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26/03/2017

História

Calligaris, o único pessimista inteligente

Calligaris é um dos nossos melhores ensaístas populares. Ele é uma década mais velho que eu e duas décadas mais velho que os que, mentindo, dizem terem vivido os anos 60 e posam agora de “os mais velhos”. Atualmente são as pessoas entre setenta e oitenta anos que realmente viveram a revolução dos Sixties. Calligaris

“Medíocres do mundo, univos”

O Nacional Socialismo queria uma sociedade hierarquizada, meritocrática e de forte tônus nacionalista. A ideia de democracia na Alemanha era jovem demais. A falta de experiência histórica da prática liberal democrática era um fato, e a bancarrota moral e econômica mais que um fato. Não foi difícil, nessa situação, ver muitas pessoas razoáveis cedendo ao

O Sakamoto contra os Bandeirantes

Vários monumentos da cidade de São Paulo foram pichados. Entre eles, o Monumento à Bandeira. Falando sobre esse assunto, este é o trecho polêmico do jovem Sakamoto: “Mas, ao mesmo tempo, nunca entendi como um povo que se diz tão consciente de si mesmo não se juntou para repensar as homenagens dadas aos açougueiros bandeirantes em

Como ser historiador em tempos de PT?

Para a amiga Janaína Paschoal Hegel dizia que a filosofia é a apreensão de uma época em pensamento. Nos seus termos: apreende-se a história na interpretação dela, racionalizando-a, dando-lhe sentido. Assim, toda filosofia seria, em suma, uma filosofia da história. Hegel entendia que o filósofo, ou seja, o bom filósofo, realizava assim a tarefa de

História, filosofia e Impeachment

Escrevi certa vez que a história traz a vida e a filosofia a morte. A história conta sobre nossa contingência, incertezas e efemeridade. A filosofia tenta de toda maneira apontar para o perene. A história vai para um lado, a filosofia para outro. Assim foi na Grécia Antiga. Ainda hoje esse quadro tem a ver

De Lennon ao Scorpions

Há um fio que liga Lennon aos Scorpions, mas que não sabemos se pode alcançar mais alguém, já agora do lado de cá do século XXI.

Devemos liberar “Minha Luta”, o livro de Hitler?

Minha luta é um livro liberado no mundo todo, na prática. Pois está na Internet, aliás, como (quase) tudo. Falar de proibição de um livro, hoje em dia, soa ridículo. Mas os homens da justiça brasileira que resolveram não deixar certas editoras comercializarem o livro, não estão preocupados realmente com a leitura do livro, mas

Como o Brasil começou?

AO VIR PARA O BRASIL fugindo de Napoleão, D. João preferiu não pegar o mesmo navio que o das riquezas de Portugal, que também seriam despachadas para cá. Para tudo sair certo, seguiu o conselho inglês. Seria melhor, como sugeriram os ingleses protetores da esquadra portuguesa, separar os navios, e isso por segurança. Um possível

Os pretos e pretas do Brasil

Aposto que você já sonhou estar nu em um lugar público. Ficou desesperado, não? Agora imagine você realmente nessa situação, cheirando urina e sem ninguém a recorrer, no centro do Rio de Janeiro. Imagine também que está sem comer e sem moradia. E então, consegue se ver realmente desesperado? Caso você consiga imaginar sua sensação

O negro fantasma e o ensino da história

Nasci em 1957 e fui educado na escola pública paulista dos anos sessenta. Na minha escola praticamente não havia negros. A nossa sensibilidade diante da cultura negra era mínima e, não raro, voltada para aspectos exclusivamente folclóricos. Nossa população era tida como oficialmente branca. Para nós crianças da escola, o negro era como um ancestral primitivo,

Em defesa da ingenuidade

Um cientista age corretamente quando diz: tenho uma hipótese sobre o que ocorre. Um religioso está no seu direito de dizer: tenho fé sobre o que conto. O artista às vezes fala: sei lá eu o que está ocorrendo! O filósofo, por sua vez, diz: o melhor seria que ocorresse o que nunca ocorreu. 

Modernidade, pós-modernidade e pós-pós-modernidade.

“Pouco importa que a astúcia e o artifício sejam conhecidos de todos, se o sucesso está assegurado e o efeito é sempre irresistível” – Baudelaire, no “Elogio à maquiagem” (1) A modernidade se define pela “sociedade do trabalho” e pela “subjetivação do mundo”. A pós-modernidade se define pelo “fim das energias utópicas da sociedade do

Comendo placenta, com gosto!

Para minha amiga Isabella Callia Há sim uma modinha atual de comer placenta humana. Em alguns lugares dos Estados Unidos a linha da gourmetização já avança também por esse nicho. As revistas brasileiras fizeram um pouco de alarde em 2013 e 2014 sobre o assunto. Em 2015 menos, mas no exterior a prática continua andando.

Na frente do cabelereiro, a história do PT

Passei na frente de um cabelereiro chamado “Thelma & Louise”, aqui entre o Jaguaré da classe média e o São Francisco dos ricos, em São Paulo. Não lembrei do filme, mas de um episódio que envolveu o filme. Eu conto.

Agora é a democracia que não é grega é?

Está na moda descobrir raízes não helênicas de tudo que valorizamos. Receio que essa moda advenha de uma certa falta de erudição do professor universitário atual, em geral especializado precocemente. 

Ciências humanas em crise – qual crise?

No contexto da Revolução Francesa, surgiu o que hoje denominamos “esquerda” e “direita”. Historicamente a esquerda nasceu como o partido dos com poder e a direita como o partido dos sem poder. Ainda no contexto francês revolucionário a direita passou a ser o partido dos com dinheiro e a esquerda o partido dos pobres. Mais

O Brasil do “Agora é golpe”

“O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava”. Esta é a célebre frase do artigo de Aristides Lobo, escrita para o jornal Diário Popular, da cidade do Rio de Janeiro, na tarde de 15 de novembro de 1889. Antes mais a frase que o evento descrito marcou nossa consciência sobre a

Mujica no Brasil e a saudade do futuro

No final dos anos setenta para a entrada dos nos oitenta a esquerda brasileira criou um futuro. Mas, em meados dos anos noventa, nem mesmo o presidente do PT, Francisco Weffort, tinha para ele o PT como construtor daquele futuro. Pediu licença e saiu da presidência do partido para ser ministro de FHC.

O que perigosamente entra pelos poros

Meu tio-avô Nilson, professor de matemática, fez parte da Aliança Nacional Libertadora, antes dos anos quarenta. Sim, ele foi comunista. Gastou uma boa energia combatendo o fascismo tupiniquim, o Integralismo, os chamados “galinhas verdes” de Plínio Salgado.

O mundo dos conservadores

Você viveria em uma sociedade onde a regra básica fosse “todos são culpados antes que se prove o contrário”? Há pessoas que dizem um fácil “sim” para tal pergunta. Elas se acham tão inocentes e, então, por essa inocência, de tal modo acima de toda e qualquer regra social, que elas não entendem a frase

A importância do bem

Ser boa pessoa virou “brega”. Querer “um mundo melhor” virou pecado. Cristãos conservadores odeiam o papa Francisco I por ele reintroduzir na Igreja o que é a essência do cristianismo: a caridade, o amor, a bondade. Estranho não?

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