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27/03/2017

Impeachment: o sobressalto de todos os ódios


Vivemos novamente dias de Impeachment. Não há passeatas grandes, nem contra e nem a favor da coisa. É muito mais fácil elas acontecerem depois, caso vingue a deposição de Dilma. Pois a economia não vai melhorar e as esquerdas, estas sim capazes de mobilizar a população, voltarão a estar nas ruas após anos de amarras por conta do PT no poder. Mas, nesse momento agora, por enquanto, o clima é calmo e não lembra em nada o que antecedeu ao Impeachment do Collor. Todavia, um detalhe é igual: os ódios estão à flor da pele.

Não é sobre política que escrevo. Nunca é. O tema aqui é o ódio. A política é apenas cenário. Cenário para o ódio em um país que se gaba de não possuí-lo.

Cioran escreveu que “o espermatozoide é o bandido em estado puro”. Não compactuo com ele, mas, confesso, diante de alguns me vem à mente essa citação como uma verdade irretirável. Há pessoas que são bandidas mesmo, de raiz, sabemos disso e as odiamos.

O ódio está embutido no clima de nossos dias e, talvez pela primeira vez na história da República, de forma totalmente negativa. Ou seja, todos estão contra, e não raro por motivos nada nobres, nada construtivos.

Uma boa parte dos que tendem a se alinhar ao conservadorismo político, à direita, odeia o governo não pelo que o governo fez de errado, mas pelo que ele acertou. É o ódio aos pobres que foram beneficiados. Não raro, essa parcela da população está odiando a si mesma. É gente que está magoada por querer e não poder ganhar algum tipo de bolsa ou ajuda do governo, desenvolvida nesses últimos anos. Nada receberam diretamente por que não são tão pobres e nem pertencem a minorias. Essas pessoas fazem apologia do que chamam de meritocracia, mas esta mesma meritocracia os derrotou mais do que aos pobres, que conseguiram algum tipo de ajuda.

Uma outra parte, talvez mais progressista, que tende a se alinhar à esquerda, odeia a oposição mais conservadora por motivos de todo tipo. Deveriam odiar pelo fato da direita não ser flor que se cheire. São políticos corruptos aliados a um tipo de imprensa cujos jornalistas e intelectuais, sempre falsários, repetem o mesmo artigo todo dia e ainda querem posar de pessoas que sabem alguma coisa. Mas, infelizmente, não é por isso que há ódio dos progressistas. Também aqui é puro ódio negativo: possuem raiva da direita porque esta soube fazer volume às denúncias – todas verdadeiras – dos esquemas de corrupção governamental. Ficaram com raiva de verem seus ídolos serem pegos de calças curtas. Odiaram no momento em que viram que elas próprias pagavam jornalistas para mentirem e, então, num ato estúpido, acreditavam nesses crápulas!

Ou seja, o país aprendeu a dirigir para o lado errado o ódio. Não puderam por o ódio num momento a favor.

Há quem diga, na filosofia e nos estudos de psico-política, que o ódio nunca vai para o lado certo. Ou seja, se há ódio, então já se está errado. Desse modo, o que digo aqui não faria sentido. Pois, se é ódio, é ruim. Não penso que é assim. Há uma parcela da população que odeia de modo correto. Odeia os erros pelos erros. São os que odeiam a direita porque ela é corrupta, falsária e mesquinha. É fácil ver essa verdade: o número de deputados com dívidas na justiça mostra bem que eles estão mais localizados nos partidos da direita. Odeiam a esquerda porque esta é mentirosa, carcomida, e se envolveu em corrupção de um modo inaudito, traindo seus objetivos, ideais e discursos. Esses dois ódios eu chamo de corretos, e seriam produtivos. Mas é um ódio que não se organiza, não é o dos agentes mais diretamente envolvidos com os partidos políticos. Esse ódio correto não consegue encontrar canais para fluir. Nas eleições passadas, esse ódio fez os votos brancos e nulos deixarem Aécio no terceiro lugar. Mas, ódio é ódio. Pode, mesmo certo, simplesmente comer a própria população internamente, minando sua energia. Uma nação pode, de ódio, se autodevorar.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

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15 Responses “Impeachment: o sobressalto de todos os ódios”

  1. Claudio
    16/12/2015 at 11:27

    Ahhh Professor! Que pegada! Eu sou daquela parcela que tem os dois ódios… Me sinto como o senhor descreveu, sem canal para fluir. Sem caminho. Não há nem com quem desabafar…

    Obrigado pelos textos!

  2. 15/12/2015 at 02:15

    Entre várias demonstrações de críticas feitas ao governo, que me parece, de reproduzir apenas sempre o que está em pauta nas “indignações” e também o que se tem é um sentimento medíocre, sem levar em conta análises mais aprofundadas do envolvimento histórico e particularidades de cada período. Por exemplo, alguns ainda pensam em intervenção militar?

    Nós, ou a maioria espíritos não livres e brasileiros pensamos se a Dilma sair a solução virá a curto prazo, enquanto isso aquele dito que está lá em Eclesiastes diz: “o homem não conhece nem o amor e nem o ódio, tudo passa perante a sua face.”

    • 15/12/2015 at 10:55

      Enoque, houve uma intervenção militar hoje muito boa na casa do Cunha. Os militares foram ajudar a Polícia Federal. Adorei.

  3. LMC
    14/12/2015 at 16:42

    Relaxem,gente.Se aquela múmia
    paralítica da Hebe Camargo estivesse
    viva,ela iria no tal protesto que houve
    na Paulista,junto com o Frota.
    Aliás,não entendo até agora,por quê
    o Obama,o Putin e o EI não jogaram
    umas bombas no túmulo dela lá
    no Morumbi.Ô,velha chata,meu Deus…
    kkkkkkkkk

    *Os brancos e nulos na eleição
    de 2014 foram 6% e as abstenções
    ficaram em 21%.Aécio teve 48%
    dos votos no segundo turno.

  4. Pedro
    14/12/2015 at 00:58

    Eu odeio o PT e a esquerda PORQUE são corruptos, mentirosos e autoritários, e APESAR do que dizem ter feito pelos pobres. Você acha que o meu ódio é certo, professor? Eu também me considero de direita, quer dizer, um liberal que defende a economia de mercado e a democracia representativa, e acho que o que se chama de direita no Brasil são apenas políticos patrimonialistas e anti-liberais que vivem de mamar no Estado.

    • 14/12/2015 at 11:32

      Pedro o meu blog é de filosofia. Você tem posições fechadas em política que, talvez, possam atrapalhar você a pensar. Filósofos com posições fechadas são filósofos que tropeçam. Você viesse aqui falar, defendo do feudalismo e não o capitalismo, eu lhe responderia quase a mesma coisa.

  5. O Sul é meu País
    12/12/2015 at 18:59

    Vai cair, vai cair, vai acabar o Bolsa Esmola, vai acabar a mortadela dos petistas, um a um estão sendo presos, chegará a vez do vagabundo mor Lula tambem ir pra cadeia, Dilma seu lugar é na cadeia tambem ou no minimo atrás de um tanque de lavar roupa ou um fogão, sua velha morfética e terrorista.

    Aos beneficiarios dos programas assistencialistas do PT espero que morram de fome pelo bem da nação, esse pais precisa de uma limpeza, primeiro rolam as cabeças dos politicos depois as dos vagabundos que os elegeram.

    • 12/12/2015 at 19:20

      “O sul é meu país”. Que sul? Olha, se for rolar a cabeça de vagabundo, em geral, meu amigo pelas suas ideias você tá na fila da guilhotina.

    • Maximiliano Paim
      12/12/2015 at 20:12

      Esse jumento não fala por mim.

    • 12/12/2015 at 20:38

      O jumento “o sul é meu país”? Esquece, o cara tem vergonha de colocar o nome.

    • Maximiliano Paim
      13/12/2015 at 10:25

      Sim, ele. Se fosse no século 19 quando as fronteiras estavam sendo desenhadas ainda, não era maluquice falar disso, mas hoje é falta de boa educação.

    • Claudio
      16/12/2015 at 11:22

      Esse cara aí, o boçal “O Sul é meu País”, representa o tipo de ódio mais asqueroso de nosso país. Acabou servindo de exemplo do que o Professor escreveu.

    • 16/12/2015 at 12:20

      Claudio aparece uns coxinhas por aqui que são uma diversão.

  6. 12/12/2015 at 12:08

    Paulo, frequentemente concordo com você, mas discordo muito deste artigo. Tenho a impressão que o ódio e o saco cheio embotaram seu descernimento.
    Esta direita burra e ignorante sempre existiu, assim como a esquerda de manual, igualmente cheia de ódios e estupidez.
    A diferença é que o setor “formador de opinião”, o setor mais sensato à direita e à esquerda, perderam voz e vez com a perda de relevância dos grandes jornais e revistas, ao mesmo tempo em que, como disse Umberto Eco, a internet deu voz a uma legião de idiotas.
    Vivemos um tempo em que todo mundo quer dar uma opinião bombástica e ninguém quer ler ou ouvir opiniões divergentes.
    O grande risco, hoje, é o descrédito da democracia, o que abre as portas para do inferno para a população e do paraíso para oportunistas.

    • 12/12/2015 at 12:12

      Paulo Falcão, infelizmente não tenho nenhum ódio. Até me esforço, mas não consigo. Meu êxito como pessoa não deixam. Às vezes careço de ódio. Você imputando ódio a mim me pareceu apenas uma vontade de encontrar espelho. Mas eu não escrevo no espelho de ninguém.
      Eu apenas repeti um fato: Aécio ficou em terceiro lugar, há espaço para um ódio racional. Sobre Umberto Eco, você e ele estão errados. Sobre existir uma direita “que sempre foi assim”, eu não disse nada, você inventou. Você só vai me entender o dia em que seu blog se chamar “questões irrelevantes”.

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo