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19/11/2017

Filosofia social

O adeus ao rosto de Deus

Texto indicado preferencialmente para o público acadêmico Uma das mais significativas diferenças entre o mundo moderno e o mundo antigo diz respeito à face da divindade. Entre as inúmeras religiões, cada qual apresentando seus deuses, a religião de Moisés se destacou por uma esperta singularidade: a face de Deus ninguém vê. Por essa via, a

Homossexualidade e heterossexualidade em Judith Butler

Este texto é preferencialmente indicado para o público acadêmico em geral Exceto a própria linguagem não há nada mais ligado à criatividade – no sentido da fantasia e da imaginação – que a sexualidade humana. Todavia, trata-se de criatividade sem um criador predeterminado. Judith Butler é a pensadora que trouxe para o campo da sexualidade

O rosto entre Butler e Sloterdijk

Este texto é indicado preferencialmente para o público acadêmico Foi com Sócrates que “o rosto” entrou para a filosofia. E assim fez no âmbito dos dois grandes eixos do pensamento ocidental, formalizado principalmente após Aristóteles: um campo teórico ou do conhecimento e o campo prático ético-moral. Rosto no âmbito teórico. Zópiro, um sábio persa, disse

A vitimização atual e o fim da hermenêutica tradicional

Este texto é indicado preferencialmente para o público acadêmico O psicanalista Francisco Daudt, meu amigo, escreveu na Folha (08/11/2017) sobre o “coitadismo”. O início do texto já diz tudo: “Parece haver uma epidemia mundial de suscetibilidades exacerbadas. Ou, em linguagem simples, o pessoal anda catando pelo em ovo para se mostrar ofendido.” Já escrevi sobre este

A Teoria Queer como a nossa última teoria

Este texto é indicado para o público acadêmico Se uma mulher fosse estuprada e viesse a perguntar a Kant o que deveria fazer, ele não titubearia em lhe dizer que deveria se matar. A vida para Kant não era, de modo algum, a vida que Agamben chama de zoe, ou seja, a “vida nua” que,

O óbvio de Antonio Gramsci

Este artigo é indicado para o público em geral Em um belo artigo na Folha, onde é seu diretor máximo, Otávio Frias Filho escreveu sobre Antonio Gramsci. Disse o óbvio. Mas como não falaria o óbvio? Gramsci é o autor do óbvio. O que Gramsci ofereceu aos comunistas como novidade, justamente contra certo tipo de

O que é “Bicho”, de Lygia Clark?

Existe o “dentro” e o “fora”? Sabemos que no mundo ocidental essa pergunta não era importante com os gregos, mas que recebeu atenção quando Santo Agostinho inventou a interioridade. Com o filósofo-bispo Deus passou para dentro do homem, por meio de leis incrustadas no coração humano. Séculos depois, Rousseau deu ainda mais importância – como

Dollar is not dead! Deus perante o dinheiro

“Em Deus nós confiamos” foi inscrito no dólar em 1864, em moeda. Tornou-se uma banalidade dizer que uma tal coisa ocorreu por conta dos colonizadores serem pessoas muito religiosas, e repetirem na moeda a expressão in God we trust já contida no Hino Nacional Americano. Isso apenas desvia nossa atenção e não explica nada. Às

O que fez o juiz da tal “cura gay”?

O fato: o juiz de Brasília indiretamente lidou com a homossexualidade como se ela pudesse sofrer intervenção clínica, e o fez em nome da “liberdade científica” (confira aqui a matéria do Estadão). Sobre esse assunto, há o aspecto jurídico e o aspecto filosófico, ou seja, metafísico. Abaixo, abordo ambos, de modo breve. Sobre o aspecto

Identidade moderna: a intensificação de si

Aprendemos no colégio, nas aulas de história, que as “grandes navegações” e o comportamento intrépido de gente que era chamada de “mercadores” deram o tom para a formação do homem moderno. Seguiram a estes os “empresários”, pessoas capazes de correr o risco com dinheiro investido tanto quanto os primeiros correram risco de vida. Max Weber

Esquerda e direita em Peter Sloterdijk

Podemos falar em direita e esquerda atualmente? Claro que sim! Mas seria tolice, em filosofia social e política, não notar os deslocamentos dessa divisão na vida contemporânea, para além da prisão – e banalização – do vocabulário jornalístico. No meu entendimento, Peter Sloterdijk é quem melhor apreende as vicissitudes semânticas pelas quais estamos passando nesse

Orgasmo e metafísica em Peter Sloterdijk

Apesar de ter dez anos a menos que Sloterdijk, em grande medida pertenço à sua geração. Já estava na escola em 1968 e, dado o meu contexto familiar, sabia o que ocorria no mundo, dentro das possibilidades de uma criança inteligente de dez anos. Era uma criança que convivia com adultos culturalmente acima da média.

O corpo liso, esse protagonista contemporâneo

Cresce o número de jovens masculinos, ao menos no Brasil, que não suporta o cheiro de vagina. Não fazem sexo oral com suas parceiras! Além disso, exigem que elas se depilem. A tricotomia é internacionalmente conhecida como produto brasileiro. E mais: entre as mulheres, cresce de modo assustador o “clareamento anal”. Acrescento: o Brasil passou

Todos nós somos Trans!

Em A força do querer , novela da Globo no horário nobre, o personagem Nonato, travesti, explica de modo reto e correto a sua diferença para com o transgênero: “eu sou travesti, idealizo uma mulher que há dentro de mim e aos poucos a produzo, não tenho nenhum problema com o meu corpo de homem,

Como ser inteligente no século XXI?

Um concurso mundial para eleger a maior ignorância que caracterizou o século XX, no meu entender, daria o primeiro prêmio à forma dos intelectuais de dividir livros, autores, pensamentos filosóficos, literatura e humor em modelos criados a partir de caixinhas ideológicas, notadamente “esquerda” e “direita”. Isso é algo que desapareceu na maior parte dos bons

O capitalismo contra a direita

Nos anos trinta do século XX os Estados Unidos descobriram o chamado “novo liberalismo”. A ideia básica era semelhante àquela vinda da social-democracia européia, mas com uma marca profundamente americana, ou seja, um lastro antes da filosofia de Dewey que da de Marx. Por essa época, boa parte dos sindicatos americanos e dos intelectuais já

As bonecas do amor do Japão

O senso comum olha aparentemente escandalizado para os japoneses e suas “bonecas do amor”. Julga que está diante de alguma coisa que lhe é estranho. Vocifera moralismo barato sobre práticas que julga obcenas e, por conta de serem feitas com bonecas, com o inanimado, faz a avaliação fácil de que está diante de loucura e

Dos inumanos será a Terra

É bem provável que jamais abandonemos as palavras homem e mulher neste século. Talvez nunca. Mas a vinculação das palavras masculino e feminino para gerenciar práticas humanas variadas como, por exemplo, as categorias desportivas, e para falar de preferências sexuais e modos de fazer sexo, isso certamente irá desaparecer. E será algo mais rápido do

A sociedade masturbatória

Nós nos masturbamos. É o que nos restou. Quando veio a AIDS, nos anos 80, voltamo-nos ao sexo solitário. Mas agora, a masturbação não é mais só sexo, é um estilo de vida. Faz parte, de modo distintivo, da nossa transição ético-moral do mundo moderno para o mundo contemporâneo. No mundo moderno criamos o individualismo,

Os gays em ritmo de burguesia

“O comunismo foi uma fase do consumismo”. Sloterdijk diz essa frase e acerta em cheio. É uma verdade que ficou nublada durante bom tempo, justamente porque tínhamos na cabeça uma filosofia da história messiânica, judaico-cristã, chamada marxismo. A história nos levaria ao socialismo, à sociedade do proletariado e, depois, ao comunismo, a sociedade sem classes.

Rocha Loures: o indivíduo exemplar

Rocha Loures é um deputado amigo do presidente Temer. Há um vídeo rodando na TV brasileira incessantemente, onde ele aparece saindo da pizzaria Camelo, um lugar de jornalistas e políticos na cidade de São Paulo. Sai apressado e joga em um táxi uma mala cheia de dinheiro. Propina. O presidente está na corda bamba por

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