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15/12/2017

Por que as mulheres gostam dos cafajestes?


As mulheres podem não casar com os cafajestes, mas elas os amam. Ao menos aquelas que gostam de sexo. Qual o segredo desses homens? Simples: são kantianos às avessas.

Uma das formas do imperativo moral kantiano, e que tem a ver com toda uma linha de nossa moral moderna, diz que não devemos tomar o ser humano senão como um fim em si mesmo, se quisermos manter sua dignidade. Desse modo, na relação amorosa, o sexo necessariamente segue na contramão da moral, pois ele faz da mulher (só da mulher, considerando a visão datada de Kant quanto a gênero, e que manteremos aqui neste texto) um objeto, um instrumento do uso e prazer do homem. Ora, é exatamente esse kantismo que o cafajeste conhece.  Ele, o cafajeste, é o contrário do adolescente amoroso, que nisso se aproxima da menina romântica do passado. O garoto quer uma namorada antes como a irmã e a mãe, enquanto que o cafajeste entra para o amor e o sexo com os olhos de Kant. Sexo é uso. Sexo é necessariamente objetificador e, portanto, se vai ocorrer, é para por a mulher sob a condição de instrumento do prazer masculino. O cafajeste “bom de cama” submete a mulher à posição do animal e a penetra com a força adequada, tirando prazer dela, mas ficando com ela o suficiente para que ela possa viver essa subjugação, essa utilização e, então, gozar “como bicho”. Surge então o amor-paixão por parte da mulher que não é anorgásmica. Ela se perde. Ela não consegue mais pensar em outra coisa. Os defeitos do homem ficam completamente diminutos diante da monstruosidade que ele é capaz de fazer com seu pau.

“Deus me livre ser tratada como irmã ou mãe por um homem!” – diz a mulher sexualizada. E completa: “O Diabo me livre de ter um homem de pau pequeno!”. A mulher atual pode não dizer isso em público, para homens. Aliás, ela mente para os homens e em público sobre a inutilidade do pau grande e, de certo modo, sobre seu tesão pelo cara que está na penitenciária, peludo, mau caráter de nascença e que já colocou algumas mulheres no caixão por tapas e facadas pessoais. A verdade disso aparece quando um tipo desses cai na imprensa; ele passa a receber milhares de pedidos de namoro e casamento. Há mulheres que escrevem pedindo para apenas ganharem o direito da visita íntima, de modo a servirem-se a esse deus como leitoas assadas de maçã na boca. Quanto mais perigoso e brutal, mais atrai. A promessa que cada serial killer traz estampada na testa é esta: “sou um tipo de kantiano, ao menos no modo como se faz o sexo”. “Tire-me a dignidade”, respondem as mulheres.

Todo aprendiz de cafajeste deveria ler Kant. Estudar Kant. Não estou dizendo que kantianos fazem bem sexo. Estou dizendo que mais importante que o Kama Sutra está a Crítica do Juízo, ao menos para um cafajeste.  Aliás, seguindo tal filósofo, o cafajeste pode se locupletar ao vê-lo aconselhando a mulher, que ao ser estuprada não deve senão reagir até a morte. Antes a morte que o estupro. (E se estuprada, então, que se mate).

Kant tentou resolver esse problema de aparente disparidade (para ele) entre a sua moral e a sua visão do sexo. Ele recriou a ideia do casamento como um contrato laico. Se ambas as partes estão de acordo com o casamento e, portanto com o sexo regular, então este sexo pode, a despeito de seu caráter instrumental e necessariamente objetificante, ser praticado. Que os homens assim façam (ufa!), uma vez que insistem em procriar. Como quase tudo em Kant, foi uma solução formal.

Todavia, para homens e mulheres que fazem sexo, a formalidade e a moral kantianas pouco importam, o que vale mesmo é a visão de Kant do ato sexual. O coito. Num coito, há de se notar o coitado. Há de fazer dele um objeto de modo que ele efetivamente saia coitado. A pior coisa do coito e não sair dele um coitado, diz qualquer mulher normal com alguma sinapse!

Kant estava certo? Felizmente para nós, homens que não estamos em penitenciárias (e cujo pau não é uma vergonha urbana), Kant estava só metade certo. O sexo é objetificação, é uso, mas não é um uso que torna a pessoa indigna perante sua própria regra moral. Pois o ser humano envolvido acaba por tratar o outro, na maior objetificação possível, como um fim em si mesmo exatamente no momento em que o objetifica e parece tratá-lo como meio. Kant atirou no que viu e acertou no que não viu.

O sexo bom é objetificador, sim, mas exatamente para que ambos gozem em prazer mútuo. O sexo só é potencializado e se realiza na sua excelência à medida que um faz o outro gozar – goza-se no gozo do outro. Tanto é que a pergunta que se tornou cliché, o “foi bom para você”, continua indispensável e somos capazes de fazê-la sem rir. Ou rindo, mas de felicidade. Fazer o outro gozar é primordial para que o próprio gozo ocorra. Dar-se ao máximo, executar boa performance preocupando-se despreocupadamente em não deixar o outro “correr por fora”, mas se envolver e gozar, é alguma coisa que só é possível quando o ato sexual é naturalmente objetificante. O inexperiente fica preocupado mentalmente com a mulher, e não acerta. O cafajeste não se preocupa com ela, mas exatamente aí, nesse seu pseudo-egoísmo, se torna altruísta e acerta. A mulher goza ao vê-lo só usufruindo dela, tornando-a uma puta. Ele a vê gozando e melhora ainda mais a sua atuação, e ela entra nesse ciclo que leva ambos à loucura do amor. A puta é tudo que o pai dela gostava, e tudo que a mãe dela não era, ao menos no imaginário, o que é o suficiente (se o pai é frouxo, isso não impede a mulher de, nesse aspecto, ter outro modelo masculino para fazer a mesma função).

É provável que Kant tenha morrido sem saber que acertou ao errar.

Mas o interessante é que hoje em dia os jovens poderiam aprender isso, uma vez que não se instruem mais a respeito da prática do sexo pela escola da rua, pela zona de meretrício, mas com pornôs, não raro em carpetes da própria casa! Todavia, o pornô não faz o serviço do cafajeste, ele é o pastiche do empreendimento do cafajeste. Ele objetifica o sexo, não a mulher. As feministas que reclamam do pornô falam tolices quando falam da “objetificação da mulher”. Que nada! Há pornô de todo tipo e, em alguns casos, o homem é o objeto. A objetificação é do sexo, é a questão do close e da transformação do ato sexual em um ato circense ou, nos tempos atuais, um ato de holograma. Isso inclusive educou toda uma geração, mais preocupada em ver pornô que fazer sexo. O sexo virtual é uma febre. Ele condiz com a nossa época, em que mesmo a minha geração que aprendeu sexo na rua e não na TV ou cinema, se mobiliza com tal coisa porque estamos todos imersos na tentativa de manter esse aprendizado secundário, que se tornou primário, de objetificação do sexo, já que não podemos tanto objetificar a mulher. Afinal, há até leis que podem nos inibir na objetificação da mulher.

Experimente se relacionar com sua mulher por meio de webcam. Depois de vinte anos de casado, quando você, mesmo preguiçoso, estava pensando em arrumar uma amante jovem, você vai desistir disso porque irá descobrir que sua mulher é mais gostosa! A webcam lhe devolve a mulher real em forma de close objetificador do sexo, não objetificador dela. E isso desperta o macho que Kant viu no homem, e que temeu. O macho quer a mulher objetificada, mas da objetificação só sobrou o sexo, não a mulher, que seja isso então! Nos agarramos no que sobrou da objetificação necessária. Isso nos faz falsos cafajestes, mas, enfim, o bom sexo é isso mesmo: muita imaginação, Viagra e um pouquinho de amor.

Paulo Ghiraldelli Jr., 57 filósofo.

Post scriptum.

Sônia: “Bom texto Paulo. Falando no que o Gérson disse a puta seria uma versão feminina do cafajeste para os homens? E lembrando o seu amigo Pondé, toda nós mulheres sonhamos em ser putas?”

Eu: “Sônia o que o Pondé fala eu não assino. Aquilo que ele fala me parece um pastiche. É uma bobagem essas coisas de ‘toda mulher quer ser puta’. Homem nenhum quer ser cafajeste e mulher nenhuma quer ser puta (salvo alguns que dizem isso porque já estão presos nisso). Eu não falo aqui de homens e mulheres empíricos, mas de uma tipologia filosófica que cumpre uma função para vermos que sexo funciona como objetivação. Kant e eu não falamos de putas e cafajestes, falamos da função normal do sexo que necessita de “gana”. A diferença é que eu vejo o sexo, digamos, dialeticamente, e Kant não. Ele não percebe que o gozo próprio é somente o gozo do outro e, portanto, a entrega que elimina o instrumentalismo que ele temia.

 

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57 Responses “Por que as mulheres gostam dos cafajestes?”

  1. Roger
    06/06/2017 at 20:56

    O sr.tem contrapontos que justificam as atitudes de um cafajeste ?

    • 06/06/2017 at 23:02

      Roger! Eu não gosto nem um pouco de cafajeste. Aliás, acho Nelson Rodrigues um bolha e seus personagens um bando de energúmenos iguais a ele.

    • Roger
      07/06/2017 at 01:22

      Eu penso que o comportamento “cafajeste” pode ser muito conveniente para algumas mulheres, se não fosse assim, os homens seriam culpados por todo o desvio moral que possa existir em uma relação. Eu comparei as citações que o sr. Fez no seu artigo “sobre o cafajeste” mais com o pensamento maquiavélico, com base em que os fins justificam os meios , o cafajeste usa caminhos para atingir os seus fins, usando a mulher como o seu objeto de prazer e a subjugando-a

  2. 20/02/2016 at 12:38

    Mais importante do que validar ou não personagens altamente críticos e favoráveis à comunidade e ao seu florescimento prático-moral, homens iguais a Kant, é, sem dúvida, abstrair da própria experiência para deduzir idéias ou mesmo um ideário a que se agarrar, ao demandar entender o mundo.

    Eu, exemplificando, interpreto as pessoas que se entreguem ao sexo com ganância como basicamente *inseguras* e, portanto carentes: de fato, aprenderam a utilizar o ato sexual tencionando alcançar alívio emocional e, sobretudo, suporte psicológico para enfrentar, ao sequer tentar, os problemas, dificuldades e tensões da vida prática – só isso. Embora essa percepção seja relativamente unilateral e filosoficamente homogênea, é amplamente racional e aceitável. Concorda, filósofo?

    • 20/02/2016 at 12:40

      Marcelo o sexo possui requintes de várias graduações. Não creio que aquelas graduações que não são as nossas são piores.

  3. Moni
    11/02/2016 at 21:22

    Amei seu texto, pra mim foi orgásmico! O prazer masculino e feminino quebrando uma formatação social. Momento onde encontramos com nosso lado mais primitivo…

  4. Lucas
    02/04/2015 at 05:53

    Mas isso, no fim das contas, é apenas fantasia, falsas vadias e falsos cafajestes imaginando e criando as condições para que o sexo seja um pouco melhor. Até porque, fora do sexo, eu não tenho nenhuma vocação pra cafajeste.
    Talvez o maior problema seja a confusão que isso pode causar, com homens sendo ‘canalhas’ com as mulheres em momentos errados e vice e versa.
    Agora, para os que reclamam que não se encaixam no padrão, tem um fetiche chamado ‘cuckold’ (fetiche esse, mais comum que se imagina), onde o homem casado (sem vocação para cafajeste) presencia sua mulher sendo dominada e subjugada pelo ‘macho’. Como você disse, é a imaginação que conta.

    • 02/04/2015 at 13:59

      Lucas o meu texto não fala de pessoas empírica, e sim de tipos.

  5. Lucas
    02/04/2015 at 05:32

    Posso estar errado, mas acho que a vadia, ou a mulher canalha é a versão feminina do cafajeste. Por experiência pessoal, eu sempre me meto com essas e é fato que, entre uma mulherzinha recatada e boazinha, e uma safada, eu acabo pendendo para a última. O interessante é saber que a objetificação pode ser (ou é) uma via de mão dupla. E como você disse: homens também podem ser ‘objetificados’, e conheço um monte de mulheres que gostam de ‘usar’ homens para o seu bel prazer. Eu geralmente me meto com as que usam, e acabo gostando disso (tem explicação ou cura para isso?).

    • 02/04/2015 at 14:00

      Lucas eu trato apenas de tipos, para pode introduzir o tema da ética.

  6. Ronilson Teles
    20/03/2015 at 12:26

    Professor e Filósofo Paulo Guiraldelli, seus textos me fizeram pensar um pouco sobre o seu métier, especialmente sobre o modo como, enquanto pensador arguto e rigoroso, raciocina ou desenvolve seu pensamento, a forma como lapida suas ideias e elabora seu discurso, como concatena seus pensamentos, como procura refletir sobre as questões filosóficas, acadêmicas e não acadêmicas. Posso estar radicalmente equivocado, mas seu trabalho em filosofia consiste na busca de esclarecimento e desvelamento das questões sobre as quais se debruça. Pensar o não pensado e trazer à luz um novo olhar a respeito de questões rigorosamente filosóficas, acadêmicas, e sobre questões filosóficas suscitadas no cotidiano de homens e mulheres de carne e osso. Aliado a isso, a vontade de esquadrinhar e dissecar as questões filosóficas, pensando, refletindo visceralmente sobre as mesmas, no intuito de desvelar ao cabo desse exercício exaustivo, sua visão a respeito do que a maioria não consegue pensar, por viver numa caverna mais ilusória e sombria que a caverna concebida por Platão. Estou pensando agora no que afirmou Karl Jaspers sobre a origem da Filosofia, que o ímpeto para filosofar surge da necessidade de autêntica comunicação, da busca por diálogo autêntico de pessoa para pessoa, algo tão difícil de ocorrer entre os homens. Algo difícil de se dar porque nós, homens e mulheres, somos seres mentirosos. Como bem disse Nietzsche: “Estamos desde as origens, desde os primórdios, acostumados a mentir”. O ser humano mente; é um ser tão mentiroso que mente até mesmo quando não se dá conta disso, até mesmo quando não sabe que está mentindo. Ao pensar sobre questões de ordem sexual, sua reflexão se mantém no plano filosófico, pensa as questões enquanto filósofo e não como psicólogo, sexólogo ou terapeuta sexual / ou de casal. Nesse sentido, sua análise não se detém no que se afirma no dia a dia, nas falas comuns e correntes do cotidiano. Pelo contrário, todo seu trabalho consiste em ir além, muito além disso, para pensar o não dito, o não pronunciado, o não pensado, e “pôr as cartas na mesa”, como se diz, desvelar o que está oculto, envolto em visões equivocadas e descabidas. Pois, como bem disse Henri Bergson: “Para saber o que o homem pensa, não ouça o que ele diz; veja o que ele faz”. Imagino como essa sede de esclarecer, desvelar, pensar o não pensado, aliado à necessidade de autêntica comunicação, se inflama, se revolta perante o público com quem interage, diante dos leitores com quem trava contato. Professor e Filósofo Paulo Guiraldelli, seu trabalho não tem a sorte de ser lido por leitores mais qualificados, pelo menos os que comentam seus textos. Muitos leitores (dos seus textos) confirmam que a filosofia continua a ser um campo do saber pouco estudado e pouco explorado; enfim, e no geral, um área do conhecimento bastante desvalorizada.

    • 20/03/2015 at 12:46

      Ronilson eu tenho leitores bons, a maioria é bom leitor. O CEFA confirma isso. Mas o blog é popular… Agora, sobre meu método, não é o da saída da Caverna. Veja sobre ele nos meus livros, OK? Obrigado. Acompanhe-nos também no Hora da Coruja e intervenha ao vivo.

  7. Gérson
    19/03/2015 at 21:51

    Professor, muito interessante seu texto, afinal o Sr. é filosofo! Eu não, sou um mero economista, mas muito admirador da filosofia, afinal a economia é uma de suas mais próximas filhas… Mas deixando essa questão de cadeiras acadêmicas, e na mera condição de admirador da filosofia, tomo a liberdade de tecer algumas críticas à análise de Kant para esse fenômeno. Creio, como o Sr., que ele tenha acertado ao trazer à tona questões absurdamente veladas e proibidas, como o prazer pela submissão. Mas creio que Kant tenha estudado o tal cafajeste como algo estranho a ele, digamos, como um rato de laboratório. Talvez (não conheço bem a história dele), por não ter ele sido um cafajeste. O bom e velho cafajeste com certeza pensa somente em si e em seu prazer próprio, mas seu discurso é totalmente outro, inclusive, num dado momento, para si. A mulher que está com ele, naquele momento, é a mulher da vida dele, e ele mesmo acredita nisso, do contrário, não conseguiria atender a todas as expectativas dela. Como um poeta às avessas, ele “não finge sentir o amor que deveras não sente!” Mas na manhã seguinte, “não conte até vinte, se afaste de mim”, ele lembra que há outras mulheres por aí, prontas para novas tórridas noites, tardes e manhãs de entrega e loucura. E ela, acredita? Se ela sabe que aquele deus do sexo se trata de um canalha a mais, a questão do prazer por si só já o torna atrativo. Mas há outro fator que creio que ele não abordou: a competição no mesmo gênero. Se ciente da condição canalha de seu “gostosão”, ela se entrega também de forma pseudo poética, “fingindo acreditar no que deveras duvida”, mas com uma pontinha de esperança de que seja verdade. E se for, ela venceu, ela domou esse bicho selvagem, ela é melhor do que as outras. Não é absurdo pensar assim sendo homem, se é igual conosco: quantos e quantos homens, bem casados e tranquilos, se apaixonam por putas? Que não seriam nada mais que a versão feminina dos cafajestes. E não me refiro apenas às profissionais do sexo, mas àquelas que trocam mais de parceiros que de calcinhas (calcinhas são 1 por dia, as vezes não dá tempo…). O que leva “esses” caras a um dia terem ou estarem apaixonados por mulheres desse tipo? Fatores semelhantes. Primeiro, essa mulher é, com certeza, muito boa de cama. Deixa o homem extasiado, acabado, emocionado, esgotado, maravilhado. E ainda idiota, ou seja, apaixonado. Essa questão orgasmática também deve ser considerada. Mas essa mulher também representa para ele o impossível, o inatingível, o desafio a ser alcançado. Domar essa mulher vira uma obsessão, aliás, bem prazerosa! Em suma, acho que esses dois pontos, o da capacidade do(a) cafajeste viver momentaneamente um amor verdadeiro, o que o torna falso num contexto geral, e o da competição “inter-gêneros” de suas “vitimas” também devem ser considerados para a explicação desse fenômeno de mulheres&homens se apaixonarem por cafajestes, masculinos e femininos. É o que mais se ouve nesses papos de boteco, principalmente quando um casal está se conhecendo, após algumas experiências amorosas de ambos os lados, e fazendo um breve relato de sua vida , até para apimentar esse eventual relacionamento com um “q” de ciúme do passado: um grande amor perdido por alguém que se amou demais, onde houve entrega demais, mas por alguém que não merecia. E nesse momento, homens e mulheres se olham e fazem a mesma pergunta: porque somente nos apaixonamos por pessoas que não valem nada? Depois passa, descobre-se que não é bem isso. É que este é um tipo de paixão, talvez o mais apimentado, talvez o mais apaixonante, mas da mesma forma, um só tipo. Aquele descrito pela Elis Regina, numa das belas canções que ela interpretava: comparável à alegria da euforia por um gol, anulado!

    • 19/03/2015 at 22:37

      Gérson, Kant NÃO estou nenhum cafajeste. O texto é meu.

    • Sônia
      20/03/2015 at 11:55

      Bom texto Paulo. Falando no q o Gérson disse a puta seria uma versão feminina do cafajeste para os homens? E lembrando o seu amigo Pondé, toda nós mulheres sonhamos em ser putas?

    • 20/03/2015 at 12:02

      Sônia o que o Pondé fala eu não assino. Aquilo me parece um pastiche. É uma bobagem essas coisas de toda mulher quer ser puta. Homem nenhum quer ser cafajeste e mulher nenhuma quer ser puta. Eu não falou aqui de homens e mulheres, mas de uma tipologia que cumpre uma função para vermos como o sexo funciona, como objetivação. Kant e eu não falamos de putas e cafajestes, falamos da função normal do sexo que necessita de “gana”. A diferença é que eu vejo o sexo, digamos, dialeticamente, e Kant não. Ele não percebe que o gozo próprio é somente o gozo do outro e, portanto, a entrega que elimina o instrumentalismo que ele temia.

    • Sônia
      20/03/2015 at 15:00

      Tipologia? Isso significa que vc está falando em termos culturais, que estão no imaginário das pessoas? Não entendi 🙁

    • 20/03/2015 at 15:40

      Sônia nunca ouviu falar em tipologia? Max Weber e os “tipos ideais”, “forte” e “fraco” de Nietzsche… Nunca viu uma pessoa dizer “ele faz um tipo”? Não importa o cafajeste ou puta etc. Ninguém quer ser essas figuras realmente. Só o Pondé pensa assim porque ele é meio café com leite quando pensa em mulher. (Ele estou com padres …). Os tipos não são para mostrarem a si mesmo, mas para mostrarem um ação. No caso, a ação é a objetificação do sexo. Eles são personagens para que a objetificação do sexo, que é o assunto, apareça.

  8. Claudia
    18/03/2015 at 21:55

    Adorei.com.br
    Rsss

  9. 18/03/2015 at 15:41

    “O cafajeste ‘bom de cama’ submete a mulher à posição do animal e a penetra com a força adequada, tirando prazer dela, mas ficando com ela o suficiente para que ela possa viver essa subjugação, essa utilização e, então, gozar ‘como bicho’. Surge então o amor-paixão por parte da mulher que não é anorgásmica. Ela se perde. Ela não consegue mais pensar em outra coisa. Os defeitos do homem ficam completamente diminutos diante da monstruosidade que ele é capaz de fazer com seu pau”
    Este trecho é perturbador. Um filósofo, até um demasiado totó como Kant, consegue perturbar muito mais do que a literatura, principalmente se esta é má literatura.

    • 18/03/2015 at 17:33

      Pedro com disse o Comendador, Kant é um feladaputa!

  10. Erica
    18/03/2015 at 15:03

    Cafajeste, quem nunca o desejou que atire a primeira pedra. Feliz daquela que possui um cafajeste para chamar de seu.
    Roubei!! (olharamais.blogspot.com)
    bjo meu!

    • 18/03/2015 at 17:34

      Erica sua tesão excita até mesmo um cafajeste nato. Vá em frente, de ré, de lado. Beijo! Obrigado por ler.

  11. Mario
    18/03/2015 at 14:01

    Como fazer sexo sem olhar a mulher como objeto e ser alvo de críticas feministas que chamam o homem que deseja a mulher como machista e até mal caráter!?

    • 18/03/2015 at 14:02

      Mario quando você está fazendo sexo você fica conversando com um feminista no celular? O que ele fica lhe dizendo? Faça sexo só, você e sua mulher.

  12. Yan
    18/03/2015 at 08:43

    Bem interessante o artigo em toda a sua forma e segmentos quanto ao assunto.

    Poderia me explicar melhor a frase “não devemos tomar o ser humano senão como um fim em si mesmo, se quisermos manter sua dignidade.”

    Beira uma dualidade de sentidos em minha concepção.

    • 18/03/2015 at 10:07

      Yan, isso é só Kant, é uma das formas de seu imperativo categórico: você não considerar o homem senão por ele ser homem, e não pelo instrumento que ele pode ser para você, quando você o avalia na sua dimensão humana moral.

  13. Mário Dias
    18/03/2015 at 02:38

    Muito bom 🙂

  14. José Afonso
    18/03/2015 at 00:03

    O imperativo categórico sexual kantiano é o que há para quem não quer cair nas ladainhas contemporâneas de sexo customizado – leve a mulher para tal lugar, dê-lhe isto, faça-lhe aquilo para ter em sua cama o que sempre quis.
    Em ”Butch Kassid e Sundance Kid, Sundance disse mais ou menos isto para a namorada que queria seguir com ele para a Bolívia praticar trapaçarias: ”Você vem, mas se começar a reclamar do calor, disto daquilo, das unhas, eu te deixo no meio do caminho”.
    Se fosse um utilitarista (teleológico) que geralmente é o que as pessoas esperam de um homem, apesar de negarem, ele diria que faria suas vontades, relevaria suas queixas em prol de estar ao seu lado. Mas baixou o dever deontológico do cafajeste e foi feliz.

    • 18/03/2015 at 00:13

      Não, nenhuma mulher espera que um homem seja um utilitarista no sentido do utilitarismo filosófico. Isso o desviaria completamente do que ela quer. O utilitarismo faz cálculo para potencializar o prazer e diminuir a dor do MAIOR NÚMERO. Do utilitarismo é liberal com tendência ao socialismo, ao contrário do que os brasileiros não filósofos imaginam.

    • Mario
      18/03/2015 at 01:50

      E como ser feliz sozinho? E como evitar a escravização que o homem mediano ou abaixo da média sofre nos dias de hoje para ter uma mulher?

    • 18/03/2015 at 02:01

      Mario não tenho a menor ideia do que isso tem a ver com meu texto.

    • Klewerton
      18/03/2015 at 10:22

      Paulo, ele quis dizer: como ganhar uma mulher tendo um pau pequeno?

    • 18/03/2015 at 12:46

      Klewerton! Nem com dinheiro!

    • Hayek
      18/03/2015 at 13:33

      Paulo, o q tem de ruim em não seguir certos padrões que a sociedade impõe? Que eu saiba as mulheres tendem mais ao amor quanto ao sexo. Se perdoa tudo por amor

    • 18/03/2015 at 14:03

      Hayek me perdoa você, mas você não entende nadinha de mulher e de sociedade a coisa tá feia após essa frase cliché velho “padrões que a sociedade impõe”.

    • Hayek
      18/03/2015 at 16:00

      Mas paulo isso é um estereótipo que é vendido. Não consigo pensar na Audrey Hapburn preferindo homens cafajestes

    • 18/03/2015 at 17:32

      Hayek ou você não entende nada de mulher ou você não leu o texto ou talvez os dois. Leia ao menos o primeiro parágrafo!

    • mariola
      19/03/2015 at 11:42

      como ganhar uma mulher tendo pau pequeno?
      Ué, focando nas que não gostam de sexo.

    • mariola
      19/03/2015 at 12:07

      Quanto a não conseguir imaginar a Hepburn com um cafajeste, eu teria mais cautela: também não conseguia imaginar o Rock Hudson como um devasso orgiástico que depois revelou ser. Dane-se Hollywood e danem-se todos, se preciso for: se não tenho vocação (ou centímetros suficientes) para ser um cafajeste, é melhor partir pra outra, né? Supor que não existam alternativas é um indício de necessidade de divã.

    • 19/03/2015 at 12:14

      Mariola! Você precisa ter uma certa cancha com filosofia. A filosofia é sempre um tipo de ficção. O cafajeste do meu texto filosófico é tão amplo que cabe o simples carinha que sabe falar para a mulher que ela é uma puta, em situações certas, até o maluco do serial killer com o qual muitas se casam efetivamente.

  15. Mayck Sathler
    17/03/2015 at 23:58

    Professor, Kant dizia que “o amor jamais se traduzirá em imperativos”. Nessa perspectiva, pode-se deduzir que o amor justificaria o sexo? No sentido que, se amando é impossível não agir moralmente bem porque o amor dispensa imperativos, então, se amo, independente de como transo, ajo bem?

    • 18/03/2015 at 00:10

      Ué, por que o amor autoriza sexo? O amor autoriza o amor. Uma coisa que dispensa imperativos dispensa imperativos para si mesma, não para fazer outra coisa. Que leitura é essa que enfia palavras na boca de Kant?

  16. maumauzz
    17/03/2015 at 23:06

    haha.. bom saber disso. Mas ainda há muito o que se descobrir o que se passa pela cabeça de uma mulher.

  17. Bruno
    17/03/2015 at 22:13

    Paulo, você é melhor que Will Smith em Hitch. Aliás, você poderia ter ensinado Will Smith!!

  18. amazzare
    17/03/2015 at 21:16

    Brilhante!

  19. Mario
    17/03/2015 at 20:16

    Paulo, o que vc acha de mulheres que se expoem para outros homens na webcam e dizem que isso melhora o relacionamento delas com o próprio marido?

  20. José
    17/03/2015 at 20:12

    muito bom o seu texto Paulo, eli mostra o homem de uma forma diferente, não puritana, como é muitas vezes o que vemos nos dias de hoje. Parece que apesar de toda liberação sexual o homem sexualizado ainda é mal visto na nossa sociedade. Não sei se isso tem relação com o crescimento dos evangélicos.

    • 17/03/2015 at 20:29

      José, nada disso. Não somos reprimidos. VEja o artigo sobre religião, que fiz também hoje.

    • Alexandre
      18/03/2015 at 23:54

      “Parece que apesar de toda liberação sexual o homem sexualizado ainda é mal visto na nossa sociedade.”

      José, é justamente o contrário, o homem (hétero) é livre e ainda tem a sexualidade estimulada, vivem no paraíso e ainda reclamam.

    • 19/03/2015 at 10:09

      Alexandre você não pegou a coisa ainda, não sabe onde vive. Aliás não leu o texto. O homem é estimulado, mas não reage, por isso existe o cafajeste. Vivemos numa sociedade sexualizada porém deserotizada, daí o final do meu texto ser como é.

    • João Pedro
      19/03/2015 at 11:19

      Professor, erotismo em que difere de sexualização? O erotismo está ligado mais a subjetividade ou romantismo?

    • 19/03/2015 at 11:48

      João Pedro pegue meus últimos livros e veja como Eros é um deus. Como se dá o processo de psicologização etc. Veja os dois volumes de A aventura da filosofia (Manole).

  21. Gislaine
    17/03/2015 at 19:38

    Wow!!! Sem palavras…

    • 17/03/2015 at 19:39

      Gostou né Gi?!

    • Gislaine
      17/03/2015 at 20:40

      Adorei… rsss

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