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16/11/2018

A tática da intimidação contra a mulher. Chega do tipo Bolsonaro-Olavo-Pondé


[Artigo para o pública em geral]

Sobre as mulheres, a ideia dos escrotos que se espelham em Bolsonaro na política e em Olavo-Pondé no jornalismo marrom, é a de enfrentar qualquer posição próxima de alguma coisa que cheire feminismo usando da intimidação sexual e moral. “Você não merece ser estuprada”, diz Bolsonaro. “Feminista não entende de mulher”, diz Olavo-Pondé. No primeiro caso: a mulher estuprada seria premiada, se o estuprador fosse ele próprio, o garanhão lindo, Bolsonaro. No segundo caso: feminista não é mulher, e quem entende de mulher é o macho alfa (apesar dos trejeitos), ele próprio, Olavo-Pondé. Nos dois casos, a mensagem é esta: temos algo no meio das pernas reservado para vocês, seres inferiores, mulheres. Empinam o peito quando pensam isso!

Algumas mulheres não percebem que foram ofendidas ao ouvir isso. Nem todo agredido se sente agredido após uma vida de agressão.  Outras se sentem muito ofendidas – algumas reagem e outras abaixam a cabeça. Essas últimas dizem: “o mundo é assim mesmo”. Outras, ainda, sabem que houve uma tentativa de intimidação, mas já ultrapassaram o tempo em que podiam se sentir ofendidas diante de gente que um Jeca, como o que Mazzaropi representou, chamaria de “ignorante”. Bolsonaro-Olavo-Pondé é um tipo que Mazzaropi gostaria muito de ter na mira. Ele tinha o vocabulário correto para acertá-lo. Talvez só ele! Não uma mulher especial como Renata Vasconcelos.

O problema desse tipo Bolsonaro-Olavo-Pondé (que são centenas, e andam por aí, na rua e no meio virtual) é maior do que ele. Não podemos dizer que as manifestações de agressão física ou simbólica às mulheres é de responsabilidade direta desse tipo, quando ele não está presente. Algumas são, mas não todas. Não podemos falar que gente que faz propaganda política por aí, contra as mulheres, têm de arcar com o fato de uma moça ser espancada pelo marido ou com o fato de agressões inomináveis caiam sobre alguma mulher candidata que se destaque por virtudes inauditas. Mas o tipo em questão não é de todo inocente nisso. Foi só a menina Tabata Amaral (aluna brasileira, pobre, bolsista de Harvard e formada em astrofísica) se tornar candidata pelo PDT à deputada federal, e os de sempre inventaram um perfil falso dela, no Facebook, colocando atrizes pornô no lugar da foto de identidade. A ideia é sempre esta: a mulher vai ficar intimidada se eu, o “homão da porra”, mostrar a ela que tenho um grande e poderoso pênis (do meu amigo), que vai fazê-la tremer – de medo, de desejo, de tesão por mim, o grande homem. Mas mulher nenhuma treme diante de pênis grande. Mulher não treme, mas teme. Ela teme o agressor que vem da instigação do tipo Bolsonaro-Olavo-Pondé (vejam, é um tipo!) porque sabe que ele usa canivete, palavras e a mão pesada no estupro ou qualquer outra agressão. O pênis é só simbologia. Aliás, o tipo Bolsonaro-Olavo-Pondé nunca o tem em dimensões que alcancem a média nacional.

O que o tipo Bolsonaro-Olavo-Pondé tem para oferecer como solução para o caso da agressão que ele mesmo pratica? Sim, ele soluciona o caso, quanto à política, dizendo que se a mulher tiver uma arma na mão, pode atirar nele mesmo, ou seja, o tipo Bolsonaro-Olavo-Pondé, que em geral tem a mentalidade exatamente do agressor – ele é o agressor! Ou então, esse tipo, cinicamente, como se não fosse ele mesmo o  agressor, fala em castração química! Mulher inteligente sabe muito bem que castração química é só propaganda dos próprios agressores, não resolve nada. A solução é a educação da população sobre direitos da mulher, o fortalecimento intelectual do feminismo e, enfim, no âmbito do curto prazo, uma política de segurança pública que use a inteligência e tenha nas mãos o conceito de feminicídio para aplicar a lei, e não somente o tiroteio. Aliás, tiroteio na rua só burro acha que é solução para violência. É outra panaceia levada adiante pelo tipo Bolsonaro-Olavo-Pondé.

Intimidação da mulher não é coisa que se resolva dando arma na mão de indivíduos. Essa ideia de fazer o cidadão pagar impostos para ele mesmo fazer o serviço público, ou seja, a segurança, é uma ideia estúpida. Muito menos é o caso de dizer para a mulher: vá à delegacia e denuncie. Nem todas podem fazer isso com tranquilidade. Transformar a mulher em personagem de quadrinhos, um tipo de Mulher Maravilha, não é sinônimo de fomento do emponderamento. É a sociedade como um todo que tem de se civilizar e fazer o tipo Bolsonaro-Olavo-Pondé deixar de existir. As pessoas com tais nomes podem existir, podem ser adeptos da direita ou até de uma esquerda que copia a direita, mas esse monstrinho triplo, esse tipo, não pode mais existir no Brasil. Nosso país realmente não tem nenhuma mulher que mereça conviver com esse tipo.

Paulo Ghiraldelli Jr., 61, filósofo.

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3 Responses “A tática da intimidação contra a mulher. Chega do tipo Bolsonaro-Olavo-Pondé”

  1. LMC
    06/09/2018 at 11:08

    É bom Jair se acostumando…vai
    perder pra esquerda no segundo turno.

  2. Rubem_Cruz
    04/09/2018 at 20:41

    É claro que eu não queria que alguém tratasse as mulheres da minha familia como aquele vídeo do “Bolsa”. Mas também, por outro lado, odiaria muito a vida e o meu destino se “aquelas” mulheres fossem minhas parentes (da minha familia). Elas por elas. Direito vai, direito vem.

    • 05/09/2018 at 08:18

      Rubem mas eu também não quero ser seu parente, mas não defendo que você seja ofendido. Não é direito vai e vem não.

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