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27/06/2017

Meritocracia e Coxinhas


Quem defende a meritocracia raramente a adota para si mesmo e para os seus. Todavia, quando se discute mérito e meritocracia, ao menos do ponto de vista filosófico, não é isso que deve ser levado em conta. O que se deve analisar é se vivemos pior ou melhor em uma sociedade em que a regra para conquistas de empregos, vagas em escolas e determinadas boas posições é o mérito vindo da competência.

A ideia do mérito está longe da doutrina religiosa judaico-cristã. Sabemos bem que Deus não premiou Caim, que trabalhou a terra, mas sim Abel que lhe deu como presente um filho. Sabemos também que o chamado filho pródigo levou a melhor. Jesus então, nem se fale, acolheu Madalena, que era prostituta, deu a incumbência de construir sua Igreja a Pedro, justamente aquele que não teria coragem de se dizer seu amigo em horas difíceis. Na verdade, demorou para que os ventos liberais modernos soprassem e, então, viesse a doutrina do mérito. Foi só com a burguesia em ascensão que se criou a ideia de que sangue, nome, família, propriedade da terra e outras coisas do tipo não poderiam sufocar as oportunidades daqueles que, por esforço próprio, se mostrassem competentes. A doutrina do mérito veio para colocar a competência técnica e a capacidade de empreendimento acima do automático mérito da hereditariedade.

Destilar veneno contra a doutrina do mérito é, portanto, ser anti-liberal, anti-moderno.

Passado um tempo, no entanto, a doutrina do mérito começou a dar menos frutos do que deveria. Ela premiava menos do que poderia premiar. Muitos liberais logo perceberam que a doutrina do mérito, em uma sociedade em que o ponto de partida não fosse razoavelmente igual, causava o desperdício de energia, atenções e vidas. Ainda no campo liberal, as sociedades mais inteligentes resolveram criar instituições capazes de dar oportunidades a todos para que pudessem começar de um patamar minimamente semelhante. A instituição que resolveria isso seria a escola pública, obrigatória e gratuita. Ela deu frutos, mas logo ficou claro que para frequentá-la era necessário, também, que as crianças tivessem tempo para aproveitá-la, e assim vieram aos poucos as leis de proteção da infância e coisas do tipo. Mais, tarde, essas medidas foram reforçadas quando as sociedades liberais se viram complementadas em direitos pelas sociedades regidas pela social democracia ou pelo liberalismo do New Deal americano, e isso significou tratar os professores de modo mais profissional, com carreiras estabelecidas e salários negociáveis.

A essa altura, então, a doutrina do mérito já havia se tornado a ideologia da meritocracia. A ideologia meritocrática nada tinha da doutrina liberal de premiar a competência, sendo apenas uma forma de dizer que todos sendo iguais perante Deus ou a natureza ou a lei não precisariam de outra coisa senão o esforço próprio para progredir. Qualquer forma de apoio aos mais pobres seria uma injustiça para com os mais ricos e, enfim, até mesmo uma maneira de humilhar os mais pobres, pois não se estaria confiando na capacidade destes de superar dificuldades. Em uma situação desse tipo, o que havia de inteligente e generoso no liberalismo se perdeu. O que havia de alvissareiro na social democracia foi criticado e renegado, e passou a se chamar de esmola, ou distinção a priori de classe ou raça, ou ainda populismo etc. Muito liberal se confundiu com isso. Muito garoto negro quis ser branco e, então, fez discurso contra a ajuda social aos negros. Temos disso entre nós, não temos?

Hoje em dia quem está nessa posição que nega a necessidade de aportes aos menos favorecidos economicamente ou que nega que preconceito possa ser combatido com políticas de harmonização étnica (cotas e coisas semelhantes) às vezes se diz liberal, mas não é. Trata-se ou de conservadores, de gente da direita política, de pessoas cuja inteligência é diminuta, uma vez que é realmente um erro desperdiçar energia humana por obra da economia de migalhas. Mas, se é assim, por que há esse pessoal de direita que, enfim, parece dar um tiro no pé com tal política mesquinha? Simples: em geral são pessoas que, mesmo se ajudadas pelo aporte social, não melhorariam, e então negam que possa existir o aporte, pois querem que os mais pobres permaneçam pobres, já que elas próprias não conseguirão melhorar de modo algum. Algumas até melhoraram, mas não foi sem ajuda, como efetivamente dizem. Nem sempre estão dispostas a se lembrar da conjuntura favorável que pegaram em determinado momento.

Essa gente, meu Deus! É a mais raivosa e ressentida. A direita se nutre desse ressentimento. Aliás, desde Hitler!

Sendo assim, os que reclamam das políticas de cunho liberal progressista e social democrata, não estão longe da defesa da meritocracia de modo paradoxal, pois não raro eles próprios são fracassados sociais. Fizeram ou fazem péssimas escolas e estão em péssimos empregos. O fracasso pessoal as coloca em franco movimento que pede o fracasso geral.  Muitos filósofos políticos ( Rawls à frente) falaram desse tipo de grupo social como o guardião da perigosa inveja social, sempre pronta para alimentar a violência.

Fiquem atentos para esses fracassados, eles engrossam os grupelhos de extrema direita em todos os lugares. São donos dos discursos mais violentos, os chamados “discursos de ódio”. Às vezes achamos que não, que há ali no grupo de extrema direita alguém não fracassado. Mas o fracasso nem sempre é só econômico. Há fracassos anatômicos, fisiológicos, cognitivos que muitos escondem. Até colunistas de jornais famosos escondem tais fracassos, mas que logo são revelados na digitação a favor do ódio social, do não diálogo etc.

A militância de extrema direita está associada ao fracasso pessoal e, de certo modo, ao ressentimento. Foi assim no passado, quando Hitler recrutou seus quadros, continua assim hoje, ao vermos por aí militantes fingindo serem rebeldes. Os que chamamos hoje de coxinhas, aqui no Brasil, representam bem, em termos de tipos, esse pessoal. Mas, atenção, não pensem que a esquerda não pode absorver tais coisas. Marx esteve atento para isso. Chamou de “comunismo de inveja” aquele comunismo que nunca quis nenhuma socialização de riquezas, mas apenas ver o rico perder tudo. Devemos estar atentos para isso hoje, talvez tanto quanto já estivemos, em relação à mágoa social da direita.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo.

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37 Responses “Meritocracia e Coxinhas”

  1. Ma
    25/10/2016 at 08:11

    Pelo que entendi, a burguesia em ascensão criou a idéia de que sangue, nome, família, propriedade ,não poderiam sufocar as oportunidades daqueles que, por esforço próprio, se mostrassem competentes. Surge o primeiro conceito de doutrina do mérito.
    Porém, para que os resultados pudessem ser os mesmos, todos deveriam iniciar de um mesmo patamar, e, para que se promova justiça, todos deveriam iniciar e corrida partindo da mesma linha. Ok
    Se, para que isso ocorra a resposta é a escola pública e o suporte legal , ( políticas de suporte que promovam o acesso aos direitos), toda a sociedade deveria reivindicar em uníssono, já que nivelar uma sociedade pelo patamar mais alto promove ganho a todos. (a exemplo da Suíça onde todos têm acesso à qualidade de vida )
    O que é inaceitável é que se “ nivele por baixo “, fazendo com que aqueles que estudaram ou trabalharam com empenho não possam ver reconhecidos seus méritos.
    Nota-se hoje, um preconceito contra o intelectual , profissionais liberais , empresários e pessoas bem sucedidas……como se fossem os vilões do sistema….talvez um “preconceito invertido..com um sabor de revanche.. )
    O que também não é aceitável, é uma sociedade cheia de rivalidades, dividida entre ideologias de esquerda ou direita , deixando de lado atitudes efetivas que realmente promoveriam o bem comum.
    Creio que a atual conjuntura mundial não permite que um povo se divida dessa forma; perdem todos, e expõem a nação a risco!

    • 25/10/2016 at 08:56

      Esquerda e direita não são termos pejorativos, só quando uma fala da outra.

  2. Joabe Ferreira Machado
    12/08/2016 at 03:00

    Olá professor, só uma observação. Na parte em que o senhor diz que Abel ofereceu a Deus um filho, creio que o senhor se confundiu, pois segundo Gênesis, a oferenda de Abel foi um cordeiro. Quanto ao texto, gostei muito!

    • 12/08/2016 at 09:53

      Sim, eu não me enganei, mas o popular é o filho. Não é?

  3. Joao Pedro Dorigam
    10/08/2016 at 15:25

    Paulo, ótimo texto sobre meritocracia. Poderia atualiza-lo e focar mais na meritocracia mesmo como o fenômeno social.

    • 10/08/2016 at 18:29

      João, se perdermos o trabalho do mérito, estamos ferrados.

  4. Caçapava
    27/11/2014 at 20:30

    Paulo, você falou do Füher e eu lembro que na Europa, hoje mesmo, esse ressentimento, essa mania de colocar a culpa em outros está em grande evidência também. Não à toa o extremismo de direita cresce como uma bola de neve descendo montanha abaixo. Resumindo, o discurso dos extremista é: ” Negros( imigrantes africanos), judeus, muslim e asiáticos são a culpa para a decadência econômica e moral da nossa sociedade”. Eles julgam que está havendo um genocídio da população nativa branca no continente. Paulo, acredite, essa é a bandeira deles. É assustador ver isso quase diariamente, nas redes sociais, e tem se espalhado para o Canadá e os EUA.

    • Caçapava
      27/11/2014 at 20:32

      PS: Genocídio com aspas melhor explicando; do fator cultural.

    • 27/11/2014 at 23:05

      Caçapava! Estamos em tempos conservadores, mas não há nenhuma avalanche de fascismo. Apenas uma barulheira maior por conta de maior visibilidade.

  5. LMC
    24/11/2014 at 16:47

    Hayek,aí embaixo,quando
    FHC foi reeleito,o PT dizia
    “Fora FHC e o FMI”.Mas,
    perto da eleição de 2002,
    abafaram o caso,deixando
    pros partidos nanicos de
    esquerda dizerem a frase
    que citei entre aspas.

    • 24/11/2014 at 17:32

      LMC falar “Fora X” é uma prática que veio da Ditadura Militar. Mas o PT não organizou movimento pedindo intervenção para derrubar FHC. Acho que sua militância exagera um pouco. Sua militância iguala tudo e todos.

    • LMC
      24/11/2014 at 18:37

      É que lembrei daquele
      Fórum Social Mundial
      que tinha em Porto
      Alegre.Lá,o PT local
      abriu uma faixa
      escrito Fora FHC.
      O PT gaúcho
      sempre foi mais
      a esquerda que o
      próprio PT.Parece
      mais um mini-PSOL.

  6. Ivete
    21/11/2014 at 17:30

    Professor Paulo, sou totalmente favorável aos programas assistenciais, mas acredito que apenas isso está longe de resolver os problemas que nosso povo principalmente os menos favorecidos, enfrentam. Será que se escolas públicas proporcionassem ás nossas crianças um nível de ensino decente, eles não teriam mais condições? Tudo bem com relação ás cotas, porém uma vez galgado o direito ao ensino universitário, como que esse jovem que não teve respaldo nenhum consegue acompanhar o curso escolhido? Será que ele não desiste no meio do curso? Por que não podemos sonhar com um país que governe para todos? E na área da saúde? Eu tenho um convênio médico, oriundo do meu trabalho, desde 1976, sim você vai pensar e com razão, que eu não enfrentei as mazelas da saúde pública; mas acompanhei vários amigos que dela dependiam e pude constatar a penúria que enfrentaram, fora os noticiários, os artigos em revistas e jornais denunciando o sofrimento do povo.Pago impostos, e não reclamo pelo que pago, mas acredito que nenhum partido político tenha realmente se preocupado com os rombos, desvios, desmandos, que poderiam e muito aliviar esse sofrimento e minimizar as desigualdades. Hoje, tenho um imóvel, um automóvel e uma aposentadoria, mas trabalhei desde os treze anos,criei três filhos, sempre trabalhando e os formei, e a caminhada não foi fácil. Sim, fiz uma faculdade que paguei com meu trabalho e com a ajuda de uma irmã, e sei ainda que a maioria dessas crianças não podem ver um sonho se realizar como vi o meu. Mas fico muito triste ao me sentir uma estrangeira em meu país, em ver que pessoas como eu, estão recebendo tanto desprezo.
    Imagino o quanto os negros, e miseráveis sofreram e sofrem e não sou indiferente a isso; acho que todos deveriam ter acesso à alimentação, moradia, educação. Mas não me considero culpada, talvez esteja fugindo do foco de seu pensamento, e creia, sei que muito tem e deve ser feito, mas não sou coxinha; sou brasileira.

    • 21/11/2014 at 17:51

      Ivete, você tem razão.

    • Ivete
      21/11/2014 at 19:08

      Entendi. Obrigada, professor.

  7. Guilherme Gouvêa
    21/11/2014 at 14:17

    O Ciro Gomes cunhou como explicação do fenômeno a ideia de “pacto da mediocridade” que estaria vigente no Brasil. Quem conseguir, por um momento, se desprender do fracasso e ressentimento coletivos, toma marretada dos demais.

  8. Usp10
    21/11/2014 at 12:19

    Elas pessoas pensam que todo mundo pode melhorar de vida como um Tio Patinhas: suando muito e economizando miseravelmente. Esquecem que para poupar os preços não podem estar altos, que se você tiver filhos para criar vai ser pior. É heroico ver uma pessoa que veio de baixo estar numa situação boa depois de tanto sofrimento mas é melhor que não tivesse passado por isso.
    Uma vez em um cursinho de adm que fiz estavam dizendo como é possível um família que vive só de 1 salário mínimo sobreviver, claro que vivendo num barraco, roubando energia elétrica, sem esgoto. Simplesmente ridículo

  9. Valdério
    21/11/2014 at 11:38

    Paulo,

    É impressão minha ou tem gente que pede permissão pra odiar?

    Eu fui esse cara que fez um monte de malabarismo para mudar de classe social. Porém, não fico chateado em saber que a distância que tenho daqueles que, saindo do mesmo ponto de partida, não tiveram o mesmo desempenho que eu, não é tão grande.

    Você já notou que tem gente que transfere uma possível vingança para quem não o oprimiu?

    Tenho um conhecido que, com problemas conjugais, redirecionou sua raiva para os pets que recebeiam mais atenção da companheira. O bixo não fez nada! Por que não é óbvio pra esse cidadão?

    O mesmo se dá para quem tem raiva de quem recebe a ajuda que não veio em sua época….. Já passou da fase da argumentação comum, o cara tem que ir pra terapia…… Se for inteligente o suficiente pra sacar isso!

    Exelente texto! Traduz o que digo há muito tempo! Já vai pro meu face!

    Abç

    • 21/11/2014 at 13:30

      Valdério esse caso de analisar os que dirigem ódio para o objeto de amor do outro é um bom tema.

    • LMC
      21/11/2014 at 13:43

      Valdério,esses que reclamam
      não tem nada de nazistas
      como diz o PG,não.É
      apenas gente que votou no
      seu candidato preferido e
      não ganhou.Toda eleição
      é assim,já acompanho
      faz 20 anos.Os eleitores
      que votaram no candidato
      que perdeu dizem isso e
      aquilo,esperneiam,dizem
      que houve manipulação
      na apuração,etc,etc,etc.
      Quando FHC ganhou,a
      turma do PT fez a
      mesma coisa.É briga
      de torcidas organizadas
      igualzinho no futebol.

    • 21/11/2014 at 14:04

      LMC você está mais por fora que umbigo de vedete ao não ver que há nazistas no meio da direita brasileira que saiu nas ruas e que faz manifestações na Internet. São grupos pequenos, mas o suficiente para alimentar uma boa “fascistaria” no meio de setores médios da população. Como já disse, sua ânsia de ser manter equidistante virou uma ideologia cara. Você acha que há virtude em ficar dizendo isso de um lado e aquilo do outro. Não há.

    • LMC
      21/11/2014 at 14:35

      Nem os comandantes
      militares dão bola pra
      esse grupelho,como
      diz a Folha nessa
      semana,PG.
      Lembra daquele
      movimento chamado
      Cansei?É a mesma
      coisa.Acham que
      vão tomar o Brasil
      pela internet,putz!
      Eles que vão
      tentando.Quem
      sabe em 3014,né?
      kkk

    • Valdério
      21/11/2014 at 20:16

      Caro LMC,

      Discuto sobre inclusão social desde antes das eleições. Há anos que escuto chamarem os mais pobres de acomodados…. Não é só em período eleitoral.

      Se você quer dizer que há pessoas coerentes que votaram em outro candidato, concordo. Porém, acredito que por falta de informação e pelo problema de nossa educação, mesmo estes reproduzem bobagens de modo não intencional.

      No meu perfil do Facebook, VFG forte, se puxar textos antigos que escrevi, perceberá que não é de hoje.

      Att.

    • Hayek
      24/11/2014 at 11:56

      Isso mesmo Valdério. Dessa vez não foi só “briga de torcida”. Esses caras já antes do 2° turno já expressavam essas opiniões e que eu saiba o PT, ou a esquerda, não fez um protesto contra a eleição de Fhc no passado

  10. LMC
    21/11/2014 at 10:54

    No regime militar,quem era
    contra ele,era comunista e
    recebia grana da KGB.
    Hoje,quem critica o
    governo do PT e
    protestou contra essa
    porcaria de Copa no
    Brasil é coxinha e
    recebe grana da CIA.
    Putz,que evolução.
    kkk

    • 21/11/2014 at 13:30

      LMC o coxinha não pode receber dinheiro da CIA, caso a CIA desse algum dinheiro para alguém (ela só tira), porque o coxinha não saberia quanto recebeu. Ele não sabe contar.

    • Hayek
      24/11/2014 at 11:53

      Coxinhas? Os black blocs eram coxinhas? A maioria que protestou contra a copa foi a esquerda. A direita ficou só assistindo e ficou brava só quando o país perdeu.

    • LMC
      24/11/2014 at 15:49

      Na época da Copa,os
      blogueiros pagos pelo
      PT,Hayek,diziam que
      quem protestava
      contra a Copa eram
      viúvas do FHC que
      estavam com inveja
      do Lula ter trazido a
      Copa pro Brasil.
      A imprensa dita
      de oposição falava
      dos estádios
      superfaturados,da
      falta de transporte
      decente,etc.

  11. Mariana
    21/11/2014 at 10:33

    Professor Ghiraldelli mais vc não acha que dar cotas e bolsas para pessoas não é dizer q elas são incapazes, piores do que as outras q podem estudar e trabalhar como qualquer pessoa normal faz na vida?

    • 21/11/2014 at 10:43

      Mariana depois desse meu artigo você ainda não entendeu? Putz! Minha filha, acorda. Leia direito, pense. Olha, pegue o livro Filosofia política para educadores (Manole)

    • Alexandre
      21/11/2014 at 12:37

      Mariana, imagine que em um jogo de tabuleiro no estilo “Jogo da Vida” ou “Banco Imobiliário” alguns jogadores já iniciem o jogo com seus peões na casa 20, outros jogadores iniciam o jogo com seus peões no início do tabuleiro. Uma política que ajude os jogadores que iniciaram o jogo no início do tabuleiro a avançar 10 ou 20 casas não estaria injustiçando os jogadores que começaram na casa 20, apenas estaria igualando um pouco o jogo. É como diz o Princípio da Igualdade: “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que eles se desigualam.”
      O mesmo vale para a questão das minorias, um heterossexual que reclama de uma lei que protege os homosexuais dizendo que não existe uma lei que protege os heterossexuais parece não entender ou fingir não entender que os heterossexuais não possuem uma lei que os protege por serem heterossexuais pelo simples fato de que eles não precisam dessa lei.

    • 21/11/2014 at 13:14

      Alexandre, obrigado por atender a Mariana, hoje meu saco anda um pouco mais pesado.

    • Mauro Gouvêa
      05/12/2014 at 22:03

      Notei pela resposta à Ivete.

  12. Roberto William
    21/11/2014 at 04:49

    Não querendo te contrariar, até porque eu concordo com o que foi dito, mas eu gostaria de mencionar as pessoas que nasceram pobres, mas que passaram a adolescência e uma parte da fase adulta estudando e trabalhando a fim de ascender economicamente; seja passando em um concurso público, seja alcançando um cargo importante em uma empresa. Quer dizer, são pessoas que venceram na vida, mas a custa de muito sacrifício. Tá certo que a escola pública de 40 anos atrás era melhor do que a de hoje. Todavia isso não tira, ao menos em parte, a razão dessas pessoas de terem raiva dessa política, pois é injusto os pobres terem tanta ajuda, enquanto elas não tiveram. Diante disso, eu cheguo a uma conclusão: as políticas pró-minoria não são inválidas, tendo em vista que a lei tem como parâmetro o “homem médio”, sendo que este, quando nasce pobre, não tem disciplina e força de vontade para “vencer na vida”, salvo raras exceções, como as supracitadas.

    • 21/11/2014 at 10:03

      Roberto
      Um pai que teve de fazer as coisas com sacrifício não quer o mesmo para o filho. Deveria também não querer o mesmo para o filho do outro. Agora, do ponto de vista da política, isso pouco importa, o que importa é não perder energia, dinheiro, vida etc. Esse tal pobre que você citou, ele não venceu sem ajuda, ele pensa que foi isso, mas se cavocarmos a vida dele, ele usufruiu em algum momento de uma política social. As políticas de distribuição de renda direta foram uma ousadia que deu certo. Infelizmente a parte tradicional não foi feita, ou seja, jogamos quase todo mundo para dentro da escola e, no entanto, a arruinamos. Agora, política pró minoria étnica, de gênero etc., aí é outra coisa. Elas não visam a melhora do indivíduo, elas visam a homogeneização do uso do espaço e, então, do fim do preconceito pela ampliação da convivência.

    • Roberto William
      22/11/2014 at 14:56

      Bom, mas qual seria essa política social que existia há uns 30 anos? Eu conheço uma pessoa que, em Recife, quando era adolescente, estudava em uma escola publica estadual. Todavia, a fim de se preparar melhor para o vestibular da federal de Pernambuco fez uma prova visando a uma bolsa no colégio particular das Damas. Desse modo, passou no vestibular pra engenharia química. Bom, se isso é politica social, então ela teve ajuda. Por fim, uma coisa é certa: sou de classe média e vejo muita adolescente mais “pobre” do que eu com um celular bem melhor do que o meu. Salvo exceções, a vida do pobre esta muito boa. Mas não pense que eu sou contra isso. Votei na Dilma, pois creio que chegamos no topo. Pobre não tem do que reclamar de nada. heheh

    • 22/11/2014 at 17:40

      William o Estado de Bem Estar no Brasil é uma construção a partir dos anos trinta. Tá nos manuais, você sabe disso. Economistas como Paul Singer chegaram a escrever “no Brasil houve um keynesianismo pré-keynes”. Tudo bem que muito desse estado foi feito pelo “populismo”, mas isso não altera muito o conteúdo da nossa CLT e do sistema de educação pública criado etc etc.

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