Go to ...

on YouTubeRSS Feed

17/12/2018

Remédio ruim goela abaixo – de médicos e de todos nós


Remédio ruim goela abaixo – de médicos e de todos nós

Os ricos (e de certo modo a classe média) reclamaram do governo por este reservar uma cota na universidade para negros, índios e egressos da escola pública básica, e então o governo retrucou criando também uma cota para eles. Trata-se da cota para que o filho do rico, uma vez no curso de medicina, trabalhe com os pobres. A proposta de dois anos a mais no curso de medicina, sendo estes dois anos finais de trabalho no SUS, remunerado por bolsa, pode ser lida assim.

É claro que essa leitura tem lá um pingo de maldade e uma pitada de inverdade. Maldade minha com o governo: os dois anos finais seriam, então, um castigo para o filho do rico. Inverdade minha para com o curso de medicina: o curso de medicina seria um curso onde todos são ricos. Todavia, posso considerar o que disse como significativo, já que o desconto que se tem de dar é um pingo e uma pitada.  Então, no geral, podemos ver o conflito entre governo e cursos de medicina como oriundo de preconceito mútuo. Exponho o contexto.

Em geral o aluno de medicina realmente estuda muito para fazer o vestibular e o curso, depois enfrenta uma profissão que está sob o duríssimo juramento de Hipócrates. Isso já bastaria para que ele fosse um advogado ranheta da meritocracia intelectual. De fato, ele fica indignado com a bolsa para negros e pobres. Ele não entende a miséria. Ele não sabe da miséria, apenas sabe da pobreza, e dificilmente a compreende. Ele fica furioso com aqueles que dizem que o pobre não poderia ser um super-homem e, contra tudo e contra todos, também fazer o curso de medicina.  Além do mais, não passa pela cabeça dele (e às vezes nem mesmo de quem, do lado do governo, explica as cotas) que a bolsa étnica é para o branco, de modo que este possa ver o negro onde nunca viu e conviver com ele e, então, deixar o preconceito de lado. E mais: ele faz vista grossa para o fato de que a bolsa social, para o pobre, não foi uma proposta do governo, mas do PSDB. O PSDB só deixaria passar a proposta da bolsa étnica se ela viesse junto com a bolsa social. Saiu disso um híbrido: a bolsa social, esta sim, é a admissão do governo de que o sistema público de ensino básico está falido e que vai continuar assim. A bolsa étnica, diferentemente, não faz parte da política educacional (se fosse parte, seria uma medida ridícula, ineficaz). Ela faz parte de uma estratégia que visa colocar o negro e o índio em lugares sociais em que ele não é comumente visto, tanto na universidade quanto no mercado de trabalho, de modo rápido, para que o convívio faça diminuir o preconceito também de modo mais rápido do que se fôssemos esperar isso ocorrer naturalmente.

O estudante rico ou de classe média não entende tudo isso, a respeito do sistema de cotas, e não raro se mostra pouco disposto a raciocinar sobre o assunto. É como se ele visse legitimidade somente no liberalismo inicial, jamais em um liberalismo social ou em qualquer tipo de socialdemocracia. Ele toma sua própria trajetória como a única correta e a que todos poderiam fazer. Ele defende uma meritocracia que ele acha mais que legítima, mas que, diferentemente do pensa, não é efetivamente uma meritocracia intelectual somente, não no Brasil, onde a distância entre o rico e o pobre e entre o branco e o negro é acentuada demais. É difícil convencer esse jovem proveniente das camadas mais ricas disso tudo. Ele tem parcas noções de filosofia e sociologia, veio de uma família em que o preconceito contra o pobre e o negro existe sim, onde estes são vistos como vagabundos, e por tudo isso tem uma dificuldade imensa de compreender como se dá a formação do preconceito. Não entendendo a formação deste, mesmo que admita a existência do preconceito (na sociedade ao menos, não na casa dele), não acredita na eficácia de combate ao preconceito por meio das cotas. Depois que esse jovem tira o diploma de médico, então, fica mais conservador ainda. Pois o diploma de médico o autoriza à síndrome de Drauzio Varela, e assim ele se imagina sábio em todas as áreas, até mesmo nas Humanidades, que não estudou e nunca levou a sério.

Tudo isso é verdade (1), em se tratando de uma tipologia de grupo. Desse modo, talvez alguns da esquerda, olhando para a garotada toda cheia de beleza e saúde nos cursos de medicina, cheguem até a dizer coisas assim: “essa gente tem de sofrer um pouco junto dos pobres, aprender um pouco a retribuir o que a sociedade (ou Deus!) lhes deu, então vamos jogá-los no SUS durante dois anos”. Não duvido que alguém, apoiando o governo ou mesmo no interior do próprio governo, pense assim. Há ressentido na direita, eu sei, mas na esquerda às vezes até mais! Mas, se o governo pensa assim, ainda que não explicitamente, pratica o pior dos pensamentos.

Há elementos objetivos de caráter ético-legal que deveriam impedir o governo de criar o que está criando. Ninguém pode pagar o ensino público duas vezes. Qualquer aluno da universidade pública e gratuita não pode ser levado a “retribuir” para a sociedade a sua formação por meio de um trabalho determinado pelo governo. Ele não deve nada. Ele já pagou com os impostos de seu pai ou dele próprio esse estudo – e que impostos! Não pode ser cobrado pela segunda vez. Além do mais, em um país democrático liberal, como é o nosso, definido assim em nossa Constituição, a criação desses dois anos para trabalho no SUS pode muito bem ser tomado como trabalho compulsório completamente fora de alinhamento com o que somos e o que queremos ser como nação.

O governo jamais deveria usar do SUS como castigo. Deveria antes melhorar o SUS e, então, só depois, oferece-lo ao estudante dos últimos anos ou ao egresso do curso de medicina. O SUS deveria ser tão bom que o recém-formado ficaria até disposto de fazer um segundo vestibular para ter uma vaga ali, para estagiar. Isso sim seria uma política educacional e uma política de saúde de um governo correto.

Ora, se o governo luta em um frente para diminuir o preconceito entre classes e entre etnias, deveria perceber que suas medidas geram ainda mais preconceito.

Para que o rico não tenha preconceito com o pobre o próprio governo não pode ter preconceito com o rico. Não pode usar de retaliações ao filho do rico, ou das classes médias, por meio do curso de medicina. Menos ainda pode mentir, ou então errar do modo que está errando, ao falar que irá colocar médicos em todos os lugares com a medida de ampliação dos anos do curso de medicina transformados em trabalho compulsório.

Como o governo está fazendo, o preconceito só aumentará – e isso dos dois lados. O estudante ficará dois anos no SUS, e despreparado para tal trabalho – pois não há quem se prepare para trabalhar em hospitais sempre precários e com uma população sempre mais pobre e cada vez mais emburrecida – irá cometer erros justamente com a população pobre, a que já é a mais sofrida. Essa população terá sua mágoa ampliada. O estudante, por sua vez, irá lutar como louco para nunca mais voltar para o sistema público de saúde, e aí sim irá faltar médico neste.

Mas há mais problemas ainda.

Após oito anos de escola de medicina, o jovem já não será tão jovem e, portanto, já entrará para o trabalho com calos desnecessários. Tendo a escola pública de medicina se transformado em escola de oito anos, talvez tenhamos até uma diminuição no número de médicos, não um aumento.  Pode ocorrer, também, uma sensível deterioração do curso de medicina. Desta forma: as classes médias abandonarão de vez a universidade pública, o que será péssimo. Toda vez que as classes médias mais abastadas deixam um lugar, esse lugar não recebe mais a atenção dos políticos, do Congresso, e passa a se deteriorar. Isso ocorreu com a escola pública média! Tudo isso conta contra a proposta do governo.

O governo parece perdido. Desconhece toda essa psicologia social que exponho aqui. Quer tratar com os setores sociais por meio de mecanismos velhos, vindos de uma esquerda de mentalidade carcomida, meio que misturada a um populismo muito mais parecido com o do Brizola do que aquele dos fundadores do PT. Além disso, o governo falha para com a democracia, pois lançou sua política relativa aos cursos de medicina de um modo abrupto, sem qualquer tipo de conversação antecipada. Do ponto de vista técnico, então, tudo se fez como se ninguém nos ministérios da educação e da saúde soubesse alguma coisa a respeito de ensino médico. No meio desses erros todos, o governo agiu em um momento em que havia lançado um programa ofensivo aos médicos brasileiros, o de importação da mão de obra barata e mal formada de Cuba, que viria para cá trabalhar sem a revalidação do diploma.

Nunca vi um governo acumular tantos erros juntos numa só política setorial. Nunca vi um governo mais perdido em termos de política educacional e de saúde que este. Parece que querem acertar, mas são vítimas de suas próprias formações políticas, que envelheceram junto com a de seus algozes da Ditadura Militar.

© 2013 Paulo Ghiraldelli Jr., 55, filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

1. É claro que uma parte da classe média e, quem sabe, talvez até dos mais ricos, não é conservadora em todos os sentidos. Acho até que muitos poderiam me acompanhar no seguinte pensamento.

Se o governo quer tentar quebrar o preconceito do rico para com o negro e se quer realmente ajudar o pobre, deveria já ter começado uma política efetiva de recuperação salarial do professor, de modo a recolocar a escola pública básica em funcionamento, como ela funcionou nos anos 50 e 60. Mas, eu alerto: essa política não substitui a necessidade de cota étnica, claro, cuja função é outra. Todavia, a recuperação da escola pública não pode e nem deve ser protelada, em especial se realmente se quer, ao final, ajudar mesmo aos pobres.

Tags: , , , , , , , , ,

41 Responses “Remédio ruim goela abaixo – de médicos e de todos nós”

  1. Marcio
    13/07/2013 at 21:24

    Sou inteiramente de acordo com o que você falou em relação à Barbara. Mas acho que não deixa de ser um apelo emocional o fato de o governo jogar para o povo essa imagem do médico que não quer se sujar com os pobres. Usando desse argumento, eles justificam a “humanização forçada” dos médicos. Mas com certeza a Barbara tem que ter respeitado seu direito de livre trabalho.

    • 13/07/2013 at 22:35

      Márcio, tudo bem, isso é o que eu escrevi. Agora, essa retórica não pegaria se fosse comunista. Essa retórica pega porque ela já está na nossa raíz cultural, que é cristã. O comunismo não enraizou retórica nenhuma ainda. É uma coisa nova, não pertence ao campo das mentalidades.

  2. Camila
    13/07/2013 at 18:47

    Marilena Chauí falou no plenário da Câmara dia 9 agora. Sobre o transporte público.
    Tá faltando você falar sobre esse tema também, né?

  3. Iran Freitas
    13/07/2013 at 18:07

    Belo texto!!Só discordo quanto a qualidade dos médicos cubanos que aqui virão.Esses médicos ficaram em 2ºlugar no revalida http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/07/revalida-exame-para-medicos-de-fora-sera-aplicado-alunos-do-brasil.html.
    Essa relação que você fez de o filho do rico, no curso de medicina conviver com o negro e assim diminuir ou acabar com o preconceito racial, me fez lembrar a “Guerra do Paraguai”.O exercito ao conviver com o negro, voltou da guerra levantando a bandeira do abolucionismo.

    • 13/07/2013 at 18:44

      Iran, em segundo lugar em relação a …. tem dó Iran! Acorda querido!

    • Iran Freitas
      13/07/2013 at 19:00

      Julguei importante colocar esse link a disposição, porque existe uma parcela da sociedade, que tenta desqualificar a formação de médicos cubanos(talvez seja o seu caso). Criticam os médicos simplesmente por serem formados em Cuba(vc não ve essa critica a médicos que formaram em outros países), quando há várias instituições que comprovam a qualidade do sistema cubano. Inclusive os filhos do sindicado dos médicos(RS) se formaram lá.

      http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/07/filhos-do-presidente-do-sindicato-dos-medicos-se-formaram-em-cuba-2.html

    • 13/07/2013 at 19:29

      Iran, você não acorda mesmo heim. Não tem como! Tudo bem, se quer continuar assim, paciência. Mas veja, no ensino médio não ensinaram você a pesquisa de modo sério, fazer a chamada “crítica da fontes”. Você vem aqui para dizer que quero desqualificar os médicos, como se eu fosse igual a você, ou seja, alguém que não tem responsabilidade pública pelo que fala? Tem dó cara, não posso me dar ao luxo de falar qualquer coisa. Mas creio que você nem sabe do que estou falando a respeito disso tudo. Você acha que é só pegar um link de publicistas e ir afirmando coisas. Não pode. É por isso que falo que falta ensino médio. Um professor de história ou filosofia teria ensinado a você quem fala por meio de sindicatos, que tipo de fonte é essa etc.

    • 13/07/2013 at 19:36

      FALTA ENSINO MÉDIO ATÉ PARA SABER QUEM É MÉDICO CUBANO. O Iran Freitas (iran2moraes@hotmail.com) vem no meu blog para dizer que quero difamar médicos cubanos, e então ele cita um artiguete que tem depoimento de chefe de sindicato de médicos do Rio Grande do Sul dizendo que o sistema de formação de Cuba é excelente.
      Como vê, falta ensino médio. Um aluno de ensino médio bom seria ensinado a criticar as fontes que alimentam o que pretende falar, então veria o que há em um texto de um filósofo e o que há em um texto de um sindicalista do sul. Como que ele pode acreditar que um médico sindicalista possa ser alguém com alguma objetividade? Será que ele não sabe do atrelamento dos sindicatos ao governo? Falta ensino médio gente. Falta um carinha desses ter tido um prof. de história ou filosofia. Paulo Ghiraldelli

  4. Marcio
    13/07/2013 at 15:49

    Não creio que a maior partes dos médicos não gostam de atuar no SUS pq as pessoas são pobres e mal vestidas. Mas as clínicas particulares oferecem um salário bem melhor e um ambiente digno de trabalho. Mas é exatamente a imagem da Barbara que querem passar em relação a todos os médicos.

    • 13/07/2013 at 18:47

      Márcio, a Bárbara tem direito de dizer isso e, ao mesmo tempo, não ser de direita. Quer apenas se livrar de algo que acha ruim. Se todos os médicos pensassem assim, ainda assim, o governo não poderia levar isso em conta para fazer política de saúde.

  5. Silva
    13/07/2013 at 12:44

    Paulo, o que vc acha da professora de letras formada pela Ufscar que faz programa porque gosta? Ela é uma puta professora ou uma professora puta? kkk Vc não acha que ela queima a imagem dos professores? Isso daria um Hora da Coruja.

    • 13/07/2013 at 15:08

      Silva, você perdeu, o Hora da Coruja sobre ela já foi. Ele é prostituta. Só isso. Quando é professora, é professora. Só isso. São profissões independentes.

  6. Bárbara Silva
    13/07/2013 at 12:03

    Sou estudante de medicina, não quero trabalhar em SUS, não gosto, tenho ou não tenho o direito de ser elitista se quiser? Acho que sim. Gosto só de clínicas particulares, lá atendo pessoas do meu nível, bem sucedidas, bonitas, bem vestidas.

    • 13/07/2013 at 15:09

      Bárbara, é um direito seu. Deve ser um direito seu. Agora, você não está sendo “elista”, você está sendo apenas um pouco tola. Mas também é um direito seu.

    • Antônio Carlos
      18/07/2013 at 09:17

      Esse fake da Bárbara representa exatamente a visão que o governo e a grande mídia quer passar do médico. Lembrem-se que antes do médico conseguir o título de especialista é necessário passar por anos e anos de especialização em hospitais públicos – sem contar a própria graduação. Antes de abrir um consultório em Leblon é necessário anos e anos de trabalho das mais variadas formas até conseguir chegar lá. Se você ver um médico ou uma médica andando de Mercedes pode ter certeza que para chegar nesse ponto ele passou por todos, absolutamente todos os tipos de pacientes que há no nosso triste sistema público de saúde. Quando li vi o real retrato do público leigo quando pensa no médico.

    • 18/07/2013 at 11:52

      Antonio Carlos, esse retrato têm um “q” de maldade e fracasso.

  7. Paulo Santos
    13/07/2013 at 03:53

    Colocar médicos em todo canto através de política afirmativa e como contratar um monte de cozinheiros sem ter mantimentos e panela para resolver o problema da fome. Professor, Ruy Barbosa falava em tantos burros mandando em homens de ciência … O que o senhor acha?

    • 13/07/2013 at 10:17

      Paulo Santos, não se trata de política afirmativa. Puxa vida, eu expliquei tanto! Paulo Santos! Acho que temos de aprender com a filosofia a arte da distinção.

  8. Marcio
    13/07/2013 at 02:11

    O mesmo papo era ou é comum em relação aos professores: “professor tem que se formar por amor, e dar tudo de si mesmo que o salário não chegue, ou que as escolas tenham goteiras”. A velha mentalidade comunista de que a busca do lucro pessoal é imoral, e que o esforço tem que ter apenas um ar coletivista.

    • 13/07/2013 at 10:18

      Márcio, meu Deus do Céu, não há nenhuma mentalidade comunista nisso. Essa mentalidade, no Brasil, vem dos setores conservadores, vem do passado clerical e, depois, da ideia de que ser professora é ser mãe etc. Márcio, por favor, menos antiesquerdismo porque isso soa uma bobagem.

  9. Marcio
    13/07/2013 at 02:07

    Mentalidade comunista de obrigar o profissional a trabalhar para o estado pelo preço que este quiser pagar. Em nome do bem estar social, é claro.

    • 13/07/2013 at 10:20

      Márcio, acho que já deu né? Se você é antic0munista, tenha certeza, você vai passar por bobo. O anticomunismo deixa a pessoa tão tonta quanto o comunismo. Não há nada de comunista nisso. Qualquer liberal poderia pensar assim. Estou começando a ficar com o saco cheio dessa postura “anti” sem saber o que se fala.

  10. Marcio
    12/07/2013 at 23:53

    Temos que pensar o estado como uma grande empresa. Temos que criar leis mais duras para cobrar o descaso do estado, assim como temos o PROCON que funciona tão bem em cima das empresas privadas. O estado tem que oferecer condições de trabalho e salários melhores para todos os profissionais ligados a ele. Mas a mentalidade comunista ainda enraizada nos governos de esquerda acha que o profissional tem que trabalhar fazendo quase um tipo de caridade, e ainda com eficiência.

    • 13/07/2013 at 01:15

      “A mentalidade comunista”? Onde? Não, Márcio, você está lendo muita bobagem. Ninguém tem mentalidade comunista em governo nenhum de esquerda. Acredite.

  11. Aristídes
    12/07/2013 at 23:03

    Médico que está formando ou no mercado tem pavor de que as vagas dos curso de Medicina aumente, de que novas faculdades se abram. Eles se preocupam muito com reserva de mercado, com poucos médicos ganhando bem, mesmo que em detrimento de uma parcela importante da população fique sem atendimento.

    • 13/07/2013 at 01:16

      Aristides, qualquer profissional sadio tem essa preocupação. Agora, uma parcela da população que não tem atendimento não vai ter tal atendimento com essas medidas do governo. Garanto. Sou macaco velho nisso.

    • Antonio
      17/07/2013 at 10:17

      O curso medico não é um curso de Direito onde você onde você pode entupir uma sala, contratar alguns professores e dar diploma para todos. Requer investimento. Investimento na casa dos milhões. A estrutura que um curso desses requer significa anos e anos de planejamento e construção, não é feito do dia para a noite. O que 99 das 100 instituições que abriram Medicina e o govno querem não é isso, quem é formar o máximo de médicos com o menor investimento possível pensando em baixíssima qualidade. Quanto custa para manter a estrutura da USP de Medicina? Só no hospital deles são quase dois mil leitos. Os médicos da Usp são ruins? Não. Mas e o da faculdade de esquina que abriu o curso ontem e mal tem laboratórios para as primeiras fases, será que vai formar melhores médicos que a USP? O que o governo quer é entupir desses curso de esquina até o ano que vem. E a qualidade? Baixíssima. E quem eles vão atender? Sua mãe, seu pai e seu filho. Certo estão os alunos que lutam contra essa abertura insana e sem qualidade.

    • 17/07/2013 at 13:34

      Antonio, o curso de Direito também não pode ser assim.

  12. Walter
    12/07/2013 at 22:07

    Caro Paulo, parabens pelas suas elucidacoes. Vou expor minha opiniao: Onde falta pao todos brigam e ninguem tem razao. O problema todo gira no dinheiro. Nao vi em nenhum protesto alguem com cartaz assumindo que o Brasil e’ pais “em desenvolvimento”. Todo mundo, ao meu ver, acha q temos dinheiro a vontade, como sheiks. Carreira de estado para medicos… mas e a grana? Carreira para professor, e a grana? Estrutura para SUS, e a grana? Envolve uma quantia muito maior do q o Estado e’ capaz de suportar. O q o Estado faz? Ele faz o q e’ barato> formar medico. Atacar a relaçao oferta x procura> baratear mao de obra> reduzir custos. Vc concorda que se o Estado fizesse um sistema perfeito nao conseguiria se reeleger? Mas isso e’ impossivel e ninguem assume isso. O Brasil e’ cada um de nos. Todos nos somos responsaveis por sermos “terceiro mundo”. Ou estou errado? Um abraço, continue escrevendo… suas palavras sao sabias, valeu

    • 12/07/2013 at 22:53

      Walter, felizmente e infelizmente você está errado. Felizmente: porque há dinheiro. Somos um país com impostos altíssimos. Infelizmente: aplicamos em tudo, mas nunca no “material humano”.

  13. Um bom começo
    12/07/2013 at 20:17

    Sou contra médico no Brasil ter tantas mordominas. Tiveram mais uma derrota, a Dilma vetou o Ato médico. Veta tudo Dilma!

    • 12/07/2013 at 20:42

      Médico com mordomia? Meu Deus, mais um ressentido.

  14. Ricardo Rodrigues Soares
    12/07/2013 at 19:51

    Paulo, como muitos de meus colegas médicos, sou oriundo da classe média. Meus pais, imigrantes portugueses, que venceram trabalhando como loucos e me ensinaram a me esforçar mais ainda também me ensinaram a ver aqueles “perdedores” como vagabundos ou incapazes. Confesso que tento todos os dias, esquecer esse “preconceito de berço” mas confesso que derrapo de vez em quando. Entendo a necessidade dos programas sociais porque como médico que trabalha do SUS vi a pobreza e a miséria de perto, o que me incomoda é que os programas acabam sendo usados como moeda de troca por governantes mais interessados em se perpetuar no poder do que ajudar ao povo. Sinto falta da construção de alternativas para que os filhos daqueles ajudados possam um dia deixar a “ajuda” governamental e terem o seu sucesso. Confesso que nunca enxerguei as cotas étnicas como diminuidoras do preconceito, e até ler seus textos, esse contexto nunca me passou pela cabeça, mas faz todo o sentido. Curioso ou infeliz é que os defensores do sistema não pensam assim e sim como “políticas de reparação”, o que aumenta, isso sim, o ressentimento daqueles que acreditam na meritocracia. Infelizmente o governo atual tem esse ressentimento enraizado na alma. O SUS não é e nem pode ser castigo. O SUS é melhor e mais abrangente sistema de saúde do mundo, mas ainda está em construção (é verdade que é demorada), mas um sistema em que pretendemos prover a TODAS as pessoas com TODAS as suas necessidades, precisa muito de boa gestão e financiamento, essa é a verdade. O SUS deveria ser bem administrado para que ricos, médios e pobres o usassem igualmente e com qualidade. Essa é a vocação do SUS. O SUS não é para os pobres, o SUS é para TODOS.

    • 12/07/2013 at 20:43

      Ricardo, você se incomoda com a moeda de troca, mas TODOS NÓS funcionamos assim na democracia. Meu Deus, pensa aí.

  15. Orivaldo
    12/07/2013 at 15:29

    Paulo, infelizmente você está redondamente correto em suas observações. Só não concordo com o título do texto. Ruim e goela abaixo tudo bem, mas remédio? Que tal veneno?
    E , ainda infelizmente, parece que não padecemos somente de um governo atribulado e desconexo com as necessidades reais do pais, mas também de uma oposição incompetente tanto quanto. Politicamente falando , tudo que você expõe no seu texto seria um prato cheio pra uma oposição mais atenta e menos burra. Se o governo está perdido a oposição não se acha. Mais uma vez infelizmente.

    • 12/07/2013 at 16:18

      Orivaldo, a oposição nossa é de direita, e a direita nao tem nem moral e nem cacife para falar algo. Até por uma razão simples: ela é mais corrupta que o governo. Agora, os movimentos de protesto na rua, que vimos, aí sim, isso é uma boa saída política, e tomara que os médicos engrossem tal coisa.

  16. SAM
    11/07/2013 at 23:43

    Sou médico e tenho acompanhado os seus textos, e percebo que és quem talvez melhor capta a agressão a que os médicos estão sendo submetidos. Parabéns!!

    Há muitas coisas que eu gostaria de ter tempo para argumentar, mas como falta tempo, serei sucinto.

    O grande problema da presidentA em relação a suas políticas de Saúde é que pra ela SUS NÃO É CARREIRA, É CASTIGO.

    • 11/07/2013 at 23:45

      Bem, começo meu texto com isso. Tentei amenizar. Pois acho que os do governo não chegam a verbalizar isso. Caso verbalizem a quatro paredes, então, estamos perdidos.

  17. Ricardo Lopes
    11/07/2013 at 23:28

    Essa validação do diploma deveria ser extendida para todo médico que atue no Brasil, não apenas para médicos estrangeiros. Todo egresso do curso de medicina deveria fazer uma prova para ter um registro profissional junto a uma ordem profissional, como faz já há alguns anos a OAB. Eu discordo que a fiscalização do CRM seja muito rigorosa. Claro que isso pode variar muito de Estado para Estado, mas acho que na maioria dos Estado ela deixa a desejar. Já liguei no conselho para fazer denúncia e notei que eles tratam com certo descaso. Não tem interesse em registra-las. Sabemos que no Brasil há muita impunidade, tem muita gente que sofreu erro médico lutando anos na justiça por algum tipo de reparação. Muitos morrem e esse tipo de erro médico fica encoberto para todo o sempre. Alguns advogados recomendam as pessoas a procurarem diretamente a justiça comum, não tentar ir atrás de CRM, justamente pela inoperância em muitos casos. Enfim, são várias as nuances, mas o principal é a corrupção do setor público, de clínicas privadas e dos profissionais. Esse drama perpassa várias entidade profissionais, mas algumas ele fica mais explicíto em razão da natureza mais imprescindível para a vida das pessoas.

    • 11/07/2013 at 23:35

      São Paulo parece que instituiu o exame. O correto seria ter um rankeamento de todo profissional, revisável quando ele requisitasse. Ou seja, ela poderia fazer outro depois de alguns anos. Os americanos fazem isso, para que se possa ir para o doutorado.

    • Antônio Carlos
      12/07/2013 at 21:44

      Ricardo, esse é o sonho das entidades médicas e de qualquer pessoa de bem. Não o da nossa presidentA, obviamente, que busca mão-de-obra barata e de baixíssima qualidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *