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27/05/2017

A democracia não pode ser criticada?


OS ILUMINISTAS diziam que precisávamos de democracia liberal porque ela satisfazia e realizava a natureza humana. A natureza humana teria a ver com igualdade e liberdade. Isso seria ser homem, ou seja, racional na busca de igualdade e de manutenção e ampliação da liberdade individual. Só a democracia liberal estaria coadunada com tal disposição.

Mas o fato é que a modernidade caminhou pela via antes do pragmatismo que pelo do essencialismo. Aos poucos, começamos a perceber que democracia não tem a ver com a dita natureza humana, até porque a tal natureza humana começou a ficar esquecida, como conceito vazio. Poucos de nós hoje fala em “natureza humana” com conceito forte, mas apenas como expressão, de pouco conotação essencialista. Isso mudou tudo.

Passamos a cobrar da democracia liberal o que se cobra de tudo na modernidade, que funcione, que melhore a vida, que realize promessas. A legitimidade moderna ou, melhor, contemporânea, é assim mesmo: efeito do funcionamento. A democracia pode ser questionada sim, sem com isso se estar pedindo golpe ou ditadura, pois é o parâmetro do funcionamento que está em jogo. E o funcionamento pressupõe melhor e pior funcionamento. Se temos o pior, pode-se imaginar de novo como seria o melhor funcionamento.

As críticas da democracia podem e devem ser radicais. Sem isso, os que pretendem fazer da democracia algo de funcionamento melhor, não conseguem trabalhar em suas propostas. A meia crítica não é a melhor crítica.

Paulo Ghiraldelli, 59, filósofo. São Paulo, 22/11/2016

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