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19/11/2017

Coito anal diante do desescolarizado ou “limítrofe”


Na base de Freud (uma nota de rodapé do Mal estar na civilização) e de certa antropologia geral, uma vez eu disse que o pré-humano usou da prática do coito anal como uma alternativa comum à prática do coito vaginal, principalmente quando o pré-humano possuía cio (uma vez sendo, de fato, um pré-humano).

Fora da época do cio, talvez a prática do coito anal tenha sido uma alternativa para a fêmea que não quisesse lutar para espantar o macho. No tempo que não se está no cio, a vagina se fecha e o coito fica impossível, então, a prática do coito anal permitia que o macho mais forte ficasse com fêmeas e outros machos, tomando-os todos para ele, usando-os a qualquer momento (claro que sempre é possível o estupro vaginal, mas o coito anal pode ser uma saída “consensual” para evitar o estupro). Ora, podendo utilizar-se do coito anal indiscriminadamente, então o hominídio ou algo parecido com isso pode simplesmente se divertido muito sem dar atenção se estava com fêmeas ou machos, como, aliás, fazem todos os mamíferos até hoje, e de certo modo também nós. 

Mas por que o quase-humano gostaria de fazer sexo fora do cio? Teria ele se desprendido da natureza assim, sem mais? Estando em posição não ereta ainda, mas já semi ereta, a linha de visada que vai do rosto de alguém à vagina talvez ficasse até mais tortuosa (principalmente fora do tempo do cio) do que a linha de visada do rosto ao ânus, e tudo isso mais independente do nariz (do faro) e, então, mais dependente dos olhos. Essa disposição espacial e anatômica, semi ereta e ereta, passou a chamar a atenção do macho, especialmente do macho mais forte, dominador, mais para o ânus e, claro, para os glúteos. Como o desejo evoluiu, há muitas hipóteses, mas isso modifica pouco esse relato, ao menos até aqui. Os glúteos passaram a chamar a atenção. Os glúteos garantiam o sexo para além dos ciclos da natureza, fornecendo assim um salto para o que chamamos hoje cultura, no caso, o sexo como nós o praticamos, sem qualquer vínculo com períodos que determinam desejo e atração (o quanto nos libertamos totalmente de ciclos naturais é controverso).

Bem, qualquer um que fez o ensino médio ou uma faculdade pode entender isso perfeitamente. Mas quem começou a ler coisa de adulto, tendo mentalidade infantil por ter fugido da escola, não entende isso. Vi um indivíduo assim, que leu isso e não tendo conseguido (um defeito mental?) completar o ensino primário, não conseguiu saber do que eu falava, e então achou que eu estava dizendo que “o homem começou pelo coito anal”.

É sério, existe gente assim, completamente estúpida. Esse indivíduo fez igual a uma mulher na Casa do Saber que, tendo ficado sabendo que na Grécia antiga havia pederastia, não entendia como que a Grécia, hoje, pode existir; como que procriaram? Sim, era o que essa senhora frequentadora das aulas de um Pondé na Casa do Saber achava estranho! 

É esse tipo de gente que vai em manifestações e escreve “Intervention Alredy” em suas faixas. É esse tipo de gente, uns pobretões e outros ricos, que são casos de inteligência limítrofe. Em tempos atuais, essa gente está aparecendo aqui e ali e, nós, que estudamos, e que ficamos horrorizados com isso, temos de aguentar tais pessoas falando aqui e ali por conta de nosso dever de, digamos, tolerância democrática. Estamos vivendo no Brasil a emergência social do Freak Show por conta desses indivíduos. 

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo.

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9 Responses “Coito anal diante do desescolarizado ou “limítrofe””

  1. Roberto Quintas
    22/09/2015 at 17:39

    excelente, professor! aqui temos antropologia, biologia, etnografia, sexualidade e psicanálise. incrivel que ainda tenha pessoas que acreditem que sexualidade está necessariamente vinculada à reprodução. O Gabriel, que define a racionalidade como doença, deve estar sofrendo da mesma hidrofobia dos analfabetos [em inglês e politica] que escrevem “intervention already”.

  2. José Silva
    19/09/2015 at 23:16

    Texto sensacional, no espaço “comentários” temos uma comprovação do que foi falado. Parafraseando o mestre Cartola “Rir pra não chorar”.

    PS: Tinha certeza que o caso da aluna da Casa do Saber era uma anedota. Pesquisei no Google que tal Casa era essa…agora tenho dúvidas, acredito que o caso seja real.

    • 20/09/2015 at 13:51

      JOsé nossos ricos burros são anedotas no que tem de real. E se fosse única, a tal aluna, seria perdoável.

  3. Alexandre
    19/09/2015 at 00:05

    Fugindo do assunto…Você não tem a sensação de que o brasileiro ficou mais intolerante em relação aos gays nos últimos tempos? Espero que seja apenas impresssão minha. Ainda bem que a Globo se procupa com a questão dos homossexuais.

    • 19/09/2015 at 09:59

      Alexandre as coisas estão mais visíveis, só isso.

  4. Gabriel a.k.a. Guardia Rossa
    18/09/2015 at 21:22

    Acho esse texto de alguma forma elitista e não tem como você comparar a falta de racionalidade com a intervenção militar, se houvesse meio de se chegar á racionalidade absoluta para todos estaríamos em uma sociedade que muitos chamam “Utópica”

    Não é todo mundo que em um sistema capitalista que pode ter o estudo e a cultura necessária para racionalizar e interpretar textos da maneira que você quer que façam. E duvido que mesmo no Comunismo (Anarquismo, Projeto Venus, Sociedade de Recursos, chame do que quiser), com o trabalho quase extinto (Mecanização total de quase todos os setores produtivos, exceto a produção intelectual (Será?)) ou no Reino de Deus (Ou Democracia de Deus se lhe agrada) você vai ter um ser humano racional da maneira que deseja.

    Estudos provam que o ser humano é irracional em princípio, e que entende tudo de maneiras simples (Maniqueistas, também, crendo em um “Grande Ser” como o “Deus”, o “Bolivarianismo Petista” ou os “Illuminatis Reptilianos”) com certas circunstancias/fatos levando ele individualmente á racionalidade.

    Para fazer uma comparação com a Dialética Materialista, você não é Racional, você não aprende a Racionalidade, se você conhece a mesma, e estudar, pode acabar “pegando” a Racionalidade, como você “pega” uma doença.

    • 18/09/2015 at 22:44

      Gabriel esse texto não é para os que são criticados nele, é só para inteligentes. Não é para você.

  5. Alex
    18/09/2015 at 17:20

    Não entendi muito bem a ligação entre o suposto coito anal e o fraco intelecto daqueles que não acreditam em tal teoria. Será que tu és um ignorante ? Acho que deveria pensar nessa questão.
    Creio que erraste em usar a palavra “horrorizado” no singular.

    • 18/09/2015 at 18:26

      Alex é claro que você não entendeu. O próprio texto explica isso.

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