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22/07/2017

Neurociência e neuroembuste


A Folk Psychology diz quase tudo que precisamos saber. Donald Davidson ensinou bem isso. O que ela faz?

Descrevemos comportamentos e, se tais comportamentos fogem do corriqueiro, o colocamos na porta de entrada do catálogo de patologias. Qual avanço se pode ter nisso, de modo a dispensar a Folk Psychology?

Freud esperava que um dia a psicanálise pudesse se aposentar ou, então, se manter apenas como um campo de pesquisa, não mais como prática de “cura” de alguém. A parte terapêutica iria ser determinada pela química e, então, pela farmacologia. O médico Freud, ao fim e ao cabo, confiou na poder da medicina. Em parte, ele previu o futuro.

Hoje em dia, cada vez mais, tomamos remédios para problemas psíquicos e, enfim, com ajustes aqui e acolá acertamos taxas de serotonina e vamos “tocando o barco”. O médico psiquiatra é fundamentalmente médico e é um amigo dos laboratórios.

Qual é o procedimento de pesquisa pelo qual se chegou nisso? Em termos de descrição, é algo simples. Consulta-se as descrições da Folk Psychology e, para cada descrição, investiga-se respostas cerebrais em termos de onda elétrica e taxas de neurotransmissores (serotonina é um deles). Vê-se a correspondência repetida entre comportamento, ondas elétricas e taxas de aproveitamento de neurotransmissores. Feito isso, estabelece-se indutivamente um elo entre estado neuronal e estado comportamental. Daí se tem então os remédios que deverão intervir nos aceleradores e inibidores de neurotransmissores, de modo a criar estados psíquicos aceitáveis para o indivíduo e comportamentos apropriados ao seu meio. Todavia, atenção aqui: não é o que ocorre no complexo cerebral que diz qual a patologia que temos, mas sim, ainda, é a Folk Psychology que diz tudo que precisamos saber. Ninguém consulta o cérebro, o que se faz é perguntar para o paciente seus sintomas, e então, pega-se o regulador de serotonina indicado pelo laboratório, feito a partir das correlações estabelecidas por indução.

Nisso tudo há algo intermediário: “neurociência”. Há muita gente que, agora, sabe-se lá como, é doutor nisso (qual formação inicial se exige para tal coisa?). A picaretagem come solta nessa área. O que faz o picareta? Ele diz que estava no avião e que então teve um surto, um pavor. Pronto, teve um surto, ora bolas. Mas para ele, há algo mais: ele diz que consultou um neurologista (!), e este disse para ele que o que ocorreu foi um surto de pânico. E então, ele, doutor em neurociência, afirma: “realmente tive um surto de pânico”. Ora bolas, desde o início a Folk Psychology já disse isso. A consulta ao neurologista que supostamente conversa com o cérebro por meio de eletroencefalograma e outros apetrechos, nesse caso, não diz nada! Apenas constata, talvez, que aquela correlação já estabelecida anteriormente, entre movimentos específicos nos neurônios X quando do comportamento Y pode ter voltado a ocorrer. Mas isso é o nada do nada. Bom para fazer o remédio, mas bobagem para se saber, enquanto paciente, o que é que ocorreu. Pois o que ocorreu é visível: pânico.

Toda essa volta para enrolar a conversa, indo do comportamento ao cérebro, para então afirmar o que aconteceu “realmente”, é a picaretagem do tal neurocientista! Ele põe na cabeça do desavisado que, consultando o cérebro, olhando o cérebro por fora ou visualizando ondas elétricas desenhadas em um papel (não há outra coisa a fazer), ele enxergaria situações mentais responsáveis pelo comportamento. Mas é justamente o oposto: foram os comportamentos que apareceram, ganharam nomes e só depois, por conta de pesquisas e muito indução (e não dedução!), se fez uma correlação disso com ondas cerebrais ou pequenos movimentos neuronais em termos de fluxo sanguíneo etc.

Não há a via direta que seria “a mais real”, tirada a partir do neurocientista que, então, sem qualquer outra coisas senão máquinas, ficaria sabendo tudo do cérebro e, assim, saberia tudo da mente. Não há dedução no mundo exclusivo da indução. Toda vez que um neurocientista vem com esse papo de que ele ficou sabendo realmente o que alguém passou porque ele consultou o cérebro dessa pessoa em termos físicos, ele falou uma bobagem imensa, e não passa de um picareta.

Tá explicado. Daqui para diante, pare de ser trouxa e jogue fora  90% de livros e artigos de neurocientistas. Isso é pior que pastor de Igreja caça-níquel.

Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo, autor de A filosofia como crítica da cultura (Cortez, 2014)

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26 Responses “Neurociência e neuroembuste”

  1. FABIO RIBEIRO
    05/11/2015 at 20:04

    teu texto é excelente. durante os últimos anos eu estudei de maneira profunda a anti-psiquiatria – com pesquisas na língua inglesa mesmo. pelo que vejo você é um dos poucos aqui no brasil a criticar a psiquiatria, a indústria farmacêutica e tudo relacionado a isso. sempre tentei procurar o que ta por tras de tudo, por ingenuidade fui reacionário durante muitos anos e me arrependo. pelo que vejo as coisas no mundo funcionam de maneira velada, e a mídia e o senso comum escondem isso. no geral a politica no brasil como é mostrada nas redes sociais e mídia é um grande teatro.

  2. 14/03/2015 at 14:17

    a psicanalise pode ser considerada ciência ???

    • 14/03/2015 at 15:13

      Tamiris isso não tem mais a ver. Não conversamos mais sobre se Marxismo ou Psicanálise são ciência etc etc etc.

  3. tamiris
    14/03/2015 at 14:13

    ola… gostaria de saber se psicanalise pode ser considera ciência ???

  4. Ivana
    08/10/2014 at 19:35

    O que mais me assusta é desconsiderar a subjetividade do sujeito. A humanidade foi “ensinada” ao longo de milhares de anos a se contentar apenas com uma explicação cartesiana sobre o funcionamento orgânico de um mal-estar ou um adoecimento. O “saber” médico é reificado, anseiamos por uma “foto” da doença e imediatamente estendemos as mãos para o ato prescritório medicamentoso do profissional de jaleco. Às vezes é mesmo necessário, mas pânico, tristeza, luto, desânimo eventual, são ocorrências que me parecem bem humanas…

    • 08/10/2014 at 23:37

      Ivana a subjetividade não é desconsiderada. Ao contrário. O que se está fazendo é uma mensuração errada do que pode ser mensurado. Só isso. Não é desconsideração o que eu notei: é erro, burrice.

  5. Anderson
    21/05/2014 at 19:55

    Não entendo nada sobre neurociência mas me preocupo com o excesso de apontamentos que são feitos com o uso de argumentos neurofisiológicos. A moral, o bom, o mau, o justo viraram assunstos da neurociência. Estão medicando alunos com desvios de comportamento, dizendo que tem problema neurofisiológico. Os advogados estão justificando os crimes dos seus clientes a partir de argumentos neurológicos.

    Nos ultimos dias um brasileiro virou assunto de debate no cenário internacional da neurologia. Ele sofreu um acidente muito parecido com o do Phineas Gage (teve seu cérebro transpassado por uma barra de ferro), mas o seu comportamento, pós-acidente, foi diferente do esperado pelos neurociêncista. Todos esperavam (fundamentado em “Gages”) comportamentos de incapacidade na tomada de decisão, por exemplo, o que não aconteceu. O problema tornou-se de ordem dedutiva, ou seja, já haviam criado principios gerais para anteciparem o comportamento do acidentado mas as previsões foram frustradas.
    Os neurocientistas estão estudando o brasileiro devido as suas prórprias frustrações.

    • 21/05/2014 at 22:20

      Anderson, é pura bobagem isso. Inventaram uma bobagem. Neurociência do modo que é feito aqui no Brasil é bobagem. O exemplo que dei é o típico que ocorre, e é o que fazem. Não vale.

    • Gabriel
      02/07/2014 at 11:34

      Basicamente, parece que vc está dizendo que a neurociência no Brasil, não conhece a platicidade cerebral. É isto?

    • 02/07/2014 at 11:48

      Nada disso, estou dizendo que a neurociência por meio de seus propagandistas de jornal não entende o básico da filosofia, que é o fato de que há uma imputação de sentido, dado pela linguagem, às marcas que se obtém em exames do físico cerebral. Pensa-se que sabemos mais do mundo mental por conta do cérebro, como se tivéssemos um modo de explicar o que falamos em termos de sintoma por conta de uma relação causal, onde a linguagem é o efeito e o que ocorre fisicamente no cérebro é a causa. Mas essa relação é imputada. O que sabemos continua, na maior parte dos casos, sendo sabido ouvindo os sintomas de uma pessoa. Isso é um beabá da filosofia que as meninas biólogas de jornal, cientistas da tal neurociência, não sabem. O curso de biologia que fizeram não lhes dá condição de entender ao simples.

  6. Valmi Pessanha Pacheco
    16/05/2014 at 16:48

    PAULO
    Entre médicos “chisteamos” a diferença entre o clínico, o cirurgião e o psiquiatra: o clínico (estudioso) sabe muito mas pouco resolve, o cirurgião sabe bem pouco mas resolve (corta fora) e o psiquiatra (coisa de louco) nem sabe nem resolve.
    Com admiração.
    Valmi Pessanha.

    • 16/05/2014 at 16:53

      Valmi, felizmente não falo de nenhum deles no meu artigo.

  7. Carlos Bengio Neto
    16/05/2014 at 13:17

    Ótimo texto! Ou seja, no fundo é como se existisse uma discrepância entre a pessoa real de carne e osso (que possui um cérebro) e a maneira como ela se descreve enquanto sujeito autorreferente da linguagem. Entretanto, para sermos mais precisos seria necessário distinguir três situações: A situação do proto-Self que corresponde aos padrões neurológicos compreendidos como estados emocionais densos e primários do organismo, o self-núclear que é uma minima autorreferência pré-verbal vivencial (que corresponderia ao ‘Dasein’ de Heidegger) e finalmente o Self-autobiográfico que nada mais é do que uma perturbação do Self-núclear, pois este ultimo ao tentar se conhecer e se descrever ‘decai’ em uma história que estranhamente cria um narrador impessoal dessa história que por sua vez cria a ilusão de um ‘eu’ que conta a história. Agora o mais maluco é que esse ‘eu’ “ilusão” altera a configuração real do proto-self neuronal! Ou seja, embora os sentimentos desse ‘eu’ sejam necessariamente camadas de mentiras (como Freud bem descreveu) , acabam sendo mentiras que extraem/colonizam e portanto modificam a substância orgânica original.

    • 16/05/2014 at 16:54

      Carlos, minha questão é bem mais simples. Ela está explicada mais didaticamente ainda na resposta ao Jacques.

  8. Jacques do Loghiralo
    16/05/2014 at 10:48

    Não acredito que a tal folk psychology tenha tudo aquilo que a neurociência tem. A neurociência pode ser criticada como espaço que leva para suas catalogações também os preconceitos e estigmas. Mas oferece coisas novas, detalhamentos de partes do cérebro que permitem compreender melhor. Tem os casos de pessoas que tiveram cérebros atravessados por objetos. A psiquiatria na sua prática cotidiana também faz isso, pelo menos aqueles que tem a obrigação apenas de prescrever remédios, sem muita reflexão. A porta da psiquiatria não se fecha para a realidade externa que pouco sabe sobre os transtornos mentais e não rara vezes faz as piores classificações. Essa folk psychology não é tão boazinha no Brasil como possa ser nos Estados Unidos.

    • 16/05/2014 at 12:39

      Jacques, você está tão distante do que estou escrevendo, está confundindo tudo. Querido, sua última frase é uma loucura. Descrição psicológica não é boazinha ou má, é apenas descrição de comportamento, por exemplo, se estou no avião suando frio, com as pupilas dilatadas, coração acelerado e dizendo estou com medo, essa descrição dada por você ou outros é uma descrição psicológica, com um nome:pânico. Pronto. Sei que estou com pânico. Nenhum exame neurológico posterior vai me dizer isso melhor do que a descrição minha e de outros. Se isso se caracteriza como síndrome de pânico ou não, vai depender dela se repetir, ou se repetir só em situações de avião etc. Se agora a essa comportamento eu posso, hoje em dia, associar uma baixa taxa de serotonina (por exemplo), eu amplio meu conhecimento para criar medicamentos, mas não substituo a linguagem da psicologia que disse “pânico”. Ou seja, quando a neurociência começa a achar que é ela que determina as coisas (pela questão da serotonina, por exemplo), e que ela pode substituir a linguagem da psicologia (trocando a palavra “pânico” pela expressão “neurônios X-Z-4 ganharam tonacidade W), ela está cometendo um embuste. Bom, se agora não entendeu, não entende mais mesmo.

  9. Jacques do Loghiralo
    15/05/2014 at 20:48

    A linguagem da psicologia continuará útil até que ponto? Eu entendo a psicologia como um certo luxo explicativo até dos fenomenos da mente e da vida humana, mas ela em definitivo, pelo menos na sua tão propalada prática psicoterápica, não consegue resolver os problemas dos índividuos que sofrem problemas psiquícos relacionados a um campo mais biológico ou neural. Não há conversa que resolva certas coisas, elas geralmente acabam caindo no rídiculo para a psicóloga, maioria mulheres nessa área. O paciente por fim acaba sendo ridicularizado. Ficamos quase como na esfera do senso comum que pensa o sofrimento psiquíco como vagabundagem.

    • 15/05/2014 at 22:16

      Loghiralo, acho que você não entendeu nada do que falei. Nadinha. Leia de novo. Ai meu Deus! O que você fala aí pode ser certo, mas não tem NADA a ver com o artigo.

    • Jacques do Loghiralo
      15/05/2014 at 22:41

      Eu discordo dessa sua idéia que a psiquiatria seria sempre e geralmente uma normalizadora da vida, mesmo que vc diga aos “trancos e barrancos”. Acho essa idéia colobora com o facilitismo vendido pelos psiquiatras de que eles conseguem de um modo muito amplo nas populações recuperar os chamados doentes mentais. Seria bom ver outro lados, quase sempre inexpressivos para a psiquiatria e para o status quo.

    • 16/05/2014 at 01:49

      Loghiralo, eu acho que você está querendo conversar com outra pessoa, não comigo. Você está procurando um outro assunto, outro interlocutor, não eu. Meu texto NÃO é sobre esses problemas aí.

  10. Cesar Marques - RJ
    15/05/2014 at 16:23

    Olá, professor Ghiraldelli.

    Francamente eu não tenho informações suficientes para comentar esses assunto, mas um trecho do texto do senhor me aguçou a curiosidade, e resolvi trazê-la aqui para o blog. O trecho a que me refiro é:

    “Há muita gente que, agora, sabe-se lá como, é doutor nisso (qual formação inicial se exige para tal coisa?). A picaretagem come solta nessa área.”

    Bom, como o senhor deve saber, não existe uma formação desse campo de conhecimento/pesquisa em nível de graduação, e sim somente, em nível de mestrado e doutorado. No caso da moça a qual o senhor faz menção, a graduação dela é em Biologia, e com doutorado na França nesse tal Neurociência (Doutorado em Neurosciences – Université Pierre et Marie Curie, LISE / CNRS, França).

    Abraços.

    • 15/05/2014 at 18:40

      Talvez seja por conta dessa graduação burra em filosofia que ela seja uma picareta. E é mesmo. O meu texto é claro. Dá para entender. O cérebro não fala meu caro. O cérebro não diz nada diretamente ao neurologista, a não ser em situações de dano cerebral.
      Não estou respondendo para você, mas para outros que possam ter dúvidas: não há acesso privilegiado nosso ao cérebro que possa, só por este acesso, dizer alguma coisa, é necessário o correspondente no campo psíquico comportamental. Ou seja, vivemos de imputações. É o que Dennett, Haack e todos os filósofos falam, a partir de Wittgenstein. A correspondência fica mais fácil quando há lesão cerebral. Quando não, o grau de imputação é alto. Não é preciso ler muito para saber isso. Mas se quiser ler, basta pegar o Dennett sim, mas lê de verdade. Talvez o autodidatismo é que esteja atrapalhando.

  11. 15/05/2014 at 14:39

    É vero.

  12. David
    15/05/2014 at 12:27

    Crítica rasa e de apelo à irracionalidade. Se quiser criticar todo um campo científico que segue uma metodologia científica, antes eduque-se, entenda as premissas daquele meio. Se quiser criticar a neurociência, estude neuroanatomia, neurofisiologia, psicofisiologia… Ao invés de fazer uma crítica filosófica relacionada ao comportamento dos neurocientistas.

    A sua crítica foi irracional, pois foi o mesmo que dizer o seguinte de um Físico: “Ora, um corpo ao cair de um prédio faz uma trajetória que pode ser muito bem elucidada por um Físico em cálculos e leis, mas ele só fez isso depois de ver os fatos reais, a constatação ‘popular’ que todo mundo sabe de que se um corpo cair, vai acontecer o que aconteceu, sendo assim, a constatação científica do que realmente aconteceu é inútil!”.

    Percebeu o erro e a falácia? Falácia do espantalho e do apelo ao ridículo.

    E pior, esse tipo de pensamento é perigosíssimo, pois limita as nossas ideias, instala um “dogma” da “folk psychology” que não pode ser contrariado, afinal, os resultados constatados por algo que não seja a “folk psychology”, só serviriam para fortalecer a indústria farmacêutica, ajudando-as a fazer os remédios, não é mesmo? Errado. Há muitas outras descobertas que podem ser correlacionadas ao fato estudado de forma minuciosa, e pode ter certeza que vão além de saber sobre a “serotonina” (único neurotransmissor que você conhece, pelo jeito, pela falta de familiaridade com a neurofisiologia e com a ciência no geral).

    Informe-se primeiro, filósofo! Quer falar de ciência no campo filosófico? entenda no mínimo de Karl Popper, Lakatos, Susan Haack, e até quem sabe Daniel Dennett (talvez esse fosse um bom filósofo pra se basear, já que é também filósofo da mente), etc… E se quiser criticar o método científico das neurociências, critique-o propriamente, não utilizando falácias como esta, que foram vergonhosas.

    • 15/05/2014 at 18:42

      David, conheço bem esse campo, xingar não adianta. Ficar bravinho não adianta. Aliás, esse artigo meu não diz nada que não tenha sido dito por minha amiga Susan Haack. Dennett defende EXATAMENTE o que eu defendo nesse texto. Você não está entendo esses autores. Ah, você ficou tão nervosinho em responder que não conseguiu entender meu artigo no que todos entenderam: a correspondência entre elementos físicos e elementos psíquicos ocorre, mas não ocorre a ponto de você inverter a seta e achar que pode ir direto ao cérebro ou ao comportamento. Você vai sempre é na correlação. E a correlação não é dedutiva, ela é um achado indutivo. Em outras palavras, não sabemos como o cérebro pensa, apenas sabemos que se ele pensa, ele pensa com a linguagem que temos ou com estrutura parecida. Assim, não podemos apostar em linguagem privada, nem podemos apostar em situações privadas físicas como autônomas para nos explicar algo a respeito dele. Vá estudando, quando ficar menos prepotente e com alguma formação universitária, talvez entenda o que diz entender, e diz errado.

    • 15/05/2014 at 19:03

      David, outro detalhe para sua arrogância infantil: em meados dos anos noventa, Susan Haack esteve no Brasil, conversei a respeito desses correspondências come ela. Rorty e Ramberg estavam também no mesmo local. Trocamos várias impressões sobre a substituição da linguagem psicológica por uma exclusivamente fisicalista. Haack nunca tinha divergências conosco, Rorty e eu, mas não nesse ponto. A linguagem da psicologia continuará útil e principal mesmo que criássemos toda uma outra linguagem de correspondência entre estados neuronais e nomes de estados comportamentais. Achar que ao se falar em estados neuronais ganha-se precisão ou certeza é uma tolice. O seu caso David é o daquele garoto que sem formaçao alguma vai lendo coisas que não entende e acha que está entendendo. É o pior caso que já vi.

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