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16/08/2017

Morrer de vergonha


Julia Rebecca“Seu” Paulino era servente no colégio em que estudei. Meu pai, diretor da escola, encontrou-o morto cedinho lá dentro do prédio da escola. Veneno de rato. Tomou o suficiente, talvez, de modo a nem passar mal por muito tempo. A primeira coisa que veio à mente do meu pai, ao levantar-se perto do homem, fitando o cadáver, foi a número de filhos deixados à mercê da sorte.

Poucos dias antes, “Seu” Paulino havia me dito uma frase esquisita: “meus filhos tomam um ENO para enganar a barriga na hora de dormir”. Não entendi que estava faltando leite, comida mesmo na mesa da casa dele. Simples como ele só, foi tendo filhos e mais filhos sem se dar conta de como cria-los. Como ele vivia sorrindo, muitas vezes com um traço de nervoso e não de alegria, as pessoas tendiam a ajuda-lo, sim, mas sem dramas. Quando bateu a vergonha de não conseguir mais trazer para casa o alimento, mesmo sendo um homem com carteira de trabalho assinada e trabalhando em um colégio público importante, ele foi para o suicídio.

Não foi um ato impensado. Foi bem refletido. Não poderia ter escolhido melhor. Ele sabia que seria encontrado, antes de tudo, por meu pai. Foi como dizer para meu pai: “como diretor do colégio, o senhor vai dar um jeito para que a comunidade ajude aqui e ali e meus filhos possam estudar e virar gente”. Ele apostou que, uma vez morto, traçaria o destino dos filhos de um modo que vivo não iria conseguir. De fato, morrendo, amarrou o destino de um modo que muita gente viva não conseguiu. Até quando me lembro, as crianças dele conseguiram estudar. Acho que já deu quarenta anos isso.

“Seu” Paulino me deu de uma maneira dramática o sentido da frase que em geral falamos brincando, “morri de vergonha”.

A vergonha é o sentimento de constrangimento que nos abate quando a imagem que queremos projetar de nós mesmos para o mundo se quebra irremediavelmente ou de um modo que nos parece irremediável. Umas pessoas são agarradas por esse constrangimento de modo tão agudo que não podem ficar mais nenhum momento vivas por causa da dor que ele provoca, precisam se livrar de tal sentimento, e então se matam. É uma dor que não causa desmaio, aguda. Tanto é que ela permite uma reflexão inteligente, de modo a garantir, às vezes, como no caso do “Seu” Paulino, uma vitória sobre a história e sobre o destino. Mas é uma dor que denota um estrago que se mostra irremediável. Não vale a pena viver sabendo que, ao acordar, todas as manhãs, o inferno daquela dor terá início novamente. O suicídio abre sua porta e convida o infernizado a desaparecer para sempre, inclusive de si mesmo.

A vergonha é o ponto central disso tudo.

No mito bíblico, o homem não vem ao mundo dotado de vergonha. Ele a adquire após ter desobedecido a Deus. Confiando em Santo Agostinho, podemos interpretar a situação de vergonha como que causada pela aparente autonomização de partes do corpo, como a ereção. Do mesmo modo que Deus havia sido desobedecido por um de seus membros no Paraíso, o homem veria o quão duro é sentir vergonha por conta de não poder confiar mais em membro de seu corpo. Esse foi o castigo do homem, imediatamente após comer o fruto da “árvore do conhecimento”. Toda a nossa vergonha não seria derivada de outra vergonha senão daquela que chamamos de sexual.

Por isso mesmo, vergonhas que são causadas por motivo diretamente sexual são tão ou mais constrangedoras que quaisquer outras. Não vale para todas as pessoas, claro, mas é significativo que valha de um modo avassalador para algumas.

Júlia era uma mocinha bonita. Seu vídeo fazendo sexo com um garoto e com uma garota “vazou” para a Internet. Envergonhada perante a própria família, se matou. A vergonha doeu e o pensamento de que a mãe sentiria também a dor da vergonha perante outros redobrou a sua dor. O melhor seria ir embora. Júlia foi embora deixando no twitter a sua motivação: “Eu te amo, desculpa não ser a filha perfeita mas eu tentei… desculpa desculpa eu te amo muito…” E em seguida: “É daqui a pouco que tudo acaba”.

Estranhamente, os meios de comunicação e inclusive muitos intelectuais que lidam com o suicídio não investiram contra a culpa social, mas contra a Internet, contra os meios de comunicação. Ao invés de se perguntarem sobre a censura, que foi o que pesou na morte da moça, pediram mais censura – o nojento e já cansativo pensamento sobre como encontrar mecanismos de modo a fazer com que as pessoas não coloquem intimidades na internet e coisas do tipo.

Não é difícil compreender o que Júlia estava sentido ao buscar a morte. O difícil é compreender que ela tenha feito isso em uma época em que outros, não poucos, rezam para que o que ocorreu com ela ocorra com eles. Um vídeo que “estoura” na internet, inclusive por estar fazendo sexo, é motivo de romarias imensas por parte de jovens que só fazem isso, esperando a redenção. Um “viral” – é tudo que todos querem em um mundo em que mesmo o mais tímido dos tatus deseja ser uma girafa por bem menos que os tais 15 minutos de fama clássicos. Uma girafa,  que eu possa ser algo que será bem visto por todos.

Todavia, a vergonha nunca se manifesta de um modo geral, isto é, a partir da presença de inúmeros elementos. Sua dor é no peito, mas ela tem seu elemento central na imagem particular. Há alguém no mundo que faz a vergonha emergir. Basta ter a imagem mental de uma tal pessoa determinada e eis que pensamos que a dor da vergonha será insuportável, que precisamos evitar isso. “Seu” Paulino não podia mais encarar os filhos. Júlia não podia encarar a mãe. Claro que outros constrangimentos haviam nos dois casos, mas há os constrangimentos que causam a vergonha suportável e há aquela figura que causa ou pensamos que causará – portanto já causou – a vergonha insuportável.

O pai que dá alegria ao filho é uma imagem forte. A menina que dá orgulho para a mãe é uma imagem forte. “Seu” Paulino tinha essa imagem como a imagem de pai, a única imagem do pai existente para ele. Quando se viu incapacitado de ocupar o lugar daquela imagem, viu também que não valia mais viver. Júlia tinha uma determinada imagem de filha, e notou rapidamente que sem mais ocupar o lugar da imagem não poderia ficar viva. Que não se pense que o suicídio é um ato de covardia. Que não se imagine que o suicídio é um ato narcisista e egoísta, de quem foge buscando se livrar de algo que incomoda somente a si mesmo. “Seu” Paulino morreu onde morreu para salvar seus filhos. Deu certo. Júlia deixou uma linha final, no twitter, para a mãe, e é algo que pode dar certo – ela quis livrar a mãe de continuar sentindo a vergonha que ela Júlia estava sentindo. Temo que ela tenha acertado.

Sócrates chegou a ouvir de Alcibíades que este tinha vergonha de não ter sido quem ele se propôs ser, mas que tal vergonha só o atingia quando estava diante de Sócrates.

Paulo Ghiraldelli Jr., fiilósofo.

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50 Responses “Morrer de vergonha”

  1. Ewerton Monteiro
    19/11/2013 at 08:39

    O duro e ver uma jovem morrer com medo do julgamento da opinião alheia de pessoas que hoje ja nem sabem mais quem ela foi, ou o que fez…
    Tenho um filho de 7 anos, espero que minha casa seja um “lar” a ponto que quando ele fazer alguma coisa na vida que pense que nao existe mais solução, possam voltar a este Porto Seguro que e sua casa e confiar nos Pais!

  2. Marco Vasconcelos
    19/11/2013 at 08:20

    Que reflexão maravilhosa, professor! Realmente o senhor faz jus à sua proposta filosófica: desbanalização do banal. Ainda bem que isso acontece, porque imagino que, sem o senhor para fazer esse tipo de leitura, ficaríamos reféns do pensamento engessado de alguns dos nossos intelectuais.Valeu!

  3. Guilherme Assis Aroeira
    18/11/2013 at 13:21

    Paulo, a 5 anos atrás, eu perdi uma amiga (Liege) que se matou. Entramos juntos na faculdade de Direito, e nos tornamos grandes amigos. Inclusive, ficamos na 1° semana de faculdade depois do trote (nós dois namorávamos na época, logo, foi uma traição conjunta).
    Ela teve problemas com drogas, ficou mal-falada na faculdade, saiu no 1° semestre ainda. Um dia antes de se matar, ela me disse “Gui, você é um irmãozão pra mim”. Com seu texto, hoje, eu posso entender o porque dela ter feito isso: a vergonha de ser taxada de vagabunda, drogada, louca, etc., e o que isso refletia com a família dela.
    Obrigado.

    • 18/11/2013 at 14:34

      Guilherme, a gente não olha do lado né?

    • Guilherme Assis Aroeira
      18/11/2013 at 15:59

      Vou compartilhar o texto assim que puder. Muito bom.

  4. Comissario
    17/11/2013 at 21:23

    Achei seu site sem querer quando tentei entrar no “Homens de bem”
    achei muito bom, textos exelentes ja até salvei nos favoritos

    • 17/11/2013 at 22:51

      Obrigado! A direitona burra que quis me incriminar me ajudou!

  5. Rose
    17/11/2013 at 15:00

    Leva-se anos para construir uma imagem e apenas segundos para destruí-la por completo. É muito cruel isso, isso explica grande parte dos suicídios. Nós vivemos numa sociedade tão primitiva que , voce pode ter uma hitória linda ,uma vida inteira construída por seu caráter e boa índole, mas, se em algum momento , você falhar, tudo isso pode virar pó. É tão cruel , tão avassalador, que nem mesmo Dante conseguiria descrever o “inferno” astral vivido pelas pessoas que tiveram sua imagem e reputação jogadas no lixo. O suicídio nestes casos, seria um bálsamo , já que o sofrimento causado por essa mácula atingiria nao só a pessoa vítima da situação, mas seus entes queridos. Somos tão condicionados a viver de aparências, que as vezes situações banais como esquecer uma etiqueta na roupa, ou ter seus sapatos desamarrados nos faz sentir envergonhados perante a sociedade, principalmente em momentos importantes como em reuniões de trabalho, eventos comemorativos etc.. e se diante de tais situações, esses “deslizes” nos faz sentirmos muito vezes envergonhados, agora imagine numa situação de exposição em massa como no caso na menina Júlia e numa situação de vergonha em sentir-se impotente por não poder cumprir sua obrigação de pai ,como no caso de “seu” Paulino. A nossa sociedade tem muito que evoluir, para que num futuro, espero que não tão distante, o valor e a grandeza das coisas recaia nas suas essências e não nas aparências. Que há muito mais dentro de um ser humano que por fora, que somos reflexos de uma história inteira e não só de momentos.

  6. 17/11/2013 at 00:36

    A necessidade de corresponder a expectativa das pessoas a quem amamos só não é menor que o julgo condenatório por não cumprirmos essas expectativas.

  7. Policarpo Quaresma
    17/11/2013 at 00:21

    É revigorante ler uma avaliação dessas.
    Olha, interessante que vc abordou um caso em especial e o expandiu para outros exemplos similiares.
    O que também me fez lembrar daqueles casos onde um chefe de família chegando a um staus social elevado( financeiramente ), e de repente entra em falência, acaba cometendo esse ato fatal contra si, e, quando não só, contra o resto da família também -sim, nesse último caso, covardia. A negação do retrocesso no padrão social, pela vergonha, ainda que a qualidade de vida seja melhor que boa parte da sociedade. Isso aconteceu muito nos EUA em oscilações econômicas e crises profundas. Eu acho que todo homem deveria saber viver tanto na pobreza quanto na riqueza, saber lidar com os dois extremos, assim penso.
    No caso dessas meninas, será que tem o dedo de doutrina religiosa no meio? O lance da pureza, casamento, honra… enfim.

  8. LENI SENA
    16/11/2013 at 23:18

    É triste imaginar que ela tenha acertado.

  9. Leandro Nakamura
    16/11/2013 at 23:11

    Mais um ótimo texto para refletir Paulo. Gostei muito da abordagem do suicídio. A sociedade a julga como um ato de fraqueza e covardia, mas se esquecem que a dor da vergonha – e outras dores – para um é diferente para outra. Lembremos do jovem Werther do Goethe. Por isso que ultimamente tenho lido a respeito da moral e concordo com o Pondé quando diz que ela tem muito mais força do que a política – o ópio dos marxistas.

    • 17/11/2013 at 17:28

      Leandro, o Pondé está falando uma bobagem imensa, ele imagina a política como algo separado da moral, e se chama “o ópio dos marxistas” é pior ainda. A moral é uma esfera do campo ético e, portanto, um campo ligado ao campo político. Não se deve pensar de modo estanque, como se isso fosse possível de maneira tão clara. A separação é relativa. Agora, a invocação do Pondé com o marxismo é apenas forma dele ser o que ele acusa: marqueteiro. Ele escrever para agradar o público dele. Caso ele quisesse ter rigor, não poderia dizer isso. Os marxistas acreditam bem menos na política, seja coisa real seja como uma crença falsa, um ópio.

    • Leandro Nakamura
      18/11/2013 at 00:35

      Essa parte do ópio dos marxistas é minha, e quando me refiro desta forma é que todos os marxistas só dizem sobre política e criticam a moral como se ela não tivesse relevância. Parecem os “crentes” que ficam repetindo e repetindo, sem permitirem algum diálogo.

    • 18/11/2013 at 14:40

      Lendro, já vi ele falando algo parecido. Mas as coisas não são assim. O que quero dizer é que há uma certa direita, meio velha, que ficava no discurso moral, repetindo, repetindo. Era um saco.

  10. Gabriel
    16/11/2013 at 21:32

    Costumo discordar de suas opiniões Ghiraldelli, mas, neste texto, vc quase acertou, faltou porém, colocar Camus na conversa.

    Julia, hipostasiando o absurdo da vida por meio do prazer carnal, descobriu que a relação sexual nao existe, salvo, o absoluto prazer nela calada, a paz, a quietude, o gozo-limite: a morte sob o nome da vergonha.

    Essa garotada nao quer prazer, querem sim a morte escondida em gozo, baladas, divertissement, pois, na sua maioria nao entendem o absurdo que eh a vida. Divago.

    • 17/11/2013 at 17:29

      Gabriel, você quase acertou na crítica, faltou você tirar Camus de sua sugestão.

  11. Vivian
    16/11/2013 at 19:25

    Parabéns pelo texto. Entendo a dor do pai servente e também da jovem, deve ser muito triste sentir uma dor tão profunda a ponto de não querer viver. Quando não estamos na pele da outra pessoa fica muito fácil opinar, por isso prefiro refletir. Que Deus abençoe a todos os envolvidos em histórias como essas tristes e de perdas irremediáveis!

  12. katheleen
    16/11/2013 at 17:45

    apesar da profundidade do texto,muito bom.
    nos remete não só a uma linha de reflexão,não somente suicidio…mais também a do julgamento,o que levou júlia a se suicidar não foi tão somente a vergonha,mais o julgamento de todos,as coisas pesadas que teve que enfrentar da noite para o dia… e na minha opinião como mãe de 4 garotas adolescentes…. o falso moralismo matou júlia a sociedade hipócrita matou júlia…ser apontada como promiscua,leviana…. o mal do ser que se diz humano é a falta de compaixão… a falta de se colocar no lugar daquele que esta sofrendo sendo ele “certo” ou “errado”é muito fácil apontar,condenar criticar o outro macaco,agora sente-se sem dobrar o rabo….
    muito aqui irão ser grosseiros hipócritas e me perguntarem…
    e se fosse com uma de tuas filhas diria isso seria tão mãezoca???

    digo que daria todo o meu apoio enfrentaria tudo ao lado dela… não vou falar sobre a visão do suicídio… pois sou espirita não cabe expor aqui sobre como vejo o ato…e sim se a sociedade dita humana não fosse tão hipócrita e cruel talvez essa criança não teria cometido tal ato…quem não tem algo de que se envergonhe muito … que não tem segredos ocultos os ditos pecados que só existem na cabeça mediocre e pequena do homem…..

    • 16/11/2013 at 19:29

      No momento em que escrevo, parece que a outra garota do vídeo da Júlia tomou veneno. Pode isso?

    • Renato Nascimento
      17/11/2013 at 10:16

      Excelente texto!
      Concordo com você Katheleen, o que matou a garota foi este conjunto de valores falsos que são sustentados pela maiora dos indivíduos que compõem este sociedade.
      Fala-se sem conhecimento algum de causa em pena de morte, redução de maioridade penal, cura gay, descriminalização da maconha, facilitar aquisição de porte de arma, etc.
      Atribuem ainda, características uns aos outros, alguns são “burros”, outros são “cornos”, outras são “piranhas”, outros “caretas” e por aí vai…
      Quando esta conduta não mata, no mínimo causa uma vida de sofrimento constante.
      Vejo eu, que o conceito de violência é por demais minificado, acredita-se ainda apenas em violência física e é preciso romper este paradigma.

  13. Michael Darolt
    16/11/2013 at 17:44

    Ola Paulo, achei suas ideias no texto bem concatenadas, e resolvi fazer um pequeno adendo daquilo que penso. Vejo que tanto “Seu” Paulino como Julia cometeram suicidio num ato de tremenda fraqueza, e, porque nao dizer, covardia (aqui, vejo o limite, como entenderas na minha observaçao abaixo). Ambos buscaram fugir de uma realidade, que, como esta analisada por voce, era sinonimo de libertaçao pelo momento vivido.
    Como Jean Paul Sartre ja nos dizia, o suicidio é o maior ato de liberdade que a vida nos oferece, contudo, esta açao esta’ interligada a um momento limitrofe, e segundo seus exemplos, o limite era a vergonha… vergonha de nao conseguir dar qualidade de vida aos filhos, vergonha de manchar o nome da familia pela auto-exposiçao…
    Durkheim, na sua pesquisa do porque as pessoas se suicidavam, deixou claro que em todas as açoes existia um aspecto que demonstrava fraqueza das pessoas sob um aspecto social, em especial o familiar (tao bem especificado por voce nos dois exemplos).
    Concluo meu dizer, afirmando que, independente do motivo pelo qual uma pessoa cometa suicidio, haverao sempre duas leituras passsiveis de serem feitas, uma, de libertaçao das dores do sujeito pelo peso de açoes cometidas em vida(Seu Paulino, Julia e tantos outros) e outra feita por grande parte da sociedade, que compenetrada apenas no papel de inquisitor, desqualifica veementente a açao do sujeito, e o condena indistintamente ao inferno.
    Parabens pelo texto.
    Abraços,
    Michael Darolt

    • 16/11/2013 at 19:31

      Michael, só um adendo, há mais leituras que duas, mesmo “no mínimo”. Obrigado por ler.

    • Rogério
      18/11/2013 at 00:00

      eu não achei covardia dos dois terem se matado. Foi uma escolha? Uma valentia? Um desespero? Ninguém explica o suicídio. É só uma decisão. Bem, não sou filósofo, apenas opino e comento aqui. provavelmente estou errado em 90 por cento do que comento e falo, mas e daí? Quem é que vai resolver o problema angustiante do absurdo da condição humana? Do inferno e paraíso da convivência?

    • 18/11/2013 at 14:43

      Bem, eu faço filosofia, não ciência. Portanto, não explico nada. Filosofia coloca uma perspectiva a mais, para pensar. Ao menos do modo que eu a levo adiante, na ideia de “desbanalizar o banal”. Fiz meu texto para que o suicídio não se torne um tema banal. Muito menos o ato.

  14. Leonardo Silva
    16/11/2013 at 16:58

    Paulo, pode parecer loucura, mas estava refletindo sobre isso pouco antes de você postar esse texto. Eu sempre fui elogiado pela minha inteligência mas nunca me achei inteligente, por isso sempre tive medo de decepcionar as pessoas. Sou adolescente e as pessoas esperam que eu tenha um grande futuro em uma grande universidade e depois um grande emprego. E pra piorar, querem que eu faça Medicina, o curso mais concorrido no Vestibular. Tenho medo de perder a cabeça se não ou algo assim.

    • 16/11/2013 at 19:32

      Leo, só você pode se cuidar. Mas se um dia for fazer uma bobagem, antes disso, saiba que eu ouvirei você. E eu tentarei ajudar.

    • Policarpo Quaresma
      17/11/2013 at 00:34

      Cara, e daí? Vai chegar a hora de vc se livrar da sua família de boa, de toda a pressão. E nessa hora vc mesmo vai decidir por si próprio. Vc pode ser até um grande jogador de poker, se quiser.

    • 17/11/2013 at 17:23

      Policarpo só você pensa que “vai chegar a hora”. Para uns nunca chega, nem mesmo se a família morre ,some.

    • Rogério
      18/11/2013 at 00:11

      Paulo, não tenha medo de decepcionar ninguém, nem Jesus agradou todo mundo. Se é que existiu Jesus mesmo rss rss. Só não faça bobagens porque apesar de tudo a vida ainda pode ser bela,e para isso devemos lutar. Esse “querem”, seus pais provavelmente…só espero que seja um conselho e não uma ordem. Além disso, se o sujeito escolhe ser médico, isso não quer dizer que vai ser médico até o fim da vida, muitos mudam de profissão durante a vida toda, conheci um médico que deixou de ser médico e virou editor; naturalmente foi à falência. Alguns viram deputados, neste caso é uma tragédia. Isso de grande emprego e grande universidade é relativo. A ordem é: estude na melhor universidade e fique rico?? Pergunte pro seus pais como eles conseguiram isso, ficarem ricos após estudarem na melhor universidade.

    • 18/11/2013 at 14:41

      “Paulo”?

  15. Marcos
    16/11/2013 at 16:28

    Ainda vai chegar o dia em que sexo não será motivo de vergonha.

    • 16/11/2013 at 16:41

      Não é, esse é o problema. Ela foi uma vítima do extemporâneo que a rodeia.

  16. Pedro Andrade
    16/11/2013 at 16:00

    Muito bom! Valeu pela reflexão.

  17. 16/11/2013 at 15:53

    Outro dia li seu texto sobre o filme Ninfomaníaca, falando sobre a repetição da troca que nada valora nem usufrui, mas busca, incansavelmente e sem nenhum êxito, obter a última emoção. Fiquei alguns dias pensando no sentido que você usou para a palavra emoção, talvez, porque nessa narrativa moderna do tédio sem fim, estamos perdendo a capacidade de ter emoção. Então prestei mais atenção nas coisas que me acontecem no cotidiano, no meu relacionamento com as pessoas, nos raros momentos em que me sinto emocionada, como agora ao ler o encadeamento da história de Seu Palino com o da menina Julia, eu chorei. Acredito que Agostinho além de não entender o que lê, também não tem capacidade de se emocionar, nem tem sensibilidade para imaginar estando na pele do outro.

  18. renata costa
    16/11/2013 at 15:27

    Não creio que tenha acertado!Para uma “mãe” qual seria a dor pior a perda ou a vergonha? O suicidio pra mim chega ser um ato de covardia por inúmeros motivos. Banalizam a forma como os jovens e outros usam a internet coisa fútil blá..blá.. blá…com esse tipo de notícias esquecem que cada ato gera uma consequência. não sou boa com as palavras mais queria expressar o que penso .Abraço

    • 16/11/2013 at 16:40

      Renata Costa, meu texto é claro, talvez seja melhor você ler de novo, refletir e se colocar no lugar das pessoas. Talvez você nunca tenha amado ninguém a ponto de confiar. Ora, a menina confiou nos que fizeram sexo com ela. Vazou. Você que é toda cheia de cuidados não vai ter esse problema. Sorte sua.

    • Rogério
      17/11/2013 at 23:52

      ô Ghiraldelli , deixa de ser ranzinza e respondão! A Renata falou que não é boa com as palavras. Relaxa e goza, filósofo da corujinha. Só não concordei com ela disso de suicídio ser covardia. São os mais corajosos, neguinho precisa ter muita coragem pra dar cabo da própria vida. Ou talvez uma dose de loucura. Ou ambos. Sei lá, não sou filósofo. Em matéria de sexo, só confio numa mulher quando estou com camisinha. O sexo é 90 por cento físico e um por cento emocional. O amor, que na verdade é a paixão pois ninguém ainda descobriu a quintaessência do amor, é como um chiclete, doce no começo e no final sem gosto, porquanto descartável. Mas isso de sexo já me cansou, não tenho mais idade pra isso e tudo que tinha que fazer já fiz quando era novo.

    • 18/11/2013 at 14:44

      Rogério, não acho que com essa linguagem você deve frequentar meu blog. Eu não conheço você e aqui é minha casa. Você deveria ter um educação mínima ao entrar aqui, mas não tem.

  19. Valdeir Morais da Luz
    16/11/2013 at 15:22

    Belíssimo texto Sr Paulo, uma perfeita reflexão, este é o grande problema da Humanidade, pois condenam um ato Violento de um Individuo, mas não param para analisar, o que levou este individuo a ser violento… e quanto a questão do Luis Agostinho Perdoai, pois ele não sabe o que diz e infelizmente nem onde esta…, mas com uma coisa concordo contigo, tristemente vemos a total incapacidade de raciocínio, do Brasileiro, Culpa dos Podres Poderes, mantendo os na mais absoluta falta de conhecimento através de um Ensino Publico totalmente falho…

  20. Bruno
    16/11/2013 at 14:46

    Luís Agostinho, esse seu tipo de pensamento é justamente o que fará um filho seu cometer suicídio.

    • 16/11/2013 at 15:15

      Bruno, esse Agostinho é o exemplo do cara que a gente deveria dar um banho bem dado de OMO.

    • Rogério
      17/11/2013 at 23:36

      talvez o Agostinho não tenha se expressado bem e ter soado como cem por cento moralista e puritano, mas sob certos aspectos ele não deixa de ter uma pitada de razão. A não ser que o indivíduo (jovem ou não) seja um ator pornô, qual o interesse dele colocar sua intimidade sexual na rede, e ainda mais sem o consentimento da parceira? Quanto ao sexo na maturidade ou depois do casamento, é nesses períodos onde ele, o sexo , na maioria dos casos, se torna algo frustrante e até irrelevante, por questões de convivência ou orgânicas (impotência, frigidez ou desinteresse de um ou ambos os cônjuges). A “profusão de imagens que desvalorizam a mulher”, pode ser aplicada aos casos das sub-celebridades que participam de concursos do tipo miss bumbum. Qual o valor que uma mulher consegue com o titulo de miss cu? Nenhum. O sexo é uma arte para inteligentes. O casamento é uma inteligência ou uma desgraça, tudo depende da forma como ele é encarado.

    • 18/11/2013 at 14:47

      Rogério, você não entendeu em nada Agostinho. Ele está longe de ser puritano e moralista. A explicação dele do pecado original é filosófica e sofisticada.

  21. 16/11/2013 at 14:28

    Texto primoroso, que nos ajuda muito a compreender este mistério doloroso que é o suicídio, principalmente de um ente querido. Parabéns e obrigado Paulo! Abç!

    • 16/11/2013 at 15:15

      Marinho, se ajuda, ótimo. Vamos ver se a gente evita essa porra né?

  22. Luís Agostinho
    16/11/2013 at 13:41

    Uma história triste, os jovens de hoje estão fazendo coisas que na minha época era impensável. A sexualidade deve ser privada, acontecer já na maturidade e depois do casamento. Antigamente as pessoas viviam o matrimônio de forma respeitosa, hoje temos toda essa profusão de imagens que desvalorizam as mulheres. Triste Brasil.

    • 16/11/2013 at 14:09

      Luís Agostinho, triste Brasil exatamente porque existe gente como você. Porra meu, você é incapaz de entender o texto?!

    • Alexandre H Ventura
      17/11/2013 at 19:27

      A primeira vez que ouví falar sobre algo dessa natureza.. pensei, de forma inadvertida, que a “culpa” era dela… mas depois, eu ví uma garota, irmã de uma das que já passou por algo exatamente idêntico.. dizer que a dor dela, não era pela irmã.. mas pela mãe… ótimo texto!

    • Rogério
      17/11/2013 at 23:12

      Do jeito que está, vão culpar a internet por todos os males da miserável condição humana e do país. Podem usar casos assim como argumento para sua censura e controle. A internet não é boa nem má, tudo depende do uso que fazemos dela. A faca na cozinha serve para cortar o pão que mata a fome mas também serve para matar pessoas, tudo depende da mão que a empunha. Também agora deram para usar celulares e cameras e filmar mulheres com saias dentro dos ônibus e depois postar na internet, é o voyeurismo “tek pix” como diz o barbeiro onde corto o cabelo (aliás esse barbeiro me manda 300 emails de putaria todo dia, que eu nem abro!). No caso da moça aí, quem foi o idiota (e maldoso) que postou o video? Qual o prazer desse imbecil em fazer isso com a garota? Provavelmente um impotente que só consegue prazer se masturbando ao ver sua transa fracassada com alguém que no fundo ele odeia, as mulheres (um caso de misoginia pura). Isso é mais comum do que se imagina, existem sites pornôs onde internautas postam suas transas com garotas que as vezes nem sabem que estão nestes sites, tudo filmado com câmeras ocultas ou a webcam do notebook estrategicamente colocada e ligada. Existem câmeras ocultas em banheiros públicos femininos, e esse pessoal demente que coloca essas câmeras e postam na internet estão impunes, qual o prazer desses oligofrênicos em mostrar suas transas ou mostrar mulheres cagando e mijando? Nada mais me espanta neste mundo, nem os zoófilos alemães entrando na Justiça daquele país exigindo o direito de casar com cachorros, éguas ou cavalos. Coitados dos animais, mereciam um parceiro sexual melhor do que os humanos!

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