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17/08/2017

Obama e o porte de arma


ATIRAR EM OUTROS em universidades, estádios, boates etc., virou festa macabra corriqueira nos Estados Unidos.

Mas isso nada tem a ver, de modo direto, com qualquer American Way of Life que inclua violência, mas sim com a maneira que a indústria de armas floresceu nas costas da tradição de um povo que desde o início usou a arma no coldre por diversas razões. A caça e a batalha de conquista de território deu à indústria de armas uma chance sem igual para instaurar uma tradição. Quando o bisão desapareceu e quando todo crime contra os indígenas já havia sido cometido, vários americanos já tinham percebido que a América não seria tanto a terra dos sonhos que eles imaginaram no início, mas, ainda assim, muitos sabiam que a experiência da democracia é longa, tem uma trilha difícil, e resolveram dar novas chances a si mesmos.

Essa tradição de uso da arma é forte mesmo, e tem sido mais poderosa que as palavras de Obama, o homem que encarna a voz de uma racionalidade simples: os massacres se devem, no imediato, à facilidade com que se obtém uma arma nos Estados Unidos. Qualquer um compra um fuzil pela Internet. Obama tem apresentado estatísticas, estudos longos e detalhados sobre o assunto, mas o lobby da indústria é suficientemente poderoso para responder que o cidadão armado é uma questão antes de tudo de liberdade individual, é como ter um carro. Aí sim, entra então o American Way of Life — autenticamente. Nós aqui, no Brasil, queremos imitar isso, mesmo não gostando da liberdade cultivada na América.

Talvez por isso os argentinos resolveram, desde os anos cinquenta, de nos chamar de “macaquitos”. Sempre quisemos imitar os americanos, contanto que a democracia liberal deles não viesse junto. Tornamo-nos especialistas em pegar o pior. Nossa sorte é que, por sermos pobres, nossos membros da direita não se igualam a Trump em dinheiro, só em incapacidade mental e estupidez crônica.

Afinal, todos sabemos, armas não tornam ninguém seguro, ao contrário, a própria polícia aconselha: “diante de um assalto, não reaja”. Só membros de um grupo de cidadãos que nunca foram exemplos de coragem e heroísmo é que dão outra sugestão. Bolsonaro e sua claque de homens que precisam de arma porque possuem membro sexual pequeno, é que querem que todos tenham revólver. O cano da arma, nas mãos deles, é puramente uma perversão homossexual, dos que não puderam desenvolver a homossexualidade livremente. Eles querem a arma para acariciarem o cano e até, por desejo masoquista, que o ladrão os pegue, tome a arma deles num assalto qualquer, e a introduza em algum orifício de seus corpos. Esse tipo de sonho que povoa a mentalidade das pessoas da direita extremada é frequente nos estudos sobre o assunto. Para esse tipo de pessoa, que encarna o “machão” de fachada, a punição do pai, de algum modo, tem de vir. Esperam e esperam por esse dia. Sonham com o ladrão.

Paulo Ghiraldelli, 58, filósofo

SOUVENIR BOLSONARO

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