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28/02/2020

Cotas étnicas, de novo!


afirmattiveNOSSA ESCOLA PÚBLICA foi de boa qualidade entre os anos 40 e 70. Além disso, ela era razoavelmente democratizada. No entanto, mesmo assim, ela não acolheu o negro. Hoje ela até acolhe, mas é de má qualidade. O Brasil é um país de negros e, no entanto, em vários lugares, o negro não circula. Há impeditivos da ordem do preconceito que se somam a outros e potencializam as barreiras erguidas diante do negro. Caso não houvesse isso, entre 1940 e 70, teríamos tido um aumento da participação negra em várias instituições, especialmente na universidade.

A política étnica de cotas, ou “ação afirmativa”, veio para acelerar a presença do negro na universidade, não para saldar uma “dívida histórica” e nem mesmo para “para melhorar a educação do negro”. Essas duas justificativas, em geral dadas pela esquerda e pelo movimento negro, não são funcionam. Pois, de fato, não se trata disso. Não se trata de política educacional, e isso em nenhum sentido. Política étnica de cotas, “ação afirmativa”, visa colocar em menos tempo mais negros em um local que pelo processo “natural” demoraria talvez mais um século para que o negro ali circulasse em quantidade relativamente igual à quantidade de brancos.

Bem, mas qual o objetivo de colocar o negro na universidade? Fundamentalmente para ampliar a convivência entre negros e brancos e promover assim a diminuição do preconceito. Foi assim que ocorreu nos Estados Unidos. É assim que ocorre em outros lugares, inclusive com outras minorias.

Paulo Ghiraldelli
PS: Eu gostaria de pedir para o leitor que, mesmo com essa explicação, ainda não entendeu, que não viesse ler nada meu mais, nunca mais. Não leve a mal, é que há uma nota de corte para ser meu leitor. Obrigado.

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42 Responses “Cotas étnicas, de novo!”

  1. Luana
    16/10/2015 at 21:28

    Paulo, se puder ajude-me aqui com uma questão: a ideia de “reparação de dívida histórica” é válida para algum tipo de solução social? Ou é uma ideia problemática na raíz? Também a vejo usada, por exemplo, para resolver questões de direitos territoriais aos indígenas brasileiros.

    • 16/10/2015 at 22:13

      Luana esses casos são políticos e, se se chega num acordo político, há legislação modelo no mundo para tais coisas! Até mesmo devolução de terras em revoluções desfeitas.

    • Luana
      23/10/2015 at 22:13

      Paulo,obrigada pela resposta me situando que minha questão está na ordem dos acordos políticos. E obrigada também pela clareza que você sempre traz para a discussão sobre cotas étnicas.

    • 23/10/2015 at 22:17

      Luana estou aqui estou sempre aqui para os meus leitores.

  2. Dejane Campos
    23/05/2014 at 02:26

    Eu era contra cotas, mas pelos caminhos da filosofia venho aprendendo muita coisa, já algum tempo sou a favor de cotas. Paulo e a definição de quem é negro, pardo, para se candidatar a uma vaga, não é um problema? já vimos tantos absurdos.

    • 23/05/2014 at 08:09

      Dejane, a definição é dada por cada pessoa. É simples. Sua identidade sexual, de gênero, artística, de etnia etc. são coisas que começam com a sua declaração.

    • Dejane Campos
      23/05/2014 at 12:47

      Sim isso esta claro, mas se uma pessoa não é negra e nem tem nenhuma identidade com a cultura negra não ficaria errado ela se declarar negra para concorrer a uma vaga pelo sistema de cotas em concursos, por exemplo?

    • 23/05/2014 at 17:00

      Dejane, eu preciso mesmo responder isso?

    • Dejane Campos
      23/05/2014 at 20:05

      Não precisa.

    • 24/05/2014 at 09:14

      Dejane, a cota é necessária, e o que escrevi é fácil entender. Tente.

    • Dejane Campos
      27/05/2014 at 00:44

      Fiz a pergunta que iniciou nossa conversa por que quando eu estava me manifestando a favor das cotas, um professor me colocou uma questão semelhante, achei que fosse valida, fiquei sem saber responder direito e fiquei quieto, e depois resolvi perguntar aqui no seu blog. Depois das suas respostas e de ler outro texto seu “Reinvenção tardia da “cultura branca” e também o capitulo do seu Filosofia Politica Para Educadores que fala sobre cotas, vejo que esses tipos de perguntas são bobas. Obrigado pela atenção.

  3. Adalberto Barreiros
    21/05/2014 at 16:41

    Mas em relação às cotas nos concursos públicos, me tire uma dúvida: todo esse argumento de inclusão segue a mesma linha valendo também? Pois é emprego, né, e não tem como aumentar como nas vagas dos alunos das universidades. Estudando para concurso a maioria das pessoas costumam fazer isso em casa.

    • 21/05/2014 at 17:51

      Cotas em geral, e em escola em particular, são elementos de socialização e integração. Dizer que funcionam como pagamento de dívida histórica é ofender o grupo que fica com direito às cotas. A política de integração com cotas resolve rapidamente o problema do racismo. Os Estados Unidos fizeram tal política e a situação, em trinta anos, ficou completamente outra. O Brasil já usou cotas com outras minorias, para determinados casos, e também resolveu o problema. Por exemplo, a cota de mulheres nos partidos políticos.

    • Adalberto Barreiros
      21/05/2014 at 18:24

      Ok, mas nos EUA o racismo era institucionalizado, isso não difere daqui? Tiveram que reverter e assim poder reparar. Outra, como saber quem é negro/pardo ou não, pela autodeclaração? Isso me parece um problema. Vai ter uma banca pra avaliar sempre? Quais métodos? E se nesse critério alguns mais brancos tomarem as vagas de uns mais negros?

      Gostaria muito que você visse essa reportagem do JN. Sinceramente, não tenho opinião sólida quanto a isso tudo, pois há bons argumentos dos dois lados. Inclusive de movimentos sociais afros, sociólogos, antropólogos… Qual a chave dessa solução?

      O vídeo:
      http://www.youtube.com/watch?v=Sb_oAT8RSgU

    • 21/05/2014 at 22:22

      Adalberto, leia meu livro “Filosofia política para educadores”. Pode ajudar. Agora, o racismo nos Estados Unidos NÃO era “institucionalizado”. Os Estados Unidos são uma federação. E mais, as coisas não possuem “dois lados”. O mundo não é bidimensional.

  4. Alexandre Souza
    24/01/2014 at 17:11

    Paulo, tomando por base a motivação apontada por você para justificar a cota étnica, teríamos então duas perguntas a serem respondidas:

    1 – A maior convivência entre brancos e negros no ambiente universitário (e, presumo, no profissional) realmente contribuiria para a diminuição do preconceito?

    2 – Em caso afirmativo, tal benefício justificaria a perda de um direito por parte daqueles brancos que foram preteridos, apesar de terem alcançado nota maior no processo de seleção?

    Não conheço a súmula do STF sobre o caso (vou tentar sanar essa deficiência), mas parece que aquele colegiado respondeu ‘sim’ para a segunda pergunta. Talvez o tenha feito por outros motivos, no entanto. De minha parte, não há convicções para respondê-las com suficiente responsabilidade. Torço para que os ministros tenham tomado a decisão correta, e que os governos não perpetuem algo que deveria ser temporário.

    • 24/01/2014 at 19:57

      Alexandre, não há perda de vagas de ninguém. Veja direito. Segundo, não é só na universidade a convivência, é em todo lugar. Há outras cotas nesse sentido. Você sabia que só tivemos presidente mulher por conta de cota? Sim, os partidos não punham mulheres, tiveram de por por conta de cota, que hoje é desnecessária e nem mais preenchida.
      Ainda sobre a segunda questão: se houve perda de vaga, basta aumentá-las, as universidades podem fazer isso.
      Ainda sobre a primeira questão: você conhece outra fórmula para diminuir o racismo que a convivência?
      Sobre outro fato: sou a favor só de cota étnica, não para outras formas de cotas. Bolsa para gente pobre sou a favor, mas cota não. A cota para pobre vem da direita, não da esquerda, mas esta negociou populisticamente isto para poder viabilizar a cota étnica. Nesse caso, no da cota para pobre ou cota para quem vem da escola pública, é assumir de vez que não mais se vai investir para que a equalização social efetiva se possa fazer fundamentalmente pela escola. A ajuda econômica deve vir, em termos de política, pelo bolsa família e outros programas de transferência direta de renda. Mas isso não exclui a opção pelo incentivo, também, de mecanismos de doações espontâneas dos mais ricos para os mais pobres, como discuti no Hora da Coruja sobre “fim dos impostos e utopias diferentes”.

  5. noNato
    26/11/2013 at 13:53

    Paulo, uma dúvida rápida:
    A escravidão nasceu do racismo ou o racismo foi uma consequência da escravidão? Onde o braço da religião funde-se ao segregacionismo, principalmente nos EUA(KLU KLUX KLAN)?

    • 26/11/2013 at 14:47

      A ideia de segregação não é uma ideia necessariamente racista no sentido pejorativo. Ela chegou a ser defendida por liberais. Até hoje há grupos de várias etnias que acreditam que o hífen entre palavras não é democrático e liberal. Ou seja, o afro-americano seria melhor se fosse “afro na América”. Vários grupos defenderam a ideia de que em determinados países a segregação é apenas separação, cada um com a sua cultura. Mais tarde, isso começou a se revelar como uma ideia de negação de direitos a determinados grupos “do lado de lá do muro”.

  6. Diogo
    15/11/2013 at 04:39

    Aqueles que comentam as dores, digo, os comentadores que se opõe às cotas deveriam observar o que nosso estimado filósofo, a quem tento, modestamente, fornecer um exemplo à discussão, observa em rodapé.

    Como entender as cotas como a garantia do direito de ir e vir, de estar em qualquer (ou quase, né?) espaço público, de frequentar (estudar) uma universidade federal? Para os universitários pode ser fácil, basta fazerem uma visita à biblioteca da universidade em horário comercial. Calma, não se preocupem, vocês não precisarão ler nenhum livro! Observem quem são as pessoas nas salas de estudos, observem bem! Olhem um por um, quem são eles? Quem eles pensam que são? Reparem os calouros, leiam as frases em suas vestimentas. O que elas dizem? “Ih, foi mal a minha é federal!” Que diz uma frase dessa? Honra ao mérito!? Mérito? de quem? Do calouro? rs… (risos) E o que dizer daqueles que estão, aí no campus mesmo, no canteiro de obras próximo à biblioteca, seriam eles pessoas que não se esforçaram, que não possuem mérito? Que não estudaram porque não quiseram? Reparem bem, olhem esses trabalhadores, veja como seus corpos brilham a cada gota de suor que escorre… Acham que eles sofrem? Acham que eles se importam em sofrer? Não! Para compreenderem os motivos fiquem no campus depois da aula, olhem através das janelas os jovens licenciandos que justificam o sofrimento de florestas genealógicas inteiras de pessoas sem mérito… Aqueles que ainda não entenderam, tenham fé na ciência! Quem sabe um dia um de seus amigos não desenvolve medicamentos contendo realidade brasileira e combate ao individualismo patológico…

    • Uatá
      14/12/2013 at 03:13

      Puxa vida. 🙁 Foi bom ter dito isso.

  7. Mulholland
    14/11/2013 at 11:47

    Finalmente alguém que entende cotas étnicas. A blogoesfera esquerdista chapa branca patrocinada não entendeu isso até hoje. É uma solução para um problema mais simples que compensação histórica. Quer só colocar mais negros nas universidades, de forma que o público atendido represente mais fielmente a sociedade toda. Se fosse pela compensação histórica, geraria mais injustiças e fomentaria justamente o preconceito.

    E eu não concordo com cotas. Claro que o problema que ela tenta solucionar é real, só não acho que as cotas é o meio mais eficaz de resolvê-lo. O mais grave defeito dessa política é que, se ela não for acompanhada de um empenho real para melhorar a educação, para que todos, brancos e negros e pardos e amarelos e vermelhos e verdes possam ocupar as vagas através de mérito, ela piorará o problema a longo prazo. Cotas não são, por sua natureza, definitivas. Quando elas expirarem, se nada tiver sido feito no ensino básico e fundamental, o negro, ou o pobre que não teve acesso a boa educação, ficarão mais longe das universidades, e o problema não acaba.

    Quando alguém se opõe às cotas, não o faz por racismo, assim como quando alguém que realmente entende as cotas e é a favor delas, não o faz por entender devida a compensação histórica. Uma divergência dessas só parece racismo aos pobres de espírito.

    • 14/11/2013 at 12:36

      Mulholland, se as cotas acabarem e o nosso ensino estiver como está, não serão só as cotas que terão acabado. Não haverá mais nação. Outra coisa, há um ponto errado no seu raciocínio e informação, que eu posso com certeza afirmar que é errado, pois já há estudos suficientes para isso: você pode ter a melhor escola pública do mundo e a mais barata e com o país sem miséria, ainda assim a integração, sem as cotas, não ocorre. E o preconceito não cai.

  8. Nelson Fernandes
    12/11/2013 at 09:52

    Se esse Danilo e o Carlos forem alunos de filosofia estou chocado. Que pobreza de espírito.

    • Danilo Henrique
      13/11/2013 at 14:33

      Vou ser direto:

      O direito de “circulação” de um grupo não pode inferir nos direitos individuais.

      O critério de um cidadão ao sagrar-se numa vaga (como na universidade ou função pública) baseia-se na mensuração de suas capacidades mediante um exame determinado (e concordado) pelos participantes.

      Ora, existe aí um acordo, entre a instituição que tem o dever de sagrar “aluno” ou “funcionário” aqueles que passarem em seu exame, e imediatamente um direito aí do participante que alcançou seu mérito!

      A questão é simples: Esse direito individual não pode ser dirimido mediante uma necessidade coletiva.

      Se eliminarmos cada direito individual mediante a cada necessidade coletiva teremos a volta do poder absoluto, o que é incabível!

      Essa circulação, esse racismo, deverá ser resolvido mediante a progressiva cultura dos indivíduos, através de um incentivo em professores melhores graduados, salários dignos e programas de incentivo a cultura e conhecimento.

      Em outras palavras, ao invés de ferir o direito individual, que é fácil, o Estado deve investir em meios do esclarecimento atingir a TODOS os cidadãos, independente de etnia, não se fazendo necessária aí as cotas, uma vez que todos terão qualidade no ensino, independente de suas características.

      Agora me diga, por que sou, mediante isso que defendo, pobre de espírito?

    • 13/11/2013 at 17:13

      Danilo, sua “carta” não seria aprovada em lugar algum. Há confusão jurídica nela. Dê uma lida na legislação liberal, já que gosta. Que tal Rawls?

    • Danilo Henrique
      14/11/2013 at 10:48

      Sempre bom ter referências. Não digo que meu pensamento seja a ultima bolacha do pacote! Deve conter mesmo muitos erros, e fico feliz em ver que mereço a “análise”. Vou ler Rawls professor, me interesso não só pelo liberalismo, mas por toda a filosofia (só penso que os liberais são um tanto mais “realistas”,de acordo com o que convencionamos ser a realidade). Muito Obrigado

    • 14/11/2013 at 12:39

      Falei de Rawls, Danilo, porque ele seria um liberal que, pelo seu sistema, talvez não precisasse das cotas, mas ele na prática as apoiou e as integrou no sistema. A razão é simples: a escola pública de boa qualidade em um país democrático e sem miséria ainda assim não garantem a integração e o fim do preconceito.

  9. Carlos
    11/11/2013 at 22:38

    Professor Paulo,concordo com o Danilo.Não cai por terra não,é a pura realidade.

    • 11/11/2013 at 23:42

      Carlos, a juventude é assim mesmo, é conservadora. Mas, com o tempo, aprende. Fica frio que você verá. Sou sabidinho.

  10. Danilo Henrique
    11/11/2013 at 09:19

    Bem professor, tudo isso é claro e distinto. Mas faço algumas observações:

    O caso de racismo norte americano é um tanto diferente do que o nosso! Tratar doenças diferentes com o mesmo remédio costuma ser um equívoco que resulta na morte do enfermo

    Os norte americanos tiveram uma política de segregação racial efetiva, portanto, politicas afirmativas são uma questão de necessidade, para na prática, reintegrar o negro a sociedade.

    Aqui em terras tupiniquins a coisa foi bem diferente. O negro se uniu a uma massa uníssona de miseráveis, de todas as etnias e todas as procedências.

    Tivemos miseráveis africanos, portugueses, pardos, índios, holandeses e italianos.

    Japoneses e alemães já chegaram a estas terras em outras condições, e em outras épocas, não sendo assim sujeitos a miserabilidade extrema que esses anteriores foram.

    Em nossas terras a segregação é um pouquinho diferente!

    No Brasil não existe uma minoria representativa! Não somos representados por ninguém. O esclarecimento é escasso em nossas terras, portanto políticas afirmativas não fazem sentido, uma vez que todos são segregados pelos interesses particulares que são as únicas vozes que se fazem ouvir

    É uma politica para “inglês ver”, afinal, é muito mais barato, cômodo e politicamente correto dar cotas aos negros do que investir na melhoria do sistema educacional, com professores qualificados, diretorias competentes e bem remunerados, além do que isso não altera os interesses de poucos que são os que realmente ditam as normas de nossa nação.

    Nem todas as soluções de outros países funcionam no Brasil, e vice-versa. Temos nossa história, nossa cultura, uma sequência de fatos que nos tornaram o que somos.

    Precisamos de um esclarecimento político que nos leve a formação de grupos e partidos originários das vontades efetivas do cidadão.

    Hoje temos mecanismos que impedem uma democracia efetiva. Nossos representantes e funcionários públicos possuem direitos e imunidades que os tornam impossíveis de serem cobrados e responsabilizados, portanto a população não pode fazer valer suas petições

    Essa é a verdadeira segregação, a que nos impede de ser politicamente participativos.

    E contra essa não tem cotas, nem manifestações. Continuamos com “bancadas” religiosas, “bancadas” do comércio, “bancadas” dos banqueiros, dos “sindicatos”, dos “negros”, dos “gays” e por todas as “bancadas” que nos afastam de uma politica aberta, discutida pelos interesses gerais e não pelos interesses de grupelhos.

    Essa é a verdadeira segregação! Os interesses particulares são bem representados, mas as necessidades do cidadão jamais são abertamente discutidas, longe de grupos, bancadas e “panelinhas”.

    E contra essa segregação não há cotas!

    Enfim, é isso aí professor, em suma entendo sua questão, é uma questão válida, mas penso que existam caminhos melhores

    • 11/11/2013 at 09:56

      Danilo, essas suas objeções cairão por terra, já estão caindo. Quando mais negros circularem junto de Barbosa, por exemplo, tudo isso desaparecerá e você verá o quanto tinha de preconceito nessas objeções.

    • Danilo Henrique
      13/11/2013 at 14:52

      Meu argumento não cairá com a circulação de negros, ele se efetivará com as perdas dos direitos individuais.

      Então, com o aumento do poder estatal e suas decisões estapafúrdias, teremos a perpetuação de um povo não esclarecido e incapaz de se emancipar politica, social, cultural e economicamente!

      Nos tornaremos reféns do Estado nessas esferas, como já estamos nos tornando, mediante esse welfare state que pouco pode nos trazer de efetivo em termos de um verdadeiro cidadão.

      São justamente esses “atalhos” que nos impedirão de galgar degraus trabalhosos, mas necessários, para o desenvolvimento de cidadãos e não de um “povo”!

      Nenhuma política pode inferir em compensar o outro por atributo professor, isso não possui sentido.

      É fato que a dignidade não é assegurada pelo Estado, mas no momento que este constrói um movimento de privilégio por características inatas e não adquiridas, este demonstra sua total incapacidade em administrar a educação pública!

      Como poderemos obter um Estado forte ausente de uma educação de qualidade? Perpetuaremos assim as diferenças, porque entre os não esclarecidos só poderá se propagar a injustiça.

      Continuaremos tendo sim a circulação de negros junto com brancos e asiáticos entre políticos e banqueiros corruptos e funcionários públicos preguiçosos!

      O esclarecimento é a base para as igualdades, pois sem este não poderemos ver no outro um cidadão com os mesmos direitos e deveres que nós mesmos!

      As cotas promovem a circulação, mas são ineficazes quanto a promoção do esclarecimento e da nossa emancipação independente da etnia.

      Em nosso país carecemos de uma segregação social e cultural e jamais étnica. Quando tivemos aqui movimentos como a KKK ou o Apartheid (que tbm ocorreu nos EUA)

      Ora, o Brasil é evidentemente carente de uma emancipação política, ou seja, uma definição de si, sua cultura, suas características e portanto suas vontades. E isso só se da mediante o esclarecimento, ou seja, o ensino do pensamento crítico e dos conhecimento diversos!

      As cotas apenas reiteram a incapacidade de nosso governo em administrar seus recursos!

    • 13/11/2013 at 17:12

      Danilo, você está confundindo cota social com conta étnica. Preconceito é alguma coisa que você NÃO sabe o que é. Acredite. Aliás, há negros que sentem o preconceito e não sabem o que é. E como a discriminação da mulher. É algo profundo. Já expliquei mil vezes que fim da pobreza e escola pública para todos, e de boa qualidade, NÃO quebram o preconceito.

    • Danilo Henrique
      14/11/2013 at 10:45

      Mas professor, nem cotas, nem conhecimento nem cultura desfazem preconceitos. O medo do outro, do diferente, faz parte da identidade humana. Cabe a nós uma sociedade que possa inferir no cidadão para que o seus preconceitos não sejam manifestos e não se tornem públicos.

      Se o cara, no fundo de sua consciência, odeia negros, judeus, asiáticos, cristãos, gays o problema é dele. O que nos falta é o esclarecimento de que não posso interferir nos direitos do outro,que é justamente o que a cota faz.

      Definitivamente professor, este não parece ser um caminho civilizatório adequado. O que esta em pauta aqui, penso, não é o fim do preconceito mas a restrição do mesmo a opinião, a vida particular e o fim de seus efeitos na vida prática

      E na vida prática o preconceito se da por restrições sócio-econômicas. Não fosse por isso as cotas não deveriam ser aplicadas justamente como medida afirmativa nas esferas do trabalho e do estudo. Também não sou a favor de políticas afirmativas sociais professor, sou a favor do que já disse anteriormente: Uma formação acadêmica de qualidade com profissionais de qualidade. A partir daí, dando as devidas liberdades, as pessoas poderão se efetivar socialmente.

      A circulação das etnias se dará nesse contexto, sem dirimir nenhum direito particular efetivo.

      Eliminar o preconceito, o ódio, a raiva e as particularidades humanas é impossível e até tirânico. Temos o direito de odiarmos quem quisermos, desde que eu não mova uma virgula do direito do outro!

      E quanto a mim, seu julgamento é precipitado, não tem como saber se eu VIVENCIEI o preconceito, não sabe quem eu sou nem minha história e não penso que seja de interesse de ninguém aqui.

      Conhecer não é necessariamente vivenciar!

      O vivenciar interfere no conhecer, mas o conhecer se da na razão, que nem sempre faz parte da vivência!

      Portanto, as vivências acabam se manifestando nesse espaço na ordem do pensamento racional e não da simples experiência de vida!

      Experiência não significa muito professor, apenas que viveu bastante!

      10 anos bem vividos valem mais que 80!

    • 14/11/2013 at 12:41

      É Danilo, viver bastante, no meu caso, não significa nada. Afinal, não consegui ensinar para você algo simples, básico e, pior ainda, que outros aprendem fácil. Mas tenho um consolo. Você é um cara que tem verdades, mas sem checar com a bibliografia sobre o assunto. Além disso, tem um tom conservador forte na cabeça. Desse modo, arrumo isso para poder dizer: esse Danilo não aprendeu não por culpa minha totalmente. É isso. Tchau.

  11. Saulo
    10/11/2013 at 23:26

    A politica de cotas estigmatiza o negro dentro e fora da universidade. Se não entendeu isso , se aposente.

    • 10/11/2013 at 23:48

      Saulo, não posso me aposentar ainda porque ainda há burros para combater. Você não quer entender como funcionam as cotas não só por burrice, mas por racismo. E você sabe disso.

  12. gilmar
    09/11/2013 at 23:01

    Concordo com você meu caro. Por um bom tempo tentei resumir e frase objetiva a minha opinião sobre. E pela primeira vez me deparo com uma frase sua que contempla o que penso. “visa colocar em menos tempo mais negros em um local que pelo processo “natural” demoraria talvez mais um século para que o negro ali circulasse em quantidade relativamente igual à quantidade de brancos”. Parabéns.

    • 09/11/2013 at 23:58

      Gilmar, eu demorei também para concordar e para ver o que estava envolvido nisso tudo. Mas a gente aprende.

  13. Alberto
    09/11/2013 at 22:30

    Putz, mas o meu texto é fácil de entender!

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