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19/11/2018

O drama da Filosofia atual é o drama da Comunicação – alteridade e mídia na contemporaneidade


Artigo indicado para o público acadêmico

“Os limites de minha capacidade  de transferência são os limites do meu mundo”. A frase é  de Peter Sloterdijk. A expressão “capacidade de transferência”, nesse caso, é a opção do tradutor do Bolhas, o professor José Oscar Marques, para a palavra “Übertragungsvermögens”. (1) A ideia aqui é, como Sloterdijk destaca, transferência em seu sentido corriqueiro de transmissão, e nada tem a ver com a transferência no processo psicanalítico. Na verdade, a transmissão é aqui nada além de comunicação em sentido amplo, como usamos “comunicação” em “vasos comunicantes” ou coisa parecida. (2)

O mundo é circunscrito segundo o quanto posso expandir ou não a transferência, a transmissão. Meu mundo é minha capacidade de comunicação. De certo modo, isso justifica Sloterdijk dizer que sua filosofia é uma que se nutre, entre outras coisas, de uma “teoria da mídia”. Mídia? Como?

Sloterdijk não está preocupado com um sujeito unitário e individualizado, mas sim com a descrição de nós mesmos segundo uma imagem de comunicatividade, de mídia. Trata-se de nos ver como no interior da formação de um espaço esférico de ordem real e surreal que em geral chamamos de intimidade, e que ele também toma como subjetividade. A subjetividade nossa é, então, nossa incapacidade de estarmos sós. Não há indivíduo, mas di-víduos. Não à toa Platão definiu o pensamento como o diálogo sem som que cada um mantem consigo mesmo. Diálogo, comunicação, transmissão e transferência – eis o aquilo que Sloterdijk coroa por meio da palavra “ressonância”. Algo ressoa se há transferência. Nós somos caixas de ressonância. Ressonância antes de tudo na comunicação conosco mesmo. O nome reflexão – tirado de metáforas visuais – acaba, de certo modo, não expressando bem o que é nossa subjetividade, nosso apego por construções de intimidades. Ressonância, tirada de metáforas auditivas, é bem melhor.

Sloterdijk propõe então um modelo filosófico de construção ontológica baseada na ideia de transmissão, ressonância e, portanto, comunicação. Onde existimos? Onde o ser se esparrama e reside? Não nos polos, mas no meio, no âmbito da transferência, da comunicação, seja, na mídia. Uma esfera formada por ondas de ressonância entre um Aqui e um Com dão essa ideia.

Sendo assim, nossa perda ontológica básica não se efetivaria como sensação atual se nos descrevêssemos como efetivamente solitários, como carentes da experiência da alteridade, como presentes na situação de esvaziamento da figura do outro. Somos protegidos pelo fato de termos mães, de sermos habitantes de úteros, onde nunca estivémos sozinhos, mas sempre, no mínimo, em dupla. Sartre nos condenou à liberdade, Sloterdijk nos condena à comunicação.

Mas, então, a solidão que sentimos num mundo atual é ilusão? Mera ilusão? Mas nós a sentimos!

Poderíamos então ficarmos tranquilos e dizer: a solidão criada pelo liberalismo é quase algo realmente temeroso, mas não passa de uma descrição a mais do que somos, e uma descrição ideológica apenas. Ninguém está efetivamente sozinho. Todavia, só em parte isso é verdade. Aliás, o segredo da ideologia é este mesmo: ela é uma verdade parcial. Ela é uma mentira parcial. Descrições importam, e mais ainda se são ideológicas. Se somos descritos pela filosofia moderna ou pelo modelo cartesiano, do eu individual substancial e sob a transparência de si mesmo, ou pelo modelo habermasiano de uma intersubjetividade que tem no horizonte a transparência, não podemos desconsiderar isso. São descrições ou, melhor dizendo, auto-descrições. E não foram filósofos de segunda categoria que as criaram! Vão contar, e contam mesmo, na maneira que entendemos o que somos. Se acreditamos nisso, vamos nos apresentar perante nós mesmos e perante os plutonianos assim, como mônadas. Não creio que isso seja bom, ainda que tenha vindo de Descartes e de Habermas.

As filosofias que buscaram escapar do solipsismo, em geral optaram pela ideia de conflito. Até mesmo Habermas! Os modelos básicos que utilizaram estiveram nas mãos de Hegel e de Sartre. Mas o próprio Sartre viu diferença do seu modelo e o de Hegel diante do modelo menos conflituoso de Heidegger. Hegel fala da dialética do senhor e do escravo. Sartre fala do conflito gerado pela vergonha. Só Heidegger fala da ideia de Dasein como “ser-com” e não como “ser-contra”. Sloterdijk é, nesse sentido, um desenvolvedor desse caminho heideggeriano, embora traia descaradamente o mestre ao propor um modelo no qual as fontes antropológicas contam – e Heidegger, sabemos, nunca teve benevolência com a antropologia. Sloterdijk não tem nenhuma vontade de ser considerar alguém da onda da “morte do Homem” ou do “fim do sujeito”. Sloterdijk tem coragem de teorizar sobre a subjetividade num mundo nietzschiano em que o sujeito morreu junto com Deus. Mas Sloterdijk não é um anti-nietzschiano e, sim, um pós-nietzschiano. Ele propõe a descrição da subjetividade para além das crítica e desconstruções já efetivadas do sujeito.

Assim, Sloterdijk é um antídoto para as teorias da comunicação e teorias da mídia que se encontram desesperadas diante da impossibilidade do conflito, e este, sabemos bem, realmente está impossível de ocorrer. Para ocorrer é necessário o Outro. Mas temos a sensação, num mundo onde a moral se tornou mais permissionária, que há uma certa diluição do Outro. A um esvaziamento da alteridade. Temos a sensação, em algum momento, que estamos de fato sozinhos, que podemos fazer tudo sem esbarrar e  limites, ou esbarrar no Outro. Se assim é, querer encontrar modelos da vida humana por meio de Hegel ou Sartre não parece produtivo. Uma ontologia do “ser-com” seria melhor. O próprio Sartre descreve a vida humana sob a descrição de Heidegger como uma situação ontológica que é o barco com remadores sincronizados. (3) Sloterdijk faz mais que isso, descreve a subjetividade como tendo origem em uma bolha de feto-placenta em situação de ressonância, isso sem desconsiderar vários outros modelos de sujeito dual. Trata-se de uma descrição de um fenômeno de transferência básica, de delimitação do mundo. Um fenômeno desde sempre comunicacional. Estar sozinho é sempre estar na companhia de um alter-ego. Quando estamos sozinhos, o risco que corremos é de estarmos mal acompanhados, se nossas ressonâncias sofreram alguma descontinuidade problemática.

Isso lembra as primeiras tentativas de Sócrates de elaborar uma descrição da subjetividade. Ele dizia que tinha um amigo chato em casa, que lhe fazia perguntas difíceis e grosseiras. Ele dizia, também, que cometer uma falta era sempre pior que receber um castigo por uma falta. Imagine você cometer um assassinato? Qual seria a punição anterior a todas? Simplesmente de ter de dormir consigo mesmo, ou seja, com um assassino. Não é um perigo, uma desonra, uma preocupação? Sócrates trabalhou muito com a noção de “dois em um”, para usarmos aqui uma terminologia descritiva de Sócrates formulada por Hannah Arendt. (4)

O problema todo é que somos muito do que nos descrevemos. Estamos em uma guerra de auto-descrição. Não podemos dizer que a alteridade é garantida pela nossa vida socializada já no útero e em outros âmbitos duais. Na verdade, conta o fato de que o mundo descrito como ambiente de mônadas tem lá seus adeptos, tem lá sua influência sobre o que aceitamos como imagem de nós mesmos. Enfim, todo o liberalismo conta! No “clube liberal” as pessoas se socializam, entram em comunicação, e isso por meio de uma vida exterior de cada uma; elas abrem espaço para relações formais, uma vez no clube. Há aí, sim, a sensação moderna, tida como essencial para a civilização, de poder viver num apartamento single e procurar parceiros para a auto-complementação no espelho ou na TV e, agora, principalmente na Internet. Falta o meu outro, mas posso achá-lo segundo a comunicação difusa da WWW. Mas a internet não é um eu completo, autêntico. A Internet é um monstro que parodia um Outro. Aqui, a pergunta é, temos recursos para enfrentar a vida nessa mídia? Ou as descrições de nós, feitas pela monadologia, é que nos dão o tom? Se for assim, vamos nos sentir sozinhos e vazios num meio que, enfim, é uma rede sem rosto, e não um rosto que se esbolça no escuro por meio de uma voz, um ambiente uterino, sinestético, acolhedor, onde o outro surge como estrutural e colaborativo.

Esse é o drama da Filosofia ao fazer ontologia. Por outro lado, o drama da Comunicação, nisso tudo, é saber que o que a Filosofia descreve, com vários modelos, está agora sendo uma descrição ou redescrição da própria Comunicação.

Paulo Ghiraldelli Jr., 60, filósofo.

  1. Sloterdijk, P. Esferas I. Bolhas. São Paulo: Estação Liberdade, 2016, p. 16; Sloterdijk, P. Sphäeren I. Blasen. Frankfurt am Main, 1998, p. 14.
  2. Ghiraldelli Jr., P. Para ler Sloterdijk. Rio de Janeiro: Via Vérita, 2017.
  3. Sartre, J. P. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997, p. 319
  4. Arendt, H. A vida do espírito. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010; Ghiraldelli Jr., P. Sócrates: pensador e educador. São Paulo: Cortez, 2015.

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17 Responses “O drama da Filosofia atual é o drama da Comunicação – alteridade e mídia na contemporaneidade”

  1. Eduardo Rocha
    14/07/2018 at 12:17

    Paulo estava lendo Entre quatro paredes de Sartre e me deparei com uma parte da história em que dois personagens falam sobre espelhos. Todos estão no inferno e lá retiraram todos os espelhos.
    Temos Inês personagem da história que fala “Ora! Sei bem o que estou dizendo. Espelho não me falta”. Nisso, Estelle pergunta: “O senhor não tem um espelho? (Garcin não responde). Um espelho, um espelhinho de bolso, qualquer um? (Garcin não responde). Já que está me deixando sozinha, pelo menos tente achar um espelho. (Garcin continua com a cabeça nas mãos, sem responder”. Inês pergunta: “O que você tem?”. Estelle complementa: “Estou me sentindo esquisita. (Ela se apalpa). Isso não acontece com você? Quando eu não me vejo, preciso me apalpar pra saber se estou existindo mesmo”. Inês finaliza: Você tem sorte. Eu me percebo sempre a partir do meu interior”.
    O início do rosto pressupõe alguma coisa que só pode ser observada do outro lado ou na frente ou à frente. A troca de olhares permite que cada um saiba e aprende sobre si mesmo quando olha o rosto do outro, ou seja, daquele que o vê. O outro funcionaria como um espelho pessoal (a alteridade) adentrando quase em uma dialética hegeliana? Mas o outro é também o contrário de um espelho, já que não possui a polidez de um reflexo de vidro ou metal. Como ficaria essa situação? Isso não seria o “cenário contemporâneo” que vemos hoje? Retirar toda negatividade, só se podendo falar de um olhar em seu “próprio” rosto no espelho quando o indivíduo tiver se afastado do outro e se voltado para o seu próprio rosto, que agora lhe aparece na imagem refletida e da qual precisa se apropriar. A ilusão do indivíduo em solidão tipicamente liberal?

  2. Sergio fonseca
    06/01/2018 at 16:33

    Exatamente isso professor Paulo, nao existe mais nenhuma possibilidade para uma ontologia descritiva. A filosofia morre com Heidegger e as suas tentativas de acessar um Ser misterioso com meios magicos nao passa de misticismo. E o que Peter faz nao pode ser mais chamado de filosofia, mas de arte de designer. Veja que tanto ele como Heideger possuem opinioes sobre temas contemporaneos, midia e politica, completamente descoladas das avancadas analises kiberais. O individuo em Peter e dissolvido, ele recusa o liberalismo como Heidegger fez a 80 anos atras. A filosofia deve ser substituida pela critica social e a ciencia. Falar em ontologia descritiva em tempos de algoritmos e semantica numerica e vazar o pensamento no misticismo. Habermas rompeu esse casulo e migrou para uma teoria da comunicacao, mas ele tambem ainda ficou preso a um ideal mistico de comunicacao humana.

    • Sergio fonseca
      07/01/2018 at 11:18

      Vi agora no livro o que Peter faz: um desingner de interiores e exteriores. A antropotecnica equivale a Paideia dos gregos antigos. Porem, os recursos de que dispomos na modernidade sao infinitamente maiores. Antropotecnica nao equivale a velha filosofia e ao trabalho da ontologia descritiva.O artista de interiores conta muito mais com os projetistas, a gestalt e a anatomia. No Futuro da Natureza humana Habermas investigou essa nova arte de modelagem de humanos. A filosofia agora e uma arte de modelagem de humanos. Nao drscreve, mas cria projeteis in vitro de humanos!!!!

    • 07/01/2018 at 12:25

      Não! Não! Não Sérgio, nada disso mesmo.

    • 07/01/2018 at 12:29

      Sérgio, sugiro parar, você não está entendendo nadinha.

    • Sergio fonseca
      07/01/2018 at 14:17

      Professor, apenas a titulo de esclarecimento aos leitores. Na minha manifestacao fui bastante claro: a antropotecnica nao equivale a ontologia descritiva. Logo, nao faco nenhuma comparacao. Entendo a antropotecnica, de acordo com os volumes da Esfera, como uma arte para se compreender as diversas tecnicas de modelagens de humanos ao longo da historia. Obrigado pela atencao.

    • 07/01/2018 at 23:23

      Leia de novo, Sérgio, o que escreveu. Veja: “Antropotecnica nao equivale a velha filosofia e ao trabalho da ontologia descritiva”. Você comparou ao dizer NÃO EQUIVALE. Claro que não equivale, não são comparáveis, são coisas estranhas. Sérgio, faz o que te falei, pega um professor de Heidegger, numa boa faculdade, faz o curso com ele. Filosofia e autodidatismo não combinam. Sobre Sloterdijk, então, pior ainda.

    • Sergio fonseca
      09/01/2018 at 00:17

      Professor, vi aqui que voce ignorou minhas treplicas. Assim, o debate ficou artificial, meu direito de melhorar os meus argumentos foi usurpado. Gostaria que voce deletasse todas as minhas manifestacoes. Obrigado e boa noite!!!

    • 09/01/2018 at 01:12

      Não Sérgio, fica aí como marca de seu não entendimento dos textos que lê, assim, quando melhorar, você poderá checar com os erros do passado. Estou lhe ajudando a deixar de ser sabichão.

    • Sergio fonseca
      09/01/2018 at 10:22

      Professor eu sugiro que voce leia o texto da Barbara Freitag, que foi aluna de Habermas, sobre a controversia Habermas-Heideigger a luz dos Cadernos negros. O texto ta na Scielo. Os trrmos usados para caracterizar a filosofia de Heidegger sao: irracionalismo, niilismo e antissemitismo. Segundo ela, Habermas, ate a publicacao desse cadernos, ainda separava o homem Heidegger de sua obra. Depois, ele passa a considerar que o pastor do ser, com sua linguagem criptografada, inventou uma mistica que todavia estava conectada aos ideais racistas do nazismo. Sugiro a voce tambem, professor, que va a pagina 187 do livro Discurso filosofico da Modernidade e leia diretamente a critica radical de Habermas ao Heidegger, a chamda corrocao metafisica da razao. Veja que para Habermas a principal ameaca ao iluminismo e a saudavel razao parte de Heidegger, um padtor obscuro do Ser e que usa de uma mistica sofisticada para justificar a maior atrocidade contra os valores do humanismo ocidental. Agora, por favor, leia o texto do Habermas antes de fazer a critica e publique ai minha manifestacao. Ou ligue para Freitag e tome umas aulas com ela e Ruanet.

    • 09/01/2018 at 11:42

      Sérgio você nunca vai conseguir aprender algo, pois é aquilo que a gente chama de “sabichão”. Sobre o Heidegger, se quiser saber dele, leia-o. Outro falando dele, não dá. De resto, faça o curso de filosofia, é uma boa maneira de sair do autodidatismo que leva a essa situação que você está.

  3. Sergio fonseca
    04/01/2018 at 18:49

    Professor Paulo, na pagina 80 do volume 1 das Esferas, Peter afirma que ” O verdadeiro campo de proximidade humana, nao e apenas um simples sistema de vasos comunicantes” . Na pagina 90, ele completa: o espaco do entre, do eu-tu, do Eu-isto, alem dos “vasos comunicantes” possui:”incorporacoes, invasoes, imbricacoes, reflexoes e ressonancias. Bem, gostaria de perguntar: essa filosofia das Esferas nao estaria num mesmo campo mistico da de Heidegger?

    • 04/01/2018 at 19:35

      Sérgio, não vejo nada de místico em Heidegger. E nessas passagens de Sloterdijk, menos ainda.

    • Sergio fonseca
      05/01/2018 at 10:27

      O acesso ao Ser e criptografado, so os iniciados conseguem. A mistica do Ser e que ele nao e dado a observacao ou mediado por uma comunicacao publica. No caso do Peter, avancei aqui as leituras, ao que me parece, ele ve a comunicacao como prisao, estamos condenados a comunicacao.

    • 05/01/2018 at 12:27

      Sérgio, sem ofensa, mas acho que lhe falta formação em filosofia para ler Heidegger. Não há qualquer mistério no ser, ele faz uma fenomenologia do Dasein, do ser-aí (homem) para então atingir o ser em geral. Basta ler e acompanhar o texto. A fenomenologia é justamente um procedimento sem mistério algum.

    • Sergio Fonseca
      05/01/2018 at 15:56

      Professor, a ofensa não seria a mim, mas ao Habermas, mais precisamente ao seu Discurso Filosófico da Modernidade. É nesse livro e também no de Vitor Farias que encontrei as indicações para uma leitura critica de Heidegger que o acusa de mistico do ser. Tambem o Peter aponta uma certa fuga de Heidegger da espacialidade. Um Dasein que já nasceria pronto e solitário. Heidegger tinha horror ao agente, que ele chamou de impropriedade. A reunião dos cidadãos numa esfera pública, Heidegger denunciou como tagarelice e de o impróprio. Aliás, Heidegger na década de 1930, quando Adorno e Horkheimer estavam em Santa Monica escrevendo a critica ao fascismo, Heidegger falava num povo abstratamente e num fuher salvador. O que não significa que ele não seja um filosofo extraordinário e fundamental na filosofia contemporânea, apenas quis apontar outras leituras sobre a sua obra. Obrigado pela atenção!

    • 05/01/2018 at 19:39

      Sérgio veja a confusão: fuga da espacialidade com misticismo. Nada a ver uma coisa com outra. Uma ontologia não precisa de sujeito. E se não pudermos mais fazer ontologia descritivamente, talvez tenhamos de encerrar toda a filosofia atual: Derrida, Agamben, Sloterdijk, talvez até Davidson! É um absurdo invocar um ponto de partida crítico, cartesiano ou neokantiano, para ser o único paradigma em filosofia. Se eu quiser fazer uma descrição fenomenológica de “o que é aí”, o Dasein, posso fazer. O que me impede de observar o homem e descreve-lo a partir do seu “estar lançado no aberto”?

      Olha, sinceramente, reitero o que disse. Aliás, a crítica de Habermas serve para quem aprendeu Heidegger, e não para quem não aprendeu, entende? Se você faz o curso de filosofia, aprende a ler Heidegger, aí você pode entender em que sentido Habermas o está atacando. Fora disso, você toma a coisa pelo pejorativo antes de ter aprendido. Sabe aquela pessoa que diz: “o capitalismo explora” porque nunca estudou o capitalismo de modo histórico e “neutro”, e o lê a partir de uma crítica anti-capitalista? É isso que está ocorrendo com você.

      E a sua confusão está aumentando ainda mais metendo o Sloterdijk nesse ataque tolo ao Heidegger. O projeto de Heidegger não é “Ser e Espaço”, é “Ser e Tempo”. Ele quer temporalizar “o que é”, ou seja, o ser, e tem grande êxito nisso, principalmente quando começa a perceber que a “linguagem é a casa do ser”. Olha, o conselho tá dado, não vou falar mais para não soar mais pedante ainda. Ler um filósofo pelo seu adversário, sem conhecimento básico em filosofia, dá zebra, gera o Karnal, o Pondé, esse tipo de gente. Não faça isso.

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