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23/04/2017

Aposentadoria do país


O mais difícil de suportar é a aposentadoria a que se é submetido na universidade antes da aposentadoria formal.

Ela ocorre quando você faz um discurso provocativo, com inúmeros conceitos novos, e o aluno repete o senso comum, sem reflexão, sem questionamento, sem inquietação. Nessa hora você sabe que está tudo acabado. Sabe que o segundo passo do aluno será reclamar de você na reitoria, pedindo que um pai lhes agrade perante o agressor. Você é o agressor. Pois pensar dói, ler livros dói. A cultura é acúmulo de download de indicações do Google e sua falsidade par excellence, a Wikipedia, e nenhum upload cerebral. Nessa hora você sabe que acabou, que você foi aposentado.

O pior é quando você vai para a sala do departamento e olhe em volta, e vê que tudo esta assim, em rumo de mediocridade, e há lá o professorzinho que não percebeu que ele própria está como o aluninho energúmeno e covarde. Não há volta. Aí é a aposentadoria de todo o sistema de ensino, a aposentadoria do país.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo

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6 Responses “Aposentadoria do país”

  1. Lohas
    10/05/2016 at 15:56

    Tem tambem quem nao tem a menor disposiçao para atender as pessoas, de orientar, se colocam muito acima dos alunos. Parece que fazem alguma coisa por obrigaçao. Sao pessoas que se encerram nelas mesmas, mesmo tendo um lugar tao privilegiado na sociedade.

    • 11/05/2016 at 12:03

      Lohas, tem dó vai. Não chora não que a maioria dos professores estão lá, é que aluninho não quer orientação nenhuma. Eu fica o dia todo na universidade, não aparecia ninguém. Inventa outra.

  2. 10/05/2016 at 10:18

    Paulo, a profissão de professor universitário ainda vale a pena? Talvez meu maior receio com a carreira acadêmica é não conseguir exercer bem a função de professor por conta das patrulhas ideológicas e dos grupinhos de DCE — que não se limitam mais aos alunos, agora já tem muito professor se incorporando a diretório acadêmico. Às vezes penso em procurar outra carreira no serviço público e seguir na filosofia, mas não sei se isso não prejudicaria os estudos.

    • 10/05/2016 at 10:38

      Giovane Martins há pessoas com sorte. Na filosofia, ter um pé na universidade é sempre necessário.

  3. 10/05/2016 at 08:03

    E o senhor esperava que fosse diferente num país como o Brasil ?
    Bom, desculpe minha postura pessimista ; tenho 23 anos e uma experiência muito menor que a tua na área que ousam chamar de educação. Entretanto, presenciei o suficiente pra saber que o povo desse país gosta mesmo é de putaria irresponsável, dinheiro fácil e festa sem motivo,o resto constitui ocasionalidades da vida social. Há, claro, um bando de gatos pingados aqui e ali que parecem amar o modelo civilizacional do ocidente e estão realmente interessados em progresso e aperfeiçoamento, mas a grande maioria me parece um bando de bárbaros emulando civilidade. Ser ‘agressor’ pra essa gente é quase que um elogio. Ou me equivoco e ainda se pode esperar que uma cultura que eleva o espírito humano seja objeto de apreciação por parte de nossos conterrâneos?

    • 10/05/2016 at 08:25

      Jônatas …o Brasil é um país maravilhoso. Só esse ano tivemos 2.600 inscrições para a ANPOF. Filosofia acadêmica de boa qualidade. É muito para um país jovem. A minha reclamação não procede.

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo