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24/08/2017

Mulher Maravilha é derrotada por super vilã feminista: a Ignorância.


A Mulher Maravilha não é “branca e sexualizada”, como declararam os inúmeros manifestantes que mandaram carta para ONU, exigindo que ela deixasse o cargo de representante da Igualdade de Gênero. Evidentemente, a Mulher Maravilha não é uma pessoa de carne e osso, mas um personagem. Como tal, cumpre funções da máscara teatral que veste. Seus traços físicos étnicos e impressionáveis em qualquer sentido (“seios grandes” – foi acusada disso!) podem ser trocados pelos desenhistas multiplicando tipos de Mulher Maravilha. Aliás, já é assim que ocorre, por isso uma tal coisa seria mais que viável, mas o correto. Afinal, temos Nossa Senhora Aparecida negra! Mas isso foi antes das vanguardas pseudo-cultas das minorias reclamarem de tudo.

No mundo da arte pop e da proliferação do marketing, o grande segredo é tornar um símbolo multi-utilizável. Alguns são criados para tal, outros são aproveitados assim e dão certo. É algo desejável pelos olhos do consumidor moderno e tem a ver com o relativismo e pluralismo de nossos tempos. Adoramos ver como ficou tal “marca” ou “modelo” após em seu novo design. Aliás, ser um designer é ser um homem do momento. Mais que isso: Bruno Latour, lembrando Peter Sloterdijk, chegou a escrever “Dasein ist Designer.” O autor atual de HQ é um designer.

A arte da HQ é uma arte não por ser desenho ou expressão de uma narrativa qualquer, mas por dispor da capacidade de trazer o teatro moderno aos quadrinhos. No teatro antigo havia a persona, ou seja, a máscara literal, de modo que um ator, ao vestir a máscara própria, incorporava a função. Aliás, isso por razões óbvias, esse teatro antigo, grego, veio de manifestações religiosas, de incorporação. Desse modo, os atores não eram tidos como atores. Mas o mundo moderno trouxe os atores. Eles deixaram a incorporação de lado, abandonaram a máscara e passaram eles mesmos a produzirem, nos seus corpos, as máscaras, ou com a ajuda da maquiagem ou mesmo sem, somente com a capacidade de trocar de expressões principais. Foi essa teatralidade moderna que a HQ trouxe para a narrativa sua, própria. Desse modo passamos a falar do Batman de fulano de tal, e aí citamos um artista, ou seja, nos referimos ao desenhista e ao roteirista de uma época, e também assim ocorreu no cinema. Paulatinamente isso virou regra. Trabalhar com HQ hoje é trabalhar com a possibilidade de ter um herói em várias versões.

Mulher Maravilha seria perfeita para representar a mulher na ONU. É um personagem já acostumado a ganhar diversas formas e tipos. Teríamos uma de grandes seios, outra de seios menores, outra loira e outra asiática. Teríamos a negra e índia. Podíamos ter até a esquimó. Seria um sucesso. O empoderamento do mulherio. O uniforme de Mulher Maravilha cai bem para qualquer mulher. Mulher Maravilha teria vencido essa batalha, mas o problema é que, desta vez, ela enfrentou uma super vilã capaz de derrotar a ONU, como já derrotou muita gente em vários países. Trata-se da Ignorância.

O Ignorância também tem um laço mágico, mas que atinge diretamente o cérebro das pessoas, que então fica preso e vai murchando, murchando e termina como termina todo militante que se vê à frente de seu movimento, como vanguarda. A Ignorância tem milhares de fãs, e foram eles, que se pensam representando minorias, que reclamaram. Vieram pelo chamado de Salieri: “medíocres do mundo, uni-vos”. Deu no que deu, a ONU despediu a Mulher Maravilha do cargo.

Paulo Ghiraldelli Jr. 59, filósofo. São Paulo, 13, 12/2016

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5 Responses “Mulher Maravilha é derrotada por super vilã feminista: a Ignorância.”

  1. Henry Melo
    14/12/2016 at 22:57

    Acho que a mulher maravilha deve representar as mulheres excluídas, isto é, aquelas que precisam de empoderamento.

    • 14/12/2016 at 23:46

      Todo mulher é excluída, agora, o bom é as mulheres antes de falar “me representa” digam “eu me apresento”.

  2. ivan lázaro
    13/12/2016 at 17:54

    Acabei de ler a notícia no Folha de S. Paulo, e as críticas à Mulher Maravilha sobre ela ser branca e ser sexualizada demais é coisa mesmo de feministas que falam em “descontruir os padrões de beleza” pra dizer que o feio é o novo Belo. Ignorância muita isso. (quando li a notícia vim logo aqui porque sabia que o senhor não ia deixar passar essa!)

  3. Isaura Luiza Paramysio
    13/12/2016 at 15:19

    Ótimo artigo. Não tinha pensando nestes pontos.

    • Vera Cristina 0
      13/12/2016 at 19:20

      Jessica Rabin TRump.

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