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30/04/2017

Betty “Pelanca” Faria


Betty “Pelanca” Faria

Após exibir nas praias do Rio um corpo feioso dentro de um biquíni, e então ser severamente criticada nas redes sociais, Betty Faria foi posta na linha. Tirou o biquíni que mostrava uma pele carcomida demais e foi à praia de maiô. Mostrou menos pelancas, mas, ainda assim, pelancas. Não tinha outra saída. Como ela mesma disse: “envelheci, então tenho de ir de burca à praia?”

O fato é que o senso comum sobre questões corporais emergiu dos dois lados. Atacantes e defensores falaram coisas parecidas. Creio que o senso comum em defesa dela foi o pior. São os defensores da carne mole. Gente que leu um pouquinho de Escola de Frankfurt para ser jornalista. E lá vieram com a ladainha. Falaram que a reação foi “machismo”. Disseram que o que incomodou foi a idade e a falta de “plástica e botox”. Betty deveria ser aplaudida por não ter cedido à “ditadura da estética padrão”. Outros falaram do “culto ao corpo jovem” etc. LouBettyvaram Betty por ter ficado antes com a natureza que com as cirurgias. Nossa, que coisa chata esses comentários pseudo intelectualizados.

O que ocorreu foi simples: Betty passou pelo “calvário de Schuasneguer” (Schwarzenegger) . Também ele, na praia, uma vez governador e não mais ator, exibiu uma plástica nada plastificada e foi notado por Deus e todo mundo. A situação teve menos a ver com preconceito que com espanto natural, tanto no caso do ator quanto no caso da atriz. As pessoas se assustaram por uma razão: fazia tempo que não viam Betty e guardaram a imagem das telas. Ao verem novamente, ficaram com a sensação de um filme de ficção, quando algum personagem é envelhecido em minutos. Foi só isso, nada além disso.

Talvez tenhamos que começar a pensar mais nessa nossa vontade de teorizar a qualquer preço. Talvez tenhamos que avisar os jornalistas que eles não precisam falar uma coisa culta em toda e qualquer situação. Penso que os jornalistas deveriam de ser avisados do seguinte: “descritivos e menos interpretativos vocês errariam menos.” Ou ainda: “muito interpretativos vocês tendem a interpretar com óculos velhos, de seus professores da Escola de Comunicações que, não raro, estão chegando ao tempo da TV agora!”

Uma boa parte do que nos ocorre no cotidiano deteriorado serviu para que Adorno escrevesse o genial Minima moralia. Pronto, está bom, já foi escrito, agora que se faça outra coisa. Querer todos os dias escrever sobre o cotidiano de modo a integrar as imagens que temos em grandes recortes teóricos, infestados da doutrina do fetichismo e da reificação ou coisas do tipo, é algo desnecessário e, no limite, nocivo.

Betty Faria deveria ter feito plástica sim, se queria ir à praia. Porque banho de mar no Rio de Janeiro não é banho em piscina particular e muito menos é riacho de mineiro fazer pescaria. A praia no Rio é um lugar social, o que se faz ali em cima da areia é uma atividade social. Ou mais ainda: é palco! As pessoas vão até lá para serem fotografadas. Betty fingiu esquecer tudo isso? Ou realmente esqueceu? A pelanca é uma ousadia. Quem ousa ficar com ela, paga o preço mais caro que o preço da plástica. A pelanca defendida é pior ainda. Pois é claro que quem a defendeu – os homens – estava louco mesmo é para ver a bundinha da Bruna Marquezini. As mulheres também.

© 2013 Paulo Ghiraldelli, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

PS: Caso você seja daqueles que não entendeu o texto e vai reclamar com os mesmos argumentos dos que critiquei acima, leia de novo. Não há preconceito no texto, pois não há conceito. Estou trabalhando com a noção de pós-conceito. Ou seja, a questão é descritiva, de reconhecer o que ocorre em um lugar que não praia, é palco.

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30 Responses “Betty “Pelanca” Faria”

  1. 03/11/2016 at 13:23

    Ai, minha Nossa Senhora de Fátima, onde escrevi aquele comentário quilométrico para o senhor? Será que foi em outro artigo? Desculpe-me.

  2. 03/11/2016 at 12:06

    Filósofo Ma-ra-vi-lha! Apagastes o meu último comentário? Que pena! Logo ali onde eu havia reconhecido o meu erro, depois ter minha sobrinha Bárbara me alertado! Mas, não tem importância. Mesmo assim, o senhor deve ter lido. Quanto ao tempo e espaço, tudo bem. O senhor tem razão. Posso estar errada quanto a isso, também.

    • 03/11/2016 at 12:26

      Marilda não apaguei nada, procure aí. Se não achar, fale.

  3. 02/11/2016 at 22:30

    Pois bem, Paulo, acabo de chegar do Curso de INglês e a tia Marilda me contou que tinha escrito o seu próprio comentário de desagravo ao senhor, o que achei muito digno e generoso por parte dela. Ela e eu tivemos uma longa conversa a respeito de tudo isso na tartde de hoje. Eu também peço-lhe desculpas por tudo. Apenas quero lhe adiantar que, pelo pelo menos de minha parte, já havia entendido seu artigo sobre a Bety Faria desde minha primeira leitura, ok? Mas, tenho certeza que tia Marilda, agora, também o entendeu perfeitamente, após o meu esclarecimente o meu “puxão de orelha”. Como ela já o disse, quero fazer o curso superior de filosofia, com uma ambição maior de fazer um mestrado, ou quem sabe, um doutorado também. Desde já estou lendo e estudando muito. Leio muito. E um dos meus autores preferidos, sem querer jogar confetes, é justamente o senhor. Acabo de ler “Filosofia como Crítica da Cultura. Muito bom. Gostei bastante. Sou também uma assídua leitora de seus blogs, inclusive o Hora da Coruja, com a Franciele. Ela também é ótima! E ainda sou uma entusiasta divulgadora do seu trabalho junto aos meus colegas, amigos e professores. É pouco ou quer mais? Bom, sem maiores delongas, um forte abraço ao senhor e à Fran. Obrigada por tudo. E, por favor, releve as coisas de minha tia maluquinha. No fundo, ela é uma boa pessoa. Apenas demora um pouquinho a “entender o espírito da coisa”! Sou mais rápida. Tchau. Post scriptun: Depois escrevo mais sobre a Bety Faria, ok?

  4. Marilda Noronha Pirandello
    01/11/2016 at 22:46

    Voltando, senhor filósofo, tanto a Betinha quanto euzinha aqui estamos muitíssimo felizes com os nossos corpos,digamos, não muito de acordo com a sacrossanta sensensibilidade estética da maioria das pessoas que frequenta os tais “palcos” praianos. Estética sacrossanta e deveras exigente. Deus me livre ir a uma praia e avistar tãosomente belos corpos, como derivados de uma linha de montagem em série, como bonecos expostos em uma vitrine: perfeitos e invariáveis! Credo! A feldade também faz parte da diversidade humana, meu amigo! E o senhor bem sabe, ou deveria saber, que o conceito de beleza, ao decorrer da história, é algo relativo, contigente e cambiante. Os padrões de beleza variam no tempo e no espaço. Mas, eu, particularmente, não sou nenhum “tribufu”. Sou uma gordinha bem simpática, modéstia à parte. E a Bety também está muito longe de ser uma mulher horrível. E o que mais importa, uma vez que estamos falando de valores do espírito, em um site de filosofia, é o aspecto moral e intelectual da pessoa e não somente a sua “casca” externa, o invólucro que reveste sua alma. E mais: o senhor foi muito mal educado e grosseiro ao ferir-se à atriz como Bety Pelanca Faria. Porém, há filósofos de todos os tipos neste mundo cão.

    • 02/11/2016 at 08:57

      Não existe “padrões de beleza”, nem com o adocicante “tempo e espaço”.

  5. Marilda Noronha Pirandello
    01/11/2016 at 20:42

    Discordo do senhor, pois a atriz global sempre teve dinheiro de sobra para procurar os melhores cirurgiões pplásticos do mundo( quem sabe até mesmo o badalado Ivo Pitanguí?) ou buscar os melhores tratamentos estéticos que o dinheiro pode comprar. Sabe por quê, Doutor Paulo? Simplesmente porque ela não quis, oras bolas! E daí? Eu também sou gorda. peso 89 quilogramas, numa altura de 1,60m. E nem por isso deixo de frequentar o clube aquático de minha cidade e nem deixo de ir à praia nas minhas férias. Não tenho toda a grana que a Bety Faria tem, e mesmo que tivesse não me submeteria a nenhum tratamento estético ou cirurgia plástica. Sabe por quê, “Filósofo de Sampa”? Porque sou muito feliz do jeito que sou, por dentro e por fora! Sou pelancuda, barriguda, um verdadeiro “saco de banha”! E daí que vão me criticar por ir à piscina ou à praia famosa trajando aquele biquini “indecente”? “O inferno são os outros”, meu caro pensador, já dizia o grande Jean Paul Sartre! Aprendi com ele a fazer “do limão uma limonada”. Aprendi também, com a própria vida( tenho 51 anos de idade) ter personalidade e não dar tamanha importância à opinião alheia: o que vão dizer ou deixar de dizer, etc. Isto se chama também “resiliência”. Espero que o ilustre filósofo saiba o que venha significar “resiliência”, dentro da psicologia. P.S: Faço votos que a sua belíssima esposa, a Franciele, mantenha, até por volta dos setemta anos de idade, aquele mesmo corpinho apetitoso que o senhor a manda exibir nas fotos da Internet! E outra coisa: não sou nada invejosa! Sei admirar a beleza alheia, especialmente a feminina, sem qualquer vestígio de recalque. Graças ao bom Deus. E para encerrar: uma praia, por mais famosa ou badalada que seja, não é e nunca foi, nescessariamente, um “palco”, um proscênio do erotismo carnal. Corta essa, filósofo!

    • 02/11/2016 at 08:59

      Marilda sua gordura subiu ao cérebro e fez você não entender o texto. Leia de novo.

  6. 23/07/2013 at 20:59

    Entendi assim:
    Os jornalistas, querendo demonstrar grande erudição, pinçam um fato banal (mas que dá, ou deu, ibope) e em cima deste fato discorrem com a profundidade de um Paulo Coelho, e mais, defendendo necessariamente uma “postura” , contra ou a favor.
    E quando o Paulo diz que ela deveria ter feito plástica, nesse “deveria” está implícita ( a meu ver) a ideia ” deveria ter feito plástica SE não quisesse ser alvo de comentários acerca de sua decrepitude física.

  7. LENI SENA
    14/07/2013 at 20:11

    Não só entendi o texto como que compartilho do seu ponto de vista. Ninguém vai a praia pra tomar sol, vai é pra ver as belezuras e ponto. Que porra de beleza interior e pelanca, deveria ser crime gente feia andar em trajes de banho!

    • 14/07/2013 at 21:11

      Bem, Leni, ela pode ter as pelancas, agora, o papo pseudo intelectual da imprensa para defende-la me dá nos nervos. Além disso, ela sabe muito bem que lá é um palco.

  8. Claudionor de Medeiros
    12/07/2013 at 20:36

    O que o texto quis passar é um recorte não-conceitual, demarcado no final como reforço.

    É a questão das defesas (muitas vezes implicitamente impostas por escola e academia) da referenciação ideológica no campo de escolhas pessoais alheias, ou mesmo nas próprias.

    Betty, furação dos 70, amante do desafortunadamente ex-ricardão Mário Gomes, quis – e seus defensores demagogos também – fundir a sua arte com sua estética corporal, algo completamente desconectados conceitualmente e contextualmente.

    Conceitualmente, porque cria uma atmosfera que exígue qualquer argumento ético
    pois não leva em conta particularidades, gostos, crenças e padrões alheios em um ambiente coletivo, mesmo que pouco dado a determinações políticas – a praia carioca, corpos sarados, libidos, brilho e padrão global do gosto Zona Sul.

    Contextualmente, porque a apreciação estética de Betty, queira ela aceitar ou não, pertence ao imaginário coletivo, que como apreciador de suas potencialidades como mulher de 70, ex-fogosa e ex- sex simbol, tem o direito de não aceitar a visualização explícita da falta de percepção para com o olhar estético alheio.

    É sobre o discurso sexista – ”ah, o Brasil é machista, etc” tão prezado pelas defensoras das gravitacionais peles de Betty- que o texto trata. Ou melhor, sobre o que NÃO trata. A aldeia global, muito mais tribal na Zona Sul exportação via Facebook com as ondas de Ipanema e cocotinhas suculentas e´o nosso quintal, aproximado pelas possibilidades eletrônicas atuais, outrora possibilidades impressas nas revistas do Brasil bossa nova. Não há espaço para rococós acadêmicos cimentando as celulites da ex-cobiçadas.

  9. Alex Lacerda
    09/07/2013 at 23:31

    Caro Paulo, o que você propõe é que ao acompanharmos o envelhecimento dos nossos corpos, não necessariamente precisamos exaltar esse envelhecimento e todas as suas marcar, mas podemos apresentar nossos corpos no seu melhor, na sua melhor possibilidade? Valorizando o corpo e a sua beleza?

    • 09/07/2013 at 23:35

      Alex, é isso que algumas pessoas não entendem em filosofia. Filosofia não precisa ser propositiva. Pode ser, em alguns casos. Mas, nesse artigo aí, não há nenhuma proposta.

    • Alex Lacerda
      10/07/2013 at 00:30

      Agradeço a dica Paulo. Compreendi a sua crítica a utilização de algumas leitura de Adorno pelos jornalistas para teorizar sobre o acontecimento. A minha pergunta se relaciona ao final do seu texto.
      Obrigado pela resposta.

    • 10/07/2013 at 01:08

      Mas o final do meu texto não diz respeito ao que você falou, note bem.

  10. Ana Lia
    09/07/2013 at 09:09

    Uma filosofia com a carga de preconceitos do autor, é tão desnecessária quanto os comentários por este feito. Padrões impostos como o que vimos em relação ao corpo dela, são sim fruto de uma sociedade machista, que espera uma estética perfeita e que não aceita o envelhecimento. Concordo que as pessoas fiquem chocadas por ter guardado a imagem de uma jovem e encontrar um senhora de repente, mas os comentários e as críticas foram, claramente, em relação ao seu corpo.
    Ir à praia não é para se aventurar em um palco, como dito, afinal, diariamente temos na praia os “não-famosos” que não são fotografados e nem por isso deixam de frequentar. A imposição estética é tão forte, que é necessário criar um motivo para uma atitude simples, como colocar um biquíni e ir à praia, mesmo com o corpo cheio de pelancas, como o seu dito.

    • 09/07/2013 at 13:49

      Ana Lia, já vi uma pessoa burra que não entende artigo. Mas em geral essa pessoa escreve pouco. Você escreveu muito apenas para dizer que é burra.

    • meu pau na sua boca
      09/07/2013 at 19:08

      E o ad hominem come solto, né? Me poupe…

    • 09/07/2013 at 20:08

      Todo cara bem burro fala em ad hominem. Podem reparar. Ele não sabe onde cabe argumentação e onde não cabe. Ele confunde o texto do jornalismo com o tratado, o blog com a tese etc. É alquele cara que por auto didatismo repete jargões, mas não sabe como utilizar corretamente a expressão ad hominem. É o caso do Zezinho aí. Tadinho.

    • Will Jr
      13/07/2013 at 15:50

      Achei bem burro também seus pre-conceitos que não tem nada de pós-conceitos.

    • 13/07/2013 at 18:51

      Will Jr. você não achou nada, não entendeu, por isso escreveu essa frase que não diz nada. Aliás, essa frase aí confirma que não entendeu nada mesmo e que quis só aparecer. Há jovens assim hoje em dia. A Internet permite a eles ter xilique na frente dos mais velhos. Gostariam de ser repreendidos pelo pai, mas como o pai é frouxo ou nem liga para eles, enxergam na minha figura, disponível na net, diferente de outros filósofos, o momento de levarem tapas na bunda. E pedem isso. Eu dou o tapa, eles ficam felizes. Mas não posso ficar o tempo todo dando tapa. Você já levou o seu, que, aliás, você mesmo se deu, ao xingar e mostrar que não conseguiu entender um texto fácil.

    • Jan Sereia
      16/07/2013 at 17:12

      EU ODEIO O SENHOR, BURRO devia ser seu sobrenome, doutor!

    • 16/07/2013 at 17:59

      Jan, meu sobrenome é ghiraldelli, isso o deixa assim, raivoso. Vou deixar sua mensagem aqui porque sei que meus leitores gostam de ver isso. Os meus leitores se divertem com uma sereia.

  11. Paulo Santos
    09/07/2013 at 05:16

    Professor, será que a Betty não esconde problemas maiores? Dentro de si? Pode ser uma explicação plausível para querer andar e ignorar um ” status quo ” de um lugar onde os flashes ” comem” solto.

    • 09/07/2013 at 05:18

      Ela trocou, foi de maiô. Meu problema não é com ela, mas com a defesa que fizeram dela que é cheia de jargões de jornalistas fracos, pseudo teóricos.

    • Paulo Santos
      09/07/2013 at 05:29

      Concordo em gênero, número e grau. Obrigado pelos comentários. Fico feliz em saber que existem filósofos de verdade. Um abraco.

  12. Hector
    08/07/2013 at 20:28

    Mas que bela BOSTA de leitor eu devo ser, não entendi nada!

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo