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29/05/2017

Atentado explicado por Galvão Bueno, William Waack e pela esquerda


A TV está funcionando. Enquanto isso, ocorre o atentado. Galvão Bueno fala do jogo Brasil e Argentina em meio a notícias dele próprio sobre o atentado em Paris.  Sua informação e comentário são simplórios. São os do locutor de futebol. Todavia, nessa hora, ele não difere da tentativa de sofisticação de alguns jornalistas (Waack à frente).

Ou seja: o terror é feito pela barbárie. Quem são os bárbaros? Os que invadiram Roma, a capital não só da fé cristã, mas da razão. De “bárbaro” para louco é só um passo. Galvão Bueno diz “não dá para entender!”. E alguns jornalistas dizem “são fanáticos, são doentes”, isto é, não dá para entender. Não podem entender, mas que é doença é. Ao tornar a situação um caso médico, fica mais fácil dar possibilidades para o Galvão ficar tranquilo, e para muitos Waack posarem de sábios, pois já se pode falar em profilaxia. O que é patológico dever ser evitado com higiene máxima. A ideia básica é a de limpar terreno. É necessário fogo e água, os elementos básicos da assepsia, os deuses únicos da guerra.

Mas, se por um lado, nessa acepção néscia, o terrorismo é feito por “doentes” e, por isso mesmo, não possui razão, então, o “não dá entender” é repetido e se insere no pacote de frases como “é simplesmente fanatismo religioso”. Nisso, há os que se imaginam superiores a Galvão e Waack, porque possuem alguma militância de esquerda. Viva! É gente altamente preparada, segundo eles próprios. Não vão cair no engodo da Rede Globo, onde todos nós, os ingênuos, chafurdamos. Gente que sabe que todos nós somos manipulados, e  que eles não. É a turminha que faz o Cesar Benjamin voltar para dentro do PT. Esse pessoal, então, se divide dessa maneira: há os advogados da teoria conspiratória simples, em que a CIA e os Estados Unidos é que criam tudo isso, passando armas e até mesmo inventando o fanatismo no mundo todo (um pensamento igual ao da direita, no passado, que dizia que Cuba criava os focos de guerrilha de esquerda até em Plutão); e há os adeptos da outra teoria conspiratória, que se imagina mais sofisticada, que a do … Capitalismo Malvadão. Sim! Um grande ser chamado “Capitalismo” ou o “Capital”, às vezes com apelidos de “Neoliberalismo” e coisas do tipo, é que faz tudo acontecer. Como o demônio medieval, ele mesmo, de dentro dos Estados Unidos que é o Reino de Satã, vai gerando todo tipo de Jihadi John da vida. Assim, aplica-se aí uma “dialética” (putz!), e surge a “contradição” do capitalismo, e ela é que gera tudo isso: o Capital Malvado cria os terroristas que, por sua vez, por conta do capitalismo bombardear o mundo todo, leva-os a atacar os reinos capitalistas por vingança. Ou seja, a presença do diabo explica tudo.

Estou para dizer que essa esquerda poderia ensinar tais coisas ao Galvão e até ao Waack, e eles aprenderiam. A base de raciocínio é bem comum ao número de sinapses desse pessoal todo. O triste é ver que há professores universitários metidos a pensar dessa forma. É preferível Galvão, nessa hora, pois ao menos de vez em quando ele chama o Arnaldo ou pede para o Casa Grande balbuciar algo.

O terrorismo está longe de ser exercido por gente “doente”. Está longe de ser uma atividade irracional. O terrorismo de hoje tem um objetivo claro, que não precisa ser explicitado por nenhum militante do terror, nem mesmo pelos seus chefes, mas que ao final transparece em situações determinadas e, aí sim, aparece na boca de políticos. Por exemplo, quando o Hamas tomou parte de setores palestinos por força política, no voto, ele o fez pela capacidade de tornar aquela população realmente se sentido inimiga de Israel, se sentido completamente ao relento. Nessa hora, vende-se a alma aos grupos terroristas quando estes dizem “nós somos o Islã, só nós damos segurança ao povo palestino contra o outro, o que nos odeia e nos mata”. Nesses momentos políticos transparece o objetivo do terrorismo atual.

O terrorismo das Brigadas Vermelhas e outros grupos semelhantes atuante nos anos setenta e mesmo oitenta não falavam em “voltar para casa”, falavam em transformar o mesmo local que estavam ou, então, conquistar tais locais onde já viviam. O terrorismo atual coloca no horizonte a ideia da volta ao Islã. Todos que leram o Alcorão estão fora, são viajantes, são estrangeiros, mas poderão voltar para casa. Basta que saibam que o Islã verdadeiro está aqui, e não nas mãos de religiosos tradicionais ou pacifistas que querem o convívio com o Ocidente. O terrorismo espera sempre a retaliação, e que ela caia sobre os não combatentes, para que eles sintam a verdade do ódio da mundo profanado, o mundo regrado pelo despudoramento americano e europeu, o mundo da leveza, onde todos querem só se divetir. Na linha do horizonte existe o Califado Central, ou seja, o lar. Trata-se do lugar mais protegido do mundo, exatamente porque ali nada lembrará o Ocidente. Esse Califado do Mundo é o planeta Terra.

Cada país atacado pelo terrorismo reage exatamente como os terroristas querem. Começa a caçada contra os de “rosto diferente”, inicia-se o término completo da “Liberté, Égalité, Fraternité”. Ou melhor, esse triunvirato é trazido de volta não na sua fase pré-1879, mas na sua fase de expansão napoleônica. Poderá ser posto à força, goela abaixo de cada parisiense de “face estranha”. William Waack logo mostrará sua trupe, e todos dela estarão dizendo que seria interessante ver as próprias mãos de gente como Bush indo de casa em casa, nos bairros parisienses, e se pondo a afogar gente (tortura tida como legítima por Bush), de modo a proteger-nos, nós todos, os civilizados, o Ocidente. Ele, Waack, vai contar com sua trupe para xingar o Obama, pela sua fraqueza, populismo etc., porque este, obviamente, não vai sair da linha de dar combate por drones e pelo caminho do bloqueio de contas bancárias.

Pode isso Arnaldo? Não dá!

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

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29 Responses “Atentado explicado por Galvão Bueno, William Waack e pela esquerda”

  1. MAriana
    16/11/2015 at 03:42

    P. Ghiraldellli. O Sr. já fez um vídeo a respeito desse tema, terrorismo?
    Por que as pessoas te odeiam tanto, vc me lembra o Pr. Caio Fábio, conhece, rs?

    • 16/11/2015 at 05:12

      Não, não lembro a ninguém nenhum Padre. Só a você. Além disso, “as pessoas” não me odeiam, se fosse assim eu não sobreviveria, dado que em várias fases da minha vida meu único ganha pão eram os meus livros. Agora, claro que os querem pensar sempre igual ficam com raiva do que faço, pois forço a cabecinha deles, e isso dói a cabecinha deles. Sobre terrorismo, o Hora da Coruja vai voltar ao tema hoje, segunda 16, às 22 horas, AO VIVO. flixtv.com.br

    • LMC
      16/11/2015 at 10:04

      O Caio Fábio é pastor,não
      é padre,PG.Fica feito
      o registro.

  2. Márcio
    15/11/2015 at 18:05
    • 15/11/2015 at 18:41

      Nessa hora, aparece de tudo. A esquerda americana, marxista, adora a teoria da conspiração. É um modo caduco de pensar. Nos Estados Unidos esse tipo de pensamento, dado o isolamento que a sociedade causa em alguns, leva mesmo ele a pensar assim. Veja como o Chomsky delira. São verdades que em determinado momento se tornam em verdades tolas. Um bom filme para analisar isso de modo mais sério é “O senhor da Guerra”. Agora, eu não sei se você leu a reportagem que me mandou. Leia e veja que o Sanders não participa de teoria da Conspiração. O que ele falou não muda nada minha análise, ao contrário, endossa o que sempre escrevi. Aliás, sobre o Iraque, ninguém fala outra coisa, foi um chute errado movido por interesses escusos. Todavia, é uma tonteira essa coisa de preservar a geopolítica. Os Estados Unidos tinham como fazer isso quando existe o contraponto racional chamado URSS. Depois, controlar chefes tribais e grupos étnicos, não deu mais. Aí você vai apoiando quem no momento parece ser o melhor para os interesses americanos. No geral, isso dá no que deu Fidel Castro. O Sanders não percebe que essas coisas são impossíveis de controlar e, se percebe, está de má fé.

    • Márcio
      15/11/2015 at 19:28

      Opa, então, li sim. Também concordo, não derruba a sua análise. O que ele fala é que o desastre da Guerra no Iraque deixou um vácuo de poder que acabou sendo preenchido pelos fundamentalismos. Enquanto o Chomsky é um despirocado que tributa toda mal global nas costas dos Estados Unidos – que armam e financiam ISIS e Al Quaeda.

      Agora, Paulo, se nem o Sanders que é o Sanders abandona a “preservação das geopolítica” (como você bem colocou) com essa ideia da “Coalização”, que saída resta? A sociedade americana está cansada da guerra, não? Suportará mais uma?

    • 15/11/2015 at 22:13

      Márcio a sociedade americana não se cansa de guerra. É da essência do Império Romano a guerra. Além disso, o que Sanders diz é uma verdade que não muda nada, só serve para ele tentar fustigar Hilary.

  3. John Neto
    15/11/2015 at 16:00

    Deixa eu fazer uma perguntinha: Por acaso, você trabalha para CIA? Porque a inocência me causou surpresa.

    Abs.

    • 15/11/2015 at 18:42

      John Neto (ha ha ha!), o dinheiro da CiA não chegou. Vai ver não estou na folha de pagamento. Eu sou inocente, ingênuo. Mas vou comprar seus livros, afinal com esse nome você deve ter inúmeros. Então, vou ficar bem espertão. Como você. Agora, para outros que estão lendo você, John Burro Neto, recomendo o filme “O senhor da Guerra”. É um dos únicos filmes com alguma seriedade sobre o que é a guerra forjada.

  4. Roger
    15/11/2015 at 11:23

    Não gostei do texto, acho que fracassou em todos os aspectos, especialmente em generalizações. E quanto a ateus estarem se esbaldando acho um comentário extremamente infeliz. Todo ateu que se preze coloca a vida acima de tudo e não se esbaldaria por poder criticar religião alguma tendo como base mais de cem mortos.

    • 15/11/2015 at 12:10

      Roger o texto foi feito para leitores que sabem que sem generalização não há conceito e sem conceito não pensamento. Quem não sabe isso está aquém da filosofia. Ou seja, o blog não é para você. Você está aquém dele. Vá ler o blog da Andressa Urach.

    • Roger
      15/11/2015 at 12:26

      Eu estou aquém de um blog de um “filosofo” que não consegue fazer uma discussão sem levar um simples não gostei do texto para o lado pessoal? e insultar o leitor por uma crítica? De qualquer forma boa sorte no blog, e não sei quem é Urach, mas sendo recomendada por você eu vou passar.

    • 15/11/2015 at 14:15

      Roger só pelo fato de aspar meu título você já mostra o ressentimento. Quem vai dar bola para um cara que não sabe o que é generalizar? Aprenda: O QUE É O PENSAMENTO HUMANO?
      Para pensarmos, no sentido humano da palavra pensamento, precisamos de dois elementos da linguagem: uma noção de verdade, que funciona na base de conceito primitivo ou noção primitiva (como ponto é noção primitiva na geometria); e precisamos da capacidade de inferência geral, em caso de dedução, ir do geral para o particular, e indução, ir do particular para o geral, apropriadamente. Sem isso, não há como conversar, não há propriamente linguagem. Tentar ter pensamento sem isso é reduzir o pensamento à formulação de imagens sensíveis sem qualquer enredo.

  5. helô
    15/11/2015 at 10:22
  6. Maximiliano Paim
    15/11/2015 at 07:28

    Diante das ações e reações comuns dos terroristas e dos países atacados descritos e ainda nas notícias, se diferencia a vanguarda do Obama. Entre os chefes de Estado os seus discursos, ele e o papa estão isolados.

    • Maximiliano Paim
      15/11/2015 at 07:29

      *Entre os chefes de Estado e seus discursos.

  7. RAMBO
    15/11/2015 at 03:28

    Paulão, te digo com toda sinceridade do mundo: o sr. está por fora. Deixe suas arrogância de lado e procure saber os detalhes, procure os detalhes. Sabes muito pouco sobre a CIA e o Pentágono.
    Exemplo:

    Former DIA Chief Michael Flynn Says Rise Of ISIS Was A “Willful Decision” Of US Government

    Wesley Clark: “Our friends and allies funded ISIS to destroy Hezbollah”

    “ISIS love toyota cars”

    • 15/11/2015 at 03:40

      Rambo, te digo com mais sinceridade do mundo: seu cérebro não dá para mais que jogador de bolinha de gude em carpete. Chega, cai fora.

  8. Ronilson Teles
    14/11/2015 at 23:36

    Professor Filósofo Paulo Guiraldelli, o senhor afirmou acima: “Cada país atacado pelo terrorismo reage exatamente como os terroristas querem.” Pergunto, então: Como se deve lidar com o terrorismo? Como se deve enfrentar esse problema?

    • 15/11/2015 at 03:09

      Ronilson, não há saída milagrosa. A chamada “guerra ao terror” é um guerra contínua. Essa ânsia de resolver a situação não é algo humano adulto. É coisa de criança.

  9. 14/11/2015 at 23:04

    Belo texto, mas vou fazer uma nota. O Bush explicou na sua autobiografia que perguntou aos assessores se aquela prática era tortura. Eles disseram que não e o presidente aprovou. O Bush não sabia que era tortura.

    • 15/11/2015 at 03:10

      Sim, Pedro, pois aquela vez que ele ficou engasgado com a coxinha, não deu para ele perceber o que é falta de ar, dado que estava drogado.

    • 15/11/2015 at 13:15

      Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!!!!!!!!!
      Eu não conhecia esse caso, a CIA investigou a bolacha?
      “O seu lábio inferior apresenta também um golpe, que o próprio Presidente fez ao tentar retirar o pedaço do bolo salgado da garganta”

  10. Luis Henrique
    14/11/2015 at 23:03

    Galvão Bueno, militantes e teóricos da conspiração. O mundo esta tomando uma forma preocupante, imediatista e preguiçosa – e a alienação de levantar “bandeiras” virou moda. Não querem pensar numa heurística com intuito de obter resultados mais compatíveis com a realidade para alcançar progresso humanitário (esquerda brasileira esta mais para “revanchistas” do que progressistas). Esta ficando cada vez mais tóxico entrar no facebook e encontrar senso comum como solução para os problemas contemporâneos, ou nem tão contemporâneos assim.

    • 15/11/2015 at 03:11

      Luis, o facebook é bom, ele mostra todo mundo que já existia, mas que não podia se mostrar.

  11. 14/11/2015 at 22:13

    Ótimo texto!

    É realmente difícil aturar os militantes de esquerda na internet após qualquer atentado terrorista. É impressionante a forma como a política torna as pessoas simplórias, a ponto de se preocuparem com tudo, menos com a vida — embora o discurso deles procure mostrar que sim, eles se preocupam com a vida das pessoas, de outro atentado, há 5 anos atrás, em uma ocasião em que eu não disse nada, caracterizando minha “hipocrisia” e “indignação seletiva”.

    • 15/11/2015 at 03:13

      Militante político, Giovane, é o cara que precisa apanhar, mas não precisamos bater, ele apanha do chefe político dele todo dia.

  12. Jokas
    14/11/2015 at 22:12

    Os ateus estão se esbalando, é um momento ímpar para criticar a religião.

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo