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14/12/2017

Pedagogia é curso de pobre


O número de matrículas no curso de pedagogia em forma de EAD já é maior que o número no curso presencial. Mas que não se pense que isso significa o aumento de números de professores no Brasil, pois os nossos cursos em EAD, em quaisquer habilitações, produzem 50% de evasão. Trata-se de um número que assustador, inapropriado e inédito no mundo de países com a economia do Brasil.

O curso em EAD tem evasão por diversas razões, mas uma delas, que é a mais vergonhosa, é que os estudantes são os mais pobres e os mais despreparados, não entendem as regras de interação, não sabem estudar sozinhos, não possuem disciplina e, enfim, com tudo isso nas costas, desanimam e param o curso, mesmo sendo gratuito!

Pedagogia é curso de pobre. E sendo de pobre, uma vez no Brasil, é curso dos mais ignorantes. O Brasil reproduz sua estrutura classista injusta para o campo da educação, justamente o campo em que, nos outros países, serve para tentar corrigir a estrutura classista injusta. Se no âmbito do presencial o curso de pedagogia é um curso sofrível, sem grandes atrativos salariais e também sem nenhuma marca do ponto de vista da curiosidade intelectual necessária para um curso universitário, no âmbito de EAD ele carrega tudo isso e mais um dado ruim: à chatice do curso é adicionada a inaptidão do aluno, e então surge a chatice solitária. O resultado é que o Brasil gasta em EAD para não produzir nada que preste. E no campo da formação de professores, isso nada é senão o descaso com o dinheiro público.

As pessoas que fazem o curso de pedagogia, ao ouvir que “pedagogia é curso de pobre” reagem agressivas. É próprio da condição do pobre (e ignorante) não entender a descrição daquilo que ele vive, principalmente se isso é a sua esperança de ser diferente. Toma a frase como preconceito e maldade – “elitismo”. Não sabe que ela é uma descrição da nossa realidade. Demos um passo errado a sair da Escola Normal de nível médio para o curso de pedagogia no ensino superior como o local de formação de professores das séries iniciais do ensino básico. A Escola Normal era boa, parecia com a universidade; o curso de pedagogia é fraco, parece com algo que fica aquém da pior Escola Normal que tínhamos.

O curso de formação de professores das séries iniciais do ensino básico – o curso Normal – nem sempre foi um curso de pobre. Era o curso das filhas dos fazendeiros e até de industriais. Sempre foi um curso feminino, mas de elite. Mesmo quando se democratizou, aceitando moças da classe média baixa, não perdeu a qualidade. Mas após a Reforma posta pela Ditadura Militar, a da Lei 5692/71 acoplada à Reforma Universitária de 1969, tudo começou a se perder. Veio a Habilitação Magistério no lugar da Escola Normal. Era o começo do fim. A Habilitação Magistério começava a ser uma válvula de escape oficial para o aluno pobre que queria uma profissão tirada na própria escola gratuita pública, e ao mesmo tempo um lugar em que ele não precisasse aprender ciências e principalmente matemática. A degradação era tamanha que alguns até diziam que para ensinar matemática as novas professoras não precisavam saber matemática, precisavam saber ensinar. Era o engodo total. E assim abrimos o canal para que ignorantes e pobres, pobres e ignorantes, tivessem um caminho para o término do ensino médio. Um trança pés. Isso não mudou, apenas piorou, quando veio a total transformação que fixou a formação em pedagogia como o campo exclusivo de formação de professores das séries iniciais do ensino básico. A democracia dos anos noventa completou então a desgraça iniciada pela ditadura. A gloriosa Escola Normal foi trocada pela caricatura de curso superior chamado curso de pedagogia.

A reforma atual do ensino médio que o governo Dilma preparou e que o governo Temer implementou, mas cuja ideia já vem de antes de Lula, é a transformação de toda a escola média em lugar para que a pobreza fique mais medíocre e então mais pobre. Pois agora a ideia é fazer do ensino médio como um todo a válvula de escape para que aquele que não quer aprender matemática para valer, ou ciências, ou seja lá qual for a disciplina que ele não gosta. Ele terá a chance de escapar de ter de criar um perfil de desvio, não de utilidade. Nenhum país do mundo faria algo assim. O aluno pobre, exatamente sem maturidade e formação, é chamado para dizer, pomposamente, qual a área de conhecimentos em que quer estudar. Duvido que aos 14 anos alguém, pobre ou não, saiba escolher algo. Duvido que se escolher “certo”, fará a coisa certa. Pois, afinal, o certo para todos, mas principalmente para o pobre, era ter o mais, não o menos. O menos ele já tem em casa. Se não damos chance para o aluno ter todas as disciplinas, com cargas horárias máximas, que sempre tivemos, estamos não mais tendo um gueto no ensino médio, mas fazendo do próprio ensino médio um gueto.

Bem, isso será então bom para o curso de pedagogia. Os piores alunos do ensino médio não irão mais só para o curso de pedagogia, irão para todos os cursos. Enfim, seremos todos aquilo que Caetano Veloso cantou sobre o Haiti, dizendo que “o Haiti é aqui”: “pretos, pobres” – não é isso que ele descreveu? (1) Seremos todos pedagogos. Uma massa inteira de gente com neurônios inaproveitáveis. Essa gente saberá que foi enganada, e reagirá com ódio a textos como este meu aqui, pois elas não suportarão ouvir de outro que elas foram enganadas, estão sendo enganadas. No fundo, elas acreditam que o melhor para elas é ter um ensino fraco. Elas não sabem exigir mais que aquilo que o destino perverso lhes dá.

Paulo Ghiraldelli Jr., 60, filósofo. São Paulo, 29/07/2017

PS1: Supondo que você leu o texto todo e discordou, um aviso: o texto não é sobre você, diretamente, mas sobre a transição da Escola Normal para o curso de pedagogia!

PS2: Para você refletir sobre a minha frase, eis a música de Caetano, uma das mais belas e contundentes líricas do poeta.

HAITIQuando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui 

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136 Responses “Pedagogia é curso de pobre”

  1. Ricardo
    30/07/2017 at 17:48

    Prezado Paulo, nem tenho o que acrescentar dada a precisão e corretude do texto.

    gostaria de sugerir(caso já não o tenha feito) uma análise sobre a aprovação automática.

    posso estar enganado, mas acho que esse também é um fator decisivo, já que o aluno termina o ensino médio quase sem saber escrever. e os governos mostram falsos índices de aumento de alunos concluintes do ensino médio.

    obrigado.

    • 30/07/2017 at 21:48

      Sim, o ensino médio está ruim e com a reforma tende a piorar.

  2. Ana
    30/07/2017 at 17:15

    Será que os demais cursos não conseguem também realizar essa prática? Talvez a reflexão pode ser feita de outra maneira. A formação em pedagogia não precisa de paletó, blusa branca de mangas compridas e passadas, nem jaleco ou demais adereços, pois somos formados para estarmos presentes em sala de aula desde o Pré-escolar e ensinar a qualquer criança que faça parte da nossa turma e realidade. Sem os pedagogos e professores em geral não há formação, na há alfabetização e por isso todos os questionamentos devem ser repensados. No Japão o profissional mais respeitado é o professor justamente pela sua importância e as políticas públicas e até reconhecimento e valorização dessa área.
    Pergunto: os professores são preparados para atender apenas alunos nota 10 que possuem todas as habilidades desenvolvidas ou façam parte da classe A? Muito pelo contrário essa visão deve ser revista. Hoje temos vários profissionais dignos que saíram de um quadro da pobreza e alcançaram uma formação em Direito, Medicina, entre outras.
    Muito me assusta alguns posicionamentos, pois se formos analisar é na Educação Básica que tudo deve começar. Um pensamento de trabalhar com um método o qual possa abordar situações como consciência e autonomia. Contudo, ainda estamos presos ao método tradicional, apesar da legislação prevê tantas normativas que auxiliam na formação de um cidadão íntegro e com potencial de ingressar na faculdade ou universidade e agregar tantos conhecimentos. Se estamos com o pensamento contrário, ainda se dá pelos retrocessos práticos e de pensamento dos próprios profissionais que ainda estão em sala de aula sem dar sentido e significado para sua docência e querem apenas cumprir com um cronograma.
    A mudança não deve estar pautada em dizer que o curso de Pedagogia está sendo formado por pobres e sim no que você pode fazer para mudar esse cenário. Esse é o significado da docência: ensinar, motivar, instigar e levar o aluno a ser resiliente, ir além e conquistar seus objetivos.
    A mesma prática que realizo com um deve ser feita com todos. Não sejamos generalistas e nem queiramos diminuir o potencial das pessoas. Seja diferente e entre em sala de aula também para tal, pois um dia lá na Pré-escola você aprendeu com um professor e teve a presença de um pedagogo.
    O Brasil ainda vive a desvalorização da área e com isso enfrentamos a falta de identidade de alguns por essas questões.

    • 30/07/2017 at 21:49

      Minha questão não é a licenciatura em geral. Esse é outro problema.

  3. Eva
    30/07/2017 at 17:11

    Concordo plenamente.
    Sou coordenadora em uma escola estadual e alguns professores não gostam de participar da formação, não lêem os textos indicados, reclamam o tempo todo do salário, das cobranças, mas não deixam o magistério. Eles querem me matar, pois eu disse a mesma coisa que o senhor escreveu no texto.

    • 30/07/2017 at 21:49

      Eva, esse é o problema, o profissional fica fraco e depois se conforma com isso. Não pode.

  4. Ana
    30/07/2017 at 16:54

    Será que os demais cursos não conseguem também realizar essa prática de acolher a todos? Talvez a reflexão pode ser feita de outra maneira. A formação em pedagogia não precisa de paletó, blusa branca de mangas compridas e passadas, nem jaleco ou demais adereços, pois somos formados para estarmos presentes em sala de aula desde o Pré-escolar e ensinar a qualquer criança que faça parte da nossa turma e realidade. Sem os pedagogos e professores em geral não há formação, na há alfabetização e por isso todos os questionamentos devem ser repensados. No Japão o profissional mais respeitado é o professor justamente pela sua importância e as políticas públicas e até reconhecimento e valorização dessa área.
    Pergunto: os professores são preparados para atender apenas alunos nota 10 que possuem todas as habilidades desenvolvidas ou façam parte da classe A? Muito pelo contrário essa visão deve ser revista. Hoje temos vários profissionais dignos que saíram de um quadro da pobreza e alcançaram uma formação em Direito, Medicina, entre outras.
    Muito me assusta alguns posicionamentos, pois se formos analisar é na Educação Básica que tudo deve começar. Um pensamento de trabalhar com um método o qual possa abordar situações como consciência e autonomia. Contudo, ainda estamos presos ao método tradicional, apesar da legislação prevê tantas normativas que auxiliam na formação de um cidadão íntegro e com potencial de ingressar na faculdade ou universidade e agregar tantos conhecimentos. Se estamos com o pensamento contrário, ainda se dá pelos retrocessos práticos e de pensamento dos próprios profissionais que ainda estão em sala de aula sem dar sentido e significado para sua docência e querem apenas cumprir com um cronograma.
    A mudança não deve estar pautada em dizer que o curso de Pedagogia está sendo formado por pobres e sim no que você pode fazer para mudar esse cenário. Esse é o significado da docência: ensinar, motivar, instigar e levar o aluno a ser resiliente, ir além e conquistar seus objetivos.
    A mesma prática que realizo com um deve ser feita com todos. Não sejamos generalistas e nem queiramos diminuir o potencial das pessoas. Seja diferente e entre em sala de aula também para tal, pois um dia lá na Pré-escola você aprendeu com um professor e teve a presença de um pedagogo.
    O Brasil ainda vive a desvalorização da área e com isso enfrentamos a falta de identidade de alguns por essas questões.

    • 30/07/2017 at 16:55

      Sugiro, Ana, que leia meu artigo até o fim, duas vezes. E reflita.

    • Gislaine
      30/07/2017 at 18:00

      Concordo plenamente com o artigo e acrescento observações que tem sido feitas por profissionais que estudam essas questões, o déficit no ensino da matemática básica está ligado diretamente com a falta de interesse e despreparo dos pedagogos. A maioria optar pelo curso por ser fácil, não ter disciplinas fortes em conteúdo científico e matemático assim como raciocínio lógico. Muito deve melhorar para que o país possa sair da mediocridade, mas o governo não o quer. E o que mais me preocupa é que aqueles que mais deveriam desejar isso, preferem o fácil. Triste Brasil

  5. Rejane
    30/07/2017 at 15:06

    Ouvir ou falar sobre a realidade é um tanto desolador. De todas as maneiras o texto retrata bem o cenário educacional em que vivemos, e como futuros pedagogos experenciamos. A defasagem humana qualitativa da pedagogia é nítida, infelizmente. Mas não vamos deixar que isso seja enraizado, a mudança pode vir de você, de mim, de nós!! E que venha a Revolução!! ????

  6. 30/07/2017 at 14:38

    Sou estudante de pedagogia e trabalho com normalistas e fico adimirada com a sabedoria . Eu sempre fui uma aluna inteligente e dedicada sei que seria capaz de fazer faculdades mais “difíceis ” mas optei por pedagogia por gostar . Mas eu vejo muito que as pessoas so fazem esse curso pra dizer q tem faculdade ou porque é um curso barato . Por isso é tão desvalorizado. Os próprios profissionais não se dão o valor. Muito reflexivo seu texto .

  7. Anny
    30/07/2017 at 13:56

    Concordo! Sou estudante de pedagogia, 3º semestre, negra e pobre, vindo da escola pública, tenho muitas dificuldades em acompanhar a ritmo, na verdade muitos dos meus colegas também. Sentimos os Docentes de forma aberta ou velada a todo momento nos fazendo entender que aquele espaço não é para a gente, não sabemos escrever direito, não dominamos conhecimentos básicos, muitos estudantes sem nenhuma responsabilidade com a sua própria formação apenas estão lá para passar tempo,ainda conheço alguns que não tem a menor condição psicológica para exercer a profissão.Os Docentes passam artigos, trabalhos na tentativa de melhorar nosso escrita, muitos dos docentes sinalizam uma preocupação com o TCC, pois a maioria dos estudantes de pedagogia tem uma dificuldade absurda fora de qualquer normalidade em escrever seu próprio trabalho de conclusão aí a “guerra começa” muitos estudantes revoltados abre processos contra alguns professores. Estou muito preocupada com a minha formação , no que vou oferecer aos meus alunos. Estudo em uma universidade pública no qual o curso de pedagogia é um dos melhores do Brasil. Esse texto mostra a realidade, fiz uma tentativa compartilhei com alguns colegas o texto os mesmo se recusaram a admitir essa realidade.

    • Rejane
      30/07/2017 at 15:11

      Concordo plenamente com sua reflexão. Há universitários muito aquém das habilidades que um professores deve apresentar em seu currículo. Parece ser uma banalização do curso, será??

  8. Margareth Chermont
    30/07/2017 at 13:49

    Entendi a essência de que há uma ausência de fundamentos ao Curso de Pedagogia que se dava no Normal, no Magistério. E concordo com este ponto. Concordo ainda que a Reformas, tanto na 4024/61 (5692/71 e 7044/82), quanto a Reforma do Ensino Médio na atual LDB, são para indução de pobres a um ensino profissionalizante lacunado e imoral. Mas existem formas de analisar e criticar sem ser grosseiro. E de nada adianta você ser Doutor em qual área for e agredir alunos que são frutos de ensinos como os que têm neste país.
    Na minha luta na Pedagogia, tento de todas maneiras levar meus alunos a verem essa realidade em torno de sua formação. Tento levá-lo a querer ser melhor, a estudar, a conhecer, a querer ser um bom profissional.
    Infelizmente, textos como o seu destroem o que eu luto tanto para mudar, sem desmerecê-los.

    • 30/07/2017 at 14:26

      Margareth, você concorda com tudo, mas não escreve, apenas “luta”. Bem, na aula eu também faço, não vou desanimar ninguém. Mas tenho outras funções: a de filósofo. Então, eu escrevo, pois filósofo não foi feito para passar a mão na cabeça. Ou quer um filósofo mentiroso? Ou quer auto-ajuda, palestrante motivacional?

  9. Danielli
    30/07/2017 at 13:32

    Boa leitura!
    Excelente contextualização do descaso que estamos sofrendo, não apenas na categoria, mas com a educação de um Estado….
    Gostei muito da reflexão!
    Compartilhando a leitura.
    Obrigada!

  10. Karla
    30/07/2017 at 13:29

    Outra coisa que me entristece com relação a educação é vê salas de faculdade com estudantes em pedagogia que se limitam apenas aos conteúdos e conhecimentos transmitidos pelos professores limitando-se, no entanto deveríamos ser pesquisadores e leitores efetivos, mas uma grande maioria presenteiam o sistema com a falta de informação e formação efetiva.

  11. Marlei
    30/07/2017 at 12:31

    É a triste realidade. A educação morreu com total apoio e investimento do governo. Pobre tem que continuar pobre, a começar pelo pensamento. Tantos se ofederam por quê?

  12. É muito triste ver um relatório como esse, que deveria ser exaltado pelos colegas e futuros pedagos, quando lembro o quanto estudei me empenhei para ter o orgulho de um dia dizer sou pedagoga
    Fiz magistério curso normal, é minha paixão aumentou, trabalhei 28 anos com ensino no sistema FIEB, onde desenvolvia trabalho com secretaria escolar e convivendo com pedagogos que me incentivaram a fazer uma faculdade de pedagogia por ver meu perfil, foi o que fiz com muito amor a essa profissão.
    Hoje vejo a desvalorização de oito anos dedicados a essa profissão.
    Mais minha recompensa é ver meus alunos formando profissionais realizados mesmo não seguindo pedagogia mais conheceram a pedagogia de perto e muitos agradecer em e dizerem quando encontro mesmo virtualmente, pró muito obrigada
    Escolhi essa profissão por amor e não tenho arrependimento pois meu aprendizado ninguém tira.
    Amo a pedagogia.

  13. Deise Costa
    30/07/2017 at 12:20

    Sou pedagoga, mas 6 anos antes de ir para a universidade fiz o curso do magistério, estou terminando a minha terceira pós… Lendo o seu texto, professor, tenho que concordar que o magistério me preparou melhor que a universidade para atuar nos anos inicias e na educação infantil, porém, nos cursos Normais remanescentes na minha região, há uma lacuna muito grande, uma falta de exigência para com as estagiárias e um planejamento fora de contexto, digo isso porque atualmente estou supervisora de uma escola de educação infantil municipal e acompanho os alunos que realizam estágio. Mas uma coisa é certa, um bom professor não pode ser preguiçoso, deve estar sempre estudando se quiser mudar esta perversa realidade do ensino no Brasil.

    • 30/07/2017 at 12:46

      Deise, muitas normalistas falam isso, inclusive minha esposa.

  14. Júnia Nunes
    30/07/2017 at 10:46

    Texto incrivelmente, absurdamente correto. Parabéns Paulo Ghiraldelli.

    • 30/07/2017 at 11:10

      Júnia, infelizmente estou certo. Quisera eu que o fim da Escola Normal não ocorresse. Lutei com força total contra isso. Paguei caro.

  15. samara
    30/07/2017 at 10:38

    Realmente tudo verdade, vivi isso na Universidade observando alguns alunos do curso de pedagogia, quando comentava com alguns colegas zombavam

  16. Fernanda Cruz
    30/07/2017 at 10:29

    Perfeito e muito reflexivo! Sou pedagoga!

    Abraços

  17. Fernanda Cruz
    30/07/2017 at 10:27

    Perfeito é muito reflexivo! Sou pedagoga! É amo filosofia!
    Abraços

  18. Priscila
    30/07/2017 at 10:19

    Bom dia, professor. Eu já sabia que o texto era provocador sem ser ideológico, porque você nunca me pareceu alguém que sirva às dicotomias… É sempre um prazer ouvir suas narrativas e pontos de vista, ainda que de forma ácida. O brasileiro é cheio de moralismo e acha sempre o defeito nos outros, em geral nos que estão hierarquicamente acima deles, com os quais acredita que não possa ou não deva dialogar. As pessoas têm o maior medo de enfrentar a incoerência de suas crenças. Quem estuda e quem leciona nos atuais cursos de pedagogia vive a reclamar. Na Unesp, no começo dos anos 2000, sempre ouvi os professores chamaremos calouros de analfabetos. Imagino hoje! Não era ofensa , era diagnóstico: a mira dos programas educacionais está na alfabetização. Mas a compreensão deste seu texto não é só por falta de letramento e alfabetização. É também uma inconsistência na formação das pessoas, tão dadas às verdades e crenças que enxergam as diferenças como ataques à sua “honra e moral”. O Ensino público é pra pobre e desvalido continuar pobre e desvalido. Por isso nem mesmo os professores que nela atuam matriculam seus filhos nas particulares (tradicional e elitista por definição). Muito hipócrita defender este sistema que aí está e o professor pra mudar a realidade de seus pobres alunos vai ter que suar sangue! Este seu texto, professor, É pra doer, porque toca nas fragilidades e fracassos pessoais de todos nós. Um abraço! Seus ensinamentos continuam a me inspirar
    Espero que você esteja bem , feliz e em paz!Abracos

    • 30/07/2017 at 10:26

      Priscila, é exatamente isso! A transição da Escola Normal para o curso de pedagogia é aquela coisa de deixar o pobre com o lugar dele, o de pobre por meio de um curso empobrecido. Você pegou a coisa. Outros pegaram. Um minoria achou que o texto era uma ofensa para eles. Não entenderam.

  19. Neusa Feniman
    30/07/2017 at 09:32

    Uauuuuuu……..realmente esse texto é um tapa na nossa cara .
    Após me deleitar com esta senhora provocação, só tenho que concordar…..e digo mais, infelizmente muitos colegas não conseguirão compreender a amplitude e verdade estampada nas suas palavras.
    Mas, a revolta destes revelará tão somente a sua má formação, que os leva a não capacidade de ler um texto até o final e para alguns ler e ainda assim nao comprender.
    Também esperar o quê de um país que implementa políticas educacionais que aí estão?????
    Que não percamos a capacidade de compreender e nos indignar, mesmo que para isso sejamos chamados de loucos e ou coisa pior!!!!!!!
    #pormaisloucos

  20. Helena
    30/07/2017 at 09:18

    Então…nos cursos presenciais das faculdades particulares a realidade não é tão diferente. Pessoas de baixa renda vêem a possibilidade de melhora financeira. Até aí tudo bem. Infelizmente vem atrelado a pobreza de formação dá pessoa e a menor exigência das faculdades. Resultado professores mau formados, com conhecimento raso em sala de aula. Quando digo raso, refiro me a conteúdos básicos do ensino fundamental. Por exemplo tive que explicar, na minha escola, concordância verbal simples, ordem das operações numa expressão numérica, básico de fração, verbos no passado e futuro (ão/ am)… questões básicas que deveriam ter sido aprendidas na escola fundamental dessas pessoas. Ciclo difícil de se quebrar com o investimento atual destinado à educação.

  21. Jaqueline Matias
    30/07/2017 at 09:16

    Engraçado é que há realmente pessoas pobres financeiramente no curso de Pedagogia, mas as pobres de espírito e as preguiçosas intelectualmente não permanecem. No meu caso, era um sonho antigo, nunca me vi estudando outra coisa. Não sou de origem pobre financeiramente e o meu curso foi presencial. Achei o curso maravilhoso em todas as áreas e não encontrei dificuldade alguma intelectual. Tudo era estudado com muito entusiasmo pelo prazer de aprender. Sempre disse que foi um curso delicioso. Após o término do curso montei uma escola particular com objetivo de desenvolver habilidades de pessoas com dificuldades e transtornos de aprendizagem. Antes disso é claro que precisei cursar Psicopegagogia. Agora o próximo passo é montar um consultório! Entendi a visão do autor sobre as pessoas que ingressam ao curso de Pedagogia, porém, não concordo com ponto de vista generalizador. Nem todas as pessoas que buscam essa área tem esse perfil, e não sermos ignorantes, implica também respeitar o outro.

    • 30/07/2017 at 09:22

      Jaqueline o texto não é sobre você, mas sobre a transição da Escola Normal para o curso de pedagogia!

  22. Bruna
    30/07/2017 at 08:32

    Entendi perfeitamente seu texto. E é visível que tem horror a pobres, quando o curso alcançava apenas a elite era eficaz, alcançou o pobre já era! Acordar com uma mensagem dessa, me faz querer recolher minha insignificância e sumir! Vc é mesmo filósofo?? Acho que queria aparecer, relaxe você conseguiu amigo!

    • 30/07/2017 at 09:11

      Bruna! Meu anjo, leia 5 vezes, não entendeu nada! Nem entendeu a ligação, que desmente você, de uma música que você talvez nem conheça. Do Caetano. Meu horror é tratar o pobre para que ele fique pobre. O texto é fácil, leia de novo.

  23. Cinthia Borba
    30/07/2017 at 08:14

    Pedagogia é um curso maravilhoso mas no Brasil não funciona por conta da desigualdade social. Em quanto os elitistas se formam na escola Waldorf, os “haitianos” passam por um processo educacional de massa. Saindo com certificado de pedagogo para dar continuidade ao plano educacional brasileiro. Não há professores preparados pq não há um plano educacional libertador. O pedagogo veio de uma escola e se formou em uma faculdade mecanizada e ultrapassada. Ai eu pergunto: os alunos que se formam na escola Waldorf será que eles querem ser pedagogos?

  24. Lene
    30/07/2017 at 08:10

    Muito pertinente seu texto, mas poderia ter destacado também varios outros cursos que são destinados aos pobres!
    De qualquer forma, concordo com o que escreveu e infelizmente, no Brasil, não se respeita os professores e muitos outros profissionais! Vivemos ainda no cabresto camuflado!
    Inicialmente, recebi o link do seu texto pelo Whatsapp, já com uma crítica e cara de espanto, mas após fazer a leitura, percebi que tem muita verdade no que escreveu! É a nossa triste realidade!

    • 30/07/2017 at 09:12

      Lene, as licenciaturas em geral possuem uma outra história. O que fiz foi historiar o fim da Escola Normal.

  25. Hilquias Honório
    30/07/2017 at 01:35

    A primeira vez que ouvi o professor dizer algo como “a escola não deve ser para a pobreza” fiquei escandalizado. Mas entendi até onde queria chegar. Na época, uma pessoa me dissera para sempre ler tudo até o fim, não abandonar qualquer linha de pensamento por dogmatismo. Hoje, uns dois anos depois, entendo perfeitamente do que o professor está falando. Realmente, a falta de uma boa escola não permite que as pessoas compreendam esse tipo de frase, e essa incompreensão se junta ao medo de se perceber sendo feito de trouxa.

  26. Kendra Lima Ferreira
    30/07/2017 at 01:22

    Triste realidade…
    Estou concluindo pedagogia EAD e realmente é difícil estudar sozinha, requer disciplina e força de vontade. O curso não será suficiente para ninguém por melhor que seja, um professor precisa estudar para sempre!
    E a pergunta que fica é…
    Para quem interessa bons professores?
    Escolhi por amor mas sei das dificuldades e das minhas limitações mas acredito em uma sociedade mais justa e igualitária e sempre vou lutar por isso.

  27. Lula me Lamour
    30/07/2017 at 01:10

    num país em que 10% da população fica com mais de 96% de toda riqueza nacional, fora alguns imbecis que se acham ricos, todos são pobres de fato. Se acha que pedagogia atrai gente despreparada, nunca soube do que acontece em filosofia

    • 30/07/2017 at 07:02

      BATISTA, EU SEI algo de escola, nasci numa, cresci em várias, calma.

    • Bruna
      30/07/2017 at 08:43

      Bravooo. Ele soube criticar um curso, mas esqueceu de olhar para o pobre curso de filosofia atual kkk

    • 30/07/2017 at 09:10

      Bruna! As licenciaturas estão mal, mas você não leu o meu texto. Nenhum licenciatura se fez pelo fim da Escola Normal, esse é o assunto, querida.

    • Jéssica
      30/07/2017 at 16:52

      Ótimo parabéns pelo comentário! Concordo plenamente.

  28. Thayane
    30/07/2017 at 00:59

    E só acabar com o curso kkkk pronto resolvido é assim acaba com as outras profissões também, Como se só o pedagogo é isso ou aquilo ,ao invés de criticar ou refletir, crie estratégias para mudar esse país que está cada vez afundando em tanta corrupção. Se fosse só o curso de pedagogia fosse assim ,eu não pensava duas vezes e mudava de curso kkkkkkkkkkkk

  29. 30/07/2017 at 00:36

    Talvez você nunca leu um dos maiores intelectuais do Brasil, Paulo Freire , só ele que me faz entender o porquê de vc atacar a pedagogia.

    • 30/07/2017 at 07:03

      Audiomelo, dê uma olhada nisso, vai gostar, talvez: As lições de Paulo Freire (Editora Manole) . OK?

  30. osmar
    30/07/2017 at 00:36

    Paulo.
    Sou professor de Filosofia no Ensino Médio e atualmente não vejo esses cursos de pedagogia como essencial para o bom aprendizado ou para ensinar bem. Também fiz pedagogia há mais de 25 anos e não me serve. Já estou quase aposentando em sala de aula e não quero nenhum cargo de diretor ou ensinar no fundamental. Ainda existem universidades que fazem propagandas de cursos de pedagogia.

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