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19/11/2019

“Elites”, medicina e opressão


“Elites”, medicina e opressão

A palavra “elite” é tão usada que talvez os mais jovens imaginem que ela sempre esteve aí, com essa mesma carinha, desde quando o mundo é mundo. Não é bem assim!

Até o início dos anos noventa, a palavra “elite” não era frequente nos discursos de políticos e muito menos na academia. Aqui e ali aparecia a palavra “elitismo”, mas sem muitas consequências. No entanto, durante a campanha presidencial de 1989, em especial por parte da retórica de Fernando Collor e seus partidários, a palavra “elite” ganhou destaque. Ela entrou para o vocabulário de Collor vindo de intelectuais de direita, cujos textos de caráter mais jornalístico foram absorvidos por ele. Nesses textos, ela apareceu em virtude de derivados da “teoria da circulação das elites”, de Vilfredo Pareto. Naquela época os ventos sopravam tão a favor de Collor que ele, mesmo sem ter uma formação intelectual séria, conseguia usar bem, e até com certa propriedade, tudo que lhe caía nas mãos.

Collor teve de enfrentar dois adversários enraizados na então chamada “classe operária” ou, de modo mais amplo, “movimento social dos trabalhadores”. Brizola e Lula eram esses adversários. Collor foi suficientemente esperto e, ao ser denominado por eles como “candidato herdeiro da Ditadura Militar”, retrucou com um inesperado vocabulário. Chamou Lula e Brizola, o primeiro mais que o segundo, de “candidatos das elites”. Lula e Brizola ficaram espantados. Riram. Acharam que a pecha não ia emplacar. Como que eles, historicamente ligados aos trabalhadores, iriam ser os “candidatos das elites”?

O que eles não haviam notado é que Collor tinha outro nome para um grupo social que até então não havia sido contabilizado: ele chamou de “descamisados” a massa de miseráveis do campo e da cidade que não pertencia a nenhum sindicato, e chamou de “trabalhadores” os da classe média baixa que perdiam poder aquisitivo com a inflação. Esses dois setores populosos tinham adquirido suficiente ressentimento para com o trabalhador urbano sindicalizado que, com suas greves e sua formação escolar melhor, começava a ter um padrão de vida distante dos miseráveis e até já deixava para trás as classes médias decadentes. Esse trabalhador urbano sindicalizado e mais escolarizado, que naturalmente votaria em Lula e, de certo modo, em Brizola, entrou para um grupo social que Collor chamou de “elites”.

“As elites”, então, eram os banqueiros e os grandes industriais, mas fundamentalmente, no vocabulário collorido, eram as “elites sindicais”, e as “elites do funcionalismo público”, estas então apelidadas de classe dos “Marajás”. Collor, em Alagoas, havia sido o “caçador de Marajás”. Pegava um funcionário público qualquer, sem ligação com famílias tradicionais, e o demitia sumariamente, mostrando à imprensa seu contracheque, relativamente alto para os padrões brasileiros. Este contracheque não era a regra, era a completa exceção. Mas em época de campanha contra o “inchaço do Estado” e de inflação alta, falar mal do funcionalismo público que, de certo modo, tinha perdas repostas mais do que os que não possuíam apoio estatal, dava um bom “ibope”. Collor soube utilizar disso para ampliar ainda mais o ressentimento da população para com o funcionário público, principalmente aquele que, também sindicalizado, havia engrossado as fileiras das centrais sindicais. Uniam-se nessas centrais aos operários das grandes multinacionais do ABC paulista e outras regiões industrializadas do país. Esse sindicalismo se articulava com Lula e, de certa forma, no Sul e no Rio de Janeiro, com Brizola.

Foi assim que a direita política, em 1989, conseguiu fazer do próprio Lula, no segundo turno, o típico “candidato das elites”. E quanto mais gente escolarizada e famosa se agrupava à candidatura Lula, mais Collor conquistava a promessa de voto vinda da massa de “descamisados”. Era o voto do cidadão politizado contra o voto do despossuído de memória, escola, comida, roupa e dignidade. Não deu outra: o “descamisado” ganhou, elegeu Collor. Os ricos ficaram tranquilos. Afinal, por uma razão completamente louca, eles ainda temiam o “comunismo de Lula” (sim, acreditem!).

Daí para diante, a palavra “elite” entrou para o vocabulário político. À medida que o eleitorado de Collor, após o Impeachment, foi migrando para outros partidos, caindo nos braços de Fernando Henrique Cardoso enquanto criador do Plano Real, e depois nas mãos de Lula como um dos últimos herdeiros do movimento popular das Diretas Já e como um líder já maior que seu próprio partido, a palavra “elites” foi se deslocando da direita para a esquerda. Ao iniciar o século XXI, tal palavra já pertencia ao vocabulário de Lula. Este a utilizava com menos contorcionismo que Collor. As “elites” passaram a ser os ricos e, principalmente, a chamada “classe media paulista”. Seriam aqueles que, segundo Lula, imaginavam o Brasil como tendo de ser governado pela cultura, glória e diretrizes de tudo que pudesse estar na Av. Paulista, e só nela.

Assim, na boca de Lula, “as elites” foram escolhidas como o inimigo.

É assim, hoje, que muitos entendem a palavra “elite”. Quem é da elite é aquele que tem um “estilo paulista”, ou seja, é liberal ou, mais propriamente, liberal conservador. Esse personagem, em verdade, tende a ver todo tipo de política social como populismo, sendo ou não populismo. Não é difícil, assim, ser acusado de “elitismo”. Essas pessoas, segundo o modo lulista de pensar, são completamente insensíveis aos apelos do resto do Brasil. Necessitariam de uma reeducação cívica, dada pelo Estado no sentido de fazê-las aprender a agir como Jesus agiu ao lavar os pés dos doentes e pobres. A profissão de médico, ainda segundo essa mentalidade, deve abrigar gente capaz de aprender a abaixar a cabeça. E os “filhos das elites”, todos vestidos de branco, que puderam cursar as universidades federais gratuitas, devem sujar as mãos com a pobreza, com o SUS, para aprenderem a não serem mais “elitistas”.

É essa a ideia que saiu da boca do ministro da Educação, quando ele anunciou que o curso de Medicina teria dois anos a mais, e nesses dois anos haveria uma bolsa para que o estudante servisse ao SUS. Ele foi enfático: se o estudante não faz isso, ele logo monta sua clínica particular e não tem o contato com as “necessidades da população”, as necessidades dos pobres em termos de saúde. É incrível isso: ao invés de dizer que a pobreza deve acabar e que as doenças características da pobreza devem ser erradicadas, o discurso do governo se fez em outro sentido: vamos jogar “as elites” no SUS para que elas possam “sentir a pobreza”. Ora, se isso não é um discurso ressentido, realmente eu não sei mais o que é ressentimento!

Esse discurso não é o discurso de estadistas querendo fazer política de saúde. Trata-se do discurso de burocratas que jamais conseguiram estudar e fazer um curso difícil como o de medicina, e que então desejam agora punir o estudante, o “filho das elites”, por este ter estudado e conseguido um status desejado em nossa sociedade. Se isso é fato ou não, pouco importa, porque na prática é essa mentalidade que vigora nas ações.

O mais grave desses discursos governistas não veio propriamente do governo, mas de Adib Jatene. Disse o médico de postura política conservadora: as escolas de medicina não estão formando o médico clínico geral, estão formando os especialistas. Ora, há aí um erro na fala de Jatene. As faculdades de medicina formam o clínico geral, claro, e este se mantém estudando para ganhar uma especialização. É natural! Jatene como diretor de um centro de ciências humanas teria me impedido de ser doutor em filosofia. Ele iria querer que eu ficasse como graduado em filosofia ou licenciado a vida toda, para servir à escola básica que, por sua vez, serviria a população mais pobre, então eternizada. Mas a própria lógica do sistema econômico que ele idolatra não permite isso.

No Brasil, não estamos preocupados em fazer os hospitais funcionarem com bom material e com equipe de apoio ganhando bem. Nem estamos preocupados em fazer o médico ganhar bem para atender bem. Estamos preocupados é com “as elites”. Seja lá quem for, se o garoto ou a garota inventam de estudar para valer para se tornarem médicos, e depois ter uma vida tão disciplinada quanto foi a de estudante, uma vez que o Juramento de Hipócrates não é nenhuma brincadeira, então, essas pessoas, por serem vencedoras, devem ser punidas. Que lavem os pés dos pobres. Aliás, que a pobreza jamais desapareça, porque ela é a garantia de punição das “elites”. Isso não é política social de esquerda. Isso é política nada social vinda de uma mentalidade que Marx dizia pertencer aos que advogavam o “comunismo de inveja”. É a mentalidade que Hitler aproveitou bem, inerente aos que vieram do campo para a cidade e ficaram desadaptados às funções urbanas.

É sob essa regra do ressentimento, da inveja, da má vontade que o governo tem deslizado no seu tratamento com os médicos. Tudo que já assistimos com os professores, e que levou tal categoria a praticamente perder sua condição profissional, agora está começando a acontecer, decisivamente, com os médicos. Eles estão pagando o preço por serem o porto do navio batizado “as elites”. Lula e o PT mudaram o destino da palavra “elites”, mas o objetivo de opressão de grupos por meio dessa palavra é o mesmo que Collor utilizou.

© 2013 Paulo Ghiraldelli Jr., 55 filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

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42 Responses ““Elites”, medicina e opressão”

  1. Roni Coelho
    17/11/2016 at 19:42

    Realmente professor, ninguém precisaria conhecer a pobreza, porém vivemos num sistema escravagista e lá no fundo sabemos, que existe uma grande diferença entre filosofar e vivenciar a realidade.

    • 18/11/2016 at 00:50

      Roni não vivemos em nenhum sistema escravagista.

  2. Murilo Pacheco
    28/07/2013 at 16:49

    Professor, antes de mais nada gostaria de elogiar seu texto. Em cada linha reconheço as verdades que ocorrem em relação ao tratamento deveras ressentido que governantes têm dados a nós estudantes de Medicina. Estou no terceiro ano de faculdade, estudei muito para chegar aqui e vou continuar estudando todo santo dia para conseguir atender bem meus pacientes que virão. O que mais me irritou no discurso do ministro Mercadante foi a generalização de uma ideia exposta no seu texto que a população realmente tem( inclusive presente num dos comentários aqui): a de que médico quer dinheiro, que é um bicho papão desumano, que não quer nem saber do sus se este não for encher seus bolsos. “O SUS vai humanizar o estudante do Medicina.” Ora, ministro, então não somos humanos? Isso me incomodou muito. E ainda bem que o senhor conseguiu, de forma muito inteligente, ir ao cerne desse preconceito incutido na sociedade brasileira. Não somos desumanos como um todo, os que são fazem parte da exceção dita pelo senhor aqui e na pílula filosófica no youtube. E isso tem mesmo que ser desmistificado, pelo bem da Saúde pública e pela carreira médica. Obrigado pelo texto!

    • Murilo Pacheco
      28/07/2013 at 16:57

      Desmitificado*

    • 28/07/2013 at 18:04

      Murilo, o Mercadante era sindicalista na PUC, lutava pelos salários dos professores, hoje está aí, fazendo esse discurso.

  3. Luiz Motta
    21/07/2013 at 10:08

    Acho, honestamente, interessante toda esta discussão filosófica, ética, política, direitos dos médicos, afinal estamos no blog de um filósofo. Mas não podemos esquecer, que enquanto isto, muita gente está morrendo desassistida. as estatísticas mostram grande quantidade de erros médicos….È diferente filosofar no primeiro mundo, quando estas questões não estão acontecendo.

    • 21/07/2013 at 11:12

      Motta, muita gente está morrendo em vários lugares. E na pressa, se mata mais. Essa medida do governo não vai resolver nada, vai matar mais ainda e vai matar também o médico. Eu tenho um ódio mortal de gente que quer passar por cima do pensamento por conta de urgências. Nem em tempo de guerra se faz isso.

  4. Manuela
    20/07/2013 at 18:09

    Parabéns pelo texto, que alívio saber que ainda tem gente que pensa nesse país! Quando vejo os comentários, sinto um cansaço imenso dessas pessoas manipuladas.

  5. Augusto Lima
    12/07/2013 at 09:54

    Infelizmente me incluo entre os “ressentidos” em questão, não só por me posicionar contra os médicos, mas contra todo e qualquer profissional que, escolado ou não, pratica sua profissão mediocremente. O profissional “ruim”, de caráter e de escolaridade, fará mal à sociedade, independente das condições de insumos, ferramentas e equipamentos que ele possa dispor. É fato que com poucos recursos e muita boa vontade se pode executar muuuuito.
    A profissão médica vem à baila, em especial, porque toca a intimidade do paciente, quando tem que se expôr à outra pessoa, não raro estranha e, por vezes, grosseira, para que cuide de problemas que seu conhecimento foi incompetente para resolver. Apesar de tudo, prescindir de um profissional de saúde é prescindir da própria ciência, da dinâmica do conhecimento humano, sempre em evolução.

    • 12/07/2013 at 10:47

      Augusto, todo mundo é contra profissional ruim. Que tonteira é essa?

  6. 11/07/2013 at 22:03

    Caro Paulo, se for possível, poderia postar ou citar alguma postagem sua explicando o conceito filosófico de “Ressentimento”. O seu conceito filosófico deste termo? Antes de emitir alguma opinião a respeito da sua temática e para evitar alguma patada sua, gostaria de poder estudar essa noção. Ficarei muito agradecido se me atender.
    Grato.
    Peixoto

    • 11/07/2013 at 22:19

      Peixoto, nos textos do blog eu dei a fonte e o caminho. Nos meus livros, idem.

  7. Marcio
    11/07/2013 at 21:49

    O que o Reinaldo citou exatamente: “Vamos ver: eu defendo que formandos de universidade pública, do ProUni e do crédito estudantil subsidiado prestem serviço civil obrigatório, sim, senhores! Se o estado — na verdade, o conjunto dos brasileiros — financiou o curso, nada mais justo do que haver uma compensação.”

    • 11/07/2013 at 21:54

      Márcio, ele é muito burro, quem financiou não foi o estado, isso quem pensa é ele e parte do PT, quem financiou foi o pai do estudante, por meio de imposto. E que imposto!

  8. Marcio
    11/07/2013 at 21:45

    Estranhei o Reinaldo, com mentalidade conservadora e liberal falar isso. Paulo, vc poderia fazer um texto explicando pq essa ideia de cobrar dos alunos de Universidades públicas algum tipo de serviço social é “fascistóide”. As pessoas ainda tem essa ideia enraizada. Hoje conversando com um taxista sobre esse caso dos médicos, ele falou exatamente sobre isso, e não só sobre os médicos, mas todas as demais profissões. Seria um bom assunto para desbanalizar.

    • 11/07/2013 at 21:55

      Márcio, não converso sobre o Reynaldo de Azevedo, Nassif, Neumane, Olavo de Carvalho. Esquerda e direita que não dão nada. Ele não é um liberal.

  9. Diego Michel
    11/07/2013 at 19:55

    A mendacidade de alguns comentários é evidente.

    Para se posicionar contra os profissionais de medicina alguns trazem à baila o esteriótipo de um tal “pobre”, a rotulagem corrente entre os tolos, a visão míope da problemática social, em suma, um materialismo histórico vulgar, demasiado vulgar, partidário, militante, recalcado, repisado.

    Vejo esses comentários todos os dias, pessoas que tiveram um ensino regular “normal”, só que, no entanto, isso só lhes serviu para angariar um cargo que desse para fazer sua manutenção regular em sociedade.

    • 11/07/2013 at 21:45

      Diego A esquerda vulgar se tornou a esquerda, e perdeu muito, e a direita continua sendo a direita, o que não nos dá nada.

  10. Enzo
    11/07/2013 at 17:40

    Pô professor, eu como cidadão procuro pensar que tudo que venha contribuir para um Brasil menos desigual deve ser louvado.

  11. Orivaldo
    11/07/2013 at 16:12

    Se conseguir entrar numa escola publica (passando num vestibular super concorrido), cursar e se formar é privilégio então eu não sei o que é mérito e esforço próprio. Agora será que esses 2 anos no SUS é um castigo para aqueles que não se atreveram a ficar com a nossa turminha tomando cerveja no boteco.

    • 11/07/2013 at 16:14

      Orivaldo, tudo soa como castigo por ser agraciado não pela escola que teve, mas pela suposição de que se fez a escola que fez, veio do mundo dos ricos, seja isso verdade ou não. Esse preconceito contra o rico, de que ele não é inteligente e esforçado, é apenas rico, é típico de uma sociedade classista com diferenças de classe muito gritantes, e é um preconceito muito semelhante ao que o rico tem do pobre, que o vê sempre como vagabundo, já que não conseguiu ser um super herói.

  12. Enzo
    11/07/2013 at 15:06

    O governo ficou ao lado do povo, pois certos médicos desprezam os pobres, querem ganhar muito dinheiro e não ligam para o sofrimento dos menos favorecidos.

    • 11/07/2013 at 15:08

      Enzo, além de não ler o texto você vem aqui para fazer militância política de baixa qualidade. Acorda! Tire a canga do pescoço cara!

  13. David
    11/07/2013 at 14:27

    Tá difícil sair uma ideia boa do Governo para resolver as reivindicações da rua. Realmente ninguém ali está preparado para uma mudança positiva. Só ideia que engana o povo e prejudica o trabalhador que se deu na vida.

  14. Marcio
    11/07/2013 at 13:35

    Paulo, o Reinaldo Azevedo disse em um de seus textos que é a favor do serviço social obrigatório para quem cursou uma universidade pública. Seria uma forma de compensar a sociedade que financiou de certa forma o aluno. Concorda com isso?

    • 11/07/2013 at 13:41

      Claro que não! É uma ideia petista, corporativista, facistóide.

  15. Cavalo manso
    11/07/2013 at 02:05

    O SUS precisa melhorar, com mais médicos, mais e melhores profissionais da área da saúde, enfermeiros, nutricionistas etc. Para termos daqui 5 décadas quem sabe um padrão de atendimento como os hospitais públicos no Canadá (http://www.youtube.com/watch?v=g9zq_DB_kaU&hd=1).

    Não podemos aceitar essa brutal separação que há aqui no Brasil entre serviço médico congolense para pobre e americano para ricos. Aqui no Brasil certas classes falam no SUS com desprezo, como se ele não fosse digno para receber estudantes de medicina, como se fossem um tipo de lixão a céu aberto, totalmente inadequado para médicos aprenderem alguma coisa. A fixação nesses valores segregacionistas no Brasil é que faz ele ser o que é, um país terceiromundista Ad Eternum.

    • Antônio Carlos
      11/07/2013 at 23:28

      O estudante de Medicina já faz toda a sua graduação no serviço público. A diferença é que perde-se o aspecto de aprendizado propriamente dito, perde-se a presença do professor-preceptor e deixa o acadêmico – já médici, nos seus últimos dois anos, a atuar sozinho, com seu carimbo, sem preceptor, sem ouvir segunda opinião como é durante a graduação. Serve apenas para tocar serviço e arrumar a incompetência pública, e o pior, de maneira obrigatória.

    • 11/07/2013 at 23:36

      Tem uns erros aí no texto, não entendi.

  16. Marcio
    11/07/2013 at 01:53

    Paulo, acha que ainda tem volta essa história dos 2 anos a mais no curso de medicina? Sua abordagem é perfeita filosoficamente, mas precisamos de uma ação mais prática, de efeito jurídico mesmo. Não acha que é totalmente inconstitucional essa medida? Isso não abriria precedente para o estado “obrigar” de certa forma qualquer profissional a trabalhar em troca do que ele quiser pagar, em nome do “bem” social?

    • 11/07/2013 at 01:59

      Márcio, eu não ligo muito para coisa prática, porque se eu começar a fazer isso, vou falar do que não sei. Agora, particularmente, eu duvido que as entidades médicas vão perder na justiça se recorrerem.

  17. rbya
    11/07/2013 at 01:41

    Professor, estranho o sr ver rancor qdo o ministro diz q médico tem q ter contato com pobre, mas não faz nenhuma análise sobre o jovem brasileiro q se forma em medicina já pensando em abrir consultório nos grandes centros urbanos, ou permanecer na academia, ou jamais colocar entre suas prioridades ir conhecer a pobreza do interior do Brasil.As elites (no caso,os privilegiados q vivem nos grandes centros urbanos e q tem dinheiro para cursar faculdade) tem realmente uma dívida com a população brasileira, e não são só os médicos. Reconhecer isso não me parece rancor, mas sim uma forma de mostrar e propor a esses privilegiados, que participem da solução dos problemas do país. Temos q ter melhor infraestrutura de saúde, mas temos q ter tb bons médicos e enfermeiros e técnicos de saúde!Uma coisa depende da outra! Aquele q vai às ruas pedir q o governo priorize a saúde do país, será hipócrita se se negar a participar da solução! Agradeço o espaço e a atenção. Rbya

    • 11/07/2013 at 01:47

      Rbya, não falei em rancor. Estou usando desde o primeiro texto a ideia de ressentimento, no sentido filosófico do termo. Acho que você precisaria acompanhar os artigos e, mesmo este, entender que não se trata de um jornalista escrevendo.

    • rbya
      11/07/2013 at 08:15

      Realmente professor, o sr. não usou a palavra rancor … usou as palavras “ressentido” e “ressentimento” … ” … vamos jogar “as elites” no SUS para que elas possam “sentir a pobreza”. Ora, se isso não é um discurso ressentido, realmente eu não sei mais o que é ressentimento!” …
      Reduzir as propostas do governo, q visam a participação de todos, inclusive daqueles que clamam por mudança, a um simples “ressentimento” é uma forma de tentar mais uma vez desqualificar o governo,
      E talvez o entendimento de q haja “ressentimento” aí, seja das elites, nunca do governo.
      Afinal precisamos de profissionais de saúde, não queremos importar esses profissionais, mas as elites não se dispõem a trabalhar com “pobres” e julgam q o governo está “ressentido” e quer jogá-los no SUS para “castigá-los” … qual é a solução?
      Parece q nos resta apenas filosofar e bem longe dos “pobres” e do SUS …
      Agradeço novamente.

    • 11/07/2013 at 09:34

      rbya, você acha que eu mudei de palavras e por causa disso eu respondi a você? Nem mesmo avisando que ressentimento era uma noção filosófica você conseguiu levar a sério, voltou e postou a MESMA objeção. Não foi nem pesquisar nem mesmo no próprio blog o que é ressentimento em filosofia? Não dá! Lendo assim, não dá. Filosofia não é assim. As palavras da filosofia não são só as do dicionário. E eu avisei. Se não tivesse avisado ainda vá lá. Mas que coisa não? Isso se chama “cabeça cheia”. Esvazie. Aí comece a levar a sério a sugestão do filósofo. Se não é para levar a sério, por que veio ler?

    • rbya
      15/07/2013 at 06:15

      Leio seus textos há alguns anos, professor. Não pensei que discordar do senhor o deixaria tão irritado. Bem, agora já sei. Caso eu discorde novamente, evitarei de comentar. Obrigada.

    • 15/07/2013 at 10:22

      Depende da discordância. Há discordância que é burra, e eu fico antes inconformado que irritado. Agora, fico irritado quando o burro não vê a burrice porque ele decidiu ser burro. Tomara que não seja o seu caso.

    • Marcio
      11/07/2013 at 14:29

      Por que um médico deveria “colocar entre suas prioridades ir conhecer a pobreza do interior do Brasil” ? Qual profissional faz isso?

    • 11/07/2013 at 14:41

      Márcio, talvez você lembre do Projeto Rondom. Era válido. Mas como projeto.

    • rbya
      15/07/2013 at 06:17

      Marcio, não só os médicos deveriam conhecer a pobreza, qualquer ser humano melhoraria muito se o fizesse. A pobreza q vc conhece pela televisão não chega nem perto da realidade. Abraço.

    • 15/07/2013 at 10:20

      Nós filósofos temos um problema grave, a sempre sempre acha que ninguém deveria conhecer a pobreza, e alguns de nós acha que isso não está fora do horizonte.

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