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16/12/2018

Antonio Prata e o desalento com o eleitor do Bolsonaro. Afinal, a democracia está sob ameaça?


[Artigo para o público em geral]

Antonio Prata escreveu na Folha (07/10/2018) que o voto em Bolsonaro não é só contra ícones da esquerda, mas a todos os pensadores, a tudo que é cultura, em um sentido iluminista da palavra. Concordo. A Folha de S. Paulo e a Rede Globo, para compensar o desalento que esse voto provoca, publicou uma pesquisa em que o brasileiro tem preferência pela democracia. São 69% de aprovação do regime democrático, o maior índice já alcançado pela democracia em nossa história pós 1985. Isso deveria deixar gente como o Antonio Prata menos desacorçoado?

Não mesmo! O apreço pela democracia, em termos de pesquisa, vem também do bolsonarista. É que “democracia” é uma palavra que está no imaginário das pessoas de uma maneira extremamente simplificada. A escola básica ensina o conceito pela metade, e a nossa prática política faz ainda pior. Na teoria da escola, democracia é “o regime em que o governo é o povo”. Ora, em uma ditadura da maioria quem governa também é “o povo”. Na prática brasileira, democracia é voto. Ora, o voto não desapareceu em nossas vidas nem na época de nossa ditadura, de 1964 até 1985, e mesmo o voto para cargos executivos se fizeram contínuos a partir do Congresso e Assembleias. O cerceamento das liberdades foram feitas de modo sutil para uma boa parte da população! Governo do povo e voto são elementos que podem ser postos na conta de qualquer ditadura.

Não damos valor para a democracia em seu grau conceitual mais aperfeiçoado, que é o regime de governo da maioria desde que as minorias tenham seu direito de existência digna e de expressão garantidas, e que as liberdades individuais sejam garantidas por lei. (1)

Portanto, se o presidente for o fascista Bolsonaro e o seu vice for o nazista Mourão (2), dois militares cabeça-dura, e eles mantiverem o voto e tudo o mais, mas começarem a tomar medidas autoritárias aqui e ali, as coisas podem ir de mal a pior. Inclusive podem fazer isso com o aval do Congresso (sabemos como o executivo compra parte dos congressistas, o próprio Bolsonaro já mudou voto após jantar com Temer, lembram?). Podem ir tirando direitos aos poucos, seguindo na afronta de minorias (como já fazem), implementando um programa caótico de privatizações e, junto disso, podem agir no cerceamento da arte, da escola básica e da universidade. Tudo que está no programa de Bolsonaro indica claramente isso, sem papas na língua. Nós teremos apoio popular para reagir? Tenho dúvidas.

Como poderíamos reagir? Quais seriam as condições?

Hitler e Mussolini começaram o massacre da democracia, ou seja, do regime de liberdades individuais garantidas por lei, bem antes de tomar o poder. Suas milícias percorriam as ruas quase que no lugar da polícia, batiam em minorias, atuavam em fascio” (daí o fascismo). A ordem era a da “purificação da raça” e da “expulsão dos párias”. Quem eram os “párias”: ora, não só os que pensavam diferente, como comunistas e liberais, mas principalmente os que eram classificados ao bel prazer das milícias como diferentes: mendigos, negros, imigrantes, judeus, deficientes, gays … aos poucos havia mais gente diferente do que gente igual! Mas o estado, então nas mãos dos ditadores, logo fez os diferentes ficarem iguais: os colocou todos em campos de concentração. Iguais? Quase. Para que eles próprios pudessem ainda se ver como diferentes, de modo que nada os unisse, colocaram neles o pijama listrado com símbolos distintos. Mas até chegar nisso, ocorreram na Alemanha e na Itália muitas manifestações iguais aquelas que vimos no nosso metrô, nos vídeos, onde um bando de gente dizia “Bicharada, cuidado, Bolsonaro vai matar viado!”. (Não viram?)

O brasileiro vê os filmes do nazismo e do fascismo pela ótica da guerra e do campo de concentração. Deveria ver melhor os filmes sobre o clima do fascismo, anterior à guerra. O brasileiro, não raro, não consegue perceber que seu vizinho bolsonarista pode, em uma noite, não lhe ajudar se a milícia do ditador vier lhe buscar. O fascista em potencial é boa pessoa quando o clima montado pelos de cima é democrático liberal. Mas quando os de cima inventam de apoiar o fascismo (quando surge na sociedade um dono da Havan), o vizinho bolsonarista se revela: é aquele que se cala diante da injustiça contra qualquer um de nós, e, não raro, o que se torna um dedo duro para nos incriminar: “ah, ele é gay sim, é um pervertido moral”; “ah, ele tinha livros estranhos em casa”; “ah, sim, já vi ele falando bem do Lula, o presidiário!”, “ah, olha, de fato ele defendia as cotas para negros, é no fundo no fundo um racista”; “xi, esse cara é realmente estranho, vivia incentivando a pedofilia, tanto é que tem em seu computador os artistas daquele museu lá, o museu dos pedófilos”. E por aí vai o que um vizinho ignorante e bolsonarista pode dizer de cada um. Inclusive gente assim pode depor contra si mesmo, sem perceber. Até isso pode ser dito: “de fato, essa mulher aí precisa mesmo ser presa, ela não era muito de obedecer o marido não, estava cheia de ideias feministas na cabeça!” Ridículo? Ridículo agora, mas num clima fascista, isso não soa ridículo. Soa bem incriminatório para delegados que se tornam bolsonaristas de modo mais rápido que militares em geral. Tudo isso é música, atualmente, para gente como Bolsonaro e Mourão. A incultura desses dois não é a ignorância dos petistas, é algo muito mais perigoso, é a corrosão interior dos valores humanitários internos. O fascismo leva antes a alma, só depois a liberdade.

Nosso apreço pela democracia, posto em estatísticas, será testado se Bolsonaro e Mourão ganharem as eleições. Estes dois nos levarão para o plano econômico do Paulo Guedes, e sem percebermos, também para o plano do “Escola sem Partido” no âmbito cultural. Se fizerem isso, vão criar tamanho caos econômico e social, que será possível tacar um Impeachment neles. Mas, se por um momento criarem uma bolha de consumo, como Médici e Lula fizeram, vão poder corroer o gosto pela liberdade e fazer muito mais gente dizer que está disposta a abrir mão de tudo em troca dos liquidificadores novos e dos celulares de última geração. Então, para sermos democráticos, sob Bolsonaro e Mourão, vamos ter de pagar com mais alguns anos de desgraça econômica. Só por isso a democracia estará protegida, pelo fato de que realmente o plano econômico de Paulo Guedes é tão medíocre quanto ele próprio, e então nossa insatisfação aumentará a ponto de também acharmos absurdo que gente com a mentalidade do Frota ponha a mão no currículo escolar, queime museus, atire com fuzil na cabeça da população LGBT e peça indenização para mulheres que não deixam mais seus maridos lhes darem bons tapas na cara.

Somos mais condescendentes com a perda da liberdade individual do que as pesquisas em favor da democracia pode nos contar.

Paulo Ghiraldelli Jr., 61, filósofo.

(1). Veja formalidade no conceito de democracia de FHC, que torna tal conceito frágil: “A democracia está enraizada, a imprensa é livre, o Congresso está funcionando. Há uma cultura [democrática], as pessoas aprendem a mudar, votam com liberdade” (declarou isso na hora do voto, primeiro turno, 2018)

(2) Eu uso “fascista” e “nazista” aqui como conceitos, não como meros adjetivos, e o faço bem corretamente – posso argumentar se o leitor quiser; preciso?

 

 

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9 Responses “Antonio Prata e o desalento com o eleitor do Bolsonaro. Afinal, a democracia está sob ameaça?”

  1. Felipe
    09/10/2018 at 01:23

    Eu não estou ignorando esses aspectos do Espírito, simplesmente porque a coisa mais básica é entender que o esclarecimento é um impulso trans-histórico do Razão que visa a livrar o homem do medo e misticismo, de pô-lo como senhor do mundo, e que cada obra filosófica contida na história expressa um estágio desse processo, dessa lógica do esclarecimento; que a natureza do esclarecimento é ambígua, etc.

    Veja: o que estou tentando expressar de maneira tosca, monstruosamente resumida, quando eu disse que o espírito da pseudoformação não pode ser confundido com o fenômeno do nazismo, é justamente porque ele não “apareceu”, não “nasceu” ali (pois aliás, de acordo com o que você acenou, formataria a pseudoformação em um viés sociologizante). O nazismo foi resultado de um impulso trans-histórico imanente ao Espírito (“esclarecimento”) que levou este a uma gradual e generalizada pseudoformação de si (no caso, um processo de aculturamento que se deixou reduzir à lógica da autoconservação, da dominação). É por isso que eu disse que “o nazismo se foi, mas o espírito da pseudoformação perdura”, que “o nazismo foi um exemplo de ‘para onde’ o espírito da pseudoformação pode levar a civilização”.

    Assim, quando eu falei que “o espírito da pseudoformação necessita ser pensado de acordo com as condições presentes”, eu estava me referindo como, a partir da lógica trans-histórica da pseudoformação decifrada por Adorno, podemos analisar o estado de coisas de nosso tempo. Ou seja: em nossa época, quais seriam as condições objetivas que fomentam a pseudoformação, que fizeram ela se tornar pandêmica…

    • 09/10/2018 at 07:45

      Sim, a ideia de que o Espírito se manifesta em episódio significativos ganhou a historiografia. Os frankfurtianos dizem: OK! mas quando ele se manifesta na sua completude ela não é completude, é pseudocompletude. Se manifesta inteiro, sem deixar nada para depois, mas essa manifestação sempre revela que o o Espírito é um pseudo Espírito. O nazismo serve para tal. Já a clima eleitoral aqui e ali, bem menos. Pois duvido que Adorno e Horkheimer acreditaram que o nazismo era o fim da história. Penso que eles imaginaram que o “capitalismo tardio”, inclusive a URSS e agora, é o fim da história. O Mínima Moralia pega pequenos eventos temporais e atemporais para mostrar que a “época liberal” acabou, que estamos sob a “sociedade administrada”. O fenômeno que gera o filisteu da cultura, de Arendt, este sim, é histórico e mostra bem como que há pessoas que fizeram a escola e podem eleger o nosso “príncipe”, aqui em São Paulo, mas não a eleição do Frota. Obrigado pela interlocução.

  2. Felipe
    08/10/2018 at 16:06

    Sim Paulo. Pelo que você está dizendo, muitas pessoas tendem a identificar teoricamente a pseudoformação àquela época e buscam, através daí, realizar diagnósticos do tempo presente. Mas é óbvio que não há como transferir teoricamente aquela análise pontual para os nossos tempos.
    O nazismo foi um exemplo nítido da pseudoformação, mas esta não se deixa reduzir naquele – o nazismo se foi, mas o espírito da pseudoformação perdura (tanto é que, muitos anos depois da guerra, Adorno ainda se preocupava com o problema da pseudoformação, visto que chegou a escrever o famoso ensaio em torno dela). Em outras palavras: o nazismo foi um exemplo de “para onde” o espírito da pseudoformação pode levar a civilização.
    O espírito da pseudoformação necessita ser pensado de acordo com as condições presentes (coisa que você fez aqui -> http://ghiraldelli.pro.br/filosofia-social/a-escola-de-frankfurt-serve-ou-nao-para-analisar-bolsonaro.html).

    • 08/10/2018 at 16:37

      A ideia do desdobrar o Espírito é a uma ideia histórica e transhistórica. O Espírito é temporal e lógico ao mesmo tempo. Você está tentando entender uma coisa para a qual falta formação. Ou seja, você não sabe Hegel e está batendo cabeça. A análise de Adorno sobre a pseudo formaçao é transhistórica, e como o conceito deles de iluminismo.

  3. Felipe
    08/10/2018 at 03:11

    Sim Paulo, eu entendo o que você quer dizer. Tenho ciência disso. É justamente por isso que eu tomei o cuidado de apontar “com as devidas ressalvas…acredito que” (i.e com as “devidas adaptações” para o nosso contexto, acredito que…). Eu deveria ter esclarecido essas (muitas) ressalvas para não ter ser sido mal-interpretado – culpa da minha preguiça. Entre outras coisas, a ideia de indivíduo administrado obviamente não se encaixa em nosso contexto, etc e tal.

    Quando usei essa citação, eu queria atentar para o retorno da charlatanice em conjunto com a astúcia da pseudocultura, e o perigo aí envolvido. Eu também estava com o seu outro texto na cabeça também, a saber, http://ghiraldelli.pro.br/filosofia-social/a-escola-de-frankfurt-serve-ou-nao-para-analisar-bolsonaro.html.

    Pois bem. Tento esclarecer de modo demasiado tosco, tendo em mente o texto supramencionado junto a esse texto.

    Em nossos tempos, de considerável mal-estar político (gestado em grande parte pelas lambanças do PT), não é espantoso que o Bolsonaro – figura exemplar da charlatanice regada pela pseudoformação, sujeito emulante daquela dureza de espírito do Fuhrer – tenha conquistado tanto a admiração das camadas pseudoformadas: ele é aquele que promete a catarse das massas, a exteriorização de toda a frustração e desejos obscuros sobre aqueles que “corrompem” ou “corromperam” a moral, a família, a pátria (o vídeo que você anexou mostra isso de maneira assustadora, e também tem aquele em que ele diz jocosamente “vamos metralhar a petralhada aqui do…”). O Bolsonaro é o famoso charlatão que promete que vai “arrumar a casa” , que tem solução fácil pra tudo (nada como transferir analogamente as “porradas que curam tendências homossexuais” para o mundo da política, se é que você me entende). Assomemos o bendito “perigo comunista”, o perigo do “marxismo cultural” – principais representantes do sistema delirante dos bolsominions e afins – que o Bolsonaro promete combater e temos a receita perfeita da confusão.

    Pois bem: entendo que todo sistema delirante é um elemento do espírito pseudoformado, é parte daquela inaptidão à experiência que o Adorno tanto denuncia (o apelo a estereótipos, etc.). Também entendo que o sistema delirante é de tendência totalitária, e que seu motivo econômico consiste na utilização de um subterfúgio para a liberação da pulsão não sublimada no pseudoformado: não é à toa que o Bolsonaro disse, em um vídeo, que em uma suposta guerra civil para “consertar o Brasil” tinha que matar pelo menos “uns 30 mil” que a ditadura deixou de matar (comunistas, não é difícil de adivinhar), e se inocentes morrerem no processo, “tudo bem”. Não é à toa que todo bolsominion, diante de uma pessoa estereotipada como “esquedista”, projeta um ódio incontrolável…

    Penso que a “fase totalitária da dominação” tem relação conceitual direta com a pseudoformação justamente porque a própria pseudoformação já contém em si o germen do totalitarismo, ou seja, o espírito da pseudoformação é intrisencamente totalitário. Como o próprio Adorno aponta na teoria da pseudoformação, “o conceito fica substituído pela subsunção imperativa a quaisquer clichês já prontos, subtraídos à correção dialética, que descobre seu destrutivo poder nos sistemas totalitários”. Assim, o sistema delirante recheado de estereotipia imanente à pseudocultura é a marca desse impulso totalitário. A pseudoformação é alérgica à liberdade, ao não-simples, ao que é diferente.

    Mas acredito que a pseudoformação tem um caráter elástico: ela está presente tanto em sistemas totalitários quanto democráticos. É devido a isso que penso que o nazifascimo e o regime militar foram exemplos (cada um a seu modo) de níveis de espiritualização da pseudoformação. Os tecnocratas e militares brasileiros utilizaram um sistema delirante em torno do comunismo com a desculpa de governar o país – e deu certo. É claro que a tendência totalitária nesse caso difere da apresentada no nazifascimo (pois na Alemanha foi infinitamente pior). Tivemos um governo permeado por traços totalitários, um regime democrático no qual pessoas “misteriosamente” sumiram. Enfim: acredito que o sistema delirante construído em torno dos judeus e dos comunistas, gayzistas, feministas e afins tem o seu liame comum através da pseudoformação. Governar através de estereótipos, de paranoias coletivas, e proscrever ou censurar quem se opor ao delírio.

    Em nossos tempos, a pseudoformação persiste de maneira generalizada. Nesse período de grande tensão, esse germen ameaça brotar no interior da nossa democracia. A realização de um exemplo de tendência totalitária pode muito bem aparecer no corpo da democracia sem que esta desapareça (teríamos um regime democrático mutilado, no caso. O regime militar foi um exemplo disso).
    Vejo que um exemplo recente de tal tendência aconteceu no caso do Queermuseu. Nele já se tem uma amostra do que pode acontecer com a cultura sob o clima bolsonarista, pois se dependesse dos bolsominions, tudo iria pra fogueira. Para o pseudoformado, as obras do queermuseu são um antro de estereótipos de tudo o que é ruim (zoofilia, pedofilia, etc) – e pior, sequer reconhecem aquilo como arte. E aqui as primeiras linhas do primeiro parágrafo deste seu texto fazem sentido para mim.

    Certamente, como você disse, a “‘fase totalitária da dominação’ é um conceito que tem a ver com pseudo-formação do Espírito (Geist), e não com uma eleição de um país como o nosso”. Mas não seria o caso, de acordo com tudo isso acima, de que “uma eleição de um país como o nosso”, no atual estado de coisas, estar profundamente contaminada pelo clima da pseudoformação? Aqui, novamente, as primeiras linhas do primeiro parágrafo deste seu texto fazem sentido para mim. E conforme o texto se desenvolve, as coisas “pioram” ainda mais (o cerceamento progressivo da liberdade, a proscrição do que é diferente…). Embora esse quadro não coincida com a ordem totalitária iniciada por Hitler em 1933, o espírito da pseudocultura parece permear cada ponto tecido por você.

    Esse seria (de modo grosseiramente sucinto) o espírito da adaptação daquela sentença para os nossos tempos. Esse parece ser o clima de seu texto. Se eu acertei, já é outra história…

    • 08/10/2018 at 03:36

      O “Geist” precisa ser entendido corretamente. O próprio nazifascismo atrapalhou e situou demais a questão. Talvez isso tenha feito muitos sociologizarem tudo da Escola de Frankfurt, sem atentar para o fato de que era uma pegada filosófica. Tudo está no entendimento correto do que é o Espírito. Não dá para pensar no que os frankfurtianos falaram como aquilo que Arendt falou, dos “filisteus da cultura”, este sim algo mais sociológico, datado.

  4. Guilherme Picolo
    08/10/2018 at 01:02

    Primeiro ato do eventual governo envolve segurança nas salas de aula. “Fiquei sabendo pelo agora deputado Frota que nossas crianças e jovens estão sendo induzidos a seguir a cartilha de um estrangeiro, que em seu país foi condenado por corromper a juventude, à pena de morte, e atende apenas por “Sócrates”, provavelmente em referência ao ex-jogador do Corinthians. Agora querem trazer essa porcaria para corromper os nossos filhos e netos!” – dirá o “grande líder”.

    … Pelo lado bom, foi eleita gente decente, como a Tábata e o Gianazzi. E tranqueiras como a Dilma e Jucá foram defenestradas…

  5. Felipe
    07/10/2018 at 20:07

    Com as devidas ressalvas, acredito que este trecho da DE descreve bem o espírito de seu texto:

    “Na fase totalitária da dominação, a semicultura chama de volta os charlatães provincianos da política e, com eles, como uma ultima ratio, o sistema delirante, e o impõe à maioria dos administrados já amolecidos, de qualquer maneira, pela grande indústria e pela indústria cultural. Hoje em dia, é tão fácil para uma consciência só devassar o absurdo da dominação que ela precisa da consciência doente para se manter viva”.

    • 07/10/2018 at 20:17

      Não creio essa análise da “sociedade da dominação” tenha a ver com o que digo. Nem um pouco. Acho que esse é o principal problema da leitura filosófica com informação sem formação. Mil desculpas por dizer isso tão de modo cru. É que a “fase totalitária da dominação” é um conceito que tem a ver com pseudo-formação do Espírito (Geist), e não com uma eleição de um país como o nosso. É por isso que digo: sem Hegel, sem formação em filosofia, as pessoas podem achar que um Karnal pode ler filosofia. Não pode. Entende?

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