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25/07/2017

Confraria feminista-gay abusa de crianças no bairro de Pinheiros


Confraria feminista-gay abusa de crianças no bairro de Pinheiros

Abuso é uma palavra perigosa. Quero usá-la aqui em um sentido preciso. Então, antes de definições o melhor é contar o caso do abuso.

Como toda manhã, João Vitor saiu de automóvel para levar sua filha de cinco anos para a escola, no mesmo bairro paulistano que reside, Pinheiros. Trata-se de um bairro muito bonito em que mora uma classe média rica e bem escolarizada. Fosse pela orientação da avó, Melissa, sua filhinha, estaria num colégio de freiras. Mas João Vitor rejeitou a educação religiosa e colocou a garotinha numa bela e bem aparelhada escola com administradores pedagógicos uspianos de quarta geração. Fez isso não só contra a sogra, mas também contra a esposa. Punha fé na educação novidadeira daquele estabelecimento.

Naquela manhã, João Vitor tinha mais tempo. Arquiteto jovem, mas confortável em um escritório do afamado pai, ele podia se dar ao luxo de, de vez em quando, iniciar o trabalho um pouco mais tarde. Assim, entrou com a filha na escola, para conhecer melhor não só o ambiente, que ele já havia vistoriado antes, mas para participar de modo mais efetivo do que se fazia no estabelecimento. Algo dizia que ele tinha de fazer isso, para não ser surpreendido por alguma falha escolar que, ainda que pequena e não prejudicial à garotinha, iria lhe dar a malfadada chance de escutar a sogra e esposa dizer o quanto ele não entendia nada de educação.

Enquanto a filha foi para a sua sala, João Vitor passou a perambular pela escola. Foi então que viu no pátio gramado umas meninas sendo agrupadas com os meninos, e lá estava sua filha. Resolveu sentar ali por perto para ver como era aquela atividade ao ar livre. As professoras logo abandonaram o ambiente e então entraram em cena dois professores homens. Homens? Bem, quase isso. Eram completamente afeminados. Um deles, inclusive, estava de maquiagem. Os novos instrutores trocaram os brinquedos das crianças sem qualquer cerimônia. As meninas ficaram sem suas bonecas, que foram para os meninos, e os meninos perderam seus carrinhos, que foram para as meninas. As meninas ficaram ali meio sem saber o que fazer, mas logo continuaram a brincadeira. Os meninos, no entanto, não iniciaram nada. Ficaram parados. Eis então que os dois instrutores passaram a “brincar de casinha” com os meninos, ensinando-os nas práticas do cuidado do lar e, principalmente, no cuidado com as bonecas.

O arquiteto começou a ficar incomodado quando viu que um dos meninos se recusou a brincar de boneca e então foi obrigado a manter o brinquedo nos braços. Os instrutores disseram para o garoto que ele tinha de ser não só “papai”, mas também “mamãe”. Disseram que todo homem é “papai” e é “mamãe”. Quando o menino retrucou que ele não era “mamãe”, os instrutores ficaram zangados e disseram que ele deveria ser “mamãe”. Forçaram o garoto a dar a mamadeira para a boneca. O menininho emburrou, mas depois de levar uma lição moral, acabou obedecendo.  João Vitor ficou horrorizado e foi conversar com os dois moços. O clima entre ele e os dois professores esquentou. Ele foi à diretoria para saber o que era aquilo. Mas não foi recebido de imediato. Quando conseguiu falar com a diretora, ela foi logo dizendo que ele deveria comparecer às reuniões de pais e mestres, que ele havia faltado, e que na reunião todos os pais haviam concordado com a metodologia de troca de brinquedos de modo que as crianças “não fixassem papéis estereotipados de macho e fêmea”. João Vitor reclamou, mas a diretora o chamou de “machista” e os dois professores afeminados logo apareceram para dizer que ele, na verdade, estava manifestando um comportamento não só machista, mas “altamente homofóbico”.

O arquiteto quis tirar a filha daquele lugar, mas foi impedido pela diretora. Só poderia sair com a filha ao final das aulas, disse ela. Ele ameaçou chamar a polícia. Mas, quando olhou de lado, a polícia já estava ali. Os professores haviam chamado a polícia e o arquiteto foi retirado da escola pelos dois policiais. Eles haviam recebido a chamada da escola para virem até ali pegar um “pai de aluno ensandecido pela homofobia” e pelo “desrespeito à condição feminina”. Dois dias depois Vitor recebeu uma intimação: o promotor havia considerado válida a denúncia da escola contra ele que, então, teria de arrumar advogado para começar a preparar a sua defesa em relação ao episódio.

Pergunto para o leitor: como que as coisas chegaram a tal ponto? Como que aquelas feministas e aqueles gays conseguiram o apoio da comunidade de Pinheiros e da lei para uma tal ação? João Vitor procurou a imprensa. Não foi acolhido. Ninguém lhe deu bola. Perdeu a causa e teve de pagar uma indenização de 15 mil reais por danos morais às pessoas da escola, além de prestar serviços comunitários. O jornal do bairro de Pinheiros estampou em sua capa a foto do arquiteto como um vândalo. A família de João Vitor, poucos dias após o episódio, teve de morar em outro bairro. No entanto, pensam que isso não é o suficiente e querem deixar a cidade de São Paulo.

Barbaridade não?

Seria um prato cheio para um filósofo antifeminista e antigay toda essa história. Mas ela não ocorreu. Nunca ocorreu em lugar algum. Ela é uma caricatura. Você que acreditou nela não sabe nada do mundo gay ou do feminismo e imagina que a caricatura acontece como se fosse a rotina. Você alimenta seu preconceito através de leituras de pessoas que talvez saibam menos ainda que você sobre o assunto.

 O que há de verdade sobre troca de brinquedos é o que a minha esposa conta, uma vez que na minha época isso seria impossível. Ela nasceu nos anos oitenta e foi educada na escola pública, onde havia sim a troca de brinquedos entre meninas e meninos, mas de livre e espontânea vontade, e também as brincadeiras eram livres, junto com uma única professora “muito bondosa”. Segundo a Fran, que, aliás é uma crítica de tolices feministas, sua geração de fato cresceu normal e, noto bem, Fran se relaciona com ambos o sexos com menos dificuldade que eu. O feminismo e o movimento gay não causaram nenhum constrangimento a ela, apenas deu novos valores que não caíram em sua cabeça. Chegaram à escola de modo suave, sem o radicalismo apontado na caricatura, e colaboraram na diminuição dos preconceitos efetivamente. De modo algum onde ocorreu a troca de brinquedos os meninos viraram meninas ou vice versa. Nada ocorreu que não fosse a maior interação que, infelizmente, eu não vivi. Por não ter vivido isso, tive muito mais dificuldade em entender o mundo feminino, o mundo gay, o mundo diferente. Perdi tempo. Uma pena.

Mais pena ainda sinto dos que, achando que a caricatura é que manda, perdem mais tempo do que eu perdi.

© 2013 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor, cartunista e professor da UFRRJ

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18 Responses “Confraria feminista-gay abusa de crianças no bairro de Pinheiros”

  1. 17/10/2013 at 11:03

    Excelente texto. Interessante contexto. Muito apropriada observação.
    Parabéns, caro Professor.

  2. Carlos Rafael Schneider
    04/07/2013 at 17:05

    Paulo, você é genial!

  3. 14/06/2013 at 09:04

    Voce trouce atona uma regides de cinco seis decadas atras. Normas tão rigidas que prendiam, tem que ser assim, e assim. Hoje vejo as pessoas sendo mais livres. Bom que voce levou a cena para a escola, porque é lá que novas criaturas mais livres irão serem formadas..Só o amor é a balança que nos leva a aqceitar o outro sem o repelir seja por isso ou aquilo…

  4. Camila
    13/06/2013 at 11:09

    Adorei e “vi a cena” enquanto lia o texto! Desta vez achei menos “ácido” do que outros que já li. Também sou geração anos 80 e tenho a impressão de que até pouco tempo atrás, as coisas eram bem menos complicadas do que são hoje. Hoje tudo é na base do “tenho direito”, sem lembrar que, tanto quanto direitos, temos deveres.

    Abs.,

  5. Paulo Vitor Gonçalves
    12/06/2013 at 22:55

    Muitos escreveriam esse mesmo texto, só que falando sério, Ghiraldelli. Impressionante como o discurso conservador sempre flerta com o exagero.

    E olha, é mais fácil mesmo ter o exemplo contrário. Claro, nunca chegando a tanto, mas algo próximo.

    • 13/06/2013 at 02:00

      Não é o exagero, eu diria, é a caricatura mesmo. O exagero é bom, chega até a ser um método, no caso de Weber. A caricatura é que enche o saco.

    • Joel
      13/06/2013 at 08:07

      Paulo, você disse: “O exagero é bom”.
      Tenho usado o exagero para tentar explicar conceitos, que acredito.
      Weber utilizava o método do exagero para filosofar ?

    • 13/06/2013 at 10:28

      Os “tipos ideais” são exageros.

  6. Diego Octávio
    12/06/2013 at 17:21

    Paulo, que texto excelente!
    Não conhecia seu blog, e cheguei a ele por um amigo que compartilhou esse artigo no facebook.
    Li outros artigos e todos geniais!
    Parabéns

    • 13/06/2013 at 02:02

      Diego Octávio, espero que daqui vá para os livros.

  7. Evellyn Machado
    12/06/2013 at 15:36

    Cadê a fonte? É muito fácil quererem prejudicar esta comunidade como se a mesma afetassem suas vidas.
    Sou mulher-hétero ea cada dia que passa sinto que bem lá no fundo essas pessoas que tanto os jugam (LGBTTs) tem a vontade “PROIBIDA” de querer-se deitar você homem com outro homem e, você mulher com outras mulheres. Pessoas que não fazem mal a ninguém em exceto aqueles que se dizem “homem” com “H” e “mulheres” com “M”. O homem ea mulher de verdade AMAM, independente de qualquer coisa, respeitam independente de qualquer coisa.

    • 12/06/2013 at 15:57

      Evellyn, que fonte?

    • Rodrigo Oliveira
      12/06/2013 at 19:03

      Eu devo ser muito burro, não entendi uma só frase do que ela disse.

    • 13/06/2013 at 02:01

      Rodrigo, é complicado mesmo.

    • Hardiman
      13/06/2013 at 10:10

      nem eu kkkk.

  8. acássio
    12/06/2013 at 15:07

    Quando era criança nos anos 80 também brincava com brinquedos femininos, gostava de rebolar no bambolê. Naquela época se brincava mais, umas brincadeiras mais esportivas como amarelinha, pular corda, pique-pega, etc.

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