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23/04/2017

Os fascistas nossos de cada dia


Ser mulher segundo um feminismo inteligente é poder mostrar para todos que não existe uniforme para sermos vivos. Ser gay segundo um sadio movimento contra a homofobia é poder mostrar que não existe uniforme para sermos humanos. Ser negro segundo o movimento negro não ressentido é poder mostrar que não existe uniforme para orgulhar-se de sua cultura.

As minorias não podem e não devem se restringir à negatividade pelas quais elas se formaram. As negatividades são sempre as mesmas: preconceito, discriminação, exclusão, opressão e violência. Não se tem feminismo, movimento gay e movimento negro sem isso. Mas não há movimento que atinja seus objetivos se soma demais erros não pondo à luz sua positividade.

O negativo no feminismo é o uso imbecilizado da expressão “machismo”, ou seja, o uso do termo em grau alto de generalidade e posição acrítica até torná-lo vazio. O negativo do movimento gay é o aproveitamento que algumas más pessoas fazem, estando dentro dele, ao acusar qualquer um de homofobia, para tirar proveito da pessoa. O negativo do movimento negro é seu medo de proteger os brancos que estão ao seu favor.

Mas esses movimentos minoritários tem sua positividade. Sem eles estaríamos todos marchando de uniforme, com Hitler na cabeça e a “nova direita” televisiva incorporada. Estaríamos equalizados na diferenciação. Pois o que o fascismo quer é sufocar as minorias para que surja a equalização não perante a lei ou na promoção pessoal por conta de iguais oportunidades, mas a equalização no comportamento que nos faz obedecer. Obedecer é a regra do fracassado. Ele finge ser rebelde, mas lambe botas. Imagina-se subindo na hierarquia adrede preparada de um capitalismo aparentemente promotor a liberdade. Todavia, o capitalismo aparentemente promotor da liberdade, não raro, é o capitalismo onde todos se vestem diferentes para vestirem um uniforme de alma. A alma diz o de sempre: eu venci, os outros devem ralar e sofrer e serem expulsos. Todavia, aquele que diz “eu venci” é, de fato, um derrotado. O fracasso básico com um esporádico e mentiroso recorte de sucesso é que faz o fascista ser fascista. E este odeia as minorias. Estas colocam a questão de ser livre mesmo, de não usar nenhum uniforme, nem o externo e nem o interno. O fascista não suporta que existe rebeldia verdadeira. Ele se diz rebelde porque seu senhor está mais escondido que das pessoas comuns.

Quando um fascista adentra uma minoria, ele a faz virar um fascio. Ele quer usar dela para ascender e então pisar naqueles que sobraram. Ele arrebenta internamente com o movimento de minoria, se nele fica. Mas, em geral, ele logo vê que ali não é seu lugar. E então ele adere às massas que vociferam o fascismo. Logo ele desencanta e sai às ruas gritando contra intelectuais, ciganos, mulheres, negros, nordestinos etc. Nessa hora, ele se integra ao campo da violência. Ele quer a eliminação do diferente, em especial do diferente de alma. Ele odeia aquele que realmente é independente. Ele faz de tudo para enquadrar no partido oposto o independente. Ele não suporta ver alguém vencer por mérito e ao mesmo tempo entender que a meritocracia é só ideologia – ideologia perversa. Ele, o fascistóide, treme diante de uma pessoa altiva. Ele odeia o saber ainda que queira indicar livros. O livro que ele indica nunca vai além de um manual da política do preconceito, do moralismo barato e do esoterismo babaca.

Os liberais conservadores infelizmente namoram às escondidas com o fascismo. Não com o regime fascista, mas com o espírito da fascistaria. Aparece aí a personalidade fascista. E ele pode, sim, se esconder dentro do feminismo, do movimento negro e do movimento gay. Só à medida que jogamos um balde d’água gelada no coração do fracassado é que ele sai de sua toca e vai para o fascismo de rua. Então, aí sim, temos como não deixá-lo mais ficar entocado nas fileiras dos movimentos que, em princípio, fazem o oposto do que ele pede.

É necessário cutucar e tirar o fascismo da toca. No Brasil eles saíram da toca na eleição. Estão ainda fazendo barulho. Estão cientes de que podem impor a sua vontade à força, por cima de resultados eleitorais. Não suportam o Brasil crescer em pluriparticipacionismo.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo.

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15 Responses “Os fascistas nossos de cada dia”

  1. José
    01/11/2014 at 21:21

    Foi errado o que o Nassif fez com vc e a Fran, não esperava isso de alguém assim da esquerda e com um longa formação no jornalismo como o Nassif.

    • 01/11/2014 at 22:14

      José vai me dizer que você não sabe que ele é pago, com o nosso dinheiro, para criar mentiras a favor do PT, mera propaganda travestida de jornalismo? Não notou que ele não consegue mais trabalhar na imprensa? OUtra coisa, nos anos noventa Nassif desancava o pau o Lula, sabia? Ele foi mandado embora do jornal Folha de S. Paulo porque preparava dossiês contra políticos e antes de publicar os chantageava.

    • José
      03/11/2014 at 00:22

      Paulo, não sabia de nada disso, Putz! Que lixo que é esse sujeito!

    • 03/11/2014 at 01:07

      Sim é um lixo. Mas o PT alimenta esses lixos.

    • Carlos Mascarenhas
      03/11/2014 at 12:27

      Não sabia que a briga de vocês já estava tão feia assim:

      http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/o-caso-do-filosofo-ghiraldelli

    • 03/11/2014 at 12:47

      Carlos, eu não respondo. Não há briga. E não é “de vocês”. A briga é sua também, como cidadão. Ou você fica com aqueles que são pagos pelo governo para mentir para nós e para o próprio governo, ou fica do meu lado, que é o do filósofo. Todo o texto desse cara aí que você mostrou é uma sequência de invenção. Ele aproveitou um artigo meu criticando a Marilena Chauí para me atacar com uma história imbecil em maluca, e então passou a falar da Fran minha esposa etc. Igualzinho o Olavo de Carvalho. Só que na época, aconteceu também outro fato. Renato Janine Ribeiro, uma vez no governo, fez um telefonema para o Estadão para me tirar de lá como colunista. Como vê o PT não flor que se cheire, diferendo pouco das práticas da direita. Só que eu não defendo a direita por conta disso. Sou filósofo e tenho a obrigação de não tomar posições necessárias, que são de esquerda, no Brasil de hoje, e desconsiderar a militância fajuta, mercenária e sem caráter do PT. Sacou? (ah, se quiser prova de que Nassif trabalha para o governo para mentir, veja o contrato dele com o governo Lula, foi publicado no Diário Oficial; que ele é blogueiro do PT isso foi confirmado no Roda Viva pela Rui Falcão, existe no youtube. )

    • Carlos Mascarenhas
      03/11/2014 at 13:31

      Paulo, obrigado pelo esclarecimento da sua parte!

  2. Aílton Nunes
    01/11/2014 at 15:44

    Professor, vc viu a manifestação que teve hoje em SP exigindo absurdos?

    • 01/11/2014 at 16:00

      Deveria ter mais gente, deu mil só. Em uma cidade de 20 milhões de habitantes e num bairro onde o voto foi em Aécio e num lugar onde a falta de água provocada pelo PSDB virou culpa do governo federal que põe muito impostos para a Sabesp deveria ter mais gente na rua. Mais reacionários confusos. Lembra-se do “Cansei”? Então, deu isso também. É bom que a direita saia na rua. É bom que ponham a cara. Senão ficam só no twitter.

  3. Joca
    01/11/2014 at 15:19

    Quanto ouço sobre ”ressentimentos” vindo de você, lembro-me do episódio ”Nassif”.

    Dói, né?

    • 01/11/2014 at 15:57

      Joca eu só sinto algo quando vem de gente honesta, mas quando alguém como Nassif ataca alguém como a Fran, a gente olha e urina em cima. Agora, ressentimento é outra coisa, não é indisposição. E por isso venho escrevendo. Será que você consegue ultrapassar essa redução psicológica que quis fazer? Tente. Veja Filosofia política para educadores, da Manole. Um livro que trabalha corretamente o ressentimento: Ira e tempo, do Sloterdijk. OK?

  4. Wagner
    01/11/2014 at 13:07

    Paulo, a infância e a adolescência do fascismo é o ressentimento?

    • 01/11/2014 at 14:23

      Wagner ha´o fascismo e a atitude fascista, essa segunda vem disso sim.

  5. Max Stirner
    01/11/2014 at 12:25

    É isso aí, estou vendo cada vez mais coxinhas negarem o resultado das eleições. É claro que tudo pode ser digno de suspeita, mas o que eles fazem é praticamente acusar,incriminando, talvez esse sendo o maior mal da militância política, e todos os anti-petistas (que daqui a pouco vira um partido) aceitam até de boa-fé só para eliminar o ”inimigo”.
    Essa história dá até pra fazer um próximo artigo seu: Sobre qual deve ser a origem do anti-petismo, ou melhor, da anti-igualdade, da anti-distribuição, não que o PT tenha o monopólio das virtudes, mas é inegável a melhora em alguns quesitos que teve nesses últimos anos, se fosse outro partido deveríamos elogiar da mesma forma.
    Mas já que o artigo é sobre o fascismo e que está bastante interligado com o anti-petismo, me diga: Por que existem fascistas ainda hoje?

    • 01/11/2014 at 14:24

      Max a atitude fascista é algo que pode perdurar sem o fascismo. É uma situação de fracasso que a motiva.

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Filósofo