Go to ...

on YouTubeRSS Feed

21/11/2018

Janaína Paschoal pode ser alvejada pelo Exército do Rio


[Artigo para o público em geral]

Há flagelo mais terrível que a injustiça de armas na mão? Aristóteles

Já disse várias vezes à minha amiga Janaína Paschoal que não posso concordar com a ideia dela de liberdade de porte de arma. Mas ela, talvez inspirada pelo direito que vingou nos Estados Unidos do tempo do “Velho Oeste”, acha que o direito ao porte de arma lhe daria a chance de mais segurança. Digo para ela que a arma não traz segurança diante do bandido, que tem mais experiência. Não à toa a polícia sempre diz: “não reaja”. Baseada em estatísticas da própria polícia e outros órgãos, sabe-se que as mortes de vítimas de assaltos se ampliam quando há reação. Além do mais, se atingirmos um bandido, nossa vida vira um inferno – há processos, julgamento e ainda por cima vingança da gang do bandoleiro.

Na verdade, as pessoas se idealizam como super-heróis ao quererem ter arma na mão. Não sabem das consequências.  Às vezes acho que Janaína cai numa irrealidade — talvez por conta de um gosto por filmes da Marvel?

Nesse quesito armas, Janaína tende muito mais à direita do que nós, que torcemos por ela na luta pelo Impeachment de Dilma, gostaríamos. Mas agora há a chance dela refletir melhor. Vejam a razão!

É que o pensamento de direita, por uma outra via, ou seja, pela boca do Comandante do Exército, General Vilas Bôas, advoga que na intervenção federal no Rio o Exército possa atirar em quem está armado (declaração de 27/28 de fevereiro de 2018). Além disso, em outra declaração (comentada por mim em O general que não aprendeu o conceito de democracia), Vilas Bôas já havia feito um disparate tão grande quanto este, o de falar que os militares devem agir no Rio sem que se tenha o “perigo de uma nova Comissão da Verdade” mais tarde. Ou seja, ele quer ter “segurança jurídica” para matar e torturar. É isso que se deduz do que ele falou, pois a pois a Comissão da Verdade não foi revanchismo e, sim, avaliação de que a tortura foi crime pelas leis da Constituição criada pelos militares, e não por qualquer outra Constituição. Aliás, universalmente a tortura é crime, inclusive crime de guerra.

Não sei se Janaína ou Bolsonaro fazem o pregam, ou seja, andam armados. Mas, se realmente fazem, espero que Janaína não vá ao Rio. Quanto a Bolsonaro …

O certo é que se o General Vilas Bôas conseguir implementar o que pensa, vai instaurar o fim parcial do Estado de Direito (para além do que ocorre na Ditadura Militar), e Janaína correrá perigo. Nós também, pois ninguém garante que, tendo um guarda-chuvas na mão, não venhamos a receber um tiro. Aliás, ninguém garante que, não tendo nada na mão, não sejamos alvejados e, uma vez no, chão, apareça em nossas mãos um 38.

Paulo Ghiraldelli Jr., 60, filósofo.

Tags: , , ,

10 Responses “Janaína Paschoal pode ser alvejada pelo Exército do Rio”

  1. Anderson Silva
    09/03/2018 at 19:38

    Alias, será que é possível entender, por meio da filosofia, esse cenário que mistura fé religiosa, política partidária, crime organizado, facções criminosas, time de futebol, MBLs , cultura fitness, atração sexual por armas e o contexto brasileira contemporâneo? Será que são elementos de uma mesma salada? rssss

  2. Anderson Silva
    09/03/2018 at 19:30

    Hum…… Cenário estranho: pessoas que se autointitulam como cristãos (Bolsonaro, Malafai, Malta, Janaína, integrantes de facções criminosas e milhares de brasileiros) raivosamente querendo armas. Não parece ser um caso de dilema jurídico (se o que eu penso ser dilema for mesmo dilema), liberar ou não as armas, mas sim um problema de insanidade.

    • 10/03/2018 at 01:09

      O fascismo tem graus, Anderson. Poucos são inteiramente fascistas. Mas muitos pode endossar aqui e ali algumas ideias fascistas.

  3. LMC
    01/03/2018 at 14:25

    O PT votou a favor da saída de
    Temer e o Lula disse hoje,na
    Folha que ficou do lado de Temer
    porque a Globo queria o Temer
    fora.Bzzzzzzzzzzzz….

  4. LMC
    01/03/2018 at 11:20

    Como diz o Marcelo Coelho,ontem
    na Folha,o impeachment de Dilma
    foi um quase golpe.Feito pela
    Janaína e apoiado por Maluf e Bolsonaro.

    • 01/03/2018 at 11:32

      Nossa, que coisa tonta! Marcelo não disse isso.

    • LMC
      01/03/2018 at 12:20

      O “quase golpe” foi escrito
      pelo meu xará,PG.A segunda
      frase sobre a Janaína é minha.

    • 01/03/2018 at 12:32

      Você nunca é capaz de ler os melhores da Folha quando eles são melhores?

  5. Renata
    28/02/2018 at 22:15

    A Janaína do Impeachment é a mesma da arma.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *