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22/10/2017

5 Responses “O método socrático e a melhoria da inteligência”

  1. Carter
    26/08/2016 at 08:22

    Professor, estou passando para agradecer por esta postagem, bem como o texto anterior. E mais: pessoalmente (embora eu sempre os recomende aos meus alunos) eu não gosto muito da forma com que você organiza os seus livros. Mas e daí? Que diferença isso faz? São livros bons, apenas não tem aquele formato padrão que já (talvez infelizmente) me acostumei a enxergar.

    Quando visito seu site e vejo esses comentários ridículos de algumas pessoas que parecem resistir ao óbvio, eu só penso numa coisa: como solucionar esse problema? Quando encontrar isso novamente em sala de aula, qual será a minha reação?

    Algumas pessoas simplesmente não entendem que a produção do texto oral e escrito são distintas, não entendem que quando alguém diz algo ele visa uma plataforma de conhecimento sobre a qual o interlocutor se encontra, não entendem que é possível retornar e assistir o vídeo novamente e não entendem que é possível colocar uma pergunta (ou mesmo um comentário qualquer) de uma forma clara e inteligente.

    Por favor, continue me ajudando; continue nos ajudando. Obrigado por ser insistente.

    • 26/08/2016 at 09:29

      Carter eu não sou dono total da organização, as editoras são. Agora, do ponto de vista do que faço, os livros são muito diferentes. Há livros acadêmicos, há os paradidáticos, há os de “filosofia como crítica cultural”. Um livro como o Aventura da Filosofia (Manole) é organizado de modo completamente diferente do livro sobre Sócrates (Cortez) e ambos são diferentes do A filosofia como crítica da cultura (Cortez). Não é nítido isso? Diga-me de modo específico o que o incomoda para que eu possa melhorar.

    • Carter
      29/08/2016 at 09:00

      Professor, antes de prosseguir, quero tentar me posicionar brevemente em relação às questões que surgiram em sua resposta.

      Em primeiro lugar, o que chamei de “seus livros”, por uma simplificação de linguagem, não representa um subconjunto significativo universo de suas publicações. Tive em conta os livros “Introdução à Filosofia” e “A Aventura da Filosofia”. Isso não significa que eu não conheça ou não tenha lido outros, apenas estou especificando melhor o objeto.

      Em segundo lugar, sim, reconheço as diferenças entre as propostas editoriais/acadêmicas, e, naturalmente, é nítida a diferença entre “Sócrates, pensador e educador” e os citados acima (aliás, eu achei muito interessante o capítulo 8, e confesso que ao iniciar a leitura não obtive nenhuma pista de como aquilo iria terminar tão bem, sem falar no capítulo 1, que solidificou uma percepção particular em relação a “aprendizagem autônoma”).

      Voltando à questão da organização, essas observações não são uma crítica no sentido de apontar algo que poderia ser descrito como “coisas que podem melhorar”; tento apenas reproduzir algumas observações, importantes para o meu contexto e minha forma particular de conceber algumas coisas. Usarei, aqui, o exemplo do “Introdução à Filosofia” (Manole), e, por limitações de espaço (e tempo!), apenas o capítulo segundo.

      A abertura do capítulo pode sugerir que a cosmologia se restringe a origem do “mundo material”, embora o kosmos grego suporte um pouco mais que isso, o que revela um significado mais íntimo da proposta dos pitagóricos, bem como de Heráclito.

      Em geral, meus alunos reportam que a apresentação da ontologia parmenídea, bem como a descrição da aporia de Zenão, carece de maior clareza. Não há conexão clara entre o que é descrito apenas como a “teoria do ser” e a dificuldade em conciliá-la com o movimento. Pude verificar ainda que alguns, após o texto, associam a ontologia à lógica.

      Como isso se relaciona à organização? Bem, é o que tentarei finalizar explicando. Acredito que só vale a pena inserir uma informação no texto que será chamado “básico” se houver implicações posteriores. Acredito que formular um texto que seja realmente básico é mostrar como tudo o que é dito se entrelaça e se relaciona. Dizer que alguns pré-socráticos não são anteriores a Sócrates, por exemplo, é algo perfeitamente dispensável (se me permite opor básico a dispensável) se não vou dizer que a moralidade proposta por Demócrito oferece sinais de que este se opunha a Protágoras (pelo menos nesse assunto), ou simplesmente sinalizar que tudo ocorreu de forma sobreposta.

      Outras coisas me “incomodam” (apenas uma referência à sua expressão, não chega a tanto), mesmo nesse segundo capítulo, embora eu considere o texto de um nível excelente. Na verdade, a mensagem que quis transmitir foi apenas um certo “incômodo” (ipsis litteris) com aqueles que não conseguem (e às vezes parecem nem tentar) se expressar de forma adequada ou entender a natureza e (talvez) o propósito da diferença que pode ser percebida em sua produção, seja no blog ou nas “bancas”. Esteja certo que essa a ignorância se distribui de forma muito ampla, online ou em sala de aula, e que valorizo seu trabalho justamente por isso: você possui essa excepcional resistência à “gentalha”.

      Desde já aquele obrigado e perdoe-me pelo incômodo, fui infeliz em algumas palavras, tanto antes como agora.

    • 29/08/2016 at 09:19

      Meus textos paradidático não são corriqueiros, eles seguem meus objetivos em filosofia da educação. No caso do livro da Manole (como outros), ele quis mostrar um caminho na história da filosofia, não quis fazer manual de história da filosofia para aluno de modo que este fique naquilo. Para isso há outros livros, que eu citei . Além do mais, sou contra livros paradidáticos que buscam substituir a leitura dos clássicos. Evito isso ao máximo. Dou roteiros. A maior parte dos meus livros são roteiros metodológicos. Se eu fizesse grandes manuais interpretativos eu estaria depondo contra o que defendo: a escola voltada para a leitura dos clássicos. Sacou?

    • Carter
      29/08/2016 at 14:47

      Sim. Entendi, e agora bem melhor.

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