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25/03/2017

Há muito negro francês na escola pública


Há muito negro francês na escola pública

Há gênios demais nas secretarias de educação do Brasil todo, e talvez no MEC também. São gênios caolhos. Eles possuem ideias fantásticas, mas como são como o coelho do Maurício de Souza, procriam muito e enxergam pouco. Ideias não lhes faltam, mas alguma que funcione não aparece de modo algum em seus cérebros.

Um desses gênios colocou sua cabeça para fora da toca em Campinas.  Deve ter assistido algum filme desses em que um pobre encontra uma pessoa culta (e rica ou menos pobre) e convive com ela, e então, logo após uns meses, “absorve” (“assimila” – essas metáforas digestivas para o aprendizado cultura me torturam) as informações desse seu amigo e eis que se torna uma pessoa “interessante”. Vendo um filme assim, o coelho campineiro teve a brilhante ideia de “levar a cultura” para o “lugar carente”. Concretamente, eis a ideia: acho que deveríamos levar a cultura musical sofisticada para a escola pública atual.

A escola pública que um dia teve seu professor de música e que hoje, se tiver algum som com nome de música, é o Michel Teló gritando em algum aparelho colado às orelhas dos desgraçados que sobraram por lá, foi escolhida então para ser premiada com óperas, pianistas tocando clássicos etc. O resultado foi que durante a ópera os alunos gritaram e vaiaram e depois, no dia do pianista, os alunos resolveram também mostrar que cantavam, e entoaram um coro de “merda, merda, merda”, “filho da puta-aa, filho da puta-aa”, e assim presentearam o músico. Não foi só “zoeira”, como eles próprios, essa raça de bonés, dizem hoje em dia. Foi a própria barbárie. Manifestou-se ali não a bagunça, mas o ódio. Funcionou assim a cabeça dos ainda chamados estudantes: o que vem do âmbito da cultura sofisticada é o que eu não entendo e, por não entender, sei perfeitamente que pertence aos ricos e aos seus sabujos, os intelectuais, e não vou deixar isso aí me oprimir.  Não vão me fazer perder tempo com esse lixo. (Pianista hostilizado em Campinas)

Bagunça se fazia no meu tempo de escola pública.  Não há qualquer bagunça na escola pública atual. O que há é que ela é o lugar da bandidagem porque se tornou o último recanto do Brasil em que uma pessoa com dignidade e inteligência quer ficar. Qualquer coisa mais sofisticada posta na escola pública, hoje, vai gerar o comentário acertado de quem vê de fora: “pérolas aos porcos”. O gênio que fez o projeto “vamos levar os clássicos para a escola pública” não sabe disso porque ele se recusa a entender o seguinte: se aquele que é chamado de professor se sujeita a trabalhar pelo que o MEC colocou como “salário mínimo da educação” ou “piso” (só o nome “piso”, que é “chão”, já deveria mostrar a intenção do governo!), que vai de 1200 a 800 reais no ensino básico, então esse ambiente é completamente avesso a qualquer coisa que mereça o adjetivo “bom”. Essa é a verdade. A escola pública é hoje o lugar dos degradados, desgraçados e fracassados. Tudo que Deus não quis, e doou para o Diabo, está lá.

Mesmo aqueles que fazem dela um “bico” e, enfim, ou têm famílias que os sustentam ou têm muitos anos de trabalho e acumularam algum benefício trabalhista, se lá estão, também já estão um pouco fracassados, no mínimo desmotivados e, se são bons professores, nadam contra a corrente. Quando olho para o salário do professor imagino o tipo de aluno que ele tem e, então, a última coisa que penso oferecer para um tal aluno é música clássica. Não porque o pobre e idiotizado não mereça a música clássica, mas porque música clássica, como cinema ou filosofia, é para todo mundo mas não é para qualquer um. Quem não é o “qualquer um”? Aquele que obtém informação porque teve formação.  Ninguém pode levar um negro francês para ver ópera e esperar que ele não diga “esse cara lá cantando, ele está passando mal”, e comece a rir (cena de Os intocáveis, onde o negro, na verdade, é queniano). Nossos alunos são todos negros franceses, embora já não saibam nada de francês e, agora, nem mais de inglês, uma vez que também não sabem a língua materna.

Para que se possa receber informação sofisticada tudo que precisamos é de educação, de formação. Um ouvido não treinado não entende os sons que merecem analiticidade. Não é porque um som é consagrado pela parte culta da Humanidade que ele, não vindo em livros, é possível de ser popular. E assim é com tudo. Pois tudo tem seu lado sofisticado. O sofisticado não depende, para ser compreendido, de ser apresentado. Depende de uma familiaridade. Essa familiaridade depende de disciplina, o que se adquire por ser um iniciado. A iniciação nas “artes, ciências e filosofia” é um processo escolar e não-escolar, mas em nosso mundo moderno ocidental, os povos menos embrutecidos forjaram a escola como lugar dessa iniciação.

A escola pública, principalmente a de nível médio, era o nosso elemento principal de iniciação intelectual. Pegávamos com ela quase toda a classe média e alguns filhos de pobres e dizíamos para eles: alguns de vocês não vão para a universidade, mas o que aprendem aqui, já é em parte o saber do mundo, até mesmo mais sofisticado que alguns dos saberes da universidade. Essa escola pública era povoada por professores que, em cultura e em altivez, eram até superiores ao que é hoje os nossos doutores universitários. Não eram professores ricos. Eram também de classe média. Mas eram distintas figuras da cidade. Eram os intelectuais da cidade. Eram as autoridades. O salário do professor era um salário que permitia que ele entendesse o seu lugar de trabalho como um lugar de dignidade. E assim toda a sociedade via a escola.

Não soubemos preservar esse tipo de escola. Deixamos os ricos sair dessa escola à medida que a democratizamos e, paralelamente, abrimos escolas particulares para os ricos. Achatamos então o salário do professor de um modo geral. O que temos hoje é isso: uma escola pública que é o lixo da sociedade, uma escola particular que sabe que vai se tornar rapidamente um espelho desse lixo.

Em todos os países com diferenças grandes entre pobres e ricos, e onde a política é comandada pelos ricos, se os ricos saem de um lugar público, esse lugar perde a atenção das instituições mantenedoras e se deteriora. Quando decretamos que a escola pública era para os pobres, nós iniciamos a sua derrocada. Agora, corremos o risco de repetir esse erro com a universidade pública.

Estamos todos contentes com isso, porque somos gênios que acreditamos no projeto levado adiante em Campinas. Vamos apenas dizer: ah, deu um problema lá, mas o pobre não é ruim, ele tem lá sua cultura popular, pode também ter a cultura erudita e blá blá blá. Achamos mesmo que negros franceses aprendem se os deixamos expostos à cultura erudita. Não nos passa pela cabeça que antes de tudo ele vai é roubar ou simplesmente destruir o aparelho de som que ali deixamos para que ele escutasse o que queríamos que ele escutasse. E se nos passa isso pela cabeça, sentimos vergonha de nós mesmos e, então, nos calamos.

© 2013 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

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39 Responses “Há muito negro francês na escola pública”

  1. carlos
    09/07/2013 at 22:51

    Sou sim uma olavete, eu odeiiiiio Ghiraldelli

    • 09/07/2013 at 23:01

      OK! Pelo visto é uma bicha homofóbica olavete, mais um. Mais um que ama o cara que não conseguiu passar no vestibular. Tudo bem.

  2. José Carlos de Freitas
    20/06/2013 at 13:43

    Paulo, peço sua autorização para divulgar este texto, sobretudo as passagens relativas a salários de professores, no site de nosso sindicato http://www.apugssind.com.br.
    Essa linhas suas certamente podem ajudar numa matéria que queremos elaborar sobre a crise das licenciaturas, ou seja, o pouco interesse por vagas em cursos de formação docente. Grato.

  3. eu
    06/06/2013 at 22:45

    Ghiraldelli, Ghiradelli…

    Sem dúvida é Sócrates ! Mas o descrito por Aristofanes (:
    Quando as pessoas não seguem a sua linha de racicionio, mesmo que seja extremamente lógico e bem construído, você perde a postura e os insulta ! Que vergonha u.u

    deixando isto de lado….

    Muitos trechos do texto acima, são extremamente concordaveis… Contudo, dizer que os ricos mantinham o ensino de qualidade nas instituições, não é um tanto demais ?

    “Não soubemos preservar esse tipo de escola. Deixamos os ricos sair dessa escola à medida que a democratizamos e, paralelamente, abrimos escolas particulares para os ricos. Achatamos então o salário do professor de um modo geral. O que temos hoje é isso: uma escola pública que é o lixo da sociedade, uma escola particular que sabe que vai se tornar rapidamente um espelho desse lixo. ”

    Já vi alguns ricos que não valorizavam o ensino que tinham, a instituição que estudava, mas já vi pessoas pobres que não pensavam no estudo como Capital e o valorizavam. Você não estaria criando um “tipo puro” ao dizer essas coisas?
    Ainda que as exceções sejam mínimas, apontar a barbarie diretamente a classe mais pobre não resolve em nada, apenas cria mais pré conceitos sobre as coisas e isso enche a cabeça de vento das pessoas com falsos ideais.

    p.s.: é um excelente texto! Parabéns pelo blog e as postagens no facebook

    • 06/06/2013 at 23:27

      Em toda sociedade classista – isso a história e sociologia falando e mostrando – se os ricos saem de uma instituição, a política se desinteressa dela, e ela piora. Regra simples, que eu vivi na pele.

  4. Diógenes
    03/06/2013 at 17:11

    Ah, você acha que nosso governo não é de esquerda, a “solução” das cotas não é de esquerda?

    • 04/06/2013 at 01:11

      Diógenes, as cotas étnicas são de esquerda. As cotas sociais, no Brasil, bem menos. Foi uma fusão de interesses no parlmanento que uniu as duas. Nos Estados Unidos, todas as cotas são dos dois partidos. A direita, nessa hora de ficar contra, corre por fora ou acaba em coisas como Tea Party. Agora, é interessante que um texto como este meu desperte esse tipo de reação em você.

  5. Orivaldo
    01/06/2013 at 16:58

    Paulo, meus comentários não tem a intenção de concordar ou discordar de você. Apenas exponho o que penso a respeito de determinados assuntos. Não estou defendo nenhuma tese apenas quero aprender com quem sabe mais que eu, Já mudei de opinião várias vezes lendo você e nunca passou pela minha cabeça que um dia você possa mudar de opinião lendo meus comentários (não que isso seja impossível) mas tenho desconfiômetro. Voltando ao assunto do texto, poderia dizer que posso achar que a culpa é do Estado por ele ser democrático, mas (pensando bem) como não sou contra o fato do Estado ser democrático realmente tenho que admitir que a culpa não é dele.

    • 01/06/2013 at 18:09

      Orivaldo, você pode vir aqui e colocar sua opinião, mas e eu dou a tréplica você não gosta? Ora, então não darei mais a tréplica ué? Problema seu.
      Você culpou o estado, eu mantive a opinião do meu artigo: a sociedade. E apontei a coisa, a razão. Ora, aí você me responde isso aí acima? Ah, tem dó. Isso realmente enche meu saco. Para você não respondo mais não.

  6. Katia
    01/06/2013 at 14:55

    kkkkkkkkkkkkk você foi óbvio demais. Mas penso que eu me fiz entender.

  7. Orivaldo
    01/06/2013 at 12:46

    Fala-se muito de esquerda e direita como se a culpa da má qualidade do ensino público fosse exclusividade de alguma ideologia política. A culpa realmente é do Estado que de conluio com a sociedade de uma maneira geral optou pela quantidade de gente na escola pública em detrimento da qualidade do ensino. Todo mundo passou a precisar ir pra escola, não importando se depois dela ia continuar analfabeto (ou semi) ou não. Criticar a indisciplina e a má educação dos alunos é falar de consequência e não de causas, ou seja, perda de tempo. Criticar a má qualidade dos nossos professores é piada, Que professor de qualidade vai se sujeitar a um salário desses.
    E o caminho de volta, se isso for possível, começa pela melhora de salário dos professores. Mas primeiro melhora os salários dos professores, depois cobra-se mais deles. Ou melhor com salários decentes pros docentes é possível uma melhor seleção e com uma melhor seleção nem vai ser preciso muita cobrança. Ai sim vamos comentar a boa educação dos discentes.

    • 01/06/2013 at 15:56

      Orivaldo, você discorda de mim, dizendo que o estado é culpado. No meu texto, eu considero o nosso estado atual, democrático, e ele segue os valores de nossa sociedade. As pesquisas empíricas têm mostrado que nossa sociedade não dá mais importância para a educação como valor social para subir de vida.

  8. EVANDRO
    01/06/2013 at 11:25

    Paulo, não sou professor mas trabalho em escola pública. Então, posso dizer, sem muitas palavras, que ela é realmente um lixo. É muito bom ver que alguem do meio intelctual tem coragem de escrever sobre isso.

  9. José Jesus
    01/06/2013 at 10:08

    Professor Paulo
    Li seu artigo e procurei o link indicado para ver a reportagem. Não consegui ler toda a reportagem quando cheguei nesse pedacinho:
    “A Prefeitura de Campinas, apoiadora do projeto, tomou ciência do ocorrido por meio da reportagem na manhã de ontem, porém, a secretária de Educação, Solange Villon Kohn Pelicer, preferiu não se manisfestar, justificando que os alunos envolvidos são da rede estadual e, portanto, não são de responsabilidade do município. Por meio da assessoria de imprensa, comunicou que isso serve de alerta, porém a Educação faz toda a orientação necessária”.
    Alunos da rede Municipal, Estadual e Federal???? Então existe uma cidadania municipal, outra estadual e federal??? A Prefeitura apoiadora do projeto??? Como assim? A prefeitura apoia e a Secretária não sabe??? Meus pés e minhas mãos, cada umpara seu lado….
    Que confusão é essa? A desarticulação entre as instâncias de governo e dentro de cada unidade de governo mostra também como o dinheiro do cidadão entra por uma vala… sem fim.
    Um outro aspecto é o sentimento de pertença, como aparece nas entrelinhas do seu texto. Conheço o Teatro Castro Mendes em Campinas, talvez essa foi a primeira oportunidade desses alunos entrarem nesse espaço, mas pelo salário que se paga naquela cidade, talvez os professores estivessem lá pela primeira vez também… Quem pertencia aquele lugar para conduzir esses alunos???
    A cada dia tenho mais medo de projetos, que mais parecem projéteis no coração da educação.

    • 01/06/2013 at 10:44

      O problema é que as tais autoridades não percebem que estão lidando com a barbárie. Não querem ver. Quando olham, já olham tarde, com o olhar da polícia e da repressão.

  10. Cristiano frota
    01/06/2013 at 01:17

    Paulo, aqui em Fortaleza encontramos ainda escolas sistematicas, holisticas e integradas, comunitarias, enfim coletivas. Sempre pedi que meus pais me colocassem numa particular que tivesse essas caracteristicas que citei, mas nao, me colocaram em alguma que focasse no “vestibular”. Ela me deixou embrutecido, pela muita incompreensao do alunado versus alunado, com certeza pela falta de interracao e coletividade. Essa escola cara, incrivelmente nao tinha sido criada pra buscar que reconhecessemos o tripe que nos ampliassem a imaginacao, a integracao de narrativas artisticas e o encontro com nossa vocacao. Hoje, corremos alucinados contra o tempo, pra nos tornarmos o que? Professores desvalorizados e incompativeis com a moda do “empacotamento docente” planejado estrategicamente pra escola. Os gestores que virao devem ppssuir esse discernimento, e como esta indo, acho que tendemos a achar pessimismo nesse futuro.

    • Cristiano frota
      01/06/2013 at 01:26

      Correcao: Professores valorizados e compativeis apenas com o “empacotamento docente” planejado…

  11. Collingwood
    31/05/2013 at 21:36

    Gostei do texto. Está rolando um comentário ( http://www.advivo.com.br/node/1385793) sobre o ocorrido dizendo que o “povo” brasileiro não valoriza mais aquilo que vem do “povo” (no caso a música do Nazareth).

    • 01/06/2013 at 10:47

      Collingwood (ah, esse nome!) veja a minha pílula filosófica na capa do blog

  12. Katia
    31/05/2013 at 21:08

    Não, não é um problema de indisciplina. É um problema de falta. Falta de educação (omissão das famílias), falta de caráter, falta de moral, falta de vontade, falta de interesse, falta de inteligencia, falta de bons exemplos (dentro da família), falta de amor próprio, falta de critério, falta de coragem (para o que realmente temos que ter coragem), falta de imaginação, falta de conteúdo, falta de curiosidade, falta de tempo (bem ocupado), falta de senso estético, falta de cérebro, e porque não dizer falta de cu. Pois cada um sabe o cu que tem. E já diz o provérbio popular: quem tem cu tem medo! Mas diante de tudo o que sinto, quando percebo a decadência em que se encontra nossas instituições de ensino, nossos professores e nossos alunos, eu entendo agora mesmo que tardiamente, o que meu falecido pai dizia, quando sem esperança se via diante de um fato ou questão que o fazia sentir-se impotente e frustrado, ” tem dia que eu tenho vontade de enfiar o dedo no cu e rasgar “. Era um sábio o meu pai…

    • 01/06/2013 at 10:48

      Kátia, enfia. Pelo que escreveu, você não vai entender, nem com o texto, o que está ocorrendo.

  13. LENI SENA
    31/05/2013 at 21:07

    Estás completo de razão Paulo, eu que passei por esse lixo chamado ensino médio sei bem o que o senhor está falando. Meu pai que é da sua geração, tem apenas a 5ª série me faz sentir vergonha do alto da minha graduação, uma vez que domina com maestria matérias básicas como português e matemática. Passar por esse ensino médio descrito pelo senhor foi um verdadeiro calvário. Enfrentei greves, brigas entre professores e alunos, até tentativas de bullyn por ser uma das poucas alunas interessadas em aprender alguma coisa tive que encarar. Pra mim o professor que valeu a pena nesses anos, foi o professor de filosofia ele passava o intervalo todo tendo esse tipo conversa que senhor nos proporciona no seu blog, era tão bom falar com alguém que tinha alguma coisa na cabeça!

  14. Fred Lyra
    31/05/2013 at 20:52

    Poderia acrescentar que o desmonte desta escola pública se deu (ou se iniciou) na ditadura militar.

    • 01/06/2013 at 10:49

      Fred Lyra, você ainda está sob o sono eterno? Acorda cara!Pelo amor de Deus, a ditadura é um tempo menor do que já vivemos fora dela. Porra!

  15. Henrique
    31/05/2013 at 19:23

    Paulo, meu comentário se referia apenas à falta de respeito dos jovens. Infelizmente a escola não é mais capaz de propiciar aquela camada de civilização que complementava a educação familiar. Basta ver a quantidade de vídeos que inundam o You Tube com cenas de violência contra professores, colegas de classe e funcionários para ver que toda uma geração de jovens já encara o seu semelhante como um rival, um adversário a ser derrotado de qualquer maneira, nem que seja preciso ir armado para as aulas. O fato de nenhum destes pequeninos monstros não reconhecer a autoridade no ambiente escolar é o retrato inequívoco da falta de autoridade. Não reconhecer isto é negar a existência de qualquer parâmetro de civilidade.

    • 01/06/2013 at 10:50

      Henrique, depois desse meu texto, você voltar a dizer isso, me deixa com vontade de enquadrar você entre os que estão sem disciplina e largar tudo.

  16. Diógenes
    31/05/2013 at 19:06

    O desinteresse pela educação é sim de uma parte da sociedade , mas nossa esquerda adora fazer um remendo e dizer por ai que resolveu o problema.

    • 01/06/2013 at 12:06

      Diógenes, acorda meu caro, a direita faz diferente? Aliás, se olharmos bem a direita governou mais tempo e está na origem do problema. Não sabia? O que você chama de esquerda faz é simplesmente governar com os mesmos mecanismos conservadores DA DIREITA.

  17. Henrique
    31/05/2013 at 18:31

    Não se diz que o ensino de escolas militares é muito melhor? O rigor na disciplina influencia muito…

    • 31/05/2013 at 18:32

      Henrique, eu escrevo um texto super rico e você me devolve esse comentário? Ah, eu desanimo.

    • Renato
      31/05/2013 at 23:17

      Henrique, ensino das escolas militares é melhor, sim, mas ela é frequentada, via de regra, por gente de famílias ricas. As que não são de familias ricas ou já estavam “enquadradas” ou acabam se “enquadrando”, assim como era a escola pública de antigamente.

      Paulo, muito bom o texto. É difícil falar desse tema retratando com sinceridade o comportamento dos alunos na escola. Tem muita gente (esquerdistas) que não admite que se fale assim “porque não se pode associar o pobre à baderna”. Mas o problema é muito mais amplo, como você colocou.

      Como adendo, existem estudos que mostram que o ensino de música como parte do currículo escolar reduz significativamente a criminalidade, evasão escolar etc. Lembro que tive aulas de música na escola, o professor chegava pra tocar uma bachiana no violão (que hoje acho lindíssima) mas nós alunos só queríamos que tocasse o tema da pantera cor de rosa, saltimbancos e coisas assim. O professor entendeu a mensagem e adaptou o programa. Não lembro o nome dele, mas ele pode se orgulhar de que eu hoje sei apreciar música erudita. Se ele tivesse insistido no Villa-Lobos, provavelmente eu estaria rindo de uma ópera como esses alunos de hoje.

      Didática correta é partir do que todos têm em comum. É o que você faz, no meu ver. Por isso é idiota a escolha da música erudita, pois é uma estética completamente alienígena para a maioria das pessoas. É revelador e triste, como um secretário de educação não sabe de nada…

    • 01/06/2013 at 10:46

      Renato, acho que você não conseguiu ainda entrar no mundo real da vida sem salário.

    • 01/06/2013 at 12:03

      Ensino militar é militar. Isso é bom? Af!

    • 01/06/2013 at 12:06

      Disciplina militar! Puta merda, eu escrevo agora para gente que cultiva a disciplina militar. Preciso parar!

  18. Henrique
    31/05/2013 at 17:50

    Os alunos perderam o respeito pela escola. Algazarras, vandalismo, desrespeito com os professores, desinteresse pelo estudo sério, falta de concentração. Aliado a isso, me parece que a escola não adota uma disciplina severa para controlar os mais exaltados, perdeu o contato com as famílias dos alunos… Enfim, não sei porque ainda não se fez um planejamento a longo prazo para a educação pública brasileira.. Desinteresse total com o nosso próprio futuro!

    • 31/05/2013 at 17:59

      Henrique, a questão não é de “indisciplina”.

  19. Diógenes
    31/05/2013 at 14:38

    Isso tudo graças á mania da nossa esquerda de encontrar soluções fáceis( e inúteis) para problemas difíceis.

    • 31/05/2013 at 18:00

      Diógenes, nossa esquerda? Por que nossa esquerda? O desinteresse pela educação é de nossa sociedade, não de esquerda ou direita.

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo