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19/08/2017

Sociologia

Trump, neonazistas e Bolsonaro

Cada país tem as suas chagas semi-abertas que não podem assim permanecer. Tentar fechá-las, quando elas de fato podem doer mais do que o portador delas aguenta, é obrigação dos médicos locais. Afinal, somos animais geradores de auto-imunização. Trabalhei nos Estados Unidos como pesquisador. Vivi na pequena Stillwater, no Estado de Oklahoma. Achava “folclórico” entrar

A Supremacia Branca toma uns tapas

“Supremacia Branca” não tem a ver com a cor da pele, ainda que esta seja o mote. “Supremacia Branca” e neonazismo ou qualquer coisa vinda da direita tem a ver com a ideia de que há hierarquias no universo que devem não só se impor por si só, mas que são sagradas e consagradas. Todos

Acorde! Não existe “hacker do bem”!

Um martelo não representa um produto de tecnologia. A tecnologia não se caracteriza pelo uso de instrumentos. A modinha agora é dizer que o mercado quer gente “especialista em segurança e combate à pornografia infantil na Internet”. São os “hackers do bem”. O nome é infeliz. É de uma ingenuidade que só poderia, mesmo, vir

Um topos para a maconha

AS DROGAS ENTRARAM de modo decisivo para a sociedade humana pela prática cultural religiosa. Confunde-se com a transição da pré-história para a história. E desse tempo até hoje, não saiu mais. Não há registro de uma sociedade sem drogas, calmantes ou estimulantes. Havia um lugar para as drogas na sociedade primitiva e antiga. Mesmo nos

Causas nobres com militantes toscos

A militância política não é nobre, nunca. É sempre tosca. Mas há causas de âmbito social e político que são nobres, e que não poderiam ser inviabilizadas por causa da militância tosca. As causas nobres ganharam o interior do termo civilização. Pertence à civilização em seus moldes atuais uma ética que já não é mais

O poder do lugar e o lugar sem poder

O século XVIII foi o da razão, o século XIX foi o da história, o XX premiou a linguagem e, enfim, o século XXI será o do espaço. A geografia e não a história deve dar o tom para o século XXI. O tempo continuará a nos dar subsídio, mas o nosso século será o

Os cachorrinhos no colo dos pobres

Os nazistas tentaram corromper muita coisa sagrada, e uma dela foi a ideia do respeito aos filhos. “Não me mate, eu tenho filhos, como eles vão ficar sem mim?” Essa frase que foi aprendida a partir do século XVIII, com a invenção da infância como a entendemos hoje, por Rousseau, transformou-se no centro de uma

O cheiro de enxofre da reforma da previdência

Em seu livro A vida é injusta (1) o filósofo e antropólogo alemão Thomas Macho lembra que a morte só é injusta porque a vida é injusta. Mas a vida é injusta, ao menos para nós modernos, ele lembra bem, se não é vivida dentro do que poderia ser vivida em nosso tempo. Nesse caso, Macho

Só Temer acerta ao falar da mulher

Temer errou retoricamente ao falar da mulher como falou, enaltecendo valores que as feministas gostam de substituir por outros. Afinal, o feminismo quer sempre que os níveis de degradação e, quiçá de melhoria, cheguem não só para o trabalhador masculino, mas para todos. Então, o feminismo não gosta que gente em cargo executivo enalteça mulheres

Os oito demônios ricos de hoje

A riqueza nunca foi um pecado. Ela sempre foi um contraponto. Os filósofos gregos não se indispuseram contra ela, apenas diziam que obtê-la não poderia ser um único objetivo na vida (Sócrates) ou uma fonte de preocupação (Epicuro). Jesus nunca falou diretamente contra os ricos, apenas mostrou que a riqueza poderia se tornar alguma coisa

Marianne: a desconhecida das feministas

A ONU cedeu de maneira tola às cartas de um público bastante circunscrito, que reclamou da organização por esta ter escolhido a Mulher Maravilha como a sua figura símbolo para as mulheres. Os protestos vieram principalmente de feministas. A objeção foi quanto aos seios grandes da atual Mulher Maravilha, responsáveis por uma “exagerada  sensualidade”. A

Bauman como exemplo da degradação da cultura

Em meados dos anos noventa, eu já estava pelas tampas com as aulas em cursos de licenciatura em universidades públicas. Os alunos já não mais acompanhavam raciocínios, queriam só frases esparsas. Eu acreditava que havíamos chegado no fundo do poço. Meu Deus, que falta de visão a minha! Foi então que surgiu a Internet. Anunciava-se

A chacina de Campinas e seus pirilampos

Vi feministas criando problema com a divulgação da carta do assassino de Campinas, o autor da chacina horrenda da virada do ano. Nietzsche era contra o feminismo, entre outras coisas, por causa dele ser a negação do amor fati. O amor fati não é resignação. Isso é a leitura que talvez Weber tenha feito dele.

O fim total do quarto monoteísmo

Bem antes do fim do Muro de Berlim Moscou já havia deixado de ser um lugar de peregrinação do Quarto Monoteísmo. Agora, finalmente, também é Havana que se despede desse posto, com a morte de Fidel. O próprio ditador, dizem alguns, havia pedido para não fazerem estátuas suas, para evitar o “culto à personalidade”. Na

Xenofobia: a forma de agir de insetos rasteiros

Em todas as universidades que trabalhei no Brasil, sempre fui tomado como um estrangeiro. Havia o “nós”, os “da casa”, e havia o “ele”, ou seja, eu, o estranho. Nunca dei tempo ao tempo a ponto de ser integrado ao “nós”. Nem acredito que isso ocorreria. Não era uma questão de tempo, mas de aceitação

“Medíocres do mundo, univos”

O Nacional Socialismo queria uma sociedade hierarquizada, meritocrática e de forte tônus nacionalista. A ideia de democracia na Alemanha era jovem demais. A falta de experiência histórica da prática liberal democrática era um fato, e a bancarrota moral e econômica mais que um fato. Não foi difícil, nessa situação, ver muitas pessoas razoáveis cedendo ao

Werner Sombart e a mulher no comando do capitalismo

O capitalismo dependeu do luxo. Essa é a tese de Werner Sombart (1863-1941). A ideia do refinamento da vida veio do Renascimento para os tempos modernos, e gerou uma produção de luxos de todos os tipos, criando então o comércio e a indústria, bem com a exploração das colônias, de uma maneira inimaginável. Antes o

Os bichos chegaram

Em 1985 nasceu minha filha. Em 1986 apareceu a doença da vaca louca. O primeiro boato era o de que se alguém comece a carne da vaca louca, principalmente crianças, ficava com os sintomas destrambelhados da vaca. A Inglaterra parecia ser o local da coisa. Mas logo vimos o Canadá não querer comprar nossa carne,

A proteção dos animais é aristotélica

Não protegemos todos os animais do mesmo modo que nunca protegemos todos os humanos. Nosso sistema de inclusão é milenarmente paulatino, seletivo, e só abrimos a chave “ele é um de nós” à medida que o “ele” se torna um “eu”. Esse segredo foi revelado por Aristóteles. Platão olhava os deuses, Aristóteles voltou-se para os

A juventude: obra da eletricidade, do petróleo e do demônio

Zygmunt Bauman diz: “tempos líquidos, nada é feito para durar”. Bauman não sabe o que é algo chamado capitalismo. Tudo é feito para durar com data exata para acabar. Chamamos isso de obsolescência programada. Não significa pouca duração, significa duração calculada. Nessa modernidade que vivemos, também a vida humana foi repensada em períodos de obsolescência. Principalmente após

O pum dos estudos de gênero

Feminismo não existe mais, agora é “estudos de gênero”. Essa reviravolta já havia ocorrido nos Estados Unidos, ou seja, a incorporação por parte da academia do que era movimento social. Com isso, o que era algo relativamente necessário pode passar a ser alguma coisa do âmbito exclusivo do humor. Os “estudos de gênero” não raro

A vaquejada deve continuar, mas com a mãe do vaqueiro!

A vaquejada é um crime. Não era, mas agora tende a ser, é deve ser. A visão sobre o que é cruel muda, sabemos disso. O processo de ampliação da identificação do que é crueldade começou no mundo romano, ganhou sua grande força com o cristianismo e depois, no mundo moderno, foi empurrada pelo capitalismo liberal. Alguns

O erro de Gilles Lipovetsky sobre a moda

Uma das teses de Lipovetsky sobre a moda, em um livro seu recente, Da Leveza (Grasset et Fasquelle, 2015; Edições 70, 2016), diz que a nossa relação com a moda se tornou mais adulta, justamente porque não a levamos mais tão a sério. Não a tomamos como algo que realmente importa no jogo das hierarquias

“Meu negrinho”

O título está aspado. Não é frase minha. É uma frase típica dos Estados Unidos. Negros às vezes dizem isso a outros negros, em lugares nada saudáveis. É uma forma de falar “você é meu, agora”, “meu serviçal”.

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