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24/06/2017

A mulher que não sabe cuidar da casa serve para casar?


Para casar devemos escolher um mulher bonita, inteligente, polida e, claro, honesta. É a chamada “boa moça”. Tudo isso pode parecer tradicional, mas é nesse quadro que são procuradas as moças que servem “para casar”, ao menos na chamada classe média. Se um tal produto é encontrado ou não, isso é uma outra questão. Todavia, há um quesito fundamental que no passado foi muito valorizado, e que agora tem ficado esquecido, para a infelicidade dos casais. Trata-se do saber sobre economia doméstica.

Saber cuidar da casa sempre foi um trunfo das mulheres. Maridos serviam para ganhar dinheiro, mas não para administrá-lo no âmbito das necessidades do lar. Ao menos no Brasil, não foram poucos os maridos, em especial os de profissão liberal e, depois, também os funcionários públicos, que perceberam que se eles administrassem o dinheiro ganho para “tocar a casa”, as coisas iriam de mal a pior. Não é à toa que o nome “patroa” ficou na fala dos maridos, mesmo quando já se não se tratava mais de se fazer referência à proprietária de terras ou a chefe geral da Casa Grande.

Os melhores casamentos e a parcerias amorosas sempre se fizeram entre casais em que tudo relativo à casa e ao dinheiro, no sentido de sua administração e até mesmo investimento, ficava com as mulheres. Quando essa aptidão feminina se perdeu, a vida de todo mundo ficou mais difícil. Não à toa, hoje, aparece na imprensa um estranho fenômeno: empresas pagando curso de administração do dinheiro de casa para seus funcionários. Poucos são os maridos que podem deixar de lado esse aprendizado, uma vez que suas mulheres se transformaram em pessoa inúteis diante do orçamento doméstico.

Tudo começou a dar errado quando as mulheres trocaram o trabalho doméstico pelo trabalho fora de casa, incentivadas por mães que inventaram de acreditar em uma parte manca do feminismo, que lhes disse que mulher não devia ser criada para casar, mas para estudar e ser independente. O feminismo falou isso, mas errou ao não falar, também, que os saberes anteriores, da mulher que só administrava a casa, era  alguma coisa bem útil. Saber pegar o salário do marido e dos filhos e fazer funcionar a casa, ou mesmo investir para uma vida melhor familiar, coisa típica da mulher até mais ou menos os anos oitenta, jamais deveria ter se perdido. Mas se perdeu. Jovens se casam e descobrem que suas esposas, também jovens, podem até terem feito alguma faculdade, mas são incapazes de fazer o dinheiro arrecadado pelo casal render de modo a lhes dar uma vida razoável. Conheço inúmeros casais que ganham dez vezes mais do que eu e Fran e vivem uma vida pior que a nossa. Simplesmente não possuem uma administradora como a Fran, ou como foi minha mãe e minha avó, para seus respectivos maridos.

Sou especialista em gastar dez reais de modo tolo, enquanto que a Fran é especialista em gastar dez reais e, pela sua mágica, ainda continuar com dez reais no bolso. Fran é jovem, mas sabe o saber dos antigos – o de tornar os nossos gastos nos melhores gastos. Ela sabe a chamada economia doméstica, a arte de fazer um real virar sempre dois, mesmo tendo gasto um. Tudo ela anota, tudo ela pesquisa, tudo ela faz por meio de projeções e promoções. Fran sabe olhar a economia do país e integrar a casa nessa economia. Ao final, os outros que ganham mais não podem fazer o que nós fazemos.

Essa prática era comum no Brasil do passado, mulheres “do lar”. Só aparentemente submissas. Tanto se adjetivou pejorativamente esse tipo aptidão que, agora, temos uma legião de mulheres que nada sabe sobre “a casa”, mas também pouco sabem sobre a profissão que aprenderam na universidade, justamente por não terem cedo exercitado a esperteza de lidar com a casa.

Home não foi feito para administrar a caverna, mas para sair para caçar. A mulher pode também sair para caçar, mas se não voltar para a caverna para pagar a conta da luz, a caverna vira um breu.

Paulo Ghiraldelli, 59, filósofo. São Paulo, 14/02/2107

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4 Responses “A mulher que não sabe cuidar da casa serve para casar?”

  1. Roberto
    17/02/2017 at 20:31

    “devemos escolher um mulher bonita, inteligente, polida e, claro, honesta.” Exatamente isso que eu penso. Mas nunca conheci nem de vista uma mulher com essas 4 qualidades. Quando eu emagrecer e passar num concurso serei bonito, inteligente, provedor e honesto, aí espero encontrá-la. kkkkkkkk Tenho 27 anos. Será que posso me casar com uma Fran da vida(tipo alguém de 17 anos) ou devo escolher alguém da minha idade? Ou só Deus sabe? o que acha Paulo?

    • 18/02/2017 at 08:37

      Roberto, parece que o problema seu é que não vai passar no concurso.

    • Roberto W.
      18/02/2017 at 13:56

      Na verdade já passei, mas não fui nomeado, porém é um de baixa remuneração. Vc deve está se referindo a um de alto padrão(auditor, juiz etc). De qualquer forma, meu raciocínio e tão imaturo assim? Porque da mesma forma que o homem busca uma mulher com as referidas 4 qualidades, a mulher também almeja um homem com 4 qualidades, não?

    • 18/02/2017 at 17:24

      Isso de procurar o homem correto não é algo no qual eu possa opinar, estou tateando na busca de ser um homem correto. Se vou acertar, não sei. Nem sei se minha esposa dirá, caso eu acerte. Só posso é torcer.

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