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20/11/2017

Filosofia dos casamentos que duram


Os casamentos tendem a acabar aos sete anos, mesmo quando continuam. Trata-se da “crise dos sete anos”. Nada de número cabalístico.

O que ocorre é que a democracia moderna ocidental, cujo modo de vida se espalhou entre países pobres e ricos quase que no mundo todo, realmente cria uma equalização: a dos desgastes e desgraças. E isso vale, sim, para o casamento.

Sete anos é uma marca para todos os casais: os filhos começam a ir para a escola de um modo mais regular e menos dependente e, então, isso permite ao casal respirar e repensar o que foi o casamento até então. Todas as frustrações e opressões dos parceiros no casamento, envoltos na rotina da criação de filhos pequenos, num mundo de trabalho igual e intenso, a essa altura já provocou o desgaste necessário para acabar com a vida amorosa.

Sete anos: não há mais o que se sustente na vida a dois. O amor foi-se embora e a necessidade da dupla se manter ainda funcionando, para os filhos, também já perdeu o sentido. É natural então que ambos se aventurem em novos amores. Estão prontos para novos erros.

Por que novos erros?

São poucos que aprendem já no primeiro divórcio. Alguns não aprendem nem no segundo ou terceiro. Uns até tentam aprender o que devem aprender, mas procuram conselho no lugar errado: a psicologia ou a psicanálise. Bobagem. A maioria pode muito bem ter lições melhores com a filosofia social. A questão toda se resume, na maior parte dos casos, a isto: sai-se de um casamento e se entra noutro, para construir o mesmo tipo de relacionamento. Aliás, a primeira coisa que os novos pombinhos veteranos vão fazer é ter filhos e começar, então, a repetir a vida burguesa em todos os seus detalhes, tudo aquilo que deu errado. Não acreditam que o casamento anterior se desmoronou por conta da vida social, acreditam que foi por falha individual.  Prometem mudar. Mas não vão. Logo estão ambos infelizes novamente no novo casamento.

Há uma forma de driblar os problemas sociais e fazer um casamento não passar pelos desgastes que são antes produzidos pela vida urbana moderna que por qualquer outra coisa? De certa forma, há sim. A primeira atitude é não casar, ao menos não pela segunda vez, com parceiros da mesma idade. O segundo é não tentar ter filhos, principalmente se já os tem. Quem segue isso se salva, que não segue recomeça um segundo ou terceiro round de martírio.

A vida que democratizou as frustrações, pressões de trabalho, neuroses de fases de emprego e compra de imóveis etc., é uma vida que não suporta um casamento de pessoas da mesma idade. Pois elas irão à noite duplicar seus problemas gerados de dia. Serão problemas iguais para os dois, mas em dose dupla, somados. Agora, com idades diferentes, os problemas podem não desaparecer, mas não serão os mesmos e não se somarão em suas chatices. Quando se vive com alguém mais velho, este já tem experiência, bens e sabedoria para aconselhar a acolher o mais novo. Quando se vive com alguém mais jovem, este tem energia, frescor e ingenuidade para fomentar a esperança que se faz necessário na vida a dois, e que às vezes o mais velho não tem.

Há muita gente que entende isso logo. Há os que ainda não sacaram essa sabedoria e, por preconceito em relação às idades diferentes, vão sofrer uma vida toda, indo de erro em erro.

Nem todos sabem ser Chaplin!

Paulo Ghiraldelli, 56, filósofo.

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