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13/11/2019

A demonização da Rede Globo


Na novela “Babilônia” a direita é ridicularizada. A figura da mãe do político corrupto de Jatobá é toda “Deus, família e propriedade”, e é sem dúvida mais que uma chata. Os ricos empresários são mostrados todos pelo seu pior lado – e talvez nem tenham outro lado. E se há, na novela, alguns ricos que prestam, estão representados pela família do casal lésbico. Aliás, a advogada famosa e rica, no caso uma das lésbicas, é exatamente uma mulher que defendeu presos na ditadura militar. De resto, o Rio de Janeiro é apresentado por diversos tipos bem bolados, sem que nenhum deixe de mostrar uma faceta crítica de nossa sociedade. Ora, qualquer pessoa com alguma noção de sociologia e política pode notar que se trata de uma novela de crítica social que, no contexto nosso atual, nenhum progressista poderia colocar defeito. E isso principalmente se levarmos em conta que é a novela do horário nobre de uma TV que domina o mercado, a Rede Globo.

Entendo, portanto, a raiva de gente como a ministra Kátia Abreu em relação à trama de Babilônia. A direita efetivamente não pode gostar de uma novela com temas urbanos e de caráter progressista. Mas, o problema da novela e da própria Rede Globo é, em boa medida, com a esquerda. Militantes do PT e do PSOL (será Jean Wyllys uma exceção?) não sabem lidar com a TV. Podemos botá-los para ver “Babilônia”, irão ter uma leitura fantástica e bem diferente da minha, e não se importarão em notar que a minha leitura está razoável e condizente com a opinião dos atores, dos diretores e de boa parte do público escolarizado não militante.

A esquerda está presa a uma visão completamente envelhecida a respeito da mídia. Aliás, está vítima de uma visão ideologizada. Nos anos sessenta e setenta a mídia foi denunciada por teóricos da esquerda como sendo o “quarto poder”, algo obscuro que até por propaganda subliminar estaria dominando os jovens e fazendo-os amar somente o capitalismo. Era o que se falava internamente na URSS, por forças oficiais, sobre a “mídia capitalista”. Era o que se falava no Ocidente, mesmo que a maioria dos artistas de esquerda estivesse já se encaminhando do teatro para a TV “burguesa”, do mesmo modo que fizeram no passado indo parar na “imprensa burguesa”. Até a direita sabia disso; dizem que Roberto Marinho costumava falar que “sem bicha e comunista não se faz TV”. Na verdade, em termos culturais, se tiramos os “diferentes”, podemos produzir o que? Os Estados Unidos sabem muito bem o quanto perderam com o macarthismo.

Todavia, a visão da esquerda a respeito da Rede Globo ou da mídia em geral (menos da Record, cujo Bispo Macedo é amigo do Lula), agora só mantém como relíquia as frases sobre “a TV aliena”. Alguns pronunciam isso, claro. Mas a maior crítica, atualmente, vem do staff de Lula que reproduz o esquema do populismo. Atacam a Globo de modo a identificá-la como um elemento de poder. Assim, mesmo sendo governo, o PT recria um inimigo que o estaria impedindo de governar bem, acima do governo, e que estaria inventando mentiras sobre “mensalão” e “petrolão” e, enfim, realizado-se como o algoz de santinhos injustiçados como Vaccari, o filho de Delúbio. Essa tática de demonizar alguma instituição que representa para a população algum tipo de poder foi usada pelo populismo de esquerda e direita no passado. Jânio a fez notória. Brizola a utilizou como ninguém, e com sorte. Lula não fazia isso, mas agora faz. A escória do PT e seus empregados como Nassif e sua equipe, agora criam um jornalismo marrom paralelo para fomentar a ideia da existência do PIG, que seria o “partido da imprensa golpista”, como se a imprensa pudesse dar golpe sem forças militares, sem conjuntura internacional para tal etc.

Tudo isso tem um peso na academia, na universidade. Hoje encontramos professores jovens, que a princípio teriam condições de analisar a imprensa, mas que se recusam em ver novelas. É gente que não consegue compreender o conteúdo do folhetim e, enfim, não pode perceber o que vários diretores de esquerda fazem no plano cultural. A prioridade é esta: manter a rede Globo como inimigo. Há de se ter um inimigo. Essa gente não sabe que Gramsci e Walter Benjamin não perderiam nenhum capítulo de Babilônia. Esses garotos sequer viram a ditadura militar ou a URSS ou um partido comunista funcionando, e imaginam saber tudo. Sabem tanto que podem avaliar a Globo até sem vê-la. Bem, é que dizem! Talvez não vejam novelas, só o BBB.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo. Professor da UFRRJ e autor, entre outros, de A filosofia como crítica da cultura (Cortez, 2014)

Post scriptum. Ah, você concordou comigo mas vai agora falar do jornais da Rede Globo né? Pois bem, já havia escrito sobre isso. Leia aqui!

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32 Responses “A demonização da Rede Globo”

  1. roberto quintas
    27/05/2015 at 11:03

    Oo isso valeria uma tese de comunicação, mas embora eu seja comunicólogo eu prefiro resumir. Midia é Linguagem e Linguagem é Poder. };)

    • ghiraldelli
      27/05/2015 at 13:30

      Essas frases Roberto, você há de convir, não dizem nada né? “Linguagem é poder”. Ora posso escrever qualquer coisa do tipo “X é poder”.

    • roberto quintas
      27/05/2015 at 14:28

      Oo isso é um convite para que eu escreva uma tese? };)

  2. Jacinto Oliveira
    14/05/2015 at 23:14

    Eu gosto de TV. Sou da geração que cresceu com ela. Assisto novela também, mas bem menos até porque prefiro ler. Mas enquanto leio, minha TV está ligada. Quanto as novela das 9? Não tem receita pra ser aceita ou ter sucesso. Não sei o que exatamente afastou o público de Babilônia. A novela é lenta e tem uns personagens muito caricatos e embora tenha histórias com temáticas atuais, a narrativa foi mal construída. Eu assisti a anterior e a anterior e a Avenida Brasil. Desta última não perdi nenhum capítulo.

    • ghiraldelli
      15/05/2015 at 00:27

      Você fala por você. Nesse caso, só por você.

    • 29/05/2016 at 22:57

      Jacinto sobre as novelas fala por mim também. Aquela novela foi chata, caricata e pedante. Só voltei pra ver o final, por sinal horrível. Mais horrível que aquilo é um nojento chamado Paulo Ghiraldelli, que faz apologia ao estupro e ainda quer se defender pagando de intelectual por ser professor, como se algo pudesse justificar a sua extrema misoginia.

    • 29/05/2016 at 23:39

      Ludo já vi que é daqueles que não sabe de nada sobre o que faço e aparece aqui para falar que realmente na sabe. Mas, enfim, há muito fracassado assim, que comenta autor sem ler. Você é só mais um caso de fracasso.

  3. claudio dionisi
    12/05/2015 at 10:57

    Professor não critico mais a TV aberta, pois não assisto mais. Nunca gostei, não por questões ideológicas, mas por questões “culturais” abandonei o hábito a alguns anos. Algumas horas destas poupadas, uso pra ver seus vídeos no Hora da Coruja e de outros filósofos em outros programas na internet, o que me ajuda muito (e como!)… Com exceção dos noticiários da TV fechada, a internet substituiu a TV lá em casa, de forma tal que a esquecemos completamente. Meu filho praticamente não a conhece mais, desde que deixou de assistir desenhos animados.
    Mas ás vezes sinto a necessidade de assistir uma novela, mesmo detestando este tipo de produção, só para poder entender o que se passa e o que se passará na cabeça do brasileiro, pois acho que a influência é realmente muito grande.

    Mas eu não consigo… é muito chato… muito ingênuo… muito longe da minha realidade…
    De certa forma até fico meio “alienado”, sem perceber tendências culturais, sem entender conversas e até alguns textos, rsrsrs.
    Confesso que após ler este seu fiquei com vontade de reler o outro que o senhor escreveu: “A noite de Lúcifer”. Isso sim da saudades….

    um grande abraço!

  4. 08/05/2015 at 20:11

    Perdo-me pelo palavrão, mas pooorraaaaa!!! SENSACIONAL o seu artigo! Há tempos falo isso para meus amigos que cismam em dizer que o a Globo é de direita, é golpista e tudo isso. Mas nunca na vida, se quer, ouviram falar em Gramsci. Obrigada por esse artigo e parabéns! Vai servir e muito para o artigo que pretendo escrever em breve sobre o assunto.

    • ghiraldelli
      09/05/2015 at 01:12

      Nívia meu artigo é para gente assim, como você, inteligente.

  5. Vinicius Puglisi
    07/05/2015 at 15:46

    Defendo incessantemente a RGT. Pensei exatamente isso, semanas atrás. Com o diálogo sobre as cotas – medida totalmente de esquerda. Pensei: como a esquerda cega poderá agora incriminar a emissora? A direita recrimina pela apologia descarada à esquerda, e a esquerda, ao invés de se valer disso, cria elementos “subentendidos” para manter o inimigo. Viva a RGT, com 12 Emmy’s!

  6. Matheus Kortz
    07/05/2015 at 09:44

    Só me lembro de quando assistia “Avenida Brasil” e meus amigos de esquerda me enchiam o saco, porque é “Novela” “globo” “alienação”, e eu só tava ali contemplando um show de bom roteiro (pra uma novela, ainda que com falhas de enredo) de edição e direção de fotografia…

    • ghiraldelli
      07/05/2015 at 11:42

      As novelas podiam ser melhores, Kortz, mas se olharmos o folhetim do passado como certo cuidado, o que depois acabamos tendo como matéria de “literatura brasileira” na escola, vamos dizer que eles poderiam ser melhores também. Agora, sobre críticos da TV, especialmente os politizados, são todos uns tontos.

  7. Wagner Santos
    03/05/2015 at 20:41

    Não existe TV, existe interpretação!

    • ghiraldelli
      03/05/2015 at 20:44

      Wagner você deve caprichar mais, a frase não é boa.

  8. José Silva
    03/05/2015 at 19:28

    Muito legal o texto, principalmente pelo fato de apontar que para se fazer crítica à TV precisa assistir TV, conhecer seu processo de produção e saber distinguir os conteúdos por ela veiculados.

    • ghiraldelli
      03/05/2015 at 20:44

      José Silva isso é o mínimo né? E no entanto, os sabichões não fazem!

  9. bony
    03/05/2015 at 13:01

    Isso que você está falando é a mesma coisa que ocorre com a esquerda em relação à sua idealização da China. A esquerda brasileira acha que a China é a realização do ideal socialista. Mas ontem eu fui ver um desenho animado americano no cinema chinês, e ali eu vi mais socialismo do que já vi ou jamais verei na China. No desenho animado, a personagem principal é uma menina negra (uma menina negra como personagem principal, só nos EUA!) que tem uma mãe branca (again, só nos EUA!), e a mensagem da história é simples, é sobre a importância da família como suavizador da vida individual e fonte de felicidade (não como catapulta para o sucesso). Tanto esse filme como a novela da Globo só podem aparecer em regimes democráticos. Não que eu ache que a democracia no Brasil seja um sucesso de bilhetaria, mas é óbvio que a Globo e os EUA não são o demônio pintado pela esquerda. E dizendo isto, não estou querendo me colocar como da direita, pois não pertenço a nada, não deixo que me ponham canga, como você costuma dizer. Mas é óbvio que em culturas que, traduzidas para os termos da política ocidental, seriam vistas como de extrema direita, como é o caso da China, do Japão e da Coréia do Sul, não há como ter novelas e filmes como esses que são feitos nos EUA e no Brasil. As histórias contadas aqui na China obviamente são as histórias dos vencedores, onde o que está em jogo é a vitória do clã, da família ou do indivíduo que heroicamente e comendo o pão que o diabo amassou consegue vencer todos os antagonismos sociais e a própria estrutura social que, decididamente é entendida por todas não só como massacrante e autoritária mas, também, aceita como tal pois o que todos querem não é uma sociedade mais justa, mas sim chegar no topo. Isso dá uma vantagem aos chineses e demais culturas confucianas que, de certo modo é também a vantagem dos judeus: não tento reverter as leis e o jogo dos que me oprimem, simplesmente me adapto e tiro o maior proveito que posso. O sucesso dos judeus atrai inveja justamente pela capacidade de se sobressair inclusive quando se é vítima de preconceito e tentativa de exclusão ou aniquilação. As histórias que se contam na China e demais países de cultura confuciana são justo as histórias daqueles que venceram tirando leite de pedra e sem querer causar confusão na ordem estabelecida, o que é justamente o oposto das histórias da Globo e de filmes americanos, onde a ordem estabelecida é questionada. Nessas sociedades da China etc, o que é admirado é justamente quando os que tão embaixo chegam lá em cima sem questionar nada, apenas alcançando tudo pelo próprio esforço, sem cotas ou qualquer coisa parecida. Os que estão lá em cima são admirados quando fazem gestos paternalistas (e obviamente ineficazes) de suavização social, mas não necessariamente uma revolução, pois a derrota do comunismo já provou que nenhuma revolução é possível. Até o Japão e a Coréia do Sul, que são democracias, nunca produziram histórias parecidas com as dos filmes de desenho animado americano. Esses países criaram a Nintedo, a Samsung, mas nunca uma história sequer dessas da Globo ou da Pixar, evidentemente sentimentalóides e mongolóides para a inteligência confuciana. Para esses povos de cultura confuciana, são histórias divertidas, mas também são histórias pra boi dormir, são histórias que geram derrotados, pessoas fracas e sem senso de realidade. São histórias de quem nunca vai respeitar o professor nem passar no vestibular. Essas culturas confucianas não são culturas de fracos, mas sim dos que ou matam ou morrem. São gente que consegue ver suavidade até onde não tem, como no ato de sacar uma espada e decepar o pescoço do inimigo com a maior perfeição. São culturas obcecadas com o sucesso mundano. Enfim, não estou dizendo quem é melhor e quem é pior, apenas apontando diferenças. Mas a esquerda brasileira padece do mal da burrice crônica, da falta de cultura e de informação, o êxtase do fanatismo político, que não deixa ninguém pensar. Mas nem a direita nem a esquerda serão capazes de entender isso que estou dizendo aqui. Na verdade, falta de informação é um mal comum a todo brasileiro, inclusive os que estão na universidade.

  10. Carlos André
    03/05/2015 at 11:57

    Perdemos todas
    oportunidades no meio institucional de termos uma maior pluralidade de
    narrativas políticas graças as relações do PT com as novos e velhos coronéis da
    mídia, foi-se as possibilidades de maior interação digital, a regulação da
    radiodifusão aberta e comunitária, e no Brasil jornalistas que ousam denunciar
    os desmandos ainda são alvo de processos, enquanto a homofobia, preconceito de
    classe e todos os tipos de opressão estão na TV aberta.

    O governo não subestimou a mídia aberta ele simplesmente é um cúmplice circunstancial de uma mídia controlada por aliados não muito
    confiáveis, quando a grande mídia serve para reforçar as ações dos governos
    estaduais e federal na repressão aos protestos políticos independentes dos
    grandes partidos e da esquerda sindical são aliados.

    Acho que uma novela com conteúdo progressista não é suficiente para romper com
    o discurso unilateral das elites brasileiras, ainda que tenha seu valor, será
    preciso democratizar e regular a radiodifusão brasileira e desburocratizar a
    legislação sobre a radiodifusão comunitária, algo que está bem foda de
    acontecer porque parece que a esquerda partidária perdeu o foco.

    • ghiraldelli
      03/05/2015 at 12:40

      Carlos o que você falou é o exemplo claro do não entendimento do conteúdo da TV. É a visão formal, politizada em demasia, fruto de uma esquerda envelhecida. Não consegue ver TV. Não sabe ver TV. E por isso, se descuidar, não sabe ler livros em uma época como a nossa.

    • Carlos André
      03/05/2015 at 14:25

      Qualquer coisa que eu fale nessa sua
      argumentação vai parecer politizado demais, mesmo que só tenha dito que
      perdemos várias chances de abrir espaços na TV aberta para outras narrativas em
      um país que muitas pessoas só tem a TV como entretenimento diário. Sobre a
      novela o mais engraçado que uma das personagens principais é pegadora, como
      toda pegadora não é mocinha da novela ela também é julgada por passar o rodo e
      não por suas maldades.

      Sou fruto das minhas experiências em sala de aula com a gurizada do ensino
      médio, das minhas vivências e leituras envelhecidas pela experiência como
      ativista de mídia, que pena que boa parte da produção audiovisual brasileira
      independente não tenha espaço na grande mídia, só em ou em outro canal público,
      talvez tivéssemos mais formatos e conteúdos.

      Agora ser um velho com cara e marcas da minha velhice é bem mais sincero que ser
      velho vestido de novo com o mesmo cheiro de putrefação.

    • ghiraldelli
      03/05/2015 at 16:57

      Carlos você reagiu do modo que eu previa. A soberba do jovem ignorante que não consegue aprender. Dei-lhe o caminho para sair da análise formal, mas você é da geração mimimi, não consegue aprender, só gemer.

    • Carlos André
      04/05/2015 at 10:53

      Nossa xilique egocêntrico de professor universitário… meus deuses ele fugiu do tema… vou dar zero para ele.

    • ghiraldelli
      04/05/2015 at 11:38

      Toda vez que o aluno mimimi é corrigido ele reage assim como você. Só você perde cara. Eu já me formei, já fiz o que tinha que fazer. Não quer aprender, azar seu. Agora, vai pedir o leite para a mamãe. Quando se tornar homenzinho, com emprego, tente estudar e voltar aqui. Eu eu ensino de novo.

    • bony
      07/05/2015 at 16:03

      Eu pensei por vários dias antes de escrever o que vou escrever aqui. Não tem nada a ver com a rixa auto-proclamada do Carlos André com o Ghiraldelli. Tem mais a ver com a minha tristeza diante da constatação do que é o aluno e, consequentemente, do que é o jovem brasileiro. Outro dia vi o seriado Big Bang (americano, diga-se de passagem) e, numa das cenas, a Penny (uma atriz mal sucedida e completamente burra, se comparada com o restante das pessoas com quem ela convive no seriado, em sua maioria cientistas) pergunta quem é que se deu bem na vida puxando o saco de professor. Todos os presentes (como explicado antes, cientistas bem sucedidos) levantam a mão, afirmando que eles sempre puxaram o saco de professor. Eu também sempre puxei o saco, não tanto para me dar bem, mas por conseguir me colocar na posição do professor, que está lá dando a cara a tapa por uma merreca, tanto em termos de dinheiro quanto em termos existenciais. Aí vem um cara que ninguém conhece e fala pro Ghiraldelli (que eu não conheço pessoalmente, mas me simpatizo com por causa de seus escritos e de sua postura de professor) que ele tá dando xilique. Como se isso fosse aceitável, como se isso não fosse o fim. Aí vem o Ghiraldelli e nos anuncia que o ministro não quer responder mensagem. Quer dizer, tanto faz em cima como em baixo, o brasil tá fodido.

    • ghiraldelli
      07/05/2015 at 16:58

      Bony a posição do rapaz é chamada de “a soberba do ignorante”. No Brasil está sendo sentida por conta da internet. Gente de escolarização ruim com acesso a quem tem escolarizaçao boa.

  11. Jeronimo Marmitt
    03/05/2015 at 11:41

    Achp muito pertinente seus comentários, Paulo, mas também vejo um problema na sua análise quando mistura o produto cultural da Globo, as novelas, com o conteúdo jornalístico. A Globo pode muito bem ter posições diferentes nestes dois campos. No caso da novela, o posicionamento da Globo é vanguardista, mas os seus jornais e notícias são extremamente tendenciosas.

    • ghiraldelli
      03/05/2015 at 12:43

      Jerônimo você não vê TV e quando vê, pelo que escreveu, não presta atenção e, assim, acaba não entendendo a TV ou, talvez, não entendendo o meu texto. Posso fazer uma análise do Jornal Nacional como fiz de Babilônia, ambos progressistas, e posso fazer uma análise do Jornal da Noite, conservador, como faria do pastelação conservador da novela Alto Astral. É isso que a esquerda não consegue: ver TV. Ela tem resposta pronta para todos os conteúdos.

    • bony
      03/05/2015 at 13:08

      Se não consegue nem ver TV, imagina quando pega um livro pra ler.

    • Jeronimo Marmitt
      03/05/2015 at 18:49

      Compreendo sua questão, Paulo, mas me questiono novamente devido ao posicionamento dado em algumas notícias. Uma das falhas dos noticiários (isso não é exclusivo da Globo) mais graves é não entrevistar todos os lados envolvidos na questão, como por exemplo em uma greve de professores. Se dá voz ao secretário de educação, ao governador, aos pais e alunos, mas não aparece a fala do professor ou seu representante sindical.

      Esse fato ficou mais explícito com a internet, onde as vozes ignoradas surgem. Vejo isso como um problema, pois vai além do ver tv. Fere os princípios do jornalismo.

      Mas concordo contigo que a esquerda faz uma interpretação burra sobre esse fato e muitas vezes precipitada. E é interessante também perceber que a direita também está usando o mesmo discurso.

      Agora, sobre esse ponto, o do jornalismo, você já viu aquele texto criado pelo professores de jornalismo sobre a reunião com o Bonner? Qual sua opinião sobre isso?

    • ghiraldelli
      03/05/2015 at 20:47

      Suas observações são de alguém de fora. São válidas, mas são de alguém de fora.
      Agora, sobre o Bonner, eu o considero agora um excelente jornalista. A cobertura dele nas eleições últimas foi excelente, e o Jornal Nacional na mão dele é um primor, cada vez mais independente, completo, sem com isso perder patrocinador. Aliás, um jornal que exige uma cultura que o brasileiro não tem.

    • Richard
      03/05/2015 at 23:53

      Não sei se o JN pode ser classificado como progressista, apenas para ficar em um exemplo, todos os entrevistados (políticos, economistas, etc.) do JN a respeito do PL4330 se posicionaram favoráveis a terceirização…

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