Go to ...

Paulo Ghiraldelli on YouTubeRSS Feed

24/09/2017

Filosofia social

O que fez o juiz da tal “cura gay”?

O fato: o juiz de Brasília indiretamente lidou com a homossexualidade como se ela pudesse sofrer intervenção clínica, e o fez em nome da “liberdade científica” (confira aqui a matéria do Estadão). Sobre esse assunto, há o aspecto jurídico e o aspecto filosófico, ou seja, metafísico. Abaixo, abordo ambos, de modo breve. Sobre o aspecto

Identidade moderna: a intensificação de si

Aprendemos no colégio, nas aulas de história, que as “grandes navegações” e o comportamento intrépido de gente que era chamada de “mercadores” deram o tom para a formação do homem moderno. Seguiram a estes os “empresários”, pessoas capazes de correr o risco com dinheiro investido tanto quanto os primeiros correram risco de vida. Max Weber

Esquerda e direita em Peter Sloterdijk

Podemos falar em direita e esquerda atualmente? Claro que sim! Mas seria tolice, em filosofia social e política, não notar os deslocamentos dessa divisão na vida contemporânea, para além da prisão – e banalização – do vocabulário jornalístico. No meu entendimento, Peter Sloterdijk é quem melhor apreende as vicissitudes semânticas pelas quais estamos passando nesse

Orgasmo e metafísica em Peter Sloterdijk

Apesar de ter dez anos a menos que Sloterdijk, em grande medida pertenço à sua geração. Já estava na escola em 1968 e, dado o meu contexto familiar, sabia o que ocorria no mundo, dentro das possibilidades de uma criança inteligente de dez anos. Era uma criança que convivia com adultos culturalmente acima da média.

O corpo liso, esse protagonista contemporâneo

Cresce o número de jovens masculinos, ao menos no Brasil, que não suporta o cheiro de vagina. Não fazem sexo oral com suas parceiras! Além disso, exigem que elas se depilem. A tricotomia é internacionalmente conhecida como produto brasileiro. E mais: entre as mulheres, cresce de modo assustador o “clareamento anal”. Acrescento: o Brasil passou

Todos nós somos Trans!

Em A força do querer , novela da Globo no horário nobre, o personagem Nonato, travesti, explica de modo reto e correto a sua diferença para com o transgênero: “eu sou travesti, idealizo uma mulher que há dentro de mim e aos poucos a produzo, não tenho nenhum problema com o meu corpo de homem,

Como ser inteligente no século XXI?

Um concurso mundial para eleger a maior ignorância que caracterizou o século XX, no meu entender, daria o primeiro prêmio à forma dos intelectuais de dividir livros, autores, pensamentos filosóficos, literatura e humor em modelos criados a partir de caixinhas ideológicas, notadamente “esquerda” e “direita”. Isso é algo que desapareceu na maior parte dos bons

O capitalismo contra a direita

Nos anos trinta do século XX os Estados Unidos descobriram o chamado “novo liberalismo”. A ideia básica era semelhante àquela vinda da social-democracia européia, mas com uma marca profundamente americana, ou seja, um lastro antes da filosofia de Dewey que da de Marx. Por essa época, boa parte dos sindicatos americanos e dos intelectuais já

As bonecas do amor do Japão

O senso comum olha aparentemente escandalizado para os japoneses e suas “bonecas do amor”. Julga que está diante de alguma coisa que lhe é estranho. Vocifera moralismo barato sobre práticas que julga obcenas e, por conta de serem feitas com bonecas, com o inanimado, faz a avaliação fácil de que está diante de loucura e

Dos inumanos será a Terra

É bem provável que jamais abandonemos as palavras homem e mulher neste século. Talvez nunca. Mas a vinculação das palavras masculino e feminino para gerenciar práticas humanas variadas como, por exemplo, as categorias desportivas, e para falar de preferências sexuais e modos de fazer sexo, isso certamente irá desaparecer. E será algo mais rápido do

A sociedade masturbatória

Nós nos masturbamos. É o que nos restou. Quando veio a AIDS, nos anos 80, voltamo-nos ao sexo solitário. Mas agora, a masturbação não é mais só sexo, é um estilo de vida. Faz parte, de modo distintivo, da nossa transição ético-moral do mundo moderno para o mundo contemporâneo. No mundo moderno criamos o individualismo,

Os gays em ritmo de burguesia

“O comunismo foi uma fase do consumismo”. Sloterdijk diz essa frase e acerta em cheio. É uma verdade que ficou nublada durante bom tempo, justamente porque tínhamos na cabeça uma filosofia da história messiânica, judaico-cristã, chamada marxismo. A história nos levaria ao socialismo, à sociedade do proletariado e, depois, ao comunismo, a sociedade sem classes.

Rocha Loures: o indivíduo exemplar

Rocha Loures é um deputado amigo do presidente Temer. Há um vídeo rodando na TV brasileira incessantemente, onde ele aparece saindo da pizzaria Camelo, um lugar de jornalistas e políticos na cidade de São Paulo. Sai apressado e joga em um táxi uma mala cheia de dinheiro. Propina. O presidente está na corda bamba por

“Tirem da minha vista a cracolândia!”

Mais de 50% dos usuários de drogas que agora estão espalhados pelas novas cracolândias de São Paulo, ainda possuem relacionamento com os seus familiares. Todavia, não podem mais voltar para casa. O consumo exige permanência no local da chegada das drogas, tamanha é a necessidade pela qual o corpo drogado reclama. Além disso, em casa,

Capitalismo Emocional

Quase todos os analistas distinguem o capitalismo de produção do capitalismo de consumo de massa. Os filósofos sociais tendem a tirar conclusões psicopolíticas dessa segunda condição que, segundo eles, nos mostram características essenciais do modo de vida contemporâneo. O capitalismo de hoje não é aquele analisado por Weber. Todos sabemos disso. O filósofo germano coreano

João Pereira Coutinho quer ser uma galinha. Por quê?

O articulista lusitano da Folha (23/05/2017) saiu de seu costumeiro conservadorismo para aderir ao tão criticado “construtivismo social”, visto pela direita de ser tipicamente “esquerdista”. O seu lema é: se alguém que não é negro por pigmentação da pele quer se negro, acha-se negro, tem identidade social de negro, temos de tolerá-lo como estamos fazendo

Por que há devotos de políticos?

“Por que as pessoas só enxergam a vilania dos homens públicos das outras correntes políticas?” Esta é uma das perguntas de um artigo (Folha, 20/2017) do advogado criminal Luís Francisco Carvalho Filho. O calor da política é sempre mais popular que a inverno da filosofia. A questão de Carvalho Filho, que ele não responde, só

A vida sob a obscenidade máxima

A Bíblia é impossível de ser proveitosamente lida com olhos pornográficos. A pornografia caracteriza-se  pela exibição da carne sem seus mistérios. A leitura da Bíblia de modo literal, sem hermenêutica, é a transformação do texto na banalização do facilmente visível. Trata-se, nesse caso, da leitura pornográfica. A leitura pornográfica da Bíblia, promovida pelos pastores das

Somos todos dopados

Somos todos dopados. Aliás, só vivemos em função do doping. Nosso corpo produz substâncias que nos dão prazer semelhante ao que procuramos por conta de efeitos químicos do doping. A medicina sabe disso, mas comenta pouco. A filosofia sempre quis ignorar isso. A filosofia imagina que se a química nos diz algo, esse algo tem

Os cachorrinhos no colo dos pobres

Os nazistas tentaram corromper muita coisa sagrada, e uma dela foi a ideia do respeito aos filhos. “Não me mate, eu tenho filhos, como eles vão ficar sem mim?” Essa frase que foi aprendida a partir do século XVIII, com a invenção da infância como a entendemos hoje, por Rousseau, transformou-se no centro de uma

O Foucault de Byung-Chul Han e o meu Foucault

Foucault é o autor da constatação esquisita “a alma é a prisão do corpo”. Foi assim que eu o entendi e foi sob o impacto dessa sua frase que escrevi o capítulo oito do meu livrinho A filosofia como medicina da alma (Manole, 2012). Escrevi no sentido de contrariar aqueles que estavam lendo Foucault como

O ódio inventado pelos bonzinhos

Pondé e Karnal são bonzinhos, eles divergem, mas polidamente. Na verdade, não divergem. São posers.  Simples midiagogos posers. Conversam amigavelmente sobre orelhas de livros que não leram e, por isso mesmo, por não acreditarem em nada do que dizem, podem falar de modo tão pomposo quanto Renato Janine Ribeiro. Agora vamos ter Bial também “conversando”.

Older Posts››