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17/08/2017

Pedagogia é curso de pobre


O número de matrículas no curso de pedagogia em forma de EAD já é maior que o número no curso presencial. Mas que não se pense que isso significa o aumento de números de professores no Brasil, pois os nossos cursos em EAD, em quaisquer habilitações, produzem 50% de evasão. Trata-se de um número que assustador, inapropriado e inédito no mundo de países com a economia do Brasil.

O curso em EAD tem evasão por diversas razões, mas uma delas, que é a mais vergonhosa, é que os estudantes são os mais pobres e os mais despreparados, não entendem as regras de interação, não sabem estudar sozinhos, não possuem disciplina e, enfim, com tudo isso nas costas, desanimam e param o curso, mesmo sendo gratuito!

Pedagogia é curso de pobre. E sendo de pobre, uma vez no Brasil, é curso dos mais ignorantes. O Brasil reproduz sua estrutura classista injusta para o campo da educação, justamente o campo em que, nos outros países, serve para tentar corrigir a estrutura classista injusta. Se no âmbito do presencial o curso de pedagogia é um curso sofrível, sem grandes atrativos salariais e também sem nenhuma marca do ponto de vista da curiosidade intelectual necessária para um curso universitário, no âmbito de EAD ele carrega tudo isso e mais um dado ruim: à chatice do curso é adicionada a inaptidão do aluno, e então surge a chatice solitária. O resultado é que o Brasil gasta em EAD para não produzir nada que preste. E no campo da formação de professores, isso nada é senão o descaso com o dinheiro público.

As pessoas que fazem o curso de pedagogia, ao ouvir que “pedagogia é curso de pobre” reagem agressivas. É próprio da condição do pobre (e ignorante) não entender a descrição daquilo que ele vive, principalmente se isso é a sua esperança de ser diferente. Toma a frase como preconceito e maldade – “elitismo”. Não sabe que ela é uma descrição da nossa realidade. Demos um passo errado a sair da Escola Normal de nível médio para o curso de pedagogia no ensino superior como o local de formação de professores das séries iniciais do ensino básico. A Escola Normal era boa, parecia com a universidade; o curso de pedagogia é fraco, parece com algo que fica aquém da pior Escola Normal que tínhamos.

O curso de formação de professores das séries iniciais do ensino básico – o curso Normal – nem sempre foi um curso de pobre. Era o curso das filhas dos fazendeiros e até de industriais. Sempre foi um curso feminino, mas de elite. Mesmo quando se democratizou, aceitando moças da classe média baixa, não perdeu a qualidade. Mas após a Reforma posta pela Ditadura Militar, a da Lei 5692/71 acoplada à Reforma Universitária de 1969, tudo começou a se perder. Veio a Habilitação Magistério no lugar da Escola Normal. Era o começo do fim. A Habilitação Magistério começava a ser uma válvula de escape oficial para o aluno pobre que queria uma profissão tirada na própria escola gratuita pública, e ao mesmo tempo um lugar em que ele não precisasse aprender ciências e principalmente matemática. A degradação era tamanha que alguns até diziam que para ensinar matemática as novas professoras não precisavam saber matemática, precisavam saber ensinar. Era o engodo total. E assim abrimos o canal para que ignorantes e pobres, pobres e ignorantes, tivessem um caminho para o término do ensino médio. Um trança pés. Isso não mudou, apenas piorou, quando veio a total transformação que fixou a formação em pedagogia como o campo exclusivo de formação de professores das séries iniciais do ensino básico. A democracia dos anos noventa completou então a desgraça iniciada pela ditadura. A gloriosa Escola Normal foi trocada pela caricatura de curso superior chamado curso de pedagogia.

A reforma atual do ensino médio que o governo Dilma preparou e que o governo Temer implementou, mas cuja ideia já vem de antes de Lula, é a transformação de toda a escola média em lugar para que a pobreza fique mais medíocre e então mais pobre. Pois agora a ideia é fazer do ensino médio como um todo a válvula de escape para que aquele que não quer aprender matemática para valer, ou ciências, ou seja lá qual for a disciplina que ele não gosta. Ele terá a chance de escapar de ter de criar um perfil de desvio, não de utilidade. Nenhum país do mundo faria algo assim. O aluno pobre, exatamente sem maturidade e formação, é chamado para dizer, pomposamente, qual a área de conhecimentos em que quer estudar. Duvido que aos 14 anos alguém, pobre ou não, saiba escolher algo. Duvido que se escolher “certo”, fará a coisa certa. Pois, afinal, o certo para todos, mas principalmente para o pobre, era ter o mais, não o menos. O menos ele já tem em casa. Se não damos chance para o aluno ter todas as disciplinas, com cargas horárias máximas, que sempre tivemos, estamos não mais tendo um gueto no ensino médio, mas fazendo do próprio ensino médio um gueto.

Bem, isso será então bom para o curso de pedagogia. Os piores alunos do ensino médio não irão mais só para o curso de pedagogia, irão para todos os cursos. Enfim, seremos todos aquilo que Caetano Veloso cantou sobre o Haiti, dizendo que “o Haiti é aqui”: “pretos, pobres” – não é isso que ele descreveu? (1) Seremos todos pedagogos. Uma massa inteira de gente com neurônios inaproveitáveis. Essa gente saberá que foi enganada, e reagirá com ódio a textos como este meu aqui, pois elas não suportarão ouvir de outro que elas foram enganadas, estão sendo enganadas. No fundo, elas acreditam que o melhor para elas é ter um ensino fraco. Elas não sabem exigir mais que aquilo que o destino perverso lhes dá.

Paulo Ghiraldelli Jr., 60, filósofo. São Paulo, 29/07/2017

PS1: Supondo que você leu o texto todo e discordou, um aviso: o texto não é sobre você, diretamente, mas sobre a transição da Escola Normal para o curso de pedagogia!

PS2: Para você refletir sobre a minha frase, eis a música de Caetano, uma das mais belas e contundentes líricas do poeta.

HAITIQuando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui 

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131 Responses “Pedagogia é curso de pobre”

  1. Lais Santana
    15/08/2017 at 12:39

    Boa tarde!

    Prezado, Paulo.
    Li, Li novamente, li de novo, li mais de uma vez.
    Porém gostaria de entender melhor o sentindo de texto!!!
    Sou estudante de pedagogia em EAD, gostaria de entender melhor o que você quer passar com o texto.
    Por favor, me faça enxergar a finalidade do mesmo!

    Fico no aguardo.

    • 15/08/2017 at 13:58

      Lais o texto tem um só fio condutor: o que era e o que viramos. Tínhamos uma boa formação de professor com a Escola Normal, aumentamos os anos de estudo para tal, jogando a formação para o curso de Pedagogia, e com isso perdemos ao invés de ganhar. Virou um curso que a música do Caetano, Haiti, diz bem.

  2. Jéssica Barbosa
    03/08/2017 at 15:22

    Dou a qualquer pessoa o direito de dizer que minhas palavras podem estar equivocadas, mas ao analisar esse texto creio que não da pra ler ao pé da letra, a critica dele esta nas entrelinhas, a intenção dele como filosofo esta para alem de tentar “diminuir” a profissão, é bem mais complexo do que parece este texto e extremamente intencional, afim de provocar não um desconforto qualquer, mais “O desconforto”, não sei se estou me fazendo compreender, e se estou certa, mas ele usa de uma linguagem irônica para propor uma analise mais fiel ao que estão fazendo com a educação básica no Brasil a anos…e só pra eu também não ser mal interpretada como futura Pedagoga…não creio na vertente de que as pessoas mais ignorantes façam Pedagogia, assim como acho que nem é essa a intenção dele…! Ghiraldelli me confunde de mais, nunca tenho certeza da fiel intenção dele, horas acho que é estratetigo, horas fico com raiva rs…Por favor Ghiraldell se possível me confirme se estou certa ou não da sua real intenção.

    • 03/08/2017 at 17:24

      Jéssica, o texto é simples: ele é uma história de um tropeço, a troca do curso normal pelo curso de pedagogia. Tropeçamos, e estamos pagando o tropeço.

  3. E. HENRIQUE
    03/08/2017 at 08:05

    Vejo claramente seu tom. Vou falar de forma clara pra ver se vc entende, caso não entenda Leia 5 ou 6 vezes: seu intelecto não é superior a todo instante, pessoas discordam e as vezes é o autor que tem que ler algumas vezes e saber que a escrita não oferece licenças

    • 03/08/2017 at 08:22

      Henrique, leia meu texto mais vezes, sempre. No seu caso, sempre.

  4. Kelly
    01/08/2017 at 00:37

    É um curso,excelente como todos os outros! Desde que o aluno goste de estudar e pesquisar sobre a perspectiva da educação atual. Consegui bolsa total. Me dediquei muito aos estudos semestre a semestre é um curso para pessoas que gostam de estudar de verdade! A maioria da minha turma desistiu,sim! por não conseguir refletir e compreender o que é ser professor hoje na sociedade decadente que vivemos.De pessoas preconceituosas e que emitem opinião sem conhecer a realidade exposta.Ser professor!”pedagoga(o) tem que amar o que faz,querer ver a diferença,o desenvolvimento do aluno através do conhecimento o professor ensina mas aprende todos os dias.A seres humanos,no dia-a-dia nas escolas.Um pedagogo que se preze, muitas vezes é o único exemplo incentivo e apoio que um aluno tem.Onde na família ele não tem nada nem um pouco de atenção. Vida de pedagogo não é fácil.Ainda com um texto preconceituoso e genérico como esse. Tem ótimos pedagogos que estudaram semi-presencial e são excelentes professores e sempre pesquisando e buscando novas práticas de ensino para ter um bom resultado em sala de aula e passar esperança para esses alunos que estão assim tão desacreditados e negativos como o o autor do texto.Há excessões.

    • 01/08/2017 at 07:47

      Kelly você não entendeu o meu texto, mas o pior, está num mundo de fantasia que me assusta.

  5. Luísa Braga
    31/07/2017 at 23:46

    Fiquei curiosa em saber se filósofo ou filósofa sabe matemática?? Quem te ensinou a nadar??

    • 01/08/2017 at 07:50

      Luísa Braga aprendi matemática com meus professores, mas garanto, dois deles, os melhores, fizeram a escola normal. Agora, nadar eu aprendi com meu pai, também professor, inclusive de natação. Professor de Educação Física formado pela USP, quando nem existia ainda a cidade universitária. Meu pai foi diretor de escolas anos e anos, e eu passei 40 anos da minha vida no magistério. E agora? Conseguiu ter uma dica do sentido do texto ou ainda não?

  6. Fabiana Gomes Chales
    31/07/2017 at 11:40

    Infelizmente colegas sou uma dessas pessoas pobres e tentando sobreviver em uma sociedade de burguês, concordo com o Sr Paulo, e estou nessa estatística, mãe desempregada negra com dois filhos tentando fazer um curso de merda que é a pedagogia, na verdade sempre achei um curso de merda mesmo, porém como nunca tive incentivo e também um emprego digno de um ser humano que só quer vencer com dignidade em um país de ladrões e brancos, vou tentando como posso. Quando era criança meu sonho era ser delegada, sonhava em fazer o curso de direito e depois ser especialista na justiça digna que sempre sonhei, mas ai nunca conseguia um emprego legal, para que eu pudesse pagar o curso, ai percebi que aquilo não era pra mim. E hoje com os meus 3.6 sou uma pessoa frustrada e revoltada, e realmente quando converso com um jovem pobre, a visão dele não é ser Juiz ou Médico, e sim professor ou pedagogo, a profissão que na verdade irá no máximo ter uma casinha própria para morar, e ir no parque de graça com os filhos. Muito bom seu texto Sr Paulo, nunca tive coragem de falar o que o Sr disse, parei o curso no último semestre por falta de grana, não consigo emprego, e na verdade um curso nojento e chato, levou o meu dinheiro que eu tinha para alimentar meus filhos. As pessoas fazem na verdade para terem um diploma só isso, realmente é barato e sem filosofia nenhuma para a vida. O magistério ainda seria a melhor opção, mas o governo burguês destruiu, apesar que o governo burguês destruiu quase tudo para os negros e pobres nesse país, vivemos hoje pela fé, quem realmente acredita que um dia o filho do homem irá governar, faço parte desse bloco da fé. Aguardando a vinda do homem para salvar meus sonhos e das pessoas que amo.

    • 31/07/2017 at 11:50

      Fabiana, volte a estudar, há escola pública por aí, inclusive EAD público. Você é sua única salvação.

  7. Luciene Aparecida Pinto Costa Pereira
    31/07/2017 at 11:25

    Seu texto reflete a realidade em que os cursos de formação estão imersos. A situação piora, com estas políticas educacionais que corroboram para o desmantelamento da educação. Infelizmente, estamos formando pedagogos como massa de manobra e estes reproduzuem em suas aulas de aulas o que aprenderam. Com diz Mariano Enguita em seu livro “A Face Oculta da Escola”, a educação tem por objetivo preparar os indivíduos para o mundo do trabalho alienado, para serem mão de obra barata. Parabéns pelo texto, nos causa um mal estar, mas é a realidade em que estamos inseridos. Quem sabe os futuros pedagogos lessem seu texto e começassem a pensar em reverter esta situação em que eles estão inseridos e passasem a reivincar uma formação profissional mais séria .

  8. Josi
    31/07/2017 at 10:44

    Faço curso de pedagogia presencial em uma Universidade estadual.
    Concordo com seu texto em todos os sentidos.
    Infelizmente o curso de pedagogia está deixando a desejar, o que se vê nele hoje é ativismo e nada de matemática, português e metodologias significativas para se trabalhar de forma satisfatória a alfabetização.
    São futuros pedagogos que não sabem ler, interpretar textos e muito menos resolver contas básicas de matemática, mas são expertise em ativismo revolucionário…
    Tenho dó dos alunos que passarão por esses “professores”

  9. Josiane Silva
    31/07/2017 at 10:41

    Faço curso de pedagogia presencial em uma Universidade estadual.
    Concordo com seu texto em todos os sentidos.
    Infelizmente o curso de pedagogia está deixando a desejar, o que se vê nele hoje é ativismo e nada de matemática, português e metodologias significativas para se trabalhar de forma satisfatória a alfabetização.
    São futuros pedagogos que não sabem ler, interpretar textos e muito menos resolver contas básicas de matemática, mas são expertise em ativismo revolucionário…
    Tenho dó dos alunos que passarão por esses “professores”

  10. Letícia
    31/07/2017 at 08:52

    Eu vi coerência em seu texto e entendi a proposta, porem percebi em suas respostas aos leitores que o excelentissimo senhor com muitos anos de carreira melhor que todos os leitores ,não aceita crítica, os que elogiaram não receberam nem mesmo um obrigado, já os que não concordam com suas idéias, foram quase chamados de ignorantes, de que adianta ser uma pessoa tão estudada e não saber o ato da humildade.

    • 31/07/2017 at 09:58

      Letícia os que concordam não precisam de elogios, e os que discordam precisam discordar com razões, se não entenderam, são convidados a ler novamente. Você é vítima da ideologia da humildade e da carência. Precisa de mão na cabeça. Filósofo não é autor de auto-ajuda.

  11. Reinaldo
    31/07/2017 at 08:41

    Caro Sr. Paulo, finalizo este semestre o curso de Pedagogia EAD, porem já sou formado em Analise e Desenvolvimento de Sistemas, vários cursos na área de informática e tive empresa por 15 anos e mais de 25 anos de experiência na área, por opção hoje sou professor de cursos profissionalizantes e professor de informática em uma ONG, onde trabalho com crianças de 5 até 14 anos. Na verdade comecei o curso de Pedagogia como semi-presencial e tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas que são “guerreiras”, pobres financeiramente mas ricas na vontade em querer em mudar sua história através da educação. Concordo com muitos comentários de seu texto, mas não fique desmoralizando ou menos prezando os outros sem conhecer suas histórias, o curso pedagogia ensina que os educadores devem conhecer a história da vida da criança, jovem ou adulto, para assim juntos ajudar a aprender e desenvolver como uma pessoa “rica”! Quanto ao curso de Pedagogia, na minha opinião muito bom, precisa mudar alguns conteúdos, mas através dele percebi que o importante não é ter status, títulos ou ser rico, existe valores mais importantes que isso, para muitos ser rico é ter generosidade, amor ao próximo. Muito de seu texto foi preconceituoso, ele demonstra que é fácil criticar, “rotular” as pessoas ou sistemas é fácil criticar quando esta em nível mais alto em uma zona de conforto. Não concordo que o curso de Pedagogia é de pobre, o problema são as pessoas que não valorizam os professores ou estudantes de cursos de educação não entendem o quanto difícil ser um educador nesse país.

    • 31/07/2017 at 10:00

      Reinaldo leia novamente meu texto mais vezes, você NÃO entendeu. Pensa que entendeu. Só o fato de achar que há rótulos mostra que não entendeu. Não pegou o fio condutor do texto: o texto não foi feito para você ou para a Maria ou Joaninha, não diz de ninguém em particular, diz de como a formação da Escola Normal foi destruída e substituída pelo curso de pedagogia. Sacou?

  12. Silva
    31/07/2017 at 01:06

    Bom texto! Esse é um problema do ensino e das licenciaturas, em Pedagogia é mais delicado ainda, a formação desse pessoal é muito ruim. No Brasil, ao contrário da França, as “humanidades” foram reservadas para os pobres e oprimidos. Há até pesquisa sobre isso. Lembro de a UFBA ter feito uma pesquisa sobre a procura por determinados cursos, o perfil dos estudantes, situação econômica etc, isso no auge do debate sobre as cotas. Pedagogia é um área muito problemática.

  13. Crisna Fonseca Ribeiro Paulino
    30/07/2017 at 23:27

    Concordo com você em gênero, número e grau, minha colação de grau e Pedagogia é agora dia 03 de agosto, suas palavras são duras mais refletem a nossa realidade, só acrescento que quando fala que é para pobres acrescento aqueles pobres de espírito que não valorizam sua profissão, reclamam e só está nesta situação por causa de todos nós professores que as colocam nesse nível. Uma profissão tão nobre e importantíssima para a formação humana. Peço a Deus todos os dias para que eu volte para casa com a mente e o coração em paz de ter realizado um recente trabalho e ter contribuído de forma significativa para a formação de meus alunos.

  14. Juliana
    30/07/2017 at 22:42

    Os baixos salários estão atrelados ao histórico da profissão. Professores eram escravos e no Brasil sua origem também era de caráter servil. O curso de pedagogia ainda é eminentemente feminino, apontando para o fato de que o baixo salário também tem ligação com a desvalorização do trabalho da mulher. Logicamente, uma profissão tão mal remunerada só pode atrair estudantes que não têm chances de cursar engenharia ou medicina e que buscam a menor relação candidato/vaga no vestibular. Há muitas lacunas no sistema universitário, como as dos médicos que nada sabem de humanidade, doutores de direito que passam longe da ética e filósofos que constroem textos misturando argumentação com uma raivosa opinião que desconsidera o valor de quem ingressa e permanece na profissão por escolha e que para além dos salários de vergonha, contribuem para reverter a limitação e a ignorância.

    • Silva
      31/07/2017 at 15:56

      Juliana, Serviço Social também tem mais mulher, enfermagem também e por aí vai… a questão não é essa, você está parecendo pedagoga mimada e se ofende com um textos inofensivo que apenas mostra nada mais do que um fato real, vamos baixar a bola e assumir nossas decadências ordinárias. O método mais competente e inteligente de vencer um debate ou de mostrar os limites de um argumento é erguer um argumento melhor, jargões e enquadramentos (elitismo, não gosta de pobre ect) são atitudes pouco inteligentes, é mais emoção, mais mimo, vamos avançar.

  15. Fernando Santos
    30/07/2017 at 22:09

    Paulo,
    Pelo seu texto fica claro que você não acompanha a produção da área de historia e/ou sociologia da educação. Há muitos pontos equivocados nele. Embora, lá longe, o seu argumento central tenha certa razão, o curso de pedagogia, quando habilita para o magistério público e privado, atrai em sua maioria alunos que não conseguem ou conseguiram se habilitar em outros cursos, ou seja, não é a primeira opção, mas muitas vezes, a opção possível.
    Porém, não é o caso das mulheres na faixa dos 30 anos ou mais, de classe média, que frequentam instituições privadas como as PUC’s. Essas fazem a graduação apenas para habilitar-se para direção de instituições privadas, muitas vezes próprias, da família etc.
    Os demais pontos são altamente contestáveis.

    • 31/07/2017 at 08:03

      Fernando eu acho que você deveria olhar um pouco para a minha produção, saber quem sou etc. Não custa. E acho que não conseguiu entender meu texto e nem as estatísticas governamentais. Baixa a bola cara. Tô na estrada bem antes do que pensa.

  16. Nise
    30/07/2017 at 21:32

    Texto Reflexivo!
    Estou cursando Pedagogia em EAD, como estou no início, ainda não consigo tirar conclusões se é bom ou ruim, porém, consigo dizer com clareza que existe em sala de aula muita gente sem interesse e que atrapalha o colega que quer estudar. Na sociedade em que vivemos, falta disciplina, educação e respeito. É isso que torna os cursos ainda mais pobres.

  17. Adir
    30/07/2017 at 21:27

    O professor esqueceu de considerar os vários pedagogos que fizeram carreira acadêmica, inclusive em universidades estrangeiras de renome e em outros cursos também. Sem falar dos péssimos alunos de filosofia que constrangem seus professores quando não conseguem demonstrar nenhuma superioridade intelectual relativamente a um aluno que realmente estuda, ainda que de um curso de pedagogia.
    Além disso, deveria avaliar a formação dos criadores dessas políticas educacionais burras e ineficientes, para dizer o mínimo.
    Não creio que seja sábia a depreciação do estudante de pedagogia como extensão da depreciação do curso.

    • 30/07/2017 at 21:46

      Adir não esqueci de nada, o assunto do texto não é esse. Faça seu texto. Mas antes leia o meu mais vezes para ver o assunto do texto.

    • Juliana
      30/07/2017 at 22:47

      Correto. A análise se tornou uma injusta depreciação do pedagogo. Porque o horror a pobre e o elitismo acadêmico estão presentes tanto no texto quanto na resposta do autor.

    • 31/07/2017 at 08:01

      Juliana, leia de três A CINCO vezes de novo.

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