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24/10/2017

O que é a geração mimimi?


Direitos sociais e direitos de minorias são justos e nos fazem melhores. Pertencem ao ideário de um liberalismo avançado ou da social democracia ou de solidarismos de vários tipos. São frutos do que há de melhor na modernidade. Eles não geram mimimi. Nunca geraram em país algum.

O mimimi é gerado independentemente de política social. Tanto é que aparece em lugares diversos, inclusive nos Estados Unidos, onde o Welfare State é praticamente inexistente se compararmos a democracia americana às democracias europeias ricas. O mimimi é cultural e tem a ver antes com o sistema social (e com o tipo de família) que geramos que com a organização da política, do Estado. O mimimi é o beicinho, a magoazinha, a desistência do fracote, a apelação do “maricas” ao verter lágrimas desnecessárias (quer ver um tonto me acusar de homofobia por isso, ou seja, já vir com mimimi?), a reclamação de quem não consegue se comprometer com nada. O mimimi é o gemido que chamamos de … mimimi!

Por isso, o mimimi pode vir da direita ou da esquerda, ou do simples fingimento de posições. Eis a situação típica do aluninho ou aluninha que não desliga o celular na aula (no colégio e, agora, até na faculdade) ou que não estuda e não sai das “festas do DCE”. Por exemplo: o garoto não quer estudar Marx (e nada mais) e, então, tenta uma saída que ele acha inteligente: escreve uma cartinha para a revista Veja dizendo que está sendo doutrinado, e consegue ganhar a seu favor até o Pondé, que não deveria cair nisso mas cai. Há também o garoto que não quer estudar Weber (e nada mais) e, então, vem com o discurso de uma esquerda sindical fajuta que diz que se trata de um autor “neoliberal”, que aumentaria no estudante sua “insensibilidade para com os pobres”. Isso é mimimi.

Isso pega professores desavisados e já dominados, eles próprios, por uma politização exagerada e cegamente apaixonada. Esses garotos em geral são só enganadores, são os que criam todo tipo de problema para o bom professor, e não raro são os que se deixam instigar por professores que querem atingir outros professores. Sim, há esse tipo de professor, que veio ele próprio das fileiras do estudantado-mimimi.  É o professor que, no fundo, sabe que é um fracassado como intelectual.

Isso que esses garotos fazem é a fuga das responsabilidades, uma fuga individual – estritamente individual. Mostra o caráter do jovem, que não é forjado pela existência ou não de um sistema de cotas ou a existência ou não da lei contra homofobia ou a existência ou não de um sistema de saúde que privilegie o mais pobre ou coisas do gênero, mas simplesmente pela cultura que desvaloriza a disciplina, o estudo e que não dá atenção para a aquisição de perspectivas amplas. Mimimi é fruto de uma criação que faz com que todo jovem queira “se sair bem” pelo caminho torto. O jovem fica tão viciado nisso que pega o caminho torto até mesmo quando o caminho correto é o mais fácil! Um país que não valoriza os clássicos, a leitura boa e o respeito ao bom professor prepara terreno para o mimimi geral.

Querer não perceber que a Juventude Mimimi é isso, e tratar tal grupo social como fruto de direitos políticos avançados, é exatamente um tipo de mimimi, o mimimi da direita. É o mimimi do falso viril (sabemos quanto Hitler trouxe para o seu lado pessoas-mimimi, fracassados, como ele próprio), e que às vezes a esquerda, confundindo tudo, até colabora para lhe dar legitimidade. A esquerda faz isso ao cometer exageros e indiscernimentos do que pode e não pode ser homofobia, preconceito, machismo etc. Quando meninas começam dizer que tudo é sexismo, tudo é machismo, elas não estão ajudando em nada para melhorar as coisas, apenas colaborando para que a direita acuse a esquerda de mimimi, e nesse caso, até com razão! O véu ideológico duplo se amplia. O sistema-mimimi-de-imbecilidade reina.

Por que não conseguimos sair disso? Simples: porque os pais de classe média, em geral divulgadores de opinião, estão sendo confundidos pela política. Estão acreditando no que dizem os garotos que resolveram se dividir em “esquerda” e “direita” não para construir vida política, mas para tirar proveito individual. Nesse sentido, os pais todos estão é criando a cultura do passar-a-mão-na-cabeça de uma geração de molóides chorões. Quem são esses pais? São pessoas que só sabem falar “nossa, você foi bem meu filho, da próxima você se sai melhor”, pois qualquer outra coisa pode fazer o garoto ficar traumatizado e cometer suicídio (vejam o filme Whiplash, onde pai e funcionária do estado induzem um garoto a falar contra seu professor “carrasco”). A política está apenas nublando a visão dos pais que, apaixonados politicamente, pensam que o filho, sendo da esquerda, vai ter sensibilidade social, e sendo da direita, vai ter fibra moral. Bobagem. Essa geração mimimi está enganando e se enganando. De todos os lados há mimimi. Essa juventude e seus pais não entenderam que os países que se desenvolvem, em regimes progressistas ou conservadores, são aqueles no qual as pessoas, na vida individual, possuem responsabilidade com o que se comprometeram.

Em muitos países do mundo em que há sistemas de direitos sociais, como bolsas, os estudantes que pegam a bolsa realmente estudam. Isso também é verdade aqui. Mas a imagem que criamos aqui é de que aquele que denuncia a bolsa é o que estuda. Não! O que denuncia é só o invejoso que, em geral, vai ser fracassado com ou sem bolsa. A Juventude Mimimi é matreira e, ao mesmo tempo, estúpida.

A questão aqui é a da discussão melhor da meritocracia. Aqui no Brasil os meritocratas são justamente aqueles que, em um sistema realmente meritocrático, fracassariam. Até porque já fracassaram. Olhe na internet e veja o perfil do que geme pedindo meritocracia. Ele tem emprego ruim, escola ruim ou nenhuma, namorada ou namorado pior que ele, se é que não está sozinho. Não raro é tão fracassado que na foto da identidade na rede social põe o filho bebê junto, quase que confessando: “só me resta o futuro dele, eu mesmo, aos 32 anos, já não vou dar nada mesmo”. Não é difícil ver isso nas redes sociais! Ele clama por meritocracia mas não a aguenta um dia, e cai no mimimi facilmente.

A meritocracia é boa quando é doutrina, mas péssima como ideologia.

Como doutrina, a meritocracia cria um sistema escalonado de esforço de modo que exista degraus para se chegar onde se quer chegar, e incentivos apropriados para cada degrau. Escola pública ou privada, sistema público ou privado de empresas funcionam bem quando funcionam assim. Agora, a meritocracia como ideologia é diferente e nefasta. Trata-se daquela visão de que o pobre, o negro, a mulher, o índio, o homossexual, o anão etc., possuem, de partida, as mesmas condições que todos os outros. A lei liberal que diz que todos são iguais, mesmo sabendo que se a escola pública ficar boa de novo o negro será expulso dela, funciona não como doutrina liberal legítima, mas como ideologia liberal, bem denunciada por muitos filósofos. A meritocracia deve valer a partir de certas bases que dão um empurrão comum, mais ou menos equalizado, de modo que o ponto de partida não seja muito diferente para cada um. Todavia, a partir desse patamar básico, desse zero-social, é preciso distinguir que não vale o mimimi. Esse indiscernimento é o que a direita e a esquerda fazem continuar. Quem vai na conta da politização desse tipo apenas amplia essa ideologia, essa confusão, essa visão que emburrece os pais e o país todo.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo

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65 Responses “O que é a geração mimimi?”

  1. Cristiano
    07/07/2017 at 17:49

    Percebi um certo mimimi no próprio artigo kkkkkkkkkkk

  2. Cléber
    17/05/2017 at 16:41

    legal

  3. Custódio
    25/03/2017 at 22:12

    Tudo é mimimi, se não existir a fé em Deus e uma prática ética.
    O Justo vive pela fé, o ético vive pelo amor!
    Nas leis sempre serão feitas pela dureza dos corações dos homens!

    • 26/03/2017 at 01:52

      Custódio! Que tal começar a perder essa fé e adquirir inteligência?

  4. André Canguçu
    21/02/2017 at 19:18

    Pra simplificar, mimimi é o que se faz nesse blog, cada um arrotando mais arrogância. É um tal de eu cito isso e eu cito aquilo… se tu fala em Marx eu falo em Foucault; se tu fala em Verissimo eu falo em Jabôr. Bando de bunda mole! Mas tudo gente boa, é claro; só são bunda mole, mas isso não é problema, não mata ninguém (rs, rs).

    • 22/02/2017 at 10:23

      André, parece que o único bunda mole é atualmente o que pensa que todos são bunda mole, e que vão andando, enquanto você ficou aí paradão.

  5. Dyhorrano Nunes
    26/12/2016 at 00:26

    Parabéns Paulo Ghiraldelli pelo artigo, muito proveitoso, através de um comentário de Cortella sobre a geração mimimi resolvi pesquisar, e encontrei seu artigo. Perfeita explanação…

    • 26/12/2016 at 09:08

      Cortela pode ser ponto de partida, não ponto de chegada. Você usou bem. Agora, aos livros, OK? Dê uma olhada nos meus, na direita do meu blog.

  6. Que pena q perdi meu tempo lendo seu texto e os momentaroios ate aqui Paulo. Vc peca na arrogancia ate mesmo ao responder as perguntas. E autoritario. So podia ser PT

    • 21/10/2016 at 11:42

      Sou anti-pt e nada autoritário, meu artigo não manda ninguém fazer o que não quer. Inclusive você quer chorar e fazer mimimi, você pode. Dei opinião, não pode? Se não pode, você é então o autoritário. Percebeu? Ou nem assim?

    • MARCELO M..J.
      26/10/2016 at 12:57

      Olá professor , li seu artigo e realmente é isto mesmo, gerações de chorões, sou professor da rede pública em São Paulo, e passei por aquilo que escreveu sobre colegas com pouquíssima formação no saber com inveja dos professores sérios que não ficam entupindo a lousa de texto fazendo o alienado aluno somente copiar , um aluno me perguntou sobre o pt e seus membros , eu só falei o seguinte que o Sr José Dirceu foi condenado a 20 anos de cadeia e pediu para o juiz Sergio M. para ele poder sair e trabalhar porque precisava sustentar sua filhinha , nossa o professor q é deste partido disse que eu estava querendo influenciar o aluno , pode? Falar a verdade não pode, fazer o que né , depois dizem que a facção é o pcc. Obrigado pelo artigo continue assim.

  7. Elisama Freitas Santos Vasconcelos
    21/10/2016 at 04:33

    Que pena! Li seu texto e os comentarios ate aqui Paulo. Que perda de tempo diante da sua arrogancia ns respostas. Vc se acha o todo poderoso. Mas nao é.

  8. Natália
    03/09/2016 at 00:55

    Muito bom o texto e alguns dos comentários! Também estou bem farta dos mimimis! Estão destruindo toda instituição em que colocam os pés! Obrigada por me oferecer a boa leitura!

    • 03/09/2016 at 01:00

      Natália, veja que a questão do mimimi aí é bem qualificada, oK?

  9. Wendel Alves
    05/06/2016 at 01:42

    A década de 90, mesmo com o movimento dos caras pintadas, foi uma época de apatia da juventude em relação à política. A ascensão de um governo de centro-esquerda no início de 2000, com políticas voltadas para minorias sociais e fartas somas de verbas para secretarias especiais e ONG’s fizeram com o discurso da hipersensibilidade se fizesse forte como arma de legitimidade política e reivindicação de verbas.

    Se por um lado esta hipersensibilização ajudou a trazer de volta a juventude para o interesse em temas sociais e políticos, por outro alimentou exageros e erros grosseiros como vemos por aí.

    Gostei muito do texto, mas acho que o problema não está na forma como esta geração foi educada, mas na forma como foi seduzida por discursos vitimistas – de clara leitura rasa de Foucault.

    É preciso compreender que quanto mais apelativa e emotiva a forma como certas pautas são colocadas maior o sucesso e legitimidade dela diante da população. A vitimização sempre foi um recurso bem sucedido, do qual Nietzsche tentou nos imunizar.

    A grande ironia desta história é ver como o discípulo mais bem sucedido de Nietzsche, Foucault, foi utilizado como base para um vitimismo que condenava no cristianismo e na moral dos escravos. O mesmo povo que vê poder em tudo e o condena, não vê a vontade de poder escondida em seu próprio discurso.

    • 05/06/2016 at 09:28

      Se se interessar em se agregar a um centro de estudos que pensa tudo diferente, procure o CEFA: cefa.pro.br Fazemos reuniões virtuais e presenciais. Domingo tem reunião virtual às 19 horas usando o programa VSEE. Hoje, 05/06, vamos conversar sobre o texto Heterotopia, de Foucault.

  10. Fred Costa
    24/12/2015 at 02:35

    Professor Paulo Ghiraldelli muito obrigado por compartilhar suas ideias sobre um tema tão cheio de mimimi. To cansado dessa geração que vive a procura de fissuras nos comentários dos outros para injetar seu veneno. Sei que já deve ter ouvido e lido isso antes, tua abordagem é impecável. Adorei o post, abração.

  11. Fernando
    07/02/2015 at 20:43

    Paulo, afinal, quando é justo reclamar? Ora, sempre taxamos de mimimi quando não concordamos com a reclamação ou mesmo não a achamos razoável. Tem mais a ver com nossas respostas emocionais, do que qualquer coisa. Mulçumanos reclamando das charges do Charlie? Mimimi. Mas aí vemos charges com holocausto e… pera lá, aí não pode, aí é desumano.
    No final das contas, é algo completamente subjetivo. Não vejo distinção entre qualquer reclamação e mimimi. Veja, por ex., eu não gostei do seu uso da palavra “afeminado” num post anterior, mas vou eu perder nosso tempo reclamando? Vai mudar alguma coisa? Reclamar é uma forma de lidar com o ressentimento que vem com o inconformismo. Eu acho isso uma merda, é mendigar por empatia. Não que conformismo apático seja uma maravilha.

    • 08/02/2015 at 08:36

      Fernando sua pergunta é estranha, mas eu a entendo. A direita vem mesmo causando essa confusão na cabeça das pessoas, e a esquerda a segue. Mimimi é a reclamação sem causa e sem razão, ou com causa e razões falsas ou enfraquecidas. Uma ambulância com a sirene ligada na rua para que o motorista chegue mais rápido em casa, e não porque tem um doente esperando. Isso é o barulho do mimimi.

  12. José
    31/01/2015 at 12:52

    O Olavo de Carvalho estimula o auto-didatismo como forma de autonomia do individuo. Ele ainda fala no imbecil coletivo, num conjunto do professores que estão imbecilizados e formando imbecis nas Universidades públicas. O que o senhor acha da idéia deste autor?

    • 31/01/2015 at 16:28

      José o Olavo é apenas um tonto que não conseguiu passar sequer na terceira série do primário. Quando alguém como ele, que não conseguiu saber o que é a escola média, nem o antigo ginásio, fala de universidade, devemos desconsiderar, senão logo o adoçante da Pepsi fica mesmo retirado de feto

    • Marcelo
      08/04/2016 at 22:33

      O autor fala em mimimi no texto inteiro, daí se fala em um de seus antagonistas em termos de opinião, é o sujeito faz o pior mimimi possível, que é o de ofender sem argumentos. Patético teu texto. Uma pena ter perdido meu tempo lendo esse lixo.

    • 08/04/2016 at 23:13

      Marcelo, você é o mimimi, pois diz que não gostou mas veio aqui me ofender para receber minha atenção. É a adolescência sua. Tudo bem, já lhe dei atenção. Agora toma o todinho da mamãe e vai prá cama.

  13. Roberto William
    31/01/2015 at 00:04

    “A lei liberal que diz que todos são iguais, mesmo sabendo que se a escola pública ficar boa de novo o negro será expulso dela,” não entendi essa parte, pois parece que você está constatando uma desvantagem em se melhorar a escola pública. Mas a educação deve melhorar. E isso inclui a escola pública, certo?

    • 31/01/2015 at 00:48

      Roberto eu estudei numa escola pública boa, nessa época, o negro não estava nela. Se ela voltar a melhorar, o negro sai fora de novo. Quer valer? O argumento de que basta melhorar a escola pública e o negro tem sua vez é bobagem. Ele vai precisar de garantias extras para ficar. A classe média volta para a escola público e o expulsa.

    • Roberto William
      31/01/2015 at 10:50

      Eu acredito em você porque você é uma autoridade no assunto. Mas uma outra pessoa poderia questionar: “Expulsar como? À força?”. Afinal, antes o negro não estudava na sua escola porque ele nunca tinha entrado. Todavia, agora que já entrou, vão expulsá-los? Você fala como se coexistência de negros e classe média fosse impossível. Isso parece mera presunção.

    • 31/01/2015 at 16:30

      Roberto quantos anos você tem, 9? Você não entende que quando o rico se apropria de um lugar ele expulsa, sem precisar de força física, quem ele quiser? O cara, acorda!

    • Hayek
      02/02/2015 at 13:20

      Mas professor, nos estados unidos a escola pública é boa, e os negros lá estudam, e nem por isso os ricos estudam nela. Não necessariamente a melhoria dela vai trazer de volta a classe rica e expulsar os negros.

    • 02/02/2015 at 16:28

      Hayek primeiro que não é bem assim nos Estados Unidos. A escola lá CONTINUA dividida. Segundo que se a escola pública ficar boa, aqui, e for gratuita, os brancos voltam para ela e mesmo a população nossa sendo negra e mulata, reaparece a expulsão que havia nos anos 50, porque o preconceito existe. Hayek não vou mais explicar isso. Minha paciência para essa falta de leitura da juventude, de não entender nada, em artigo simples meu, hoje já deu. Tá demais.

    • Sônia
      02/02/2015 at 13:23

      Mas é muito marxismo! Queria ver os dados empíricos provando sobre esse assunto!

    • 02/02/2015 at 16:26

      Ha ha ha isso não tem nada a ver com Marxismo, é o comentário de um filme feito por um garoto de 29 anos. Sônia você não acerta uma. E o pior, cobrar dados empíricos, como se um artigo de jornal fosse uma tese, é realmente não ter passado pela escola. A direita está emburrecida demais.

  14. Alesson Rota
    30/01/2015 at 17:42

    Boa a discussão sobre a meritocracia. Quanto ao mimimi, vejo que essa geração existe por causa da sua frustação frente as inúmeras possibilidades não concretizadas que surgem com ” a era da informação”.

    • 30/01/2015 at 22:56

      Alesson Rota se você ver o filme que inspirou o artigo vai ter uma dimensão a mais, embora o que você diz tenha algo a ser investigado que me parece interessante.

  15. Antonio Reis
    30/01/2015 at 12:02

    Sou professor da rede pública do RJ e de duas universidades privadas, onde a maioria dos meus alunos são oriundos de escolas públicas e estão lá devido ao FIES. Percebo todo instante o mimimi deles, se fazem de pobres coitados, choramingam por notas, não aceitam provas mais elaboradas, reclamam de professores que cobram o essencial, só querem fazer tarefas em grupo, porque assim diluem a responsabilidade e seus trabalhos na maioria das vezes é o “copiar e colar” de algo achado no Google… o mais grave é a arrogância e soberba de muitos deles, não são conscientes do quanto são vazios, pensam que são mais do que são, visão limitada da vida, veem tudo aquilo que seja diferente ou que não conseguem compreender como inimigo. Meritocracia para eles é utopia, tudo que fazem de errado, tem que ser relevado, perdoado e dado infinitas chances de acerto.

    • 30/01/2015 at 12:06

      Reis! Tá assim, nesse caos. No Brasil há agora até rico chorando.

  16. André
    30/01/2015 at 11:19

    Ué, mas a “sacrossanta” democracia não é isso mesmo? Um sistema nivelado pela mediocridade, marcado pela manipulação de grupos e conduzido por gente majoritariamente tosca, volúvel e ignorante decidindo se Cristo deve ou não ir para a cruz no lugar de Barrabás…

    • 30/01/2015 at 12:06

      André a sacrossanta democracia sim, a democracia não sacrossanta não. Você gosta da primeira, para pode gemer? Ou seja, fazer mimimi.

    • André
      30/01/2015 at 13:42

      O fato de eu ser igual formalmente ao cara que regula os reatores de Angra não me dá legitimidade para opinar sobre melhores técnicas de manutenção da usina, acondicionamento de resíduos, ou igual poder de decisão que ele sobre matéria de segurança nuclear e radioatividade, já que sou leigo nessa área.
      ————————————————————————-
      Mas como pode um homem ou mulher que nunca nem ouviu falar de Montesquieu e não entende sequer a divisão dos poderes votar para presidente, senador e para deputado federal, ainda mais na mesma eleição? Não sabe nem qual é a diferença entre os dois e ainda capaz de achar que o primeiro é chefe dos últimos…
      ———————————————————————–
      Como não há qualquer elaboração ou graduação no sistema democrático do Brasil e tudo se escolhe na mesmas bases com que se pega tomate na feira, o que vale é o favorecimento pessoal, carisma do candidato e marketing.
      ———————————————————————-
      Dá no que deu: no país inteiro a infraestrutura de água e esgoto, malha viária, portos e energia estagnou nos anos 60 ou 70…Os políticos aprenderam: quem liga pra esse negócio de educação e esgoto, que é caro e ninguém nem vê? O negócio é distribuir aviãozinho de dinheiro no estilo Silvio Santos e se apegar a pequenas vantagens pessoais prometidas aos eleitores.

    • 30/01/2015 at 13:55

      André! Sócrates fez diferenciações entre saberes, exatamente para resolver essas questões suas aí. OK?

    • André
      31/01/2015 at 14:37

      Os gregos antigos também faziam distinções entre os habitantes da pólis para evitar que a democracia se tornasse a primazia da visão dos analfabetos pelo simples motivos destes serem os mais numerosos.

    • 31/01/2015 at 16:25

      André não, não mesmo. Uma polis coo Atenas dava educação públlica para todos. Você não pode querer advinhar a história grega.

  17. Estevan Pratz
    28/01/2015 at 23:27

    Acredito que a midia tem um papel importante de transmissão da ideologia meritocrática vulgar, que você descreveu em seu texto, e que hoje impera em boa parte das cabeças ( cada vez mais vazias ) da classe média brasileira, afetando, por tabela, também as camadas mais baixas. Quem nunca viu algum talk show, reportagem ou programa exaltando alguma figura que começou do zero e, com APENAS SEU PRÓPRIO ESFORÇO, conseguiu galgar os degraus sociais e chegar ao Olimpo financeiro? Eles se utilizam dessas exceções para enganar os incautos com a ilusão de que não é necessário políticas públicas que visem equiparar o ponto de partida comum, resultando nesses idiotas mimimi descritos no artigo ( o cara com filho no colo é um exemplo genial ) e também em alguns comentaristas acimas.

    • 29/01/2015 at 11:36

      Estevam o meritocratismo vulgar tem raízes mais antigas e corretas, na doutrina da meritocracia, que foi uma importante alavanca contra o mérito por sangue e dinheiro, que o liberalismo mais avançado jogou contra o conservadorismo.

  18. Adriano Apolinário da Silva
    27/01/2015 at 20:34

    Gostei da ideia de que pais opiniosos não estão entendendo a confusão na cabeça dos filhos adolescentes. Consigo pensar em exemplos reais.

    • 27/01/2015 at 22:14

      Adriano, essa geraçao de pais é justamente a geração que não viu nada! É imatura. Ela própria pensa de forma binária.

    • Ivã Alakija
      28/01/2015 at 13:23

      Ótima reflexão, Paulo, quase um espelho da nossa realidade. Me servirá de subsídio para alguns debates com os mimimiS!

    • 28/01/2015 at 16:12

      Ivã compre um antidepressivo se vai conversar com algum mimimi. Essa raça mata.

  19. 4F
    27/01/2015 at 19:50

    Aparentemente, o termo meritocracia tem origem satírica:

    http://www.idiospect.com/2010/12/satirical-origin-of.html
    http://www.guardian.co.uk/politics/2001/jun/29/comment

    Talvez uma exemplo de “meritocracia como ideologia”.

  20. Carlos
    27/01/2015 at 18:59

    Olá, prof. Paulo,

    Sempre me posicionei contra a meritocracia. Como sou da área da educação física, você pode imaginar como meus pares me olham.
    Me chamou a atenção a noção de meritocracia como doutrina, poderia nos dar exemplos de situações em que a meritocracia seria bem vinda?

    • 27/01/2015 at 19:08

      Carlos se você é um professor, como pode ser contra a meritocracia? Tá explicado no texto a diferença.

    • Carlos
      27/01/2015 at 21:16

      Olá, prof. Paulo

      Você deve conhecer bem a política de meritocracia da rede estadual paulista. Há como se posicionar favoravelmente a essa aberração? Penso que é um exemplo típico de meritocracia como ideologia e seria desnecessário dizer que fracassou…
      Pensando no caso específico de minha disciplina de atuação, não defendo os currículos da educação física tecnicistas/esportivistas e que se baseiam na meritocracia.

    • 27/01/2015 at 22:13

      Carlos, o governandor corrompeu os professores e a escola com o bônus, a meritocracia como ideologia e como cancro.

    • Kleber Nunes
      28/01/2015 at 16:20

      Na Educação Física comtemporânea entende-se que o indivíduo/aluno deve ser levado a/tem o direito de vivenciar a “cultura corporal e do movimento”, ser conduzido a compreender os fundamentos e regras dos jogos e dos esportes de modo a dentro da sua própria individualidade estar apto em poder participar de atividades competitivas, desportivas e lúdicas, bem como trabalhar valências físicas que aprimorem seu próprio desenvolvimento fisiológico em sua imensa variedade.
      O que se criticam na Educação Física dita “tecnicista” é o sua natureza excludente, onde prioríza-se não a experimentação/vicência corporal, mas a obtenção de certos resultados, a competitividade, mas não com a participação de todos, apenas do “mais apto” que podemos entender como o que tem mais méritos para fazer parte do time de Andebol, Voleibol, futebol, Atletismo, o que seja, enquanto os demais seriam meros espectadores quando não vitimas de bulling, justamente por terem menos desenvolvido todo o repertório motor que os qualificaria para serem aptos, terem mérito para jogar os jogos eleitos dentro do pequeno rol de atividades prescrito na EF tecnicista.

    • 28/01/2015 at 16:35

      Kleber será que existe alguma educação física na escola hoje?

    • Carlos
      28/01/2015 at 23:42

      Bastante provocativa sua pergunta ao Kleber: “será que existe alguma educação física na escola hoje?”. Sei que é conhecedor da área, inclusive com obras publicadas. Uma curiosidade, você chegou a lecionar como professor de educação física? Se me permite uma sugestão para um post futuro, poderia nos contar como foi essa experiência e o que o levou da educação física para a filosofia. Por fim, você conhece as obras sobre educação física do professor Marcos Neira da FEUSP. Ele tem um grupo lá que pesquisa bastante, questões como identidade e diferença, multiculturalismo, pós-estruturalismo, estudos culturais, currículo pós-crítico, etc.

    • 29/01/2015 at 11:35

      Carlos! Eu sempre fui filósofo e, antes disso, estudante de filosofia. Eu não separo áreas de conhecimento. Fiz educação física também, fui atleta. Fiz o curso de licenciatura em física também, quase todo. Sempre andei por universidades, estudando. Agora é que elas estão aí, destruídas por reitores e diretores que aderiram à proteção da geração mimimi, então me afastei.

  21. Antônio Marques
    27/01/2015 at 17:51

    Então quer dizer que em Brasília só tem gente competente?
    Na Sabesp e na Eletropaulo também?

    Quer dizer que no Brasil se valoriza o competente?E se o menino estudar e for preto , pobre e feio e não é chamado em lugar nenhum pra trabalhar ,mesmo sendo competente e estudioso.Como se chama isso Ghiraldelli?

    Tu mesmo és de onde,és filho de quem?
    Só dá certo quem é filho de alguém no Brasil,e isso se opõe a meritocriacia – nem sei isso existe,mas acho que o mérito é o mínimo que se deve considerar em qualquer avaliação.

    • 27/01/2015 at 19:09

      Antônio você NÃO leu o artigo. Meu Deus! Que mimimi. Gente vou deixar a manifestação do Antônio aí, para vocês lerem e perceberem com tem gente que não consegue entender um artigo simples. Vejam!

  22. alexandre
    27/01/2015 at 17:19

    Otimo texto

    E dificil não passar um dia sem ver o discurso do coitado, onde a pessoa se esforçou muito e hoje pode ostentar (vide funkeiros), ou seja as pessoas que lutam para melhorar a sua vida de verdade veem este tipo de pessoa dizendo isto ficam sem entender a questão da meritocracia ou do esforço de verdade.
    Concordo que criar cotas e qualquer tipo de coisa que trate as pessoas de forma diferente não ajudam a melhorar a nossa sociedade o ideal seria que todos tivessem acesso as mesmas condições e com isto as mesmas oportunidades.

  23. José Silva
    27/01/2015 at 17:02

    Para nós, professores desta geração mimimi, seus textos sobre educação nos servem ainda como alento.

    Nestes últimos anos de sala de aula, já me descobri homofóbico e um comunista radical de extrema esquerda petista.
    Quando fui perguntado, em uma classe de ensino Médio de escola particular, sobre minha visão das manifestações anti-Dilma após as eleições, aleguei que isto se caracterizava como golpe, pois a presidente foi legitimamente reeleita e não havia nada que liga-se sua figura a qualquer tipo de ação que justificasse sua saída.
    Calmamente expliquei à sala que o impeachment dela geraria uma instabilidade política perigosa e injustificável e acabei dando o exemplo da reeleição do Bush, que mesmo pipocando várias acusações de fraudes eleitorais, a postura oficial dos Democratas foi a de aceitar a derrota visando uma estabilidade democrática.
    Na reunião de pais, um pai me chamou de petista e pediu para eu para de falar “merda se não ele iria reclamar na direção para me mandar de volta pra Cuba”. É, até os pais aderiram à geração mimimi.

    • 27/01/2015 at 17:39

      A garotada de hoje é de pai mimimi.

    • José Silva
      27/01/2015 at 18:28

      Li um tempo atrás na Revista Veja, um texto do economista Gustavo Ioschpe, que lembrando dele agora se encaixa perfeitamente na sua descrição do mimimi.
      No artigo o autor diz que os pais devem se atentar ao conteúdo de humanas dos filhos, pois há professores que os estão doutrinando com ideias de esquerda contra a classe média, ou seja, contra os próprios pais. Mimimi total.

    • LMC
      28/01/2015 at 13:57

      Ih,Zé,isso de pedir impeachment
      é mais velho que andar pra
      frente.Quando FHC foi reeleito,o
      PT pediu “Fora FHC e o FMI”.
      Em 82,Lula dizia que Montoro
      e Maluf eram farinhas do
      mesmo saco.Acredite se
      quiser,como dizia Jack Palance.

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