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20/09/2019

Aécio Neves e o futuro da educação brasileira


As coisas na educação não vão bem. Aécio diz que vem com a “mudança”. As propostas do candidato do PSDB, como ele diz, deverão torná-lo lembrado como o “presidente que fez uma revolução na educação”.

Aécio quer “revolução na educação”?

Fico apreensivo. A palavra revolução não me atrai. Afinal, Aécio por esses dias chamou o Golpe de 1964 de “Revolução”. Ora, só os próprios participantes mantiveram essa terminologia, assim mesmo, nem todos! O que será que passa pela cabeça de Aécio quando ele diz “revolução”? Pensando bem, melhor eu não saber.

O que ele tem falado sobre educação pode mesmo ser uma revolução. Ao final dela, não sobrará pedra sobre pedra. É isso que eu deduzo do que ele tem dito.

Mas por qual razão eu me refiro ao que ele “tem dito” e não ao seu programa escrito de governo? Por uma razão simples: o programa de governo do PSDB, apesar de nada curto no capítulo sobre educação, não diz o que Aécio diz. O texto apenas expõe frases genéricas e, no específico, insiste em reiterar apoio a tudo o que já vem sendo feito – de bom e de ruim – pela presidente Dilma. Então, ficamos na fala do candidato, provavelmente mais próxima do que ele realmente pensa nessa matéria.

Nos debates e entrevistas, Aécio cita três eixos de atuação: reformulação do currículo do ensino médio, remuneração do professorado agregada ao mérito, ênfase na construção de creches. Quanto ao ensino superior, a única instância a que ele terá controle direto, pouco ou nada diz. Fica no ar a velha ideia do PSDB de privatização? Ele não desmente.

A reformulação do currículo do ensino médio de Aécio é a proposta mais atrasada que eu poderia imaginar. A última coisa que se pode pensar é em regionalizar o currículo dessa fase de escolaridade. O ensino médio ainda faz parte da “escola básica” e, portanto, de permanecer no quadro da inserção do estudante nos conteúdos da cultura universal. Geografia é geografia geral e do Brasil. Trocá-la por “aspectos da mata de São João Del Rey” não é bom negócio. História é história geral e do Brasil, trocá-la por “fatos pitorescos a respeito do pão de queijo em BH” não me parece interessante.

Sobre o salário agregado ao mérito, ao desempenho da escola, eis aí um problema grave. Sempre quando essa proposta aparece, não vem como prêmio, mas como perda. Deixam-se de lado os aumentos salariais para se tapar buraco aqui e ali com bônus. Ao contrário disso ser um incentivo, em todo lugar que tal coisa foi implantada a desmotivação do professorado aumentou. No médio prazo é a pior política salarial que o professorado pode ter. Caso essa política fosse boa, os estados “meritocráticos” que a implantaram teriam apresentado bons resultados. Não apresentaram. Aliás, nos exames internacionais o Brasil vai mal há muito tempo, e isso antes por culpa dos estados e municípios – inclusive o estado de Minas Gerais – do que por responsabilidade direta da União.

Sobre as creches a questão é retórica. Na prática Aécio não melhorou essa situação significativamente no Estado de Minas Gerais. E ele parece não compreender bem o que fala, pois não distingue o que é o ensino fundamental nas suas diversas fases, como se não tivesse se dado conta de que tal ensino é, agora, de nove anos. As creches seriam algo para além desses nove anos – ele se confunde nessas horas.

Aliás, quanto à realidade educacional de Minas, as coisas não apontam para a situação alvissareira anunciada na TV por Aécio Neves. Ele fala a partir do Ideb, mas esse é um índice falho, aliás, coisa que já denuncie em livro (Filosofia e história da educação brasileira, Manole), quando da criação de tal mecanismo pelo então ministro da Educação do PT Fernando Haddad. Eis a fala de uma professora de Minas Gerais, sobre o assunto, e que comenta ainda a exclusão:

“Primeiro, o estado interfere no índice de aprovação da escola, proibindo o professor de reprovar o aluno. Isso interfere diretamente na nota do Ideb: quanto maior é a aprovação, maior é a nota.

Segundo, o Ideb é uma média que exclui os problemas. Qualquer um que se embasa somente neste índice está desconsiderando o principal problema que atinge a juventude, que é a exclusão ao ensino. Faltam um milhão de vagas em Minas Gerais para o ensino médio. Hoje, só há vaga para 35% das crianças, falando de rede privada, conveniada, creche e Umeis. Nem 10% dos alunos que terminam o ensino médio têm nível recomendável em matemática, por exemplo.” (Beatriz Cerqueira, do Sindicato de Professores de Minas)

Diga-se de passagem, a professora faz outra denúncia significativa sobre o assunto financeiro na educação:

“Desde 2003 o estado não investe o mínimo constitucional, em alguns anos foram absurdos 18% de investimento. O que fazer? Precisamos de um poder Legislativo, um Tribunal de Contas, um Ministério Público desatrelado do governo. Hoje, o Tribunal de Contas tem indicações chanceladas pelo governo, o chefe do Ministério Público está indicado pelo governo e as relações são promíscuas, como um ‘toma lá, dá cá’.” (Beatriz Cerqueira, do Sindicato de Professores de Minas)

Fora isso, o programa de Aécio enfatiza demais tudo aquilo que, no governo Dilma, é o que está errado. O PROUNI é um erro. Não deveríamos jamais perdoar dívida de imposto de empresário para pegar vaga para aluno em faculdade. Não faz sentido. As universidades particulares que aderem ao PROUNI não investem na qualidade do ensino a ponto de merecerem isso. Desse modo o PROUNI é um mecanismo de dar coisa pobre ao pobre e ainda por cima estimular o empresário sonegador.

Sobre sua ênfase no ensino técnico, esse é outro erro do governo Dilma que Aécio copia. O gasto em ensino técnico é sempre muito alto e sempre em coisas muito perecíveis. Os laboratórios e todo o tipo de sofisticação dessa espécie de educação devem ocorrer no âmbito do ensino superior mesmo, no ensino universitário. O ensino técnico demanda material que se desatualiza muito rapidamente.  No ensino público de nível médio o governo sempre deve incentivar a formação geral, deixando a parte técnica para uma ampliação do que já funciona bem nesse nível, ou seja, os esquemas SENAC, SESI etc. A ampliação desse sistema na colaboração com o estado e os setores produtivos é que se deveria pensar sempre que se falasse em ensino técnico no Brasil.

Em educação, Aécio promete o que não sabe fazer. E pior de tudo, cria certas insinuações que o tornam pouco confiável. Por exemplo, diz que vai fazer coisas que, todos sabem, não são de sua alçada, a não ser que federalize a educação fundamental e média, coisa com a qual ele nunca acenou. Nessa mesma linha, cobra do governo federal práticas que só poderiam ser adotadas pelos estados e municípios, uma vez que é este que controla e organiza o ensino básico no Brasil.

E Dilma nisso tudo? Vale a pena falar das propostas dela para um novo mandato? Deixo o meu comentário sobre a proposta educacional de Dilma para outro lugar.

Paulo Ghiraldelli, 57, filósofo.

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32 Responses “Aécio Neves e o futuro da educação brasileira”

  1. Ismael Silva
    20/10/2014 at 21:19

    Me sinto horado em consumir os livros desse pensador! contrario de camburão.
    Quanto a proposta de Aécio de regionalisar o curriculo não é estranho, uma vez que, ele não parece contente com a historia geral e do Brasil, ao convidar a presidenta a não olhar pelo retrovissor do passado. Pois digo que retrovisores são utéis, inclusivel considerado um ato inlicito pelo Detran circular sem retrovessor, candidato Aécio, esse ato é tao grave quanto a tolerância continua de 0,34 miligramas de álcool no sangue, infração cometida por muitos play boy de Brasil afora!

  2. Camburão!
    16/10/2014 at 15:21

    Você fala de uma coisa( salário agregado ao mérito, no desempenho da escola ) que nem sabe direito e nem se preocupa em comprovar a assertiva. És ignorante? Apenas soltou no texto sem pesquisar. PURO ACHISMO. Recorta um texto de alguém do sindicato que não sabe de nada e tenta montar uma verdade. Tirem o diploma deste senhor!

    • 16/10/2014 at 15:27

      Camburão não, Camburrão.

    • Camburão!
      16/10/2014 at 15:42

      Está ali, vc não comprovou nada, sem referências, nem nada, só achismo, pura propaganda pró-Dilma, apenas!

    • 16/10/2014 at 18:35

      Camburão, você é mesmo o Camburrão. Não consegue pensar grande, no Brasil, só em propaganda. Há artigo meu mostrando as mazelas da educação no governo atual. Fique com sua politicalha, igual da sua mãe.

  3. Caçapava
    16/10/2014 at 11:52

    Impressionante! O PSDB não aprendeu nada e se aproveita da fraca memória do eleitor brasileiro. Este homem não pode vencer essas eleições. Ele praticamente blinda FHC, e tem tudo para continuar a fazer o que faltou para o ex-presidente.

    • LMC
      17/10/2014 at 11:18

      Tem razão,Caçapava.
      Aqui em SP temos um mini-
      Aécio que é o Alckmin.
      Foi reeleito graças aqueles
      eleitores ressentidos a la
      Pondé que não querem
      os “petralhas” no governo
      estadual.Ele é a velha
      direita em nova embalagem.

    • Aílton Nunes
      19/10/2014 at 17:33

      Pior é ver a turma da “novidade” encher o peito pra falar que é inadmissível o PT continuar no governo federal – quase conclamam os militares a dar um novo golpe caso e dentuça vença, um golpe só pra tirar o PT das opções e fazer uma nova eleição, eles são capazes de piorar no alarde, acredite -, mas se calam e aceitam quando é o PSDB permanecer governando o maior estado brasileiro por 20 anos. Hipocrisia pouca é bobagem.

  4. Valmi Pessanha Pacheco
    16/10/2014 at 11:28

    PAULO
    Observações pertinentes. Permita-me abordar a Administração de Pessoas (sim, porque são os atores mais importantes em qualquer organização, particularmente na Escola). Poderíamos dividí-la em 4 etapas ou fases: suprimento (recrutamento e seleção), manutenção (treinamento em serviço, condições de trabalho agradáveis), reconhecimento e recompensa (salários, remuneração, bonificações, cursos, títulos honoríficos etc) e sucessão (continuação, renovação de quadros). Talvez a mais complexa seja a que se refere ao reconhecimento e recompensa (até hoje não é pacífica a discussão sobre a mehor maneira a adotar), uns até condenam o mérito e empenho e clamam sob uma suposta quebra de isonomia, e até confundem seu significado: tratar igual coisas desiguais, ou tratar desigualmente fatos supostamente iguais?
    Quanto à sucessão, creio, salvo melhor juízo, nunca ter visto preocupação com ela na minha longa e modesta carreira pública. Na visão brasileira predomina o curtíssimo prazo (como se o processo inflacionário crônico nos tivesse abolido a capacidade de planejar), o momento presente, como se ainda fôssemos uma nação jovem. Ledo engano…
    Valmi Pessanha.

    • 16/10/2014 at 11:43

      As coisas são simples. Veja o trabalho do brasileiro que revolucionou a educação americana na prática. Saiu na Folha.

    • Douglas
      17/10/2014 at 11:21

      Prof. Paulo, sou leitor do seu blog e nunca ouvi falar deste trabalho, pode me passar o link por email ou por aqui mesmo?
      Obrigado

    • 17/10/2014 at 19:21

      Que trabalho, meu livro? Filosofia e história da educação brasileira, Editora Manole. Qualquer boa livraria tem.

    • Douglas
      21/10/2014 at 12:47

      Caro professor, me referi ao “trabalho do brasileiro que revolucionou a educação americana na prática” que saiu na Folha. Obrigado

    • 21/10/2014 at 12:49

      Douglas ele disse na entrevista exatamente o oposto do título da entrevista. No contexto da entrevista ele disse o correto: salário.

  5. LMC
    16/10/2014 at 10:33

    O Aécio falar em Revolução de
    64 não é novidade.Até hoje,os
    aliados da Dilma falam em
    Revolução Cubana ou
    naquela Revolução de 30,que
    na verdade foi um golpe
    também.

    • 16/10/2014 at 10:36

      LMC você realmente precisa aprender história do ensino médio. A Revolução Cubana foi um golpe? Putz, pare. Não escreva mais nada.

    • LMC
      16/10/2014 at 10:47

      O que quis dizer é que eles
      adoram falar que Cuba
      deixou de ser um quintal
      dos EUA,etc,etc,enfim,
      aquele anti-americanismo
      que todos nós já
      conhecemos.

    • 16/10/2014 at 11:44

      LMC você quer tomar equidistância e isso se tornou o seu dogma.

  6. 16/10/2014 at 09:56

    Gostei de sua análise; pena que grande parte dos próprios educadores não sabem desses equívocos do “programa do Aécio e do PSDB para a educação brasileira”! É o mesmo do mesmo e piorado. Lamentável!

    Gostaria de saber por que nenhum dos candidatos fala da JORNADA DO PISO, que não é cumprida na maioria dos estados, inclusive em MInas Gerais e em São Paulo!? Abraço!

    • 16/10/2014 at 10:37

      Chico, o piso criado pelo Haddad é um lixo. Deveria ser eliminado hoje.

  7. Hunaldo
    16/10/2014 at 05:19

    “… dar coisa pobre ao pobre…” Ora! Já que não se pode dar caviar, dê ao pobre pelo menos feijão com farinha… Se “As universidades particulares que aderem ao PROUNI não investem na qualidade do ensino…” pelo menos alguma coisa é feita… Melhor que antes, quando nada era possível.

    • 16/10/2014 at 10:41

      HUNALDO, “alguma coisa é feita”. Ora, há pessoas que vão na privada e fazem lá “alguma coisa”. É o PT. Alguma coisa é feita. Meu amigo: Prouni é um modo de salvar o empresário ou então promover o que não paga imposto. Cada vaga dessas custa menos que investir nela mesma em uma universidade pública. Acorda cara.

    • Hunaldo
      16/10/2014 at 11:13

      Sou filho de analfabetos e hoje curso Filosofia em uma universidade federal pública e de qualidade
      Estou com Lula e Dilma:
      Por que sou filho de analfabetos e hoje curso Filosofia em uma universidade federal pública e de qualidade. E sou bolsista do PIBIC/CNPq.
      Por que meus pais conseguem pegar de graça medicamentos essenciais para a saúde deles.
      Por que milhares de pessoas estão saindo da pobreza extrema por causa do bolsa família.
      Por isso (e outras coisas) eu estou com Lula e Dilma.

      http://obrasilqueconquistamos.com.br/sou-filho-de-analfabetos-e-hoje-curso-filosofia-em-uma-universidade-federal-publica-e-de-qualidade/

    • 16/10/2014 at 11:44

      Hunaldo você poderia ser tudo isso e ser inteligente.

    • Guilherme Gouvêa
      16/10/2014 at 13:41

      Existe muita faculdade picareta de esquina, sim… mas aí deveria entrar o trabalho de fiscalização do MEC, antes, durante e depois da instalação dos cursos. Hoje, o que se vê é uma fiscalização bem fajuta.
      *
      Tem uma coisa certa, está provado pelas estatísticas e nisso a Dilma tem razão: antigamente, em geral, filho de pobre não tinha acesso ao ensino superior, porque a meia dúzia de vagas nas universidades públicas ficava com os mais preparados (não necessariamente os mais inteligentes, nem os mais ricos), sem qualquer condição de atender à demanda; e as particulares, por outro lado, selecionavam pela renda (basta ver o custo do mestrado de Direito na PUC-SP, por exemplo, que é meu sonho de consumo…).

    • 16/10/2014 at 15:28

      Gouvêa esse é o problema do petista: “filho de pobre não tinha”. Em nome dessa merda, filho de pobre acaba mesmo não tendo.

  8. Wagner
    15/10/2014 at 23:33

    Nos últimos dias vários artistas declararam apoio a Aécio em rede nacional, quase chorei de emoção!
    O óbvio da coisa é que a predominância de artistas sertanejos acaba por reforçar a campanha em estados como Goiás, Mato Grosso, Minas e parte interiorana de São Paulo.
    O que não é tão óbvio e pode passar despercebido, pois a maioria não costuma prestar muita atenção nisso, é que todos os artistas são, digamos, paus mandados da Som Livre.
    A Som Livre pertence às Organizações Globo, mas tal conveniência é uma obra de ficção e qualquer semelhança com nomes, fatos ou situações da vida real são meras coincidências!

    • LMC
      16/10/2014 at 10:39

      Wagner,ano passado o Osmar
      Prado,que é global fez um
      comercial do INCRA,que é
      do governo federal.Ele é
      pau-mandado da Globo,
      também?Ih,lembrei do
      Rui Falcão falando
      aquela vez no Roda
      Viva.Será que a tropa
      dele chegou aqui no
      blog também?kkk

    • Wagner
      16/10/2014 at 12:32

      Como havia escrito, é tudo mera coincidência. Você prestou atenção nisso?

  9. Ana Paula
    15/10/2014 at 21:34

    Paulo. Eu não estou tomando um partido político preferencial, mas sem querer estou, eis a minha contradição em não querer me posicionar me posicionando, no entanto, não gosto da forma como o candidato Aécio se posiciona, a sua forma arrogante e equivocada de tratar os temas sociais, tudo para ele é incompetência do Governo Federal, e do Governo dele em Minas Gerais ele se quer se faz lembrar. Ele se refere ao ex-presidente FHC como se fosse um “Deus milagroso”, se isso é política eu não me simpatizo a política dele de forma alguma. Confesso ter votado no PSOL no primeiro turno, no entendo, acredito que mesmo o PSOL tem que amadurecer algumas ideias e não tratá-las utopicamente. Assistindo o debate ontem, confesso que senti uma angustia e um certo desespero misturado a desesperança, porque as pessoas que votam no Aécio é porque esperam alguma mudança, mas que mudança é essa? Boa pergunta! Do obvio ao obvio. A política é uma “coisa esquisita”. Contudo, gostaria de saber a sua opinião sobre esse modelos de “debates” que ocorrem no Brasil, você acha que realmente tende a agregar algum conceito a população?

    • 15/10/2014 at 23:44

      Ana Paula! O aprendizado da vida em geral, da democracia, depende não só de debates, mas de escola, de aula, de professor, de continuidade de trabalho como o nosso no CEFA e no Hora da Coruja. Entende? Os debates atuais favorecem a retórica vazia. Não se permite a conversa, não se permite o mediador mediar e cobrar etc.

    • LMC
      16/10/2014 at 14:16

      Pelo menos no último debate
      não teve aquelas perguntas
      tontas do Boris Casoy que
      foram feitas no primeiro
      turno.

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