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20/10/2018

Sou radicalmente feminista. Que as mulheres nos salvem


[Artigo para o público em geral]

Sou e sempre fui radicalmente feminista. Na universidade, orientei teses sobre o assunto. E justamente por isso, fiz críticas ao feminismo. Não acho que o feminismo precisa ser marxista e adotar as esperanças de trabalhar com  o conceito de “consciência de gênero”, na imitação do conceito de “consciência de classe”. Não acho que cabe, como operador sociológico, o termo “mulheres”. E nisso estou apoiado por feministas: Judith Butler à frente. Também não acho que a palavra “machismo” ajude em alguma coisa, e ela piora bem quando a análise das feministas vem carregada pelo conceito de “sociedade patriarcal capitalista” – o novo demônio! Também nisso, é Butler que está comigo. E eu com ela. Tudo isso é polêmica acadêmica.

No plano mais cotidiano, sou feminista mas não endosso campanha anti-pornografia e muito menos o moralismo barato de certas feministas americanas, movidas antes pela cultura protestante que por qualquer outra coisa. Às vezes há anorgasmia demais na sociedade, o que favorece um feminismo que faz a mulher perder tudo que há de interessante nela no sentido de colocá-la como protagonista de uma nova sociedade. Gosto das mulheres que são sexualizadas, até mesmo quando isso vai para o campo do vulgar, mas não burro. O feminismo do PT não me atrai, pois ele é movido pela subserviência ao Lula, um homem que não é o “crush de todas as mulheres”. Aliás, quando vejo a Tiburi falar o que fala, tenho vergonha alheia. A postura dela destrói o feminismo, é algo emburrecido.

Tenho uma ex-orientanda, que era minha amiga, feminista, boa pessoa. Brigou comigo porque não pode ouvir minhas críticas não ao feminismo, mas ao Lula! Belo feminismo este, o do cabresto!

Uma coisa é certa, me orgulho de ser feminista dos bons. Pois agora, estou nas mãos das mulheres. Cabe a elas evitar Bolsonaro e, com ele, um fatal golpe de estado. O golpe está armado. E Mourão está na vice-presidência para tal. Ele já se traiu e anunciou isso. Um sociólogo da Folha, Celso Rocha Bastos, pegou o assunto e fez um análise que, há alguns meses, pareceria delírio, agora é algo que nada tem de teoria da conspiração, é fato (“Os bolsonaristas querem dar um golpe”, 17/09/2018). As mulheres se revelaram ser de fato a única força organizada que pode dar conta daquela “cadela no cio do fascismo”, sempre pronta para ficar prenha. Brecht foi feliz nessa frase. Ciro Gomes a utilizou para lembrar das atividades de Mourão. Uma parte da sociedade brasileira realmente virou fascista: prefere não pensar em economia para se dedicar ao bate boca moral, num amplo movimento que atinge em cheio direitos de mulheres. Isso é ruim, mas teve o efeito bom de atrair as mulheres para a campanha contra a Besta.

Está na hora do feminismo brasileiro nos salvar. Serei eternamente grato se as mulheres conseguirem evitar um Bolsonaro na presidência. Serei grato, mesmo, se elas evitarem de nos dar como alternativa ao Bolsonaro, o pau mandado número 2 do Lula, o falsário Haddad. O PT no governo não é só a volta do banditismo, é a promessa de fazer da oposição uma massa de direita ainda maior. Pois nada mais irrita as pessoas que o PT, à direita e à esquerda. O PT que sobrou, que não é o de Paulo Freire ou de Weffort, que não é o de Hélio Bicudo ou Plínio, que não é o de Henfil e tantos outros que tinham uma mentalidade libertária, é apenas uma quadrilha que Palloci está enterrando aos poucos. As mulheres podem nos salvar de Bolsonaro sem que tenhamos de engolir o segundo poste.

Paulo Ghiraldelli Jr., 61, filósofo.

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6 Responses “Sou radicalmente feminista. Que as mulheres nos salvem”

  1. Thiago
    20/09/2018 at 10:47

    Neste texto você diz que “Também não acho que a palavra “machismo” ajude em alguma coisa”, mas em outro você diz que “há brasileiros que não sabem o que significa a palavra “fascismo”, mas são a favor de hierarquias fortes, desigualdades, massacre de minorias, racismo, machismo criminoso, homofobia e ódio a pobre”. Afinal, ao filósofo é permitido contradizer-se?

    • 20/09/2018 at 11:27

      Thiago: leia de novo. Isso não é uma contradição. Contradição é: A é B e A é não-B. Isso é contradição.

  2. LMC
    19/09/2018 at 15:44

    Perguntem ao Ciro Gomes como foi
    o governo da Maria Luiza como
    prefeita de Fortaleza.Ela não elegeu
    o sucessor e o Ciro venceu a eleição
    30 anos atrás.

  3. robert ferreira
    18/09/2018 at 09:03

    essa luta também pertence aos homens de bem, que tem consciência do seu machismo, mas que tentam superar, o que não é fácil, só lembrando que: Maria Luiza Fontenele, Luiziane Lins (ex – prefeitas de fortaleza) e Luiza Herundina sofreram com o machismo petista. acredito na vitória das mulheres contra besta.

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