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11/11/2019

O mundo imagético lacrador ou Platão alerta sobre Confúcio


A crença no mundo de Confúcio

“Uma imagem vale mais que mil palavras”. Dizem que esse ditado veio da boca de Confúcio, que viveu entre os séculos III e IV a. C. Todos nós já o utilizamos mais de uma vez.

Nos anos 1500., Comênio começou a insistir em livros didáticos ilustrados. Hoje, não há criança que, já no útero, não fique sedenta pelo fim dos nove meses para então ter um Samsung em mãos.

Todavia, exatamente por conta da proliferação das imagens, e de seu predomínio de um modo especial em nossas vidas, começamos a desconfiar que a questão não é ter uma imagem valendo mais que mil palavras, mas que as palavras estejam sendo impedidas de serem ditas. Em um universo saturado de tentativas de se dizer muitas coisas “sem palavras”, será que estamos dizendo algo? Estamos realmente dizendo o que queremos dizer? Ou pior: estamos ainda querendo dizer?

Talvez as imagens, de tanto substituírem as palavras, nos tenha roubado a chance de convivermos com palavras. Pode ser que a própria linguagem, na sua forma tradicional, a de ser nosso aperfeiçoamento da capacidade simbólica, esteja se diluindo. Podemos estar vivendo de imagens que já não possuem parentesco com as tarefas da nossa chamada função simbólica! Não estaríamos calados, imersos num mundo sufocado pela picturização?

Se pudermos levar a sério tais indagações e considerar respostas positivas como verdades, as consequências não seriam poucas. O realismo iconográfico seria, então, a porta aberta para uma sociedade que, por conta do excesso de semiótica, acabou perdendo a semântica.

O ditado de Confúcio teria, então, se tornado não um bom achado, mas um destino de infortúnio. Não estaríamos mais podendo contar a nossa felicidade e nossas experiências, apenas mandar para outros um emoji específico, aquele da carinha sorrindo ou aquele de óculos escuros. Qual seria o emoji para saudades? Bobagem, não? Não tendo emojis suficientes, podemos chegar à conclusão que o melhor é abolir a saudades? Nada de cultivar sentimentos que não podem ser mostrados em emojis! O mundo ficaria mais confortável, leve, desonerado – não? Um mundo com menos emoções complicadas! Que delícia viver num mundo assim, leve e solto. Um mundo “flexibilizado”, se quisermos aqui adotar o vocabulário da Fiesp atual.

Volto aqui, desse modo, à ontologia descoberta por Guy Debord para ser a ontologia de nossa época contemporânea: não vivemos mais a disputa entre ser e ter, mas estamos na época do aparecer. Posso aparecer com palavras. Mas Debord já se referia às imagens.

Em sua época era fácil entender que o espetáculo das imagens a que ele se referia no livro A sociedade do espetáculo, de 1967, era uma referência ao espetáculo da mercadoria. Hoje, no entanto, estamos tão imersos no espetáculo imagético que, enfim, nem mais possamos entender de onde emerge o espetáculo. Até porque, agora, não somos mais imitadores das mercadorias fetichizadas, mas, mais radicalmente nos tornamos nós mesmos imagens. Produzimos imagens. Somos imagens. Ou fazemos imagem – selfies à frente – ou não existimos! Se não mandarmos nudes, não amamos! E amamos com nudes e emojis – sem saudades, é claro.

Só o que é pornográfico e icônico nos resta. Ou somos lisos – os reis da estética do suave e do limpinho – ou não existimos. Não podemos mostrar protuberâncias peludas em nossos nudes, exatamente porque emojis não possuem pelos, mesmo se eles vierem barbudos. Se mostrarmos nossos pelos, geraremos emoções inconvenientes, pois não retratáveis. Geraremos exclamações. Muitos dirão que estamos desprezando os emojis! Seremos chamados para explicar isso, para criar justificações. Ora, uma tal tarefa, traria as palavras de volta à cena. Mas não temos mais palavras.

Não temos mais palavras porque, em algum momento da história, passamos realmente a acreditar, de uma forma esquisita, literal, que uma imagem vale mesmo mais que mil palavras. Acho que até desejamos isso. Foi então que cruzou sobre nós um anjo torto e realizou o nosso pedido. Tornamo-nos isso que somos agora: o povo das imagens.

Sermos o povo das imagens não é tanto o problema. O real problema é que nos tornamos o povo que cultiva a diminuição das palavras. E o mais grave: a transformação das palavras em imagens tornou-se regra. Ou as palavras “lacram”, como fazem as imagens, ou elas nem devem ser pronunciadas. As imagens de nosso tempo são para encerrar, não para serem admiradas. Elas impactam por extinguirem as palavras, para fazer calar. E as palavras que restaram as imitam. Tudo que é feito com mais de uma frase não vale, causa sono. Foi em nossa época que surgiram os que acharam que deveriam transformar as palavras dos livros de Machado de Assis, para lhes dar um aspecto mais … “atual”. Só em nossa sociedade escrevemos como os macacos poderiam escrever, com o polegar!

A sociedade do amor por emojis. Duplamente falando: por meio de emojis e tendo como objeto os emojis. Eles são engraçadinhos, mas solapam a vida.

Histerismo e leveza

A fusão entre a “sociedade do espetáculo” e a “sociedade imagética” gera a nossa sociedade atual: a “sociedade do histerismo”.

Somos todos um tanto histéricos, e não propriamente melancólicos e deprimidos, como quiseram os filósofos frankfurtianos. O que isso quer dizer? Simples: nosso cultivo da proliferação de imagens nos faz agir teatralmente. Teatralizamos a nós mesmos. Todavia, se nossas imagens são, é certo, sem palavras, desacompanhadas e lacradoras, nossa teatralização pessoal não é arte, nem patologia, é simplesmente arremedo do ato de mostrar-se em favor do pequeno escândalo. Fazemos tudo freneticamente. Necessariamente ganhamos status ontológico se podemos apresentar alguma imagem que busque o escandaloso. Como nossa teatralização é pobre, não produzimos escândalos dignos de novela, mas apenas reproduções em forma de pastiche daquilo que já é o pastiche: a vida exposta de pequenas, grandes e médias celebridades.

O folhetim da teledramaturgia ficou empobrecido exatamente no momento que começou a retratar toda a vida comum como se fosse uma vida de celebridade. E mais esquisito ainda, quando toda celebridade assim o é por ser “empreendedora”! No passado mais ou menos recente, Regina Duarte vendeu comida na praia e se tornou empresária – e então celebridade. Como hoje a Juliana Paes vende bolo na rua e logo aparece na TV. Programas de tipo “reality show” em torno de comida, que proliferam, são exatamente o espelho da nossa época: a boca não deve falar, deve comer. O que sai da boca do homem é que é o perigo, disse Jesus. Então, falemos sem palavras e apresentemos como nossa atividade central, como humanos, como a de comer e mostrar como se faz comida, e isso em forma de teledramaturgia. As celebridades do que entra pela boca! Nunca estivemos tão pobres de imaginação!

Todo lugar que pisamos é transformado em palco. Surgimos então como narcisos fora de época. Espelhos e Internet, nos acessando a todo o momento, atestam esse nosso histerismo narcísico. Nisso, imitamos as próprias mercadorias. Fazemos tudo igual, mas em poses aparentemente diferentes. Repetimos poses de outros e imitamos a teatralização de outros que, por sua vez, se apresentam segundo o marketing das mercadorias. Queremos o igual enquanto achamos que produzimos a diversidade.

Essa busca do igual que está na base de um auê! posto pela aparente diversidade cultural, de gênero, de etnia etc., o que subjaz é a celebração do reino do equivalente. A sociedade da máxima abstração. Abstração das coisas e nas coisas, e não no âmbito do pensamento. Nossa curtição da diversidade é enganosa, pois amamos o igual. O diverso não é o singular! Cuidado!

Fazemos o papel da coisa fetichizada. Somos como o que imitamos: a mercadoria e, enfim, a mercadoria chamada dinheiro. Imitamos o dinheiro. A abstração imposta pelo equivalente, o dinheiro, aparece pesado, com lastro, mas a partir de 1970 perdeu definitivamente sua equivalência em ouro, ficou leve, virou papel e depois números numa tela de computador. O dinheiro passou a se apresentar como nós nos apresentamos, isto é, em formas de tribos urbanas e grupos de posers iguais. Cada moeda nada vale senão ela mesma. Cada moeda é o equivalente, o que tudo transforma em tautologia, mas finge não ser assim à medida que veste roupinhas nacionais. A Libra se acha diferente do Dólar e este bem diferente do Marco etc. Mas, no fundo, com o câmbio flutuante e o capitalismo financeiro comendo solto, tudo isso nada é senão o que nós também somos, os reis da diversidade encalacrados no igual. Uma sociedade assim, tautológica, não precisa mesmo de palavras. Equações substituem palavras. Num mundo imagético de imagens lacradoras, nada mais correto que viver o dinheiro, ele próprio o lacrador máximo. Somos o dinheiro se, com nosso próprio corpo e poses, também lacramos.

Comemos e celebramos a comida por razões não de companhia, mas para ficarmos com a boca ocupada, já que não temos mais palavras! O dinheiro cala. Somos o dinheiro, dado que também nos calamos e calamos outros, com imagens.

A mercadoria dinheiro é a mercadoria como equivalente universal. Somos como ela. Ela é o fetiche. E nós, para voltarmos a sermos vivos, imitamos o fetiche, no caso, o dinheiro. Imitamos o morto para parecermos vivos!

Teatralizamos a nós mesmos como o dinheiro faz: ele surge aqui e ali como um demiurgo, para solucionar, calar, resolver, igualar. O faz com trajes diferentes, cada dia apresentando uma nação. Mas o gosto final que deixa para todos é o mesmo. Em um determinado momento a Libra se apresenta como Libra, no seu Facebook. Mas, garanto, quando o Dólar se apresenta como Dólar, no mesmo Facebook, ele pode muito bem ser tão falso quanto a identidade da Libra, ela pode ser o Dólar. A volatilidade do dinheiro, que é exclusivamente fiduciário, que nos dá a leveza atual, também é nossa volatilidade de identidade, nossa teatralização, nossa caracterização como quem não está melancólico na modernidade, mas histérico. Imitamos o histerismo do dinheiro. Ele pula de banco em banco em frações de segundo. Percorre o mundo. Não tem mais fronteiras. Nós também alteramos identidade nas redes sociais na mesma velocidade. Achamos que quebramos fronteiras.

Para essa sociedade espetacular, imagética e histérica, o que conta é a leveza. O texto, o pensamento, a reflexão, a lei, etc., tudo isso onera. Deve então desaparecer.

Nossa disposição antigravitacional, que vem desde nosso início antropológico como uma marca do que é humano, se realiza de modo mais apropriadamente com o advento do dinheiro capitalista. Ele joga os títulos de nobreza no lixo, dando à burguesia a festa dos títulos bancários. O dinheiro libera. Desonera. Tudo pode ser obtido rapidamente com ele. Uma vez sem lastro, então, apenas como número fiduciário, ele prolifera sua leveza. Se imitamos o dinheiro, aderimos ao trânsito fácil. Tanto é que nosso ideal ficcional se torna o teletransporte. Queremos navegar como ele, por vias virtuais. Ou somos o Dr. Spock ou nada somos.

Nossa desoneração corporal é visível. Nossos desejos também se desoneram. Somos apenas posers, iguais ao dinheiro e iguais aos emojis. Podemos nos apresentar com samba ou com tango. Eis aí o máximo de diferenciação que obtemos. O mundo pasteurizado faz parecer diferente, como pode parecer diferente as danças no “Dança dos Famosos”, do Faustão. Quando as olhamos mais de perto, nos entediamos, sabemos que elas não expressam cultura, apenas repetem os mesmos movimentos, o estereótipo, o falso singular. São o dinheiro em seu histerismo. São o retrato dos dias que antecederam o domingo.

O domingo nos entedia porque é o dia que temos de conversar. Temos de parar de seguir imagens. Então, nos recolhemos às telas, e passamos a comer e comer. Tudo para nos lacrarmos.

A “insustentável leveza do ser” e a “sociedade do controle”

Peter Sloterdijk nos alerta para o fato de que um mundo desonerado, leve, pode nos fazer sentir que não temos mais nenhuma ontologia. Nem existimos! É o que eu chamo de complexo de Ícaro. Começamos a voar descuidadamente. Logo, a desoneração cobra seu preço. Começamos a ir a alguma academia para sofrer na esteira e levantar pesos! Então, nos enfurnarmos em militâncias fora de propósito ou, ainda, se tentamos falar, o que sai é o cultivo da conversa autorreferente sobre o corpo e sobre doenças. É um modo de re-oneração. Uma maneira de adquirir ontologia. Um desejo de ouvir a voz do pai de Ícaro. Funciona aí a “insuportável leveza do ser”.

Paralelamente, o capitalismo neoliberal que abre espaço em meio ao capitalismo industrial, fordista e relativamente social democrático, também tem os seus cansaços. Ele promete desregular toda a vida, nos manter tão livres quanto o câmbio flutuante e o fluxo de capitais atual. Dá-nos a chance de acreditamos que vivemos melhor se formos patrões de nós mesmos ou empreendedores. Talvez até investidores. Toda a classe média se torna então investidora. Todos trabalham no esquema 24/7 (como dito no curioso livro de Jonathan Crary cujo subtítulo é “capitalismo tardio e os fins do sono”) e, no entanto, acreditam que, estando longe da disciplina fabril – que desaparece em função da robótica –, estão mais livres de horários, mandos e assédio moral. Todo mundo se acha tão livre, ligeiro e com possibilidades de histeria quanto o próprio dinheiro. Sai a escola, o hospital, a prisão e a burocracia pesada, entram os arautos da liberdade neoliberal capitalista: a aula em EAD, o atendimento médico virtual, a prisão com tornozeleira e, enfim, a organização das finanças por si mesmo. As aulas de educação financeira e os coachs de todo tipo de assunto proliferam. A sociedade disciplinar foi descrita por Foucault. A sociedade do controle foi descrita, brevemente, por Deleuze. E foi ele quem mandou que observássemos o comportamento do dinheiro para entendermos o nosso comportamento. Foi ele quem disse que iríamos para o esporte do surf.

Nesse mundo, a disciplina sai e entra o controle que parece nada controlar. No fundo, é um tipo de autocontrole. Nessa nova sociedade, o verdadeiro disciplinador tem a ver com o elemento que prometia liberdade: o dinheiro. O dinheiro em forma de dívida. O capital portador de juros, ou seja, o capital financeiro – nosso rei histérico. Nessa sociedade, empresas e pessoas possuem um parâmetro que as diz que elas não são Ícaros, que elas podem ficar tranquilas que não irão voar para o perigo, que estarão bem seguras aqui na Terra, para honrar suas dívidas impagáveis, mas sempre cobradas. Não à toa Maurízio Lazzarato deu para um livro seu o título de O governo do homem endividado. Ele quis falar, também, do autogoverno.

Saber-se vivo é saber-se endividado. A liberdade não desaparece. Mas a responsabilidade é substituída pela culpa. A humilhação é a ordem da liberdade neoliberal. O capitalismo dá a volta por cima. De crise em crise, ele traz de volta a humanidade toda para a colocá-la de joelhos.

Nessa hora, pensamos em protestar. Mas o que se protestam são os títulos das dívidas contra nós. Além disso, como protestar? Estamos lacrados. Só então nos lembramos que, para protestar, só temos emojis, e eles não dirão muita coisa. Bem, mas protestar contra quem? Nas empresas só existem executivos, os proprietários desapareceram, viraram todos acionistas. E nós todos, de estamos de certo modo, nem temos mais contratos duradouros com a empresas! Seria melhor, então, encaramos que somos trabalhadores que não trabalham mais em horários e locais predeterminados, mas sim no regime de 24/7, em qualquer e todo o lugar. E produzimos no consumo e vice-versa. A imensa riqueza que produzimos vai diretamente para a empresa, ou indiretamente para a empresa através de nossos impostos que alimentam a dívida pública – o alimento dos bancos.

Vamos então protestar, no âmbito da biopolítica, no campo da vida estatal. Somos agora pessoas partidárias. Sobraram os partidos e as vidas diárias ao alcance da luta de classes no âmbito do Estado. A luta de classes transferida da fábrica para a disputa do controle estatal. Sim, mas, novamente, como dizer não à privatização se já estamos treinados há anos a só criar imagens, e nada de palavras? Vamos dar um show de semiótica sem semântica? Duvido que o capital irá ceder diante da crença de que “uma imagem vale mais que mil palavras”.

Platão, Inteligência artificial nas fakenews e nós

Voltemos a Confúcio: uma imagem vale mais que mil palavras? Ora, mesmo que ela for falsa? Talvez, agora, principalmente se ela for falsa.

Leio na Folha de S. Paulo (17/10/2019) um especialista em deepfakes. Ele diz que hoje a Inteligência Artificial é capaz de produzir vídeos que imitam detalhes do movimento corporal de uma pessoa e, assim, aproveitando vídeos de sexo, muitos já colocam no lugar celebridades. É um mercado novo. O especialista em questão afirma que o homem comum e mesmo os jornalistas treinados e até técnicos em imagens não poderão distinguir a falcatrua. Ele também alerta: por enquanto, tudo está no mundo do sexo virtual, mas irá invadir outros campos. Caso venha para a política, economia e guerras, dado a velocidade da Internet, que já vive em tempo hiper-real e não mais real, teremos a produção de pânicos, alertas e catástrofes inauditas.

Com isso em vista, e sabendo nós que mercados financeiros se movem única e exclusivamente por crenças super subjetivas, podemos adivinhar bem o quanto o terrorismo internacional poderá produzir contra os pecadores! Sabendo que somos histéricos e queremos a leveza a qualquer preço; então, podemos imaginar as ondas de pavor que poderão surgir quando todos receberem imagens esdrúxulas mas “incontestáveis” a respeito do presidente americano ou a respeito de um cientista maluco na Sibéria.

Nessa hora saberemos, então, o quanto “uma imagem vale mil palavras” não foi um bom achado, mas apenas um alerta a respeito do Apocalipse e do Juízo Final.

Mais ou menos na mesma época de Confúcio, aqui no Ocidente, Platão quis evitar que viéssemos amargar esse dia do Juízo Final, como eu o desenhei acima. Por meio de Sócrates, em A República, Platão condenou aquele intelectual que louva as imagens em detrimento da atividade pura do intelecto. Ele chegou a afirmar que o amante de espetáculos pode ser culto, mas não filósofo. O filósofo verdadeiro seria o amante das formas, isto é, do essencial – o que ganha status ontológico pelo seu caráter de “coisa intelectual”. Entre o círculo desenhado e o círculo expresso por , Platão ficaria com o segundo, mas apenas como o último passo para o círculo concebido até mesmo sem a fórmula algébrica! Platão quis o círculo alcançado pela dialética, sendo a matemática apenas um preâmbulo pedagógico para ele. Platão alertou-nos do perigo das imagens. Nada melhor que Agamben, em O que é a filosofia, para explicar isso tudo!

As imagens seriam anti-dialéticas. Com isso, Platão insistiu na base de sua doutrina: a desconfiança contra o poder lacrador dos que cultivam a não-palavra. Platão estava apenas sendo o que foi o seu apelido: o Divino. Sim, ele foi tomado, ao menos por uma vertente da historiografia, como descendente dos deuses. De fato, ele nos deixou lá uma ordem oracular: um dia, haveríamos de repensar Confúcio. Uma imagem vale mais que mil palavras precisa se repensada. Mas por palavras! Como faremos isso se não mais usamos palavras?

Paulo Ghiraldelli Jr, filósofo, 62.

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8 Responses “O mundo imagético lacrador ou Platão alerta sobre Confúcio”

  1. RONALDO BARBOSA DA SILVA
    02/11/2019 at 10:27

    Professor, o senhor está sendo, diariamente, um “Luminar” para a sociedade em que vivemos, com sua perseverante e tenaz propagação cotidiana de informações e conhecimentos, iluminação e libertação de consciências, em seu Canal, Site e Livros. Tenho ouvido atentamente seus Áudios e os escrevo, pacientemente, palavra por palavra, principalmente, àqueles de conteúdos com esclarecimentos do funcionamento do conjunto economia-ideologia. Posteriormente digito no Word, e os transformamos em textos impressos para estudos no grupo. “Sugiro ao senhor que divulgue, estimule e incentive os 351.000 a fazerem isto também! A prática e o exercício paciente de escrever seus Áudios está ampliando significativamente minha compreensão e entendimento da ideologia, política, economia e sociedade, e do Grupo de Estudos, também. Continuamos o trabalho!

  2. 23/10/2019 at 11:35

    Ghiraldelli, tudo bem ? Comecei a escrever algumas coisas hoje e gostaria de saber se você pode dar sua opinião sobre meu texto

    https://blogrelinchabraziu.wordpress.com/2019/10/23/crise-no-chile-e-a-culpa-e-do-forro-de-sum-paulo

  3. andre ribeiro filho
    22/10/2019 at 17:27

    ÔÔÔ Professor… só à título de curiosidade…. o Stalin falava baixo…. e…. na casa do Hitler…. tinha Ping-Pong….!!!!

  4. Rita
    20/10/2019 at 22:17

    Penso que o sentido dessa frase pode ser diferente para Confucio, devido a tratar-se de outra cultura. Por exemplo, a escrita chinesa tem muitos caracteres em comparação com a ocidental.

    • 21/10/2019 at 08:09

      Uma coisa não exclui a outra, e eu não estou interpretando, e sim tomando como mote. Ah, mais um detalha: é lenda que isso é de Confúcio, tá? Ninguém sabe.

  5. Lucas Santos
    20/10/2019 at 12:15

    “Uma imagem vale mais que mil palavras precisa ser repensada. Mas por palavras! Como faremos isso se não mais usamos palavras?”

    A resposta que o senhor já sabe:
    Reaprendendo as palavras através da Filosofia, como os filósofos o fazem.

  6. Marcus Massafera
    19/10/2019 at 23:38

    Artigo maravilhoso! Muito obrigado!

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