Go to ...

Paulo Ghiraldelli on YouTubeRSS Feed

29/03/2017

Filosofia social

A subjetividade da sociedade sem tempo

Uma maneira de tratar Deus de modo a fazê-lo menos louco é tirá-lo do tempo. Boécio e Agostinho assim agiram. Deus não vive o nosso passado, presente e futuro, elementos que estão a cada dia juntos em cada uma de nossas percepções. Desse modo, Deus não convive com o problema que colocamos para ele, que

Identidade no espaço contemporâneo – quem eu sou?

A falta de emoção vai longe, chega aos rincões mais recônditos da vida. Assim avalia Peter Sloterdijk, ao teorizar sobre a modernidade como uma época de superabundância e, portanto, de crescente desoneração dos indivíduos. Ele diz: “o animal sem missão caminha tateante pela névoa; tudo é possível, nada é convincente. Já que nada me toca,

Gilles Lipovetsky vem aí. Mas como não viria?

Há dez anos, exatamente em 2007, Gilles Lipovetsky lançou com Jean Serroy o fácil A cultura-mundo, publicado no Brasil pela Cia. das Letras em 2011. Nesse livro, tentou falar do tripé que rege nossa vida: mercado, tecnologia e individualismo. Entre tantas denúncias que fez, retratando a fase de nossa modernidade, destacou no âmbito cultural como que viveríamos,

O espaço do rosto

Espacializamos o tempo para entendê-lo e dominá-lo. Ele é fugidio, mas nós o enclausuramos modernamente nos relógios. Ferramos o tempo com ponteiros e, depois, com visores digitais. Mas esse tempo assim espacializado pertence ao mundo dos mortos. No mundo dos vivos, nossa tentativa de apreender o tempo é uma via de mão dupla. Tentamos apanhá-lo,

Somos todos terroristas – sociedade contemporânea e individualismo a partir de Buyng-Chul Han e Peter Sloterdijk

O terrorismo é um ato em busca de autenticidade. O filósofo germano-coreano Byung Chul Han endossa essa tese. Mas, o terrorismo também é provocado pelo excesso de leveza e consequente reação em busca de reoneração. Penso que o filósofo alemão Peter Sloterdijk endossaria essa tese. Nos resultados, essas teses possuem pontos em comum. Autenticar-se é

Síndrome de Dédalo

Vivemos na “sociedade da abundância”. Ricos ou pobres, vivemos em uma sociedade que ganhou leveza e que se desonerou em um nível nunca visto antes em toda a história da humanidade. Energia fóssil, motor de explosão, luz elétrica, penicilina, tratamento hormonal, Viagra e pílulas de contracepção, alfabetização em massa, diminuição de mortalidade infantil, aumento da

A Loucura da Transparência

Diante da noção de intimidade, todo cuidado é pouco. Dizemos coisas bem diversas com esse termo aparentemente simples. Byung-Chul Han lembra que Richard Sennett, ao falar das “tiranias da intimidade”, está se referindo a um mundo íntimo que, na verdade, se exige mostrável. Em Sennett, sabe-se, a sociedade não é vista (e criticada) na completude

Depressivos do mundo, uni-vos. Ou desuni-vos, sei lá!

As estatísticas indicaram durante vários anos o Brasil como o segundo país mais feliz do mundo, considerando aí a opinião das pessoas sobre si mesmas. Mesmo agora nesse período de recessão, como em outras épocas parecidas, o Brasil nunca saiu do topo do ranking da felicidade. Todavia, recentemente, uma pesquisa também confiável revelou que o Brasil

O autoritarismo da Era Pós Autoritária

O nazismo perdeu  a Guerra e ficou desacreditado de vez. Os crimes da direita vieram à tona e o termo fascista se tornou um xingamento. Mas o comunismo ainda teria sobrevida. Em 1989 caiu o Muro de Berlim. Logo depois veio o fim da URSS. Finalmente a última forma de opressão nascida no século XX,

Estamos vendendo carteirinha! Ou: o que é alienação

A garota Bruna passou na medicina da USP de Ribeirão Preto. Colocaram nas redes sociais a manchete: “negra e pobre passa na Fuvest em primeiro lugar”. Ela própria, pela entrevista que deu, parece estar orgulhosa disso, nos termos da manchete. Tratou de desfiar um rosário sobre a sua condição social a partir de jargões do