Go to ...

Paulo Ghiraldelli on YouTubeRSS Feed

25/06/2017

10 Responses “O mito do diálogo”

  1. Ronilson Teles de Sousa
    24/04/2017 at 10:50

    Uma das características mais marcantes dos seres humanos, tal como vejo, é ser tagarela – a polifonia está em todo lugar onde há pessoas! Estou visualizando agora a multidão numa feira, meus vizinhos quando chegam tarde da noite de uma igreja, festa ou sei lá o quê! As pessoas conversando sobre BBB, o último capítulo da novela, o jogo de futebol, o último escândalo do momento ou sei lá o quê! Que o diálogo não soluciona e não é santo que obra milagre tudo bem! Mas se ele é tomado como tal deve-se indagar o porquê disso! Olhemos ao nosso redor, as pessoas estarão tagarelando! Entremos numa igreja, as pessoas estarão tagarelando, vamos a feira, pessoas tagarelando, vamos assistir uma novela, pessoas tagarelando! Enfim, onde quer que estejamos as pessoas tagarelam e não param de tagarelar! Cansei de estar com as pessoas, mas cai na besteira de ir parar numa rede social! Meu deus! O que vejo? Pessoas a tagarelar! As pessoas tagarelando sem cessar é uma constante! Peça para alguém passar um dia sem emitir palavras, escritas ou faladas, e teremos um ser atônito no final do dia! Ninguém sabe o que sinto quando entro numa livraria e vejo a multiplicidade de livros que estão expostos! Caramba, eu já estou adulto e continuo com as mesmas dúvidas da minha infância e adolescência e já percorri alguma coisa na estrada do saber e continuo com a sensação de que tudo o que sei, se é que sei, não passa de uma ignorância dissimulada e aqui há uma enxurrada de livros que são uma polifonia e tenho dúvidas de que me darão as respostas para as questões que trago comigo! Ainda ontem tive um sonho e não consigo compreendê-lo! Eu mesmo sou uma questão e um enigma para mim mesmo! Imagine o que as outras pessoas não serão?! A sensação que tenho é que os discursos, as falas, os escritos não passam de tentativas, muitas vezes frustradas, de nos salvar de nós mesmos e desse fato inelutável de que sempre estamos sós, por mais que estejamos sempre tentando estabelecer contato com alguém, como o náufrago que chega num lugar estranho e grita: “Tem alguém aí?” O diálogo, a conversa, os escritos, as redes sociais, os blogs etc., a meu ver, manifestam essa tendência (?!) dos seres humanos de tentar cobrir com sua tagarelice e polifonia a sensação de vazio que existe bem no fundo de cada um de nós! Começo a pensar em Karl Jarspers, para quem a origem da filosofia reside na necessidade de autêntica comunicação de ser para ser! Talvez resida a importância que se dá ao diálogo para o enfrentamento dos dilemas humanos!

    • Ronilson Teles de Sousa
      24/04/2017 at 10:58

      Quis dizer: Talvez resida aí a importância que se dá ao diálogo para o enfrentamento dos dilemas humanos!

  2. Hilquias Honório
    23/04/2017 at 23:54

    Esses dias, na TV Cultura, rolou um desses diálogos. Pondé e Karnal debatiam e reclamavam do politicamente correto. Depois a apresentadora aparecia e elogiava como eles “dialogaram sem intolerância”, que era um exemplo para o Brasil dividido e etc. O clichê desse pessoal chega aos limites do absurdo. Imagino o Bial com as lições de estilo Galvão Bueno: “vale o respeito, respeitar as idéias do próximo, não ofender ninguém, todo mundo se cumprimentar no final”.

    • 24/04/2017 at 09:40

      Sim Honório. Eles usam desse aparente bom mocismo por uma razão simples: estão ali para ganhar dinheiro, não perder adeptos. Não acreditam em nada do que dizem.

    • LMC
      24/04/2017 at 11:48

      Honório,pra um canal que tem Luciano
      Huck,BBB e o padre Marcelo,Galvão
      Bueno e Bial são gênios.

  3. Cristiano frota
    23/04/2017 at 20:10

    Paulo, tomando como exemplo o caso de um programa de pós-graduação ou seja lá o que for, noto que, a partir do seu texto, que o aluno que se rende a críticas de certa forma superficiais não representa muita coisa na linha do tempo do que se fez e do que ainda vai ser percorrido no programa. Digo que, se o aluno opina bem rapidamente que a rede globo não serve, não é boa no que faz, influencia famílias de forma errada, etc., ele não está se preparando para o que realmente representa ou a concepção da teledramaturgia e, logo, pensando que se pode criticar, cai somente numa espécie de ódio e preconceito que nada fala. Será que se tivéssemos a integração comunicativa de forma mais importante para os cursos, etc., os alunos em conjunto não sairiam da média do curso e alavancariam curso para além do número de artigos? Acredito que essa falta de integração, dessa excessiva individualidade evidencia o quanto não somos solidários para o estranho e estamos Completamente despreparados para Aquela decisão que Nos aparece como estranha, como primeira experiencia.

    • 23/04/2017 at 20:37

      Frota, eu penso na graduação, ou mesmo no ensino médio. Um aluno de pós que ainda está com preconceito com novelas e TV eu considero sem salvação, não vai servir como intelectual.

  4. F.Mariano
    23/04/2017 at 18:11

    Achei a pegada filosófica interessante . Aliás, essa ideia da positividade e negatividade é esclarecedora e tem uma boa pegada para nosso tempo. Mas eu acho,Paulo, que o backgroud cultural também influencia bastante.Essas platitudes de que temos de dialogar e compreender o outro( coisas por demais óbvias) são marteladas na mídia brasileira de maneira exagerada.
    Não que tal coisa não ocorra em outros países, mas por aqui isso é reforçado e breca qualquer investigação ou confronto aberto.

    Basta compararmos o programa da Fátima Bernardes e Oprah. A Fátima gentilmente chama os convidados para falar, mas tudo que eles dizem são as platitudes de que se deve dialogar e respeitar o outro…agora, vejamos a Oprah. No programa dela, o telespectador sempre recebe e dá tiradas,piadas e faz aquele relato de vida bem ao gosto americano. Não há as platitudes tão reiteradas quanto as daqui.

    Outros casos são ainda mais claros. A mídia chama especialistas em uma área para opinar em tudo quanto é coisa, e o resultado é que eles acabam dizendo que se tem de ” dialogar”. E eles dizem isso pela razão de que não tem muito a dizer na área em que opinam. No contexto americano, mais de um especialista é chamado a opinar e confrontar. Não se vê especialista em política ensinando mães a criar os filhos.

    • 23/04/2017 at 18:38

      Veja que o Bial começa agora um programa de “conversa”. Já imaginou a chatice?

    • Tony Bocão
      24/04/2017 at 10:58

      exatamente Mariano…Teve um caso que Li, sobre um convidado do Porchat, ele não iria ao programa por risco de serem provocadores com ele, achei esse critério interessante, e explica porque o programa é tão fraco, a maioria das pessoas que julgam interessantes para uma entrevista, simplesmente tem medo, ou por não tem estrutura para exposição de idéias, ou por terem muito o que perder descobrindo-se ridículas, ou porque é mais confortável ir em um programa onde se discute bobagens; é melhor preservar a imagem, repetir os chavões do que sustentar um perigo de constrangimento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *