ou medo de não conseguir conversar com ele e dar um de Márcia Tibúrcio, aquela que usou de livro autoritário para ir contra o que ela chama de “fascista”. Eu sou capaz de debater com o Malagutti. Se na universidade dele ninguém foi capaz, os que o demitiram é que deveriam ser demitir.

  17. Bruno
    11/11/2015 at 10:49

    Paulo, sou do ES, e no grupo da UFES fiz apontamentos semelhantes ao que você faz em seu texto. Me disseram para adotar um RACISTA. Ou seja, o mesmo discurso da direita, usado pela esquerda.
    Me parece que são tudo farinha do mesmo saco.

    • 11/11/2015 at 11:14

      Exato, são fascistas. É o Pondé e virando Tiburi e vice versa. Repasse o meu texto para o professor e outros

    • Thyago
      11/11/2015 at 18:06

      Professor,se entendi bem o ponto principal do seu argumento; é o de que apenas o esclarecimento joga luz sobre as questões,e que classificar questões como dignas ou indignas com base em preceitos morais correntes (sejam eles; os mais ralos, ou mais elevados),É subverter a logica e abraçar o obscurantismo. Politicamente correto,no entanto,obscuro.
      Me corrija ?

    • 11/11/2015 at 18:11

      Eu acho que essa merda do Pondé de “politicamente correto” e “incorreto” precisa acabar. Esse cara e a editora dele já causaram bastante mal. Não é isso que está em jogo. O que está em jogo é ter lugar para a universidade ser a universidade ou não. Se não há forum para debate livre, se o Angélica e o Bolsonaro são expulsos da universidade, se qualquer aluno pode lançar um frase e arrancar um professor, acabou a universidade. A Igreja, para tirar um professor de suas universidade medievais, fazia algo que levava décadas, e, assim mesmo, o tirava para ele ir a Roma e ficar estudando, inclusive para apresentar sua defesa. Aqui nao! Somos pré-medievais.

    • Thyago
      11/11/2015 at 19:45

      Logo, posso aferir que:

      A universidade “é” o local do debate,seja ele qual for.

      E qualquer tentativa de cerceamento de um determinado assunto deve ser dado, por uma contra-argumentação efetiva que o encerre.

      E processos de punição segundo qualquer juízo de valor,devem ser amplamente discutido e institucionalizado.

      Assim se garantiria a liberdade de opinião,que por vezes na sociedade é suprimida.
      E através do debate o esclarecimento,objeto de busca das universidades(em tese).

    • 11/11/2015 at 20:30

      Thyago uma possível heterotopia pode ser queimada pela sociedade em volta. Mas, segundo Weber, uma sociedade inteligente não faz isso e mantém a universidade como respiradouro. Malagutti vence todos que se opunham a ele à medida que o calaram.

  18. Lohas
    11/11/2015 at 09:07

    Infelizmente é assim, se isso acontece com um professor, imagine com o Zé ninguém. As pessoas estão avessas ao debate, elas querem logo desapegar (lembrei do seu texto da OLX).

    • Cleiton
      12/11/2015 at 15:44

      Ele teve toda uma vida para rever seus conceitos sociais. O que ele pretendeu com a sua fala odiosa e triste, foi simplesmente a sua falta de compreensão de que um ser social se constrói com as diferenças, e ele nada aprendeu sendo professor e o debate com ele acerca dos temas: Racismo/Preconceito/Injúria Racial, não levaria a lugar nenhum, até porque sabemos que historicamente os crimes de racismo no Brasil, nunca foram cumpridos de acordo com as leis constituídas. E penso ainda se o discursos dele tive sido de fato a critica educacional do País e não de uma pessoa negra sem menos capacitada, ora essa! me poupem. Mas contudo, os grandes sociólogos e filósofos nos ajudam a compreender e desconstruir e ainda formar a nossa própria compreensão da nossa realidade. Abraços, quero aprender muito com vocês aqui!!

    • 12/11/2015 at 16:05

      Cleiton e sua frase perigosa: “não levaria a lugar nenhum”. O debate com Malugutti e outros não era uma maneira de “reeducação” de Malagutti, mas a única forma da universidade ser universidade, lugar de adultos conversarem. A tese de Malagutti é, em sentido contrária, aliás, usada por muitos que o acusam.

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo