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25/07/2017

Como não gostar do Papa Francisco?


Como não gostar do Papa Francisco?

Teologia da Prosperidade (TP) é como Funk da Ostentação (FO). Coisas assim nascem próximas da morte. Após alguns dias de atração, caem em desgraça e esquecimento. É coisa de “novo rico” ou daquele que nem rico é, mas conseguiu uns trocados a mais do que o desgraçado que está ao seu lado. Ambas, TP e FO possuem o mesmo Deus – o dinheiro – e o mesmo objetivo: fazer crer que não existe “massa”, que ainda é possível falar ao menos em um arremedo de “self made man”. Dado que o liberalismo – a doutrina do culto ao indivíduo – não está morto, que tem trânsito no senso comum, esse objetivo da TP e da FO não é pouca coisa.

Ambas, Teologia da Prosperidade e Funk da Ostentação terminam por matar o que foi morto na entrada, Deus. Trata-se da morte de Deus no sentido filosófico, anunciada por Nietzsche, ou, mais acertadamente, da chegada da notícia dessa morte em terrenos populares. Um mundo em que os pensadores deixaram de lado a metafísica trocando-a pela ciência – eis aí a vitória do positivismo no século XIX – é um lugar em que o absoluto não interessa mais à razão, o que leva os intelectuais a não terem mais como não ver que Deus é defunto. Ora, se os intelectuais assim constatam então esse mundo é um mundo em que os ricos logo deixarão Deus ficar sossegado em sua cova, e, em seguida, também assim agirão, por imitação, os que pretendem ser ricos ou ao menos fingir que são.

Funk da Ostentação é hino da Teologia da Prosperidade. É o verdadeiro hino, o autêntico e sincero folguedo de uma doutrina que não tem nenhuma teoria mais sofisticada que não possa caber em uma só frase: tempo não é dinheiro, é o dinheiro que é dono do tempo.

Todas as igrejas evangélicas caça-níqueis funcionam dentro da seguinte lógica: mostram abertamente aos fiéis os pastores se enriquecendo e, portanto, como que confirmando que “Jesus salva”. Nenhum fiel se sente responsável pela fortuna do pastor. Ele a conquistou porque está com Jesus. Nenhum fiel pode acreditar que o pouco que ele dá, mesmo sendo muito para ele, pode fazer diferença na conta bancária do pastor. Afinal, diz o fiel, quando conheci o pastor ele já tinha uma “boa aparência”, já era uma “pessoa predestinada”. Desse modo, é fácil, para o tipo de funcionamento mental do fiel, entender que ele é o contribuinte e que ao mesmo tempo em  que perde dinheiro para a igreja irá se tornar rico. Além do mais, o dízimo é para manter a igreja de Deus, é para não deixar Jesus sem morada na Terra. Perder a morada de Jesus desabriga não só o homem-Deus, mas também todos aqueles desgarrados que, de alguma forma, foram expulsos da religião pela Igreja Católica, ou eles mesmos ou seus pais ou algum parente.

Quando foi que a Igreja Católica expulsou tais pessoas? Quando imaginou que podia ser uma única Igreja. Imaginou poder ser uma Igreja Progressista e depois imaginou poder ser uma Igreja Carismática. A Igreja não pode promover uma corrente somente, ela precisa de uma doutrina suficientemente abstrata de modo que o Deus católico se mantenha católico, ou seja, universal, e possa chamar todo tipo de pessoa. Modernamente: a Igreja deve funcionar no reino do abstrato que, diga-se de passagem, é o reino daquele que muitos dizem ser a verdadeira divindade, o dinheiro. O dinheiro é número. Então, para Deus competir com ele tem de ser tão desqualificado quanto o número. Sem qualidades, Deus acolhe todos, uma vez que não impõe nenhuma semelhança específica aos homens em relação ele mesmo. Eles não precisam ser como Deus para serem homens e para ficarem acolhidos na Igreja. Os evangélicos souberam fazer isso. Os católicos, herdeiros de uma Igreja intelectualizada e, por isso, ideologizada, não souberam abandonar de vez a filosofia – em especial o Humanismo – e adotar um Deus tão sem qualidades quanto o Deus verdadeiro que é o dinheiro. Os católicos vieram com “doutrina social” nos anos sessenta, depois, ficaram brigando nos anos 80 para ver se a Teologia da Libertação (TL) iria ou não dominar a Igreja. Os adeptos da Teologia da Libertação foram derrotados. Mas os conservadores não levaram. Estes, ainda eram intelectuais – de certa forma até mais que os da TL. Ressurgiram os carismáticos, que prometiam poder enfrentar as igrejas caça-níqueis. Talvez pudessem mesmo, mas a que preço? O resultado desse embate todo deu no que deu: escândalo, perda de fiéis, renúncia, de um lado. De outro lado, mais perdas de fiéis.

Francisco vem para administrar tudo isso – ufa! Para ganhar forças contra kriptonitas que não param de chegar, precisa do vizinho. Não mais de algum vizinho de Roma, mas do vizinho da sua terra natal. Francisco precisa do país onde há a maior concentração de católicos do mundo e falando uma mesma língua: o Brasil. Francisco sabe que os ricos, como os novos ricos e os funkeiros que cantam o hino do novo rico, não precisam de Deus. Rico moderno não precisa de Deus.  Quem precisa de Deus é o pobre.

Todavia, Francisco sabe bem que toda leitura marxista já introduzida na Igreja Católica foi um erro. Ele sabe isso porque ele tem um pé no franciscanismo. Ele acredita que a Igreja já possui seus próprios heróis, que não precisa importar heróis do campo materialista. A Igreja precisa trazer para si os pobres, os que podem querer Deus, mas com apelos que sejam não tão imbecilizantes quanto os dos carismáticos, nem tão sociológicos quanto os da TL, e também não tão mágicos e escancaradamente mercadorizados da TP.

Francisco anunciou bem: “a Igreja não será babá de ninguém”. Essa sua igreja é novamente a casa dos pobres? Sim, é isso que ele quer. Mas ele vai tentar trazer para si os pobres por meio de um processo de decisão do indivíduo. Este, por sua vez, deverá manter-se nela, talvez, antes pela história da Igreja e pelo seu poder simbólico que por qualquer outra coisa. Mas, é claro, o poder simbólico passa pela presença de Deus. Pobres precisam de um pai. Um pai poderoso é o Deus católico. O Deus dos evangélicos é um Deus que se ajoelha diante de um outro deus, o dinheiro. O Deus dos católicos não faz isso. O Deus dos católicos não se ajoelha, ele às vezes abaixa os olhos somente, mas faz isso diante de algo menos personalizável que o dinheiro, e sim o poder em geral. O poder também é o que pode ser abstrato e, de certo modo, engole o dinheiro. O dinheiro é uma forma do poder.

Desse modo, Francisco está no trilho que fez o sucesso das igrejas evangélicas. Ele está tentando resgatar, de um modo específico, mais sutil que o até agora mostrado por evangélicos, o apelo ao abstrato que permite que cada um se identifique com a Igreja e sinta aquilo que em nossos tempos é necessário sentir, a força de ser um indivíduo, uma pessoa, alguém semelhante ao self made man, mas sem ser propriamente alguém que precise do dinheiro para assim se considerar. O necessário é se integrar no poder ou mostrar ter algum poder. Um poder que é poder verbo, não só poder substantivo. O poder fazer. Isso dá destaque. E isso é mais fácil de ser conseguir que o dinheiro. Pois o poder fazer é algo que possui graus. Todos podem saber fazer algo e se sentirem indivíduos, pessoas. Essa realização no campo do pequeno, que é tipicamente franciscana, não deixa de apelar para algo que é abstrato – o poder – e ao mesmo tempo concretamente particular, a habilidade que se tem ou que se conquista na infância ou na juventude ou até depois.

Francisco sabe o que faz. E ele está talhado para o cargo. Francisco vai testar seu liberalismo na sua missão de arrebanhar os pobres. O Brasil é o melhor lugar para iniciar essa tarefa.

Paulo Ghiraldelli, filósoo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

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53 Responses “Como não gostar do Papa Francisco?”

  1. Zé Dirceu
    09/11/2013 at 19:08

    Eu acho que vc tá é mal informado. Este papa aí q tu falou é outro, não o papa que se conhece na ARG. Cuidado pra não cair do cavalo. Se informe!

    • 09/11/2013 at 20:04

      Zé Dirceu, dado o seu nome, vou chamar a polícia, não o papa.

  2. Amarilda
    28/07/2013 at 00:49

    A JMJ( Jornada Mundial da Juventude ) vai acabar e vai dar lugar a JMJ( Jornada da Manifestação da Juventude ) os protestos vão continuar ao passo que o Cabral ainda finge que não é com ele.

    E a Globo tá transmitindo mais sobre a vinda do papa do que a Rede Vida e a Vaticano TV rsrsrs.

    • 28/07/2013 at 02:09

      Mas a Globo está transmitindo os protestos, ou ao menos não os está abafando.

  3. ALvaro
    28/07/2013 at 00:06

    Não foi Kant quem já tinha “matado” Deus? Nietzche fez enterrar.

    O protestantismo vai entrar em declínio e vai começar nos EUA, como bem aposta W. Craig. Acho que a ICAR sabiamente já tem apertado bem o cinto de segurança.

    • 28/07/2013 at 02:15

      Não, Kant não matou Deus. Talvez ele até tenha feito um ato de ressurreição!

  4. Gabriel
    26/07/2013 at 23:17

    Obrigado pela resposta, Paulo.

  5. Gabriel
    26/07/2013 at 01:51

    Paulo,tenho 25anos sou estudante de Letras e estou particpando do encontro nacional dos estudantes de letras-enel que acontece este ano aqui emManaus. E tenho uma pergunta pra você. Paulo,por que o Brasil é tão esquerdista na acadsemia,eu vi várias palestras onde as coisas faladas e as reinvidicações são tão chatas, vazias e de um cunho esquerdista tao forte por parte dos jovens, jovens tão politizados e sem inteligência que me deixa triste. Eles não entendem o mundo ao seu redor pra eles tudo é culpa do capitalismo etc. Um colega meu falando sobre o esquerdismo marxista que é forte na academia me disse que tem medo que o bRasil se torne uma venezuela ou uma china, e eu nao soube dar uma resposta pra ele. O que responder ao meu colega, e devemos temer que aqui vire uma venezuela ou China?

    • 26/07/2013 at 16:27

      Ninguém quer Venezuela e China. São modelos diferentes. Só a direita burra os iguala. Mas ninguém quer, nem mesmo os estudantes. Agora, a universidade não é esquerdista burra, você é que está no que restou do movimento estudantil, e este sim é burro, esquerdista burrro.

  6. Wender
    26/07/2013 at 00:14

    Paulo, o texto que você escrevel é genial, o “poder”, que são francisco usou em sua vida terrena, despojantodo-se das riquezas do pai e pegando o abstrato real abraçando a irmã pobreza, irmão sol, irmão, irmã lua, irmã morte dando o melhor de si para os outros seu sorriso sua ajuda. Na vida cotidiana fazendo do pequeno grande, da fraquesa força, da ruina um templo.
    E como seus seguidores fizeram o mesmo em cada pequena coisa que faziam no dia a dia e recosntruir uma Igreja em ruinas não só a material, mas a espiritual.

    • 26/07/2013 at 16:28

      Francisco sabia das coisas, por isso foi calado, ganhou uma Ordem.

    • Wender
      27/07/2013 at 10:25

      E não ficou só na primeira, teve mais duas e ainda hoje, se abrem fraternidades inspiradas no principio franciscano, como a Toca de Assis.

  7. Rafael
    24/07/2013 at 19:12

    Na verdade, gostaria de pedir desculpas porque a pergunta não ajuda a discutir as principais ideias do texto então entendo que não seja má vontade de sua parte se recusar a respondê-la. Boa noite.

  8. Rafael
    24/07/2013 at 18:57

    De acordo. Como não se desinteressar? Perda de tempo. Boa noite.

    • 25/07/2013 at 02:20

      Rafael, mais uma frase que confirma que não devo gastar energia.

  9. Renato Sakamoto
    24/07/2013 at 11:43

    Bela análise da situação da Igreja Católica!

    Aliás, gostaria de agradecê-lo. Esse fim de semana usei um vídeo do senhor sobre os filósofos essenciais (Platão, Aristóteles, Agostinho, etc.) para estudar para uma prova de transferência da faculdade em que estudo para uma federal.

  10. Lucio
    23/07/2013 at 18:08

    é bom que nos sintamos indivíduos também dentro das instituições religiosas, uma certa “independência espiritual”. O fato da igreja não ser mais babá dos cristãos mostra bem isso. Esse amadurecimento teológico é muito bem vindo. Quem sabe deixamos Deus descansar em paz um pouco.

  11. Rafael
    23/07/2013 at 09:29

    O que é Funk da Ostentação?

    • 23/07/2013 at 14:12

      Que tal procurar na … internet?!

    • Rafael
      23/07/2013 at 18:34

      Eu estou perguntando pra você.

    • 24/07/2013 at 00:18

      E eu respondi, Rafael. É uma resposta pedagógica.

    • Rafael
      24/07/2013 at 12:12

      Respondeu para dizer que não responde. Ok. Eu já li sobre o FO na internet mas gostaria saber o que o autor do texto entende sobre. Mas dane-se, já não estou mais interessado no assunto.

    • 24/07/2013 at 18:08

      Rafael, viu como foi bom eu não perder tempo, você nem estava tão interessado.

  12. Fábio Siqueira Lessa
    22/07/2013 at 21:21

    Grato pela resposta professor. Acho que compreendi. É que eu tenho receio, talvez ingênuo, que com o advento da igreja evangélica, sobretudo no campo da política, retornemos a um estado teocrático. Penso que muitos compartilham desse receio.

  13. Fábio Siqueira Lessa
    22/07/2013 at 20:27

    olá professor
    Belo texto. Estou confuso quanto a um ponto. Você acha que a igreja evangélica vai mais ao encontro do liberalismo do que a igreja católica? Pois penso que emerge no pensamento evangélico um primitivismo que lembra os piores momento da história da igreja católica.
    obs: professor, tenho parcas noções de filosofia, desculpe-me se não faço bom uso dos termos.

    • 22/07/2013 at 21:06

      Fábio, você não sabe como nasceu o protestantismo, os não católicos, Lutero, etc.?

  14. Bruno
    22/07/2013 at 16:51

    Acredito que todos nós precisamos de um apoio divino para nos ajudar a canalisar nossos problemas e buscarmos esperança de uma vida melhor. A igreja católica precisa mesmo administras melhor Deus na vida das pessoas, talvêz poderia dizer em democratizarção, aceitando as diferenças. Como católico não praticante , espero o resultado pratico dessa nova visão. Será um grande avanço ver temas como aborto, homossexualidade e poder serem discutidos. Estamos carente de fé, precisamos de um gancho pra vida não perder o sentido. Hoje sinto-me um pouco aliviado e esperançoso com a Jornada da Juventude! Espero poder dizer: “como não gostar do Papa Franscisco?”
    Será a minha visão sentimentalista ? Essa estrategia de renovação não será apenas para fazer os fieis caírem em esquecimento quanto às atrocidades , à pedofilia e outros abusos, inclusive exploração econômica?

    • 22/07/2013 at 18:22

      Bruno, meu artigo nada tem a ver com suas esperanças e o título que usei não é no sentido que você espera.

  15. Silva
    22/07/2013 at 15:10

    Paulo, você me magoou, o que você acha que eu represento? Vamos, vote:

    1 ignorância pura
    2 loucura
    3 retardamento mental severo
    4 falta grave
    5 heresia
    6 petulância máxima
    7 caso de internação em sanatório
    8 todas as opções anteriores

    Grato

    • 22/07/2013 at 16:05

      Silva, pode escolher a opção que você acha que melhor se enquadra!

  16. Luis Hemrique
    22/07/2013 at 14:25

    Bem, eu confesso que estou um tanto pessimista na recuperação da igreja católica… O Deus católico, amplitude. Com certeza tem mais chances que o Deus do dinheiro. Mas sociedade muda e o conservadorismo atrapalha a identificação das pessoas com a a atual igreja católica. Um exemplo do que esta acontecendo foi alguns dias atrás quando o papa disse que os ateus podem ter salvação, poucas horas depois o Vaticano diz que não é bem assim… Pelo menos estamos vendo algumas mudanças dentro do estado do Vaticano e o papa realmente sabe aonde esta pisando, só espero que de fato seja efetivo. Na sua chegada vai acontecer na forma de protesto um beijo gay e um “ritual” de desbatismo, estou ansioso pra ver alguma resposta dele, ou pelo menos gostaria que existisse uma.

    • 22/07/2013 at 14:34

      Henrique, acho que você quer a restauração de uma igreja que você tem na sua cabeça.

  17. Elza Vieira Caputo
    22/07/2013 at 11:10

    Paulo, o Papa Francisco não é franciscano, como você disse. Ele é jesuíta.

    • 22/07/2013 at 11:35

      Obrigado Elza, já corrigi e deixei no sentido que eu queria dizer, que ele é um admirador do franciscanismo. É preciso um cuidado danado para falar de tendências na Igreja, pois os “ismos” podem se referir às ordem institucionais.

  18. gabriel
    22/07/2013 at 01:41

    Será que ele conseguirá mesmo arrebanhar essa fatia? Antes Francisco do que Silas Malafaia,mil vezes.

    • 22/07/2013 at 02:08

      GABRIEL, o texto diz que ele tem chance, ele tem um elemento abstrato mais amplo.

  19. Pedro Possebon
    21/07/2013 at 22:24

    Dr. Paulo, pelo marxismo ser uma doutrina positivista e como doutrina positivista renegar a metafísica em favor da ciência, é por isso que Marx se disse não marxista?

    • 21/07/2013 at 23:24

      O marxismo não é positivista, ainda que exista em Marx um traço do século XIX, um século com marca forte do positivismo.

  20. Renato Rodrigues da Silva
    21/07/2013 at 22:05

    O dinheiro não é só uma forma de poder – o dinheiro traz poder. Vivemos numa sociedade onde TUDO é apelo mercadológico, e onde a mercadoria vira um fetiche com o suposto poder de transformar o ser-humano para melhor. E é o dinheiro que proporciona isso. O poder transformador da religião (que transformaria o homem internamente) há tempos foi substituído pelo poder transformador do dinheiro e da mercadoria – que transformam o homem externamente nessa sociedade do espetáculo, da aparência e da propaganda.

    Missão quase impossível do Papa Francisco, portanto. Na disputa Deus-abstrato-e-simbólico (católico) versus o outro Deus-abstrato-e-simbólico (o dinheiro) o primeiro perderá feio: nada poderá contra o poder que o segundo tem de tentar satisfazer o apetite que temos por mercadoria, por status, por consumo.

    Neste ciclo que atravessamos, neste Kali-Yuga materializado e dominado pelas quantidades, o Deus abstrato e simbólico, que habitaria o íntimo de cada um de nós, foi colocado no freezing. Sairá ele um dia de lá ?

    • 21/07/2013 at 23:32

      Não, Renato, nada disso. Não há essa disputa. O poder não depende do dinheiro de maneira direta, por isso Francisco tem chance. O poder é algo mais amplo. Leia o texto sem a cabeça cheia. Aprenda a aprender com o texto, senão de nada adianta vir aqui.

    • Renato Rodrigues da Silva
      22/07/2013 at 02:20

      Quando digo que o dinheiro traz poder, me refiro ao tipo de poder que as pessoas comuns procuram hoje; não é o poder político, nem o poder econômico em sí – mas o poder que o dinheiro tem de proporcionar mercadoria, status e distinção social.

      É esse poder que o Deus-dinheiro dá; o dinheiro é o grande Deus deste ciclo materialista que estamos imerso justamente porque tem o poder de mover a matéria. O pobre Deus judaico-cristão (e olha que este, o velho e bom Jeová, é bem mais humanizado e próximo aos seres humanos do que um Deus impessoal e abstrato poderia sugerir) há muito se fez defunto.

      Por isso, espero realmente que Francisco tenha chance, mas sinceramente não acredito.

    • 22/07/2013 at 02:43

      Nope, poder utilizado aqui é poder verbo e substantivo, como sublinhei. Ele é mais amplo que dinheiro, é um elemento abstrato e maior. O dinheiro é um dos elementos do poder. Por isso a Igreja Católica tem mais chances, ela tem um Deus mais amplo, mais abrangente, mas com grau de abstração igual. Mas não creio que você esteja no registro do texto. É a leitura que passa ao largo do texto, falando o que tem para falar, mas sem entrar no texto.

  21. Thiago Melotti
    21/07/2013 at 19:27

    As instituições estão se fechando. A Igreja Católica é uma instituição. Logo, está se fechando.

    • 21/07/2013 at 23:27

      Thiago, sinto informá-lo, mas a Igreja está se abrindo. Leia o texto, leia. Tente entendê-lo. Abra-se para o texto.

  22. henrique
    21/07/2013 at 14:07

    “Esse quebrar-se a si mesmo, esse zombar da própria natureza (…), no qual as religiões deram tanta importância, é na verdade um altíssimo grau de vaidade. Toda a moral do Sermão da Montanha faz parte disso: o ser humano tem verdadeiro prazer em violentar-se com exigências exageradas, e depois endeusarem sua alma com esse Algo tirânico e exigente. Em toda moral ascética o ser humano reza para uma parte de si mesmo como um Deus, e por isso necessariamente tem de demonizar a outra parte (…)”. – Não tem como gostar desse dinossauro medieval, vulgo Papa Francisco.

    • 21/07/2013 at 16:39

      Meu Deus do Céu, que bobagem essa coisa se usar mecanicamente um filósofo para ver uma situação atual. Coitado, Marx passou por isso, agora é Nietzsche? Nada ver Henrique. Aliás, Nietzsche jamais considerou o cristianismo algo “medieval”. Nietzsche não fez história, mas filosofia. Francisco está mil anos luz distante dessa problemática de Nietzsche.Ele está diante de uma problemática muito mais nietzschiana do que você consegue ver, e que eu expus no meu texto. Ele está vivendo quase que o final de “A história de um erro”. Ele está em meio a uma situação em que até o positivismo já se vê como derrotado. Deus não está só morto, mas seu cadáver já fede. A problemática de Francisco é a de salvar a Igreja, não mais Deus e nem mesmo a ciência. Ele quer chegar ao fim com o barco da Igreja, e se ele precisar abrir mão de ascetismo, ele assim fará. O pobre de Francisco tem pouco a ver com as figuras ressentidas de Nietzsche, ainda que seja, junto conosco, homens da decadência.

    • henrique
      21/07/2013 at 18:34

      Realmente eu não havia entendido o uso da filosofia nietzschiana dentro de sua análise do momento da Igreja. Agora ficou mais claro. Vivendo e aprendendo.

    • 21/07/2013 at 23:29

      Henrique, sobre a morte de Deus? Ah, sim, lembrei o que disse. É que a transposição mecânica do que a gente lê é um erro. Aliás, um erro do autodidatismo.

    • 21/07/2013 at 16:39

      Meu Deus do Céu, que bobagem essa coisa se usar mecanicamente um filósofo para ver uma situação atual. Coitado, Marx passou por isso, agora é Nietzsche? Nada ver Henrique. Aliás, Nietzsche jamais considerou o cristianismo algo “m

  23. Roberto
    21/07/2013 at 12:34

    Não é de agora que pobre precisa de Deus. Isso é desde sempre!

    • 21/07/2013 at 16:44

      Deus, venha salvar esse Roberto. Agora! Putz!

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