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20/11/2017

O caso do MAM: para os toscos não civilizados o nu sempre é agressivo


Foi o sociólogo Norbert Elias que falou do relaxamento quanto ao policiamento dos costumes em uma sociedade civilizada. Ou seja, uma vez estabelecida e consolidada, a civilização exige menos contenção, menos disciplina forçada. A consolidação significa que a civilização já realizou o seu trabalho de fazer valer o império de uma sublimação adequada. Dou um exemplo abaixo.

No Ocidente, desde crianças, acostumamo-nos a ir à praia, encontrar lá homens seminus e mulheres seminuas, e não ficamos aturdidos por conta disso. Chegamos na adolescência e olhamos os corpos com interesse, mas já estamos suficientemente educados para não nos excitarmos ali. Uma vez adultos, nem se trata mais de educação, mas de interrupção da libido pela própria civilização, favorecida pela sublimação que finalmente então nos acostumou a ver a situação de praia como um lugar onde o nu não é sexualizado. Podemos sair da praia e meia hora depois, num quarto, sexualizarmos um parceiro ou parceira que estava conosco ali na praia. Ser civilizado não é ser inapetente ao sexo, mas é te-lo sob controle sem que se tenha de pensar no controle. Uma pessoa que ejacula no ônibus ou tem uma ereção ao conversar com alguém na praia está ainda aquém da civilização.

A maioria de nós aceita isso. Mas nos vemos mais adaptados à praia, porque conhecemos a praia, praticamos o ir à praia. Não entendemos que essa educação diante do corpo nu também deve ocorrer em outros lugares.

Ir ao museu ou galeria ou teatro é a mesma coisa. É algo ensinado desde criança. Vamos a tais lugares e aprendemos que o corpo nu vai ser exposto ali e, inclusive, no caso das performances contemporâneas, o corpo nu poderá se oferecer para algum tipo de interação. Aprende-se que essa interação não é de ordem sexual. Música, pintura, desenho, texto, performance se cruzam nas galerias contemporâneas e nos museus de arte contemporânea. Desse modo, o que ocorreu com a mãe que colocou a filha para tocar o corpo do artista da performance do MAM, ocorrida recentemente, foi exatamente isso: ela iniciou ou continuou a educação artística da criança, exatamente para que essa criança, no futuro, não se apresente como uma tosca, uma desescolarizada que ficaria horrorizada (e/ou excitada) ao se deparar com o corpo nu naquele espaço. Pois, afinal, se o nu não pode aparecer em um museu, então aí sim não há qualquer possibilidade de civilização! A educação de ir à praia, que todos têm, é educação popular. Mas num campo elitizado, como o caso do teatro, a galeria e o museu no Brasil, sobram imagens para os que só vão à praia possam estranhar e terem chiliques. Claro que nem ou artista, nem a mãe e muito menos a criança ficaram excitados ali no MAM. Não ficaram e, no futuro, não vão ficar. Aprende-se a participar do mundo artístico como espectador e aprende-se a ser artista. E é bom que se aprenda desde pequeno. O que ocorreu ali, claro, não tinha qualquer conteúdo erótico, e isso a mãe e o artista sabiam, e a criança começou a aprender. Quando ela estiver mocinha, vai saber se comportar no museu diferente do que poderá fazer com um parceiro ou parceira no namoro.

Quem não tem a educação de ir à praia quando criança, pode fazer uma bobagem quando adulto, uma vez na praia. Quem não tem a educação de ir a um museu quando criança, pode fazer dupla bobagem quando adulto, ao ver o que ocorre num museu. Muitas vezes certos árabes chegam ao Rio de Janeiro e não conseguem ficar na praia. Ficam excitados. Querem então que as mulheres se vistam. Ou seja, não se retiram, mas querem que elas se vistam. Ficam ofendidos se isso não acontece. A mesma coisa ocorre quanto ao MAM. Há pessoas não sabem o que é um museu. Recebem uma imagem de uma menina tocando o pé de um homem nu e, então, se desesperam. Elas se excitam. Não foram educadas para a arte. E acreditam que ali está ocorrendo uma câmara de sexo entre crianças e adultos. Ficam ofendidas porque aquilo as está excitando! Por mais que você explique ao árabe que ninguém ali na praia do Rio de Janeiro vai pular em cima do outro de tesão, também você vai ficar de mãos atadas diante do excitado e perturbado que não consegue entender que, ali no MAM, estão pessoas civilizadas, e que ninguém está pensando em se atirar em um festival de ejaculação.

A frequência às praias é grande, mas a frequência aos museus é pequena. Afinal, nossa população é desescolarizada ou mal escolarizada. Carece do que chamamos de educação dos sentidos. É uma população tosca. E os MBLs da vida são a expressão dessa coisa rude, dessa vida grosseira, que está aquém de poder usufruir de um museu.

Paulo Ghiraldelli, 60, filósofo. São Paulo, 30/09/2017

PS: «Não devemos ter medo de encontrar e utilizar novos símbolos, novas formas de arte, novas linguagens, mesmo aquelas que parecem pouco interessantes a quem evangeliza ou aos curadores, mas que são todavia importantes para as pessoas, porque sabem falar às pessoas.» Papa Francisco, em seu livro Minha ideia de arte.

Foto acima: Apresentação de La Bête, no MAM.

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33 Responses “O caso do MAM: para os toscos não civilizados o nu sempre é agressivo”

  1. Adriano
    06/10/2017 at 17:17

    Caríssimo Prof. Paulo,

    Com o máximo respeito ao argumento exposto no texto, tenho um ponto de vista divergente. Exponho minha perspectiva.

    Não se trata de considerar “toscos não-civilizados” que sempre consideram o “nú como algo agressivo” os indivíduos que possuem uma perspectiva diferente. Por termos uma concepção diferente de civilização e qual o papel da Arte na nossa civilização é que a crítica à performance do artista é estabelecida.

    Aparentemente, o texto pressupõe os indivíduos que não concordam com a filosofia manifesta na performance no MAM, não conseguem traçar uma reflexão filosófica acerca da relação entre os campos da Filosofia da Arte (Estética), Filosofia Moral (Ética), Filosofia Política e Direito. Justamente, por ter uma filosofia clara acerca da Arte que muitos cidadãos e cidadãs se manifestam contra este tipo de performance. Tal fato promove uma salutar reflexão no seio da sociedade sobre os tipos de produção humana que podem ou não serem enquadradas em critérios artísticos e quais concepções morais, estéticas e metafísicas são transmitidas por artistas em suas performances. É nisso que se constitui o debate acerca da Arte na formação de uma cultura civilizada.

    Por isso, é intrigante o uso do Argumentum ad Hominem explícito em todo o teor do texto. O nobre professor discorda da posição de vários cidadãos e cidadãs que se manifestaram contra a performance do artista no MAM. Naturalmente, é livre para ter a sua posição e manifestar sua tese, tanto quanto como nós também o somos. Mas desqualificar os indivíduos que manifestam uma outra visão acerca de Arte e Civilização, apenas incentiva a conduta que se deseja evitar, traduzida em um comportamento anti-civilizatório. Em outras palavras, é o uso do antigo recurso: não concordam com minha perspectiva de Arte, Cultura, Moral e Civilização, ora… os outros é que são toscos incivilizados e descolarizados, populacho com sentidos deseducados, insensíveis etc. Usar esta espécie de sutileza para se referir a uma manifestação de descontentamento de cidadãos e cidadãs que possuem uma outra concepção filosófica de educação dos sentidos e função da Arte, não é uma atitude que constrói o bom debate e uma reflexão construtiva no seio da civitas. Perdoe-me a franqueza professor, mas a utilização do recurso do ad hominem nesta controversa questão é, no mínimo, estranho e muito cômico.

    Uma vez que a Arte está inserida no processo civilizatório, não é isenta de críticas. A Arte e, consequentemente, os artistas não estão fora ou acima da realidade social. E, claro, como todos nós, os artistas também possuem uma concepção moral subjacente às suas produções. E, uma vez vivendo em sociedade, podem ser feitos juízos morais acerca de suas obras.

    Por isso, “performances artísticas” podem ser criticadas, reguladas e até mesmo proibidas quando ferem regras de convívio positivadas ou não positivadas no ordenamento jurídico pátrio. Este ordenamento jurídico assegura direitos, mas prescreve deveres para todos nós, cidadãos e cidadãs. Assinalo este ponto acerca da cidadania, tendo em vista que os artistas, como cidadãos(as) também têm o dever de respeitar as leis do país e normas de convívio da sociedade brasileira. Nenhum(a) cidadão(a) pode criar um salvo-conduto para si próprio, baseado somente no fato de ser intitulado como artista e realizar uma performance em um museu. É um princípio básico de civilidade e convivência mútua. Por que com o citado artista há de ser diferente? Sob os auspícios de qual privilégio, com salvaguarda na lei, o artista possui este salvo-conduto?

    Um hipotético exemplo do questionamento descrito acima é a possível realização de uma “exposição artística” que versa sobre o tema da vivência homossexual. Mas o hipotético artista realiza sua exposição com fotos e esculturas com cidadãos e cidadãs brasileiros(as) homossexuais sendo torturados e vilipendiados de todas as formas. São feitas duras críticas a sua exposição e sua “produção artística”, com o consequente encerramento antecipado da exposição. O hipotético artista alega em sua defesa que realiza uma obra de cunho altamente artístico e inovador, que procura transmitir a ideia de uma nova concepção visual que somente a elite escolarizada e versada na Arte Contemporânea pode compreendê-la. E, com isso, somente os mais escolarizados artisticamente podem julgá-lo.

    Perdoe-me a hipérbole do exemplo, pois em nada se compara ao ocorrido no MAM. Mas usei desta absurda ilustração para levantar a ironia do fato que seria considerar que alguns de nossos artistas possuem um salvo-conduto ilimitado. E que somente na concepção solipsista do hipotético artista, os escolarizados artisticamente (somente as pessoas que o artista considera escolarizada artisticamente) podem concordar com sua obra. Mas mesmo quando os escolarizados artisticamente (que seguem outros critérios, talvez, até melhores) criticam de modo negativo sua obra, estes são incultos incivilizados. Portanto, com as coisas postas dessa forma, há uma ironia curiosa.

    A Arte deve elevar o espírito humano ao bom, ao belo e ao verdadeiro. Não se reveste somente de uma dimensão estética, mas também de uma dimensão moral que auxilie o ser humano atingir sua excelência como pessoa. E, neste caso, excelência significa o apreço às virtudes morais que fortalecem a dignidade de cada pessoa. Por isso, o artista possui uma função de primeira grandeza na civitas, mas deve se revestir de humildade para evitar de incorrer em arroubos que produzem uma duvidosa produção estética e recordar que convive em sociedade.

    Como o senhor fez referência ao Papa Francisco, tomo a liberdade de também utilizar destas fontes para exposição do meu argumento. Perdoe-me as longas citações de ambos os Papas, mas seus textos esclarecem melhor uma determinada Filosofia da Arte e a Arte relacionada à Civilização do que eu poderia fazê-lo. Nas palavras do Papa Francisco: “[…] a Igreja usou sempre a arte para demonstrar a maravilha da criação de Deus e da dignidade do homem criado à sua imagem e semelhança, assim como o poder da morte e a beleza da ressurreição de Cristo[…]” (http://www.snpcultura.org/papa_francisco_fala_pela_primeira_vez_de_arte_em_detalhe.html. Acesso em 05/10/2017).

    Assim como, recordemos o Papa João Paulo II, ao escrever a Carta aos Artistas:
    “[…]Mas, se a distinção é fundamental, importante é igualmente a conexão entre as duas predisposições: a moral e a artística. Ambas se condicionam de forma recíproca e profunda. De facto, o artista, quando modela uma obra, exprime-se de tal modo a si mesmo que o resultado constitui um reflexo singular do próprio ser, daquilo que ele é e de como o é.[…]
    […] O tema da beleza é qualificante, ao falar de arte. Esse tema apareceu já, quando sublinhei o olhar de complacência que Deus lançou sobre a criação. Ao pôr em relevo que tudo o que tinha criado era bom, Deus viu também que era belo.A confrontação entre o bom e o belo gera sugestivas reflexões. Em certo sentido, a beleza é a expressão visível do bem, do mesmo modo que o bem é a condição metafísica da beleza. Justamente o entenderam os Gregos, quando, fundindo os dois conceitos, cunharam uma palavra que abraça a ambos: « kalokagathía », ou seja, « beleza-bondade ». A este respeito, escreve Platão: « A força do Bem refugiou-se na natureza do Belo ».
    […] De facto, a sociedade tem necessidade de artistas, da mesma forma que precisa de cientistas, técnicos, trabalhadores, especialistas, testemunhas da fé, professores, pais e mães, que garantam o crescimento da pessoa e o progresso da comunidade, através daquela forma sublime de arte que é a « arte de educar ».
    No vasto panorama cultural de cada nação, os artistas têm o seu lugar específico. Precisamente enquanto obedecem ao seu génio artístico na realização de obras verdadeiramente válidas e belas, não só enriquecem o património cultural da nação e da humanidade inteira, mas prestam também um serviço social qualificado ao bem comum.
    […]A vocação diferente de cada artista, ao mesmo tempo que determina o âmbito do seu serviço, indica também as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a que tem de sujeitar-se, a responsabilidade que deve enfrentar. Um artista, consciente de tudo isto, sabe também que deve actuar sem deixar-se dominar pela busca duma glória efémera ou pela ânsia de uma popularidade fácil, e menos ainda pelo cálculo do possível ganho pessoal. Há, portanto, uma ética ou melhor uma « espiritualidade » do serviço artístico, que a seu modo contribui para a vida e o renascimento do povo. A isto mesmo parece querer aludir Cyprian Norwid, quando afirma: « A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir ».[…]”
    (https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1999/documents/hf_jp-ii_let_23041999_artists.html#_ftnref4. Acesso em 05/10/2017).

    Despeço-me cordialmente.

  2. Roberto
    06/10/2017 at 00:58

    Paulo, eu até concordo com tudo o que vc disse. Mas a preocupação das pessoas, não minha, pois nem tenho filho, é que uma vez a criança se familiarizando com o nu ela se tornará alvo do abusador de criança, o qual terá (supostamente) mais facilidade em ser “tocado”. O que acha disso?

    • Matheus
      06/10/2017 at 13:39

      Não sou o Paulo, mas vou dizer: isso é balela

      Acho que inclusive servirá como justamente o contrário. Ali o artista está numa posição completamente passiva, passível de ser tocado e alterado pelos agentes externos. Um pedófilo dificilmente agirá assim, no máximo só no momento da realização do fato (de se deixar exposto e ser tocado pela criança), mas ele inicialmente irá buscá-la, tentará seduzi-la (não de modo sexual porque as crianças não estão em fase de sexualização, pelo menos não plenamente ainda).

      Nessa obra a iniciativa é do público, da criança, inclusive; no caso da pedofilia a iniciativa seria do adulto, o que deixaria a criança completamente estranha e desconfortável, o oposto do que a obra poderia incutir.

    • 06/10/2017 at 14:18

      Matheus, é isso. Para haver pedofilia o artista teria de ser o pedófilo. Mas ele não é. Querem transformá-lo em pedófilo. Ou seja, todos os reacionários sempre quiseram fazer isso com os artistas (e entre os reacionários, há a esquerda estalinista).

  3. Adriano
    05/10/2017 at 15:45

    Caríssimo Prof. Paulo,

    Com o máximo respeito ao argumento exposto no texto, tenho um ponto de vista divergente. Exponho minha perspectiva.

    Não se trata de considerar “toscos não-civilizados” que sempre consideram o “nú como algo agressivo” os indivíduos que possuem uma perspectiva diferente. Por termos uma concepção diferente de civilização e qual o papel da Arte na nossa civilização é que a crítica à performance do artista é estabelecida.

    Aparentemente, o texto pressupõe os indivíduos que não concordam com a filosofia manifesta na performance no MAM, não conseguem traçar uma reflexão filosófica acerca da relação entre os campos da Filosofia da Arte (Estética), Filosofia Moral (Ética), Filosofia Política e Direito. Justamente, por ter uma filosofia clara acerca da Arte que muitos cidadãos e cidadãs se manifestam contra este tipo de performance. Tal fato promove uma salutar reflexão no seio da sociedade sobre os tipos de produção humana que podem ou não serem enquadradas em critérios artísticos e quais concepções morais, estéticas e metafísicas são transmitidas por artistas em suas performances. É nisso que se constitui o debate acerca da Arte na formação de uma cultura civilizada.

    Por isso, é intrigante o uso do Argumentum ad Hominem explícito em todo o teor do texto. O nobre professor discorda da posição de vários cidadãos e cidadãs que se manifestaram contra a performance do artista no MAM. Naturalmente, é livre para ter a sua posição e manifestar sua tese, tanto quanto como nós também o somos. Mas desqualificar os indivíduos que manifestam uma outra visão acerca de Arte e Civilização, apenas incentiva a conduta que se deseja evitar, traduzida em um comportamento anti-civilizatório. Em outras palavras, é o uso do antigo recurso: não concordam com minha perspectiva de Arte, Cultura, Moral e Civilização, ora… os outros é que são toscos incivilizados e descolarizados, populacho com sentidos deseducados, insensíveis etc. Usar esta espécie de sutileza para se referir a uma manifestação de descontentamento de cidadãos e cidadãs que possuem uma outra concepção filosófica de educação dos sentidos e função da Arte, não é uma atitude que constrói o bom debate e uma reflexão construtiva no seio da civitas. Perdoe-me a franqueza professor, mas a utilização do recurso do ad hominem nesta controversa questão é, no mínimo, estranho e muito cômico.

    Uma vez que a Arte está inserida no processo civilizatório, não é isenta de críticas. A Arte e, consequentemente, os artistas não estão fora ou acima da realidade social. E, claro, como todos nós, os artistas também possuem uma concepção moral subjacente às suas produções. E, uma vez vivendo em sociedade, podem ser feitos juízos morais acerca de suas obras.

    Por isso, “performances artísticas” podem ser criticadas, reguladas e até mesmo proibidas quando ferem regras de convívio positivadas ou não positivadas no ordenamento jurídico pátrio. Este ordenamento jurídico assegura direitos, mas prescreve deveres para todos nós, cidadãos e cidadãs. Assinalo este ponto acerca da cidadania, tendo em vista que os artistas, como cidadãos(as) também têm o dever de respeitar as leis do país e normas de convívio da sociedade brasileira. Nenhum(a) cidadão(a) pode criar um salvo-conduto para si próprio, baseado somente no fato de ser intitulado como artista e realizar uma performance em um museu. É um princípio básico de civilidade e convivência mútua. Por que com o citado artista há de ser diferente? Sob os auspícios de qual privilégio, com salvaguarda na lei, o artista possui este salvo-conduto?

    Um hipotético exemplo do questionamento descrito acima é a possível realização de uma “exposição artística” que versa sobre o tema da vivência homossexual. Mas o hipotético artista realiza sua exposição com fotos e esculturas com cidadãos e cidadãs brasileiros(as) homossexuais sendo torturados e vilipendiados de todas as formas. São feitas duras críticas a sua exposição e sua “produção artística”, com o consequente encerramento antecipado da exposição. O hipotético artista alega em sua defesa que realiza uma obra de cunho altamente artístico e inovador, que procura transmitir a ideia de uma nova concepção visual que somente a elite escolarizada e versada na Arte Contemporânea pode compreendê-la. E, com isso, somente os mais escolarizados artisticamente podem julgá-lo.

    Perdoe-me a hipérbole do exemplo, pois em nada se compara ao ocorrido no MAM. Mas usei desta absurda ilustração para levantar a ironia do fato que seria considerar que alguns de nossos artistas possuem um salvo-conduto ilimitado. E que somente na concepção solipsista do hipotético artista, os escolarizados artisticamente (somente as pessoas que o artista considera escolarizada artisticamente) podem concordar com sua obra. Mas mesmo quando os escolarizados artisticamente (que seguem outros critérios, talvez, até melhores) criticam de modo negativo sua obra, estes são incultos incivilizados. Portanto, com as coisas postas dessa forma, há uma ironia curiosa.

    A Arte deve elevar o espírito humano ao bom, ao belo e ao verdadeiro. Não se reveste somente de uma dimensão estética, mas também de uma dimensão moral que auxilie o ser humano atingir sua excelência como pessoa. E, neste caso, excelência significa o apreço às virtudes morais que fortalecem a dignidade de cada pessoa. Por isso, o artista possui uma função de primeira grandeza na civitas, mas deve se revestir de humildade para evitar de incorrer em arroubos que produzem uma duvidosa produção estética e recordar que convive em sociedade.

    Como o senhor fez referência ao Papa Francisco, tomo a liberdade de também utilizar destas fontes para exposição do meu argumento. Perdoe-me as longas citações de ambos os Papas, mas seus textos esclarecem melhor uma determinada Filosofia da Arte e a Arte relacionada à Civilização do que eu poderia fazê-lo. Nas palavras do Papa Francisco: “[…] a Igreja usou sempre a arte para demonstrar a maravilha da criação de Deus e da dignidade do homem criado à sua imagem e semelhança, assim como o poder da morte e a beleza da ressurreição de Cristo[…]” (http://www.snpcultura.org/papa_francisco_fala_pela_primeira_vez_de_arte_em_detalhe.html. Acesso em 05/10/2017).

    Assim como, recordemos o Papa João Paulo II, ao escrever a Carta aos Artistas:
    “[…]Mas, se a distinção é fundamental, importante é igualmente a conexão entre as duas predisposições: a moral e a artística. Ambas se condicionam de forma recíproca e profunda. De facto, o artista, quando modela uma obra, exprime-se de tal modo a si mesmo que o resultado constitui um reflexo singular do próprio ser, daquilo que ele é e de como o é.[…]
    […] O tema da beleza é qualificante, ao falar de arte. Esse tema apareceu já, quando sublinhei o olhar de complacência que Deus lançou sobre a criação. Ao pôr em relevo que tudo o que tinha criado era bom, Deus viu também que era belo.A confrontação entre o bom e o belo gera sugestivas reflexões. Em certo sentido, a beleza é a expressão visível do bem, do mesmo modo que o bem é a condição metafísica da beleza. Justamente o entenderam os Gregos, quando, fundindo os dois conceitos, cunharam uma palavra que abraça a ambos: « kalokagathía », ou seja, « beleza-bondade ». A este respeito, escreve Platão: « A força do Bem refugiou-se na natureza do Belo ».
    […] De facto, a sociedade tem necessidade de artistas, da mesma forma que precisa de cientistas, técnicos, trabalhadores, especialistas, testemunhas da fé, professores, pais e mães, que garantam o crescimento da pessoa e o progresso da comunidade, através daquela forma sublime de arte que é a « arte de educar ».
    No vasto panorama cultural de cada nação, os artistas têm o seu lugar específico. Precisamente enquanto obedecem ao seu génio artístico na realização de obras verdadeiramente válidas e belas, não só enriquecem o património cultural da nação e da humanidade inteira, mas prestam também um serviço social qualificado ao bem comum.
    […]A vocação diferente de cada artista, ao mesmo tempo que determina o âmbito do seu serviço, indica também as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a que tem de sujeitar-se, a responsabilidade que deve enfrentar. Um artista, consciente de tudo isto, sabe também que deve actuar sem deixar-se dominar pela busca duma glória efémera ou pela ânsia de uma popularidade fácil, e menos ainda pelo cálculo do possível ganho pessoal. Há, portanto, uma ética ou melhor uma « espiritualidade » do serviço artístico, que a seu modo contribui para a vida e o renascimento do povo. A isto mesmo parece querer aludir Cyprian Norwid, quando afirma: « A beleza é para dar entusiasmo ao trabalho, o trabalho para ressurgir ».[…]”
    (https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1999/documents/hf_jp-ii_let_23041999_artists.html#_ftnref4. Acesso em 05/10/2017).

    Despeço-me cordialmente.

  4. Jessica
    05/10/2017 at 12:47

    Belo texto, professor.

    Sabe o que essa polêmica toda me faz pensar? Sobre o papel da arte no ensino básico. Na minha escola (pública) não havia artes e, quando ela foi inserida, já no ensino médio, só trabalhava com música.

    Eu fiz cursos de teatro desde os 15 anos, não na escola, mas nos cursos fornecidos pelo teatro municipal. Aos 17 convidei minha turma para um espetáculo no qual aparecíamos, todos os atores, quase nus (apenas com tecidos beges cobrindo seios e partes íntimas). Para mim aquilo tudo já era muito natural. Mas, no dia seguinte, ao chegar na escola e ouvir comentários e risinhos sobre o “quase nu”, compreendi que havia ali um abismo. Aqueles adolescentes, mesmo da minha idade, possuíam uma falta de compreensão sobre essa sublimação que eu não conseguia saber como ocorreu. Por que eu, que estudava com eles, na mesma escola e com a mesma idade, compreendia a bobagem que era, num espetáculo cheio de significados, ficar admirada com o “nu”? Achar que o “nu” tinha importância?

    Depois percebi que não falávamos sobre isso na escola… que a minha “naturalização” desse nu havia se dado nos teatros…

    Por que as escolas não possuem mais espaço para teatro, pintura? Percebemos como isso faz falta quando nos deparemos com esses momentos de “polêmica”.

  5. Orquidéia
    04/10/2017 at 08:00

    Certamente as pessoas ligam mais é para uma menor tocando o pé de um homem vestido de Adão do que para as crianças que passam fome…
    Tá todo mundo gastando tempo xingando a exposição na internet.

    Discordei da apresentação no MAM,porque a criança foi submetida a constrangimento,mas o verdadeiro crime em minha opinião foi a divulgação do vídeo_ pois tal “descuido” sim, será um risco para ela.
    Espero que quem divulgou seja punido, e tomara que também sejam punidos os tipos que agrediram fisicamente os funcionários do museu.

    • 04/10/2017 at 10:36

      Orquídea, não houve constrangimento algum da criança no ato de participar de uma peça que deveria ser apresentada na escola dela.

  6. Francisco Alves
    03/10/2017 at 21:28

    Percebemos que vivemos em uma sociedade doente, carregada de excessos.
    Eu como professor costumo ver a arte como parâmetro de sensibilidade para infinitude, massageando a finitude do homem.

    O Fernando Pessoa dizia que: “A finalidade da arte não é agradar. O prazer é aqui um meio; não é neste caso um fim. A finalidade da arte é elevar”.
    E os responsáveis desta criança tem justamente esse noção de elevação.

    Nossa sociedade além de doentia é machista, pois se fosse uma mulher nua e a criança um menino, isso não geraria todo esse auê.

    A todo momento vejo país sexualizando suas crianças com vestimentas, e o que diz nossa sociedade?

    Simplesmente acha bonitinho!!!!!!

    Lamentável essa desconstrução de nossa sociedade amarrada em um pseudo-moralismo.

    • Sonia Trotte
      07/10/2017 at 19:27

      Concordo com suas ideias. A sociedade é hipócrita!

  7. Paula Koehler
    02/10/2017 at 17:00

    Ola Professor Ghiraldelli,

    Me fez muito bem a leitura do seu texto. Eu tenho sido criticada a respeito de minhas opiniões quanto a esses dois ultimos casos envolvendo exposições de arte.

    Uma coisa que vem me incomodando de sobremaneira é a seguinte narrativa de que todos que criticam certas opiniões de direitistas são “esquerdinhas” e o mesmo vale para os da esquerda que dizem que aqueles que os criticam são os “coxinhas” – isso para não usar nada pejorativo, claro. Mas por que? Alguém que tende aos mesmos ideais não pode criticar “aos seus”? Só existe duas vias nessa porcaria? Depois de tantos erros de ambos os lados, não seria logico dar espaço aos tons de cinza?

    Desculpe se estou saindo do tema, mas é que tudo hoje, talves por servum tempo onde a politica esta “trendy”, tudo parece se atribuir a isso. Até uma exposição de arte é tachada de pedofilia! Confesso que duvidei de mim mesma quando fui criticada ao dizer que não era pedofilia. Da forma que eu vejo é que é simplesmente algo facil de se criticar e de conseguir uma grande massa de seguidoresque não param para questionar suas próprias visoes a respeito do acontecido. O ônus da internet…

    Eu ia escrever mais, mas creio que ja esta bom, hehe. É triste que, alem da ignorancia das massas, pessoas que eu gosto de ouvir como alguns jornalistas e escritores digam as mesmas asneiras. Por um momento, ao me ver sozinha com apenas alguem como Jean Wyllys ao meu lado, me senti como um cafetão de criancinhas depois de ouvir os pitis de Joice Hasselmann.

    Mas enfim… Depois de ver o Villa tratar do assunto com muito mais coerência e de ler o seu texto, sinto um certo alivio.

    • 02/10/2017 at 20:33

      Os impotentes, ou seja, militantes de direita e esquerda, são maioria na internet. Eles não usam o meio para trabalho, eles usam como pseudoterapia para suas frustrações. E são impotentes porque são ignorantes mesmo. Mas há muita gente escolarizada que não dá a mínima para esses bobos.

  8. LMC
    02/10/2017 at 11:46

    Depois a direita não sabe porquê
    perdeu 4 eleições seguidas pra
    Presidente.É uma merda atrás
    da outra que esse MBL está
    fazendo….Eu recomendo a
    coluna de Gregório Duvivier
    na Folha de hoje sobre esse
    tema.Os nazistinhas não vão
    gostar,claro.

    • LMC
      02/10/2017 at 11:55

      Quer dizer,parte do que o Gregório
      disse,claro.Já imaginaram o
      que a dupla Pondé/Coutinho
      escreveriam,então?

  9. Jorge Barreto
    02/10/2017 at 07:47

    Esse trabalho que nada tem a ver com pedofilia fez muita gente de bem se incomodar e até protestar na frente do MAM. No entanto o que tem a ver com pedofilia, que são as milhares de crianças negras, pobres e desamparadas, que moram pelas ruas e domem pelas calçadas das grandes cidades, e que são o filé principal do turismo sexual no Brasil. Não vi ninguém protestando. Mas bastou um menino branco tocar a canela de um homem nu numa apresentação artística para ser um absurdo.
    OH povinho hipócrita esse de classe média branca.

    • 02/10/2017 at 09:33

      Jorge você lançou luz sobre mais um problema, nosso racismo que traz pobreza. De certo, mais uma chaga. Talvez a maior.

  10. Robson Ferreira
    02/10/2017 at 01:10

    estou triste…muito triste na verdade…tentei disfarçar mas n deu…
    …toda esta polêmica em torno das ações realizadas por nossos museus sinalizam um prenúncio do quanto o medo poderá ganhar cada vez mais corpo e voz e a ignorância permanecerá sendo a grande governante deste país…
    reina plena…
    estamos abrindo campo para uma possível anomia com o choque já visível dos 3 poderes – tão menos harmônicos do que de costume e tão ineficazes em administrar as crises simbólicas e subjetivas que eclodem nos seus ventres…
    ah este homem nu, tão humano e tão catalizador dos receios de uma parcela da população que simplesmente acredita que a arte deve ser apenas o espelho de suas crenças e horizontes pequenos…
    tenho tanta dor de imaginar que muitos são pais e que devem estar repassando esta total falta de sensibilidade artística para seus filhos…
    o medo continua sendo, enquanto sentimento, mais poderoso que o amor e é exatamente por isto que temos a tendencia muito maior a desagregação do que a união…
    estamos na eminência de uma guerra nuclear conduzida por dois lideres muito pouco preocupados com os povos que representam, estamos diante de um congresso, um executivo e um judiciário inapetentes para lidar com a corrupção e, a questão sexual mal resolvida de muitos, tem sido o álibi perfeito para que o foco dos problemas anteriores seja desviado em direção aos limites da liberdade artística (que por ser artística, por definição, não tem limites).
    esta geração pós ditadura militar leu pouco, frequentou poucas peças de teatro e se permitiu menos ainda tentar entender as questões de nossa arte moderna, – não importa o segmento – e como são herdeiros da mordaça também se revelam filhos da venda que lhes cobrem os olhos…
    se sobrevivermos ao fim do mundo a cada semana anunciado e com razão teremos apenas a velha candidata nas próximas eleições – A IGNORÂNCIA QUE TEM COMO VICE O MEDO.
    E claro, é filiada a todos os partidos de nossa nação.

    • 02/10/2017 at 09:34

      Robson, todos nós com sensibilidade estamos tristes, apreensivos. A ditadura parecia ter acabado em 1985. E agora olha aí, de volta na boca de jovens, as mesmas trevas.

    • Vinicius Aita
      02/10/2017 at 14:16

      Perfeito comentário, Robson. Enxerguei várias pessoas do meu cotidiano nas tuas palavras. Muito triste.

  11. 01/10/2017 at 19:58

    Art. 240 do Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069/90
    ECA – Lei nº 8.069 de 13 de Julho de 1990
    Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências.
    Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente: (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)
    Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)
    § 1o Incorre nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta, coage, ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda quem com esses contracena. (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)
    § 2o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime: (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)
    I – no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la; (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)
    II – prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008)
    III – prevalecendo-se de relações de parentesco consangüíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)

    • 01/10/2017 at 21:13

      Ademir, não há cena erótica ou pornográfica ou “sexo explícito” (ou seja, fazendo sexo) no MAM, só na sua cabeça desescolarizada.

    • Maycon
      03/10/2017 at 16:55

      Ver esse estatuto jogado assim, de qualquer jeito aqui, para justificar o ponto de vista me lembra aqueles que colam somente os dizeres que lhes interessa da bíblia pra mostrar como estamos “errados”.

    • Caio
      06/10/2017 at 07:42

      Estude direito professor Vai te fazer bem.

  12. Leila
    01/10/2017 at 12:34

    É tão bom ler textos de boas esclarecidas. Obrigada!!!

  13. Bruno Simões
    01/10/2017 at 10:39

    apesar de chmar atenção para procesos sociais importantes e que devem ser cultivados como a liberdade de costumes e o não policiamento das vidas o texto tem traços eurocentricos muito demarcados. Vida civilizda, aquem da civilização, sblimação , não ver nu como sexualidade. Olha, essa noção de civilização européia branca não me parece um bom caminho. Embora haja uma clara predisposição do texto em defender valores importante e criticar o que ha de pior na “civilização” como hitlerzinhos e MBL, há um fundo eurocêntrico em toda argumentação que é uma parte importante do problema que estamos vivendo.

    • 01/10/2017 at 12:32

      Bruno, isso não vem ao caso na argumentação. Além do mais, se formos para Oriente, aí sim não cabe falarmos nada. Conhece o Pênis Day? O Oriente tem formas que não são as nossas, sacou?

    • Matheus
      01/10/2017 at 13:16

      Olha, acho que pra sermos mais “ocidentais” ainda caberia salientar a nudez indígena. Pq do jeito que esse povo do MBL fala, tenho medo que daqui a pouco eles saiam retirando os filhos de povos indígenas para protegê-los na promiscuidade da nudez explícita em seu dia-a-dia…

      Aliás o que falta um pouco a esse povo do MBL é sair da caverna não-platonica que se meteram chamado de “cidade grande” com seus parquinhos de areia anti-alergica… Eu com 5 anos de idade já sabia a diferença de um boi, um bezerro e um touro. Nadava com amigos pelado em qlqr riacho, tomava banho com meu pai ou outras pessoas, é isso é tão comum no interior, essa gnt esqueceu o que é a vida, a natureza, o corpo e está aprendendo com os pastores caça-niqueis, só pode…

  14. Henrique
    01/10/2017 at 03:17

    Mas que grande onda conservadora que tem passado esse país, quando pensamos que vai melhorar vem outra e mais outra coisa que leva de novo ao fundo.

  15. Hilquias Honório
    30/09/2017 at 23:07

    Esse negócio da desescolarização é grave mesmo. A Folha de São Paulo fez uma reportagem sobre o Centenário da Revolução Russa, e as pessoas já vieram xingando de “comunista” o jornal, como se fosse possível ignorar 1917, como se noticiar o fato fosse apologia do comunismo.

  16. Fernando
    30/09/2017 at 18:43

    Que bom que vc existe Paulo. Alguém com discernimento para não cair nos pânicos morais.

  17. gil
    30/09/2017 at 17:45

    O que fazer para combater o MBL e sua turba nesses casos de deturpação de contexto e apelo à moralidade?
    Acho que um objetivo eles já atingiram, que é inserir o medo nas escolas e museus. Nos professores e artistas e curadores.

    • 30/09/2017 at 20:56

      Toda época tem seus toscos, seus Olavos, MBLs e hitlerzinhos. Passa. Depois aparecem outros que não conseguiram ficar na escola.

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