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24/10/2017

A mulher brasileira odeia as feministas?


É verdade que, em geral, as mulheres brasileiras não vão muito com a cara do feminismo?

As mulheres brasileiras, salvo pequena parte, cumpre de duas a três jornadas de trabalho diárias. A classe média trabalha fora e cuida dos filhos. A mulher dos setores mais pobres trabalha fora, cuida dos filhos e trabalha na faxina da casa e na cozinha. Uma boa parte dessas mulheres, depois de um dia de trabalho terrível, voltam para casa no apertado do metrô, sofrem esbarrões sexuais, ou então passam medo em ruas escuras, abordadas por olhos masculinos pouco suaves. Isso para dizer o mínimo, ou seja, o diário e corriqueiro. Ganham salários menores que os homens, ainda que produzam mais. Sofrem clara discriminação no emprego. Quando abusadas sexualmente, dificilmente prestam queixas, pois o mundo masculino é imperdoável: os conservadores gritam contra o abuso da mulher, mas isso só publicamente, pessoalmente e no privado, não raro, transformam a vítima em culpada.

Em um país assim, o feminismo deveria estar em alta. Mas não está. Qualquer postagem ou vídeo contra o feminismo faz sucesso na Internet, principalmente entre as mulheres. A maioria das mulheres brasileiras odeia o feminismo ou no mínimo não quer de modo algum se identificar com as feministas. Há muitas mulheres que dizem “sou feminista, mas não sou dessas feministas aí”. E “essas feministas aí” são as militantes.

Em geral, a ideia da mulher brasileira sobre as feministas é a seguinte: são mulheres que querem impor como devemos ser, e em geral são mal amadas, ou feias ou masculinizadas; no fundo não querem sexo, não querem ter um homem. A mulher brasileira quer ter um homem, é sexualizada, e odeia que mulheres não sexualizadas venham lhe castrar. O feminismo lhes é sempre algo autoritário, não raro moralista. Uma moça de classe média, escolarizada, um dia me disse: “nós escapamos do mando do pai, dos irmãos e do marido, e agora temos que obedecer as feministas, que m* é essa?” Pensei em responder lhe dizendo sobre a justeza do feminismo, sobre como só temos hoje a mulher por conta da descrição feita pelo feminismo a partir do final do século XIX, mas pensei melhor e vi que ela tinha razão. meu silêncio seria mais honesto.

A mulher brasileira é uma das mais vaidosas do mundo. Ninguém gasta tanto em salões demulheres-que-nao-eram-feministas (1) beleza que a mulher brasileira. Sai maquiada para trabalhar, quer andar bem vestida e na moda. A mulher brasileira adora chamar a atenção. Quer comandar o seu homem, mas isso sendo mulher, mostrando seu poder como força de submissão na cama. O feminismo quer lhe mostrar um mundo de opressão que ela conhece, mas que ela não quer fazer nada contra se, para ser contra, for necessário assumir o comportamento mulher-macho ou mulher-assexuada que o feminismo, em graus variados, faz questão de impor, mesmo quando diz que não quer impor.

As feministas insistem em não perceber isso. Não raro são ranzinzas, não possuem humor algum e, por isso mesmo, acabam por confirmar o que todas as outras mulheres falam delas: “não gozam, por isso possuem raiva dos homens e da objetificação necessária ao sexo”. Já tentei argumentar com mulheres que avaliam o feminismo assim, mas elas sempre acabaram me encalacrando. Vejo-me derrotado. O moralismo e o esquerdismo barato e inculto do feminismo acaba me deixando sem armas. Hoje o preconceito contra o feminismo virou conceito, e tem lá sua razão. É chato admitir, mas para ser honesto intelectualmente, é necessário fazê-lo: para cada ganho de ideais do feminismo há cada vez mais mulheres que querem distância das feministas.

As mulheres que não querem saber das feministas nada possuem nada de machistas, ao contrário. O problema é que elas amam a liberdade, e as feministas se arvoram em proprietárias de regras. Nem com Ema Watson feminista as brasileiras querem se identificar!

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo

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8 Responses “A mulher brasileira odeia as feministas?”

  1. Jane
    03/11/2016 at 20:47

    Odiar homens não é feminismo, odiar homem chama-se femismo. Sou feminista e gozo muito…no geral amo os homens, salvo os que reproduzem opiniões levianas e machistas, principalmente os que as registram.

  2. 20/05/2016 at 13:07

    “As fotos em momento algum foram sensuais. As fotos em
    posições ginecológicas que exibem a mais absoluta intimidade da mulher não
    são sensuais. Fotos sensuais são exibíveis, não agridem e não assustam.
    Fotos sensuais são aquelas que provocam a imaginação de como são as formas femininas. Em avaliação menos amarga, mais branda podem ser
    eróticas. São poses que não se tiram fotos. São poses voláteis para
    consideradas imediata evaporação. São poses para um quarto fechado, no
    escuro, ainda que para um namorado, mas verdadeiro. Não para um exnamorado
    por um curto período de um ano. Não para ex-namorado de um
    namoro de ano. Não foram fotos tiradas em momento intimo de um casal
    ainda que namorados. E não vale afirmar quebra de confiança. O namoro foi
    curto e a distância. Passageiro. Nada sério.

    Quem ousa posar daquela forma e naquelas circunstâncias
    tem um conceito moral diferenciado, liberal. Dela não cuida. Irrelevantes para
    avaliação moral as ofertas modernas, virtuais, de exibição do corpo nu. A
    exposição do nu em frente a uma webcam é o mesmo que estar em público.
    Mas, de qualquer forma, e apesar de tudo isso, essas fotos
    talvez não fossem para divulgação. A imagem da autora na sua forma
    grosseira demonstra não ter ela amor-próprio e autoestima. ”

    Decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que analisou o caso de um namorado que divulgou na internet vídeos/fotos de sua até então namorada.

    Na oportunidade, o rapaz foi condenado na primeira instância a pagar cem mil reais de indenização. Por dois votos a um, o Tribunal de Minas Gerais reduziu a indenização para cinco mil reais, por considerar que a mulher concorreu de maneira veemente para o resultado, ao se expor, como o fez, ao se despir para o namorado via webcam.

    Ecos do judiciário, com toques de filosofia, reverberando do seu texto.

    Abraços.

  3. silvia
    17/05/2016 at 20:35

    Olá professor. No momento estou fazendo um trabalho sobre a Escola de Chicago e gostaria de saber se o senhor saberia me indicar alguma sugestão de pesquisa, pois eu soube que eles foram influenciados pelos pragmatistas.

    • 17/05/2016 at 23:03

      Chicago teve a presença de J. Dewey, ostensiva.

  4. Orquideia
    16/05/2016 at 22:42

    Eu sou feminista,mas não “dessas aí”. [Kk…

  5. Pablo Martinez
    15/05/2016 at 07:17

    Meu caro não sei o que dizer sobre seu post pois honestamente nunca li nada sobre o feminismo e sua historia mas tenho dois relatos sobre duas feministas que conheci.
    A primeira não usava sutiã pois, segundo ela, era uma invenção machista da mesma forma ela não se depilava, em lugar nenhum. A outra quando resolveu namorar não quuz fazer o que homens e mulheres fazem naturalmente quando estão namorando, trocar de uma posição a outra, ela alegava que várias posições eram de dominação machista e que ela só ficava por cima, eu disse tudo bem, ela não gozou, pois não sentia prazer em cima mas também não quiz fazer de outro meio. Sei lá viu…..

    • João Neto
      15/05/2016 at 14:06

      É aquela questão do Paulo quando ele diz “objetificação necessária ao sexo” que na minha idéia vinda lá do interior de Mococa quer dizer: “tapas na bunda”… e não só! hahahaha.
      Vida longa e beba água.
      J

    • Claudio Dionisi
      17/05/2016 at 12:49

      Estes seus relatos são exemplos de mulheres que, de tão feministas, começaram a deixar de ser mulheres.

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