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14/12/2018

Para que matar seu chefe se você pode fazer sexo com ele?


[Artigo destinado ao público em geral]

“Como matar seu chefe” já foi título de filme. Um ou dois? O tema é corriqueiro. Às vezes é película feminista, outras nada é senão uma maneira de mostrar que tanto na empresa pública quanto na empresa particular, nem sempre a inteligência e a chefia caminham juntas, e que talvez seja melhor confiar melhor nos empregados comuns se a empresa quer ter lucro.

Uma outra relação para livros e filmes é, claro, os “casos” ou “romances” entre chefes e subalternos, ou mesmo entre pessoas que trabalham no mesmo lugar e que, via de regra, não deveriam ser envolver. Nessa situação, invoca-se agora a nova sensibilidade que temos, e que está na base dos fundamentos morais que guiam a condenação de todo tipo de assédio que chegou à forma de lei nas democracias liberais de tino ocidental. “Não faça sexo, homens trabalhando”. “Não erotize-se, homens e mulheres produzindo”. Eis aí algumas tabuletas que poderiam ser colocadas nas empresas, escolas e hospitais do mundo atual. Mas, isso é correto?

O capitalismo contemporâneo, conta o filósofo germano coreano Byung-Chul Han, com certa razão, nos fez pessoas que não estão mais sob uma exploração da empresa somente, mas uma exploração de nós por nós mesmos. Acreditamos poder ser patrões de nós mesmos e, se não, acreditamos, em compensação, que se nos colocarmos em ritmo acelerado, vamos ter o que queremos. O capitalismo atual criou a figura da auto-exploração. Ao mesmo tempo que o tempo de trabalho é reduzido, no sentido do necessário para repor a força de trabalho, em contraposição nos envolvemos com o trabalho de tal maneira que até nossas horas de lazer se fazem em torno do trabalho. Bares de happy end, baladas, aniversários, idas em jogos e férias – tudo isso é feito pelas pessoas, cada vez mais, contando com a companhia de colegas de trabalho. Não conhecemos mais ninguém que possamos chamar de amigos que não sejam, de alguma forma, ligados ao nosso trabalho. Ora, se não nos relacionamos amorosamente com essas pessoas, então, com quais iríamos nos relacionar?

O capitalismo que trouxe consigo a moral vitoriana, esperando colocar Eros para fora da linha de produção, foi denunciado por Reich e Marcuse. Mas, hoje, ainda vale essa denúncia? Para quem vê as leis contra assédio, pode pensar que sim. Pode até dizer: veja só, o feminismo finalmente acabou se casando com seu opressor, a moral asséptica do início do capitalismo. Mas, na verdade, temos de tomar as leis contra assédio como apenas uma exacerbação passageira. Não voltaremos ao que tínhamos antes, mas não ficaremos por muito tempo na situação que estamos. Eros é um deus poderoso, expulso pela porta volta nu e safadão pela janela. Os locais de trabalho ou o mundo do trabalho pode não ser o local que mais promove casamentos hoje em dia, mas é o local no qual os relacionamentos amorosos não podem deixar de surgir.

O professor com a aluna e, agora, o aluno com a professora. O chefe com a secretária, e este com com o chefe. O rapaz do departamento de vendas que cantou a moça do xerox. Não adianta, podemos tentar contornar isso, mas não vamos eliminar tal coisa. Ninguém vai virar celibatário por conta de um momento passageiro da história da sensibilidade moderna. Além do mais, a própria pressão para a auto-exploração movimento um marketing enorme que fala sobre como vencer no trabalho se pondo bonito, maquiado e bem vestido. Todo homem perfumado e bem vestido sabe que, se assim fizer no trabalho, pode conquistar mulheres ali e, então, fazer do trabalho um lugar mais feliz, melhor de estar. Toda mulher sabe que um bom batom numa boca sensual abre portas no mundo empresarial, escolar e hospitalar. Eros provou ser um deus não nos tempos antigos, mas agora, no momento em que descobriu que o cosméticos, o tratamento dentário e hormonal e, enfim, todo tipo de intervenção cirúrgica estética é o que comanda, de fato, os corredores de qualquer boa empresa.

Vivemos uma época que tende a ser morna em relação ao sexo, mas que, em compensação, tem no jogo erótico um campo de vendas e de costumes de vendas que não pode morrer. A indústria do Viagra que o diga. E aí entra a matemática: não há mais horas do dia que nas horas diretas ou indiretas ligadas ao trabalho, e portanto, não há mais horas para cumprir funções eróticas que estas que já temos. O mundo do trabalho, direta ou indiretamente, não vai conseguir se livrar de Eros. As pessoas vão continuar “jogando charme”. As eleições diárias de crush continuará a se fazer presente, com ou sem lei eleitoral.

Paulo Ghiraldelli Jr., 60, filósofo.

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One Response “Para que matar seu chefe se você pode fazer sexo com ele?”

  1. LMC
    22/05/2018 at 13:53

    De onde você tirou esta
    foto,PG?Este casal tem
    pernas bem sexy….

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