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25/05/2019

A nomeação do novo Ministro da Educação


Talvez o MEC fique com um interino mais tempo que o necessário, dado que o governo está meio que paralisado. Mas há candidatos para o cargo de ministro da Educação. Mesmo em um governo destroçado, há quem se ofereça para “servir a nação” ou, como dizia o Fernando Haddad quando esteve na pasta, com sua inércia habitual agora transferida para a prefeitura de São Paulo: estou aqui ao invés de estar dando aula na USP porque quero “ajudar o Brasil”.

Como está a largada? No páreo de currículos há Nilma Lino Gomes, pedagoga da UFMG e atual ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República; há também Chalita, secretário da educação de São Paulo e escritor de auto-ajuda com pretensões pedagógicas (e filosóficas!); e, por fim, o harvardiano Mangabeira Unger, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Correndo pelo lado partidário, há vários nomes, com dedos de Rui Falcão apontando aqui e ali, talvez. O nome mais forte aí é o de Ricardo Berzoini, atual ministro das Comunicações.

É claro que o páreo melhor é entre Nilma e Unger, e em termos de abrangência de visão, talvez o harvardiano esteja mais adiantado na tarefa de casa que a pedagoga mineira. Ele já vinha preparando um plano para a educação mesmo antes da saída de Cid Gomes. Todavia, repito o que escrevi na Folha de S. Paulo quando da posse de Cid Gomes: chefe do MEC é uma rainha da Inglaterra. Não manda nada na educação brasileira, apenas usa da burocracia para administrar a rede de ensino federal  (superior) que, quando falta dinheiro, torna-se um aglomerado de pesquisas paradas, bolsistas reclamando e professores em greve – o sucateamento ondulatório do ensino superior, vigente no Brasil já há quase meio século. Pois, mesmo quando há dinheiro, a educação básica, presa aos estados e municípios desde o início da República, fica administrativamente à sorte de um déspota iluminado que aqui e ali possa aparecer em algum rincão do país. Mas seguir adiante, de verdade, até mesmo para estados ricos é algo que acaba dependendo de convênios com a União para repasse de verba, coisa que quando acontece é feita pelos critérios políticos dos dois lados, com objetivos pouco nobres. Assim, não raro, o MEC sempre acaba gastando mais em campanhas publicitárias, nem sempre válidas, que qualquer outra coisa.

Salário quadro comparativo: clique na fig. para ampliar

Salário do professor? Ah! Nem pensar.  Sobre isso ninguém conversa a sério. A ideia vigente no mundo todo é que se a profissão do magistério não é atrativa financeiramente não há como ter boas cabeças comandando a sala de aula nas escolas e, desse modo, nenhuma política educacional ou mágica pedagógica funciona. No Brasil pensa-se diferente. A colonização jesuítica deixou-nos sempre dependente da ideia de que a profissão do magistério é missionária, e tendo ela se tornado uma tarefa feminina, logo se completou como uma segunda tarefa da mãe mais sabidinha e pacienciosa “que pode educar os filhos dos outros”. A tarefa do magistério então foi do padre para a mãe, da mãe privada para a mãe estatal e, agora, está universalmente nas mãos da “tia”. Dado a infantilização do aluno brasileiro adulto e a descaracterização do ensino superior no Brasil, já pode acontecer de algum marmanjo chamar também o professor universitário de “tio”.

O Brasil está entre os países que paga mal o magistério do ensino fundamental. Entre os países membros da OCDE, a média salarial do professor é de 29.411 dólares. Quase três vezes mais que o salário brasileiro (veja quadro anexo). O ensino médio não se salva, mas seu problema é até pior, porque está descaracterizado e é substituível pelo exame do Enem. Desse modo, o Estado que tornou o ensino de nove anos como obrigatório acabou na prática por se desfazer do ensino médio, que já foi o setor mais importante da escolarização do brasileiro culto. Se não bastasse isso, há de se notar que as crianças brasileiras levam mais da metade do ensino obrigatório de nove anos para se alfabetizarem. Matemática e ciências? Ah! Esqueça – a pedagoga não gosta dessas matérias e não as ensina. O Brasil é “lanterninha” em quase todos os exames internacionais de avaliação qualitativa. Os avaliadores não cansam de dizer: o brasileiro tem um problema grave, diferente do de alunos de outros países, ele não entende a questão escrita, não sabe o que ela pede para ele fazer.

Agora, pensando bem, vejo que pode surgir também um outro nome na corrida para o MEC. Foi a moça que visitou Cid Gomes, e que ele disse que estava fazendo “um material interessante para a infância”. Provavelmente ela visitou o MEC para conseguir um dinheiro, uma vez que todos querem dar uma mordida em nosso Estado, pai e mãe de todos os ricos e padrasto dos pobres. Ora, dado o quadro geral e as perspectivas de mentalidade que vigora em nossa sociedade quanto à educação, essa moça seria o ideal para tocar a pasta. Sim, é a Xuxa, que agora está só na Record mesmo. O bispo da Record não é da “TV imperialista e a favor do golpe americano contra o Brasil”, que os petistas dizem que vai ocorrer e que a extrema direita mostra na Av. Paulista que tem de acontecer. O Bispo é amigo do Lula! Tudo certo então.

Aliás, se se fizesse uma eleição popular para ministro da Educação com esses nomes citados, ficariam no páreo só Xuxa e Chalita. E voz do povo, dizem, é voz de Deus. Nessas horas, sou ateu.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo.

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8 Responses “A nomeação do novo Ministro da Educação”

  1. Renan
    24/03/2015 at 11:41

    O Chalita também tem o “mérito” de ter implementado a progressão continuada em SP(salvo meu engano).

    Quanto ao Unger, sei do reconhecimento que ele tem, mas certa vez li, creio que foi no Estadão, um artigo dele dizendo que o currículo escolar deveria não ser mais “enciclopédico” para se concentrar em Línguas e Matemática, além dele dar um grande destaque ao ensino técnico. Depois disto, o que será que pode haver de interessante nesse Plano de Educação dele é uma incógnita para mim.

    Segundo uma notícia do UOL também, há dois outros candidatos: O Renato Janine Ribeiro e o Mário Sérgio Cortella.

  2. Lopes
    24/03/2015 at 10:40

    Bem, se ser rico fosse condição suficiente para a pessoa não querer, não ter interesse e não criar meios para enriquecer às custas do erário, Maluf (só para citar um político rico entre tantos) seria santo. Quem acredita nessa falácia deve ser uma pessoa muito ingênua mesmo, ou quer achar uma justificativa descabida para colocarmos no poder somente pessoas de posse e continuar mantendo o status quo.

    E falando em inércia… Que tal a inércia do Alckmin que deixou São Paulo sem água…

    KKKK! José Simão!!!

    • 24/03/2015 at 11:35

      Lopes acho que você errou de blog, não foi?

  3. alexandre
    23/03/2015 at 16:19

    Como tudo no Brasil e também na educação o que falta é algo estruturado, claro e visível a população e que tenha também continuidade.

    Boa parte da população pode não saber escrever, ler e pensar direito, mas sabe a importancia de estudar para “ser alguem na vida”, se as informações sobre a educação fossem mais claras e disponiveis as pessoas e menos técnicas teríamos mais pessoas entendendo a sua importancia ao ponto de dizer quem seria o melhor ministro para uma pasta estratégica para o nosso país.

  4. Cesar Marques - RJ
    23/03/2015 at 15:28

    Minha humilde opinião sobre os possíveis ministros elencados pelo senhor:

    Ricardo Berzoini – Sem condições. Carreirista de partido se for ele nomeado, será mais um tiro no próprio pé dado pelo governo, haja vista, a torrente de críticas que se abate sobre a Presidenta Dilma.

    Mangabeira Unger – Do ponto de vista curricular e intelectual é o melhor credenciado, sem contar o know-how colossal que possui com sua experiência dentro do sistema universitário estadunidense (como aluno e professor). Única objeção que faço é que nas dezenas de entrevistas que o vi concedendo com aquela sua boca mole, já o vi falar de tudo, tudo mesmo, sobre como fazer o sistema educacional brasileiro ficar mais arrojado, sem tocar uma única vez no aumento substancial dos salários dos professores. Desconfio de uma pessoa que não conseguiu em 30 anos perder aquele irritante sotaque de americano.

    Gabriel Chalita – É Filósofo como o senhor, o que é um bom sinal. Mas, infelizmente, eu só conheço seus escritos filosóficos no âmbito da autoajuda e o episódio em que ele foi acusado de articular um faceiro esquema de recebimento de propina para contratar um grupo específico que tinha interesse em oferecer seus serviços a Secretaria de Educação. Muito pouco para ser Ministro da Educação.

    Nilma Lino Gomes – Confesso que não conheço nada de sua formação ou da sua produção acadêmica. Só ouvi falar dela em dois episódios específicos, um positivo e um negativo. O positivo foi quando ela se tornou a primeira mulher negra a assumir um cargo de reitora na história do país. O negativo foi quando ela coordenou uma empreitada jurídica no STF com o intuito de banir a obra Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, do Programa Nacional Biblioteca na Escola. Diante disso, tenho medo que ela fomente aquelas invasões de militantes dos movimentos negros (cujo vídeo o senhor postou) com o argumento de criar um diálogo no ambiente universitário, mas que ao fim e ao cabo, constrangem e acossam alunos e professores que desejam apenas cumprir suas funções e objetivos nas universidades. Espero que não seja ela a escolhida.

    Xuxa – Acho que ela seria a escolha ideal. Exitosa apresentadora de TV e por isso queridíssima pela população brasileira é rica (portanto não deseja enriquecer à custa do erário, já que ela não precisa), tem um enorme background pedagógico dado sua larga experiência de trabalho junto as crianças, artista experimentada de projeção internacional carrearia popularidade interna e projeção externa, tão em falta no momento a Presidenta Dilma. Eu apoio a Xuxa como a nova Ministra da Educação!

    • 23/03/2015 at 17:50

      Sim Cesar, é Xuxa! (e aí gente, gostaram!)

    • LMC
      23/03/2015 at 18:55

      Xuxa no MEC,César?Como
      diz o José Simão,Rarará!!!!

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