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25/05/2018

Filosofia social

Da impossibilidade de ser um pensador trágico

[Artigo preferencialmente indicado para o público acadêmico] Admirar a tragédia é uma coisa, querer ser um pensador trágico é diferente. Nos nossos dias, fazer isso é, não raro, sinônimo de ignorância. Ou ignorância de quem não aprendeu as línguas ocidentais modernas (um alienígena entre nós) ou a ignorância tosca, ginasiana, de quem não entendeu o

A conversação e a sociedade democrática americana

[Artigo preferencialmente indicado para o público acadêmico] A doutrina liberal tem um sucesso enorme nos Estados Unidos. Sabemos bem disso. Mas nem sempre nos lembramos de algumas peculiaridades dos americanos na adoção do termo “liberal”, e do como o ideário de John Locke acabou nas mãos de filósofos como John Dewey, John Rawls e Richard

Ou temos a doutrina do mérito ou não temos nada

[Artigo para o público em geral] O discurso da meritocracia é uma ideologia. Todos sabemos disso. Mas não há também a doutrina da meritocracia, que funciona não ideologicamente? A direita nega o papel ideológico do discurso da meritocracia. Reclama de programas sociais que empurram para cima as minorias e os mais pobres. Mas também vai

Política e ciência: vocações inconciliáveis

[Artigo indicado preferencialmente para o público acadêmico] Marx sabia que sua perspectiva era uma perspectiva. Mas ele não concordava, como Nietzsche concordou, que sua perspectiva era mais uma perspectiva. Para Marx uma perspectiva podia sim ser melhor que outra, mas não pelos critérios variados que o pragmatismo dos americanos e de Nietzsche, no final de

O que é pós-verdade?

[Artigo indicado preferencialmente para o público acadêmico] Os manuais de lógica ensinam que a verdade é objetiva – sempre objetiva. Por isso, céticos nunca duvidam da verdade, e sim do conhecimento. A definição de conhecimento mais comum em filosofia ainda é a de Platão: crença verdadeira bem justificada. Assim, não se pode duvidar da crença

Os engenheiros da linguagem. A confecção da sociologia e das ciências humanas.

[Artigo indicado preferencialmente ao público acadêmico] Quando Durkheim disse que deveríamos tratar os acontecimentos sociais como “coisas”, ele estava tentando ensinar que o cientista social, então emergente, teria de tomar a vida humana como os físicos estavam tomando a vida natural. Nada de colocar no âmbito de acontecimentos da natureza qualquer antropomorfismo. Assim, se a

Sujeito clássico ou grupos de pressão?

[Artigo indicado preferencialmente para o público acadêmico] Os europeus são filósofos, os americanos não. Essa velha crença do senso comum ainda continua corrente. Essa crença, na sua quase verdade, nubla o ambiente e não nos deixa ver sua mentira. Foi Alexis de Tocqueville, em A democracia na América (1835), quem expôs o retrato mais justo

Os homens bons podem ser bons e fazer o bem

[Artigo indicado para o público em geral] Hélio Schwartsman alerta-nos sobre os “militantes do bem” (Folha, 02/02/2018). Ele diz que estão aumentando. Estão mesmo, e de fato isso já está registrado na sociologia de Gilles Lipovetsky e nos incentivos da filosofia de Peter Sloterdijk. Hélio gosta deles, mas acredita que podem facilmente ficar tentados a

Uma professora “a favor do assalto”? O que é isso?

[Texto indicado preferencialmente para leitores com interesses acadêmicos] Santo Agostinho não exitou em dizer que roubar um pão quando se tem fome é perdoável. Mas ele não usou a palavra “assalto”, pois isso poderia ser entendido como algo além do ataque ao patrimônio, mas à vida humana. O cristianismo é uma doutrina de elogio ao

Alteridade: os gregos e nós

[Artigo recomendado para o público acadêmico] Sócrates adorava ver os jovens com suas túnicas brancas e transparentes. Elas o deixavam apreciar os corpos dos rapazes saindo da pré-adolescência para a adolescência, ganhando formas e beleza. A casa dos gregos e, depois, mais ainda a dos romanos que herdaram parte de sua arquitetura, repetia a túnica

O drama da Filosofia atual é o drama da Comunicação – alteridade e mídia na contemporaneidade

Artigo indicado para o público acadêmico “Os limites de minha capacidade  de transferência são os limites do meu mundo”. A frase é  de Peter Sloterdijk. A expressão “capacidade de transferência”, nesse caso, é a opção do tradutor do Bolhas, o professor José Oscar Marques, para a palavra “Übertragungsvermögens”. (1) A ideia aqui é, como Sloterdijk

Somos crédulos e só assim podemos viver

Artigo indicado para o público em geral Sociólogos, psicanalistas, antropólogos e outros do âmbito das “Humanidades” entendem crença de uma maneira, o filósofo é obrigado a conceituá-la de modo diferente. Para os primeiros, crença é crença num ideário adrede construído. Para o filósofo, diferentemente, crença é apenas aquilo que se expressa em “Eu creio que

Caminhamos para um mundo de extraliberdade

Artigo indicado preferencialmente para o público acadêmico Hegel tinha a certeza de que a sua filosofia da história dizia exatamente para onde caminhamos: para cada dia mais liberdade. Ele dizia que só não podíamos ver uma tal coisa quando olhávamos para a história sem a perspectiva da “grande duração”. Na verdade, a “astúcia da razão”

Por que Marx seduz os intelectuais? Marx e o desencantamento do mundo

Artigo indicado preferencialmente para o público acadêmico “Tudo está repleto de deuses”, disse Tales lá nas costas da Turquia, quando ali era uma praia jônica. O nosso primeiro filósofo, segundo a historiografia oficial, começou a filosofia atentando para as possibilidades ou não do “dencantamento do mundo” (Weber). Viu as figuras misteriosas postas em cada cantinho

O adeus ao rosto de Deus

Texto indicado preferencialmente para o público acadêmico Uma das mais significativas diferenças entre o mundo moderno e o mundo antigo diz respeito à face da divindade. Entre as inúmeras religiões, cada qual apresentando seus deuses, a religião de Moisés se destacou por uma esperta singularidade: a face de Deus ninguém vê. Por essa via, a

Homossexualidade e heterossexualidade em Judith Butler

Este texto é preferencialmente indicado para o público acadêmico em geral Exceto a própria linguagem não há nada mais ligado à criatividade – no sentido da fantasia e da imaginação – que a sexualidade humana. Todavia, trata-se de criatividade sem um criador predeterminado. Judith Butler é a pensadora que trouxe para o campo da sexualidade

O rosto entre Butler e Sloterdijk

Este texto é indicado preferencialmente para o público acadêmico Foi com Sócrates que “o rosto” entrou para a filosofia. E assim fez no âmbito dos dois grandes eixos do pensamento ocidental, formalizado principalmente após Aristóteles: um campo teórico ou do conhecimento e o campo prático ético-moral. Rosto no âmbito teórico. Zópiro, um sábio persa, disse

A vitimização atual e o fim da hermenêutica tradicional

Este texto é indicado preferencialmente para o público acadêmico O psicanalista Francisco Daudt, meu amigo, escreveu na Folha (08/11/2017) sobre o “coitadismo”. O início do texto já diz tudo: “Parece haver uma epidemia mundial de suscetibilidades exacerbadas. Ou, em linguagem simples, o pessoal anda catando pelo em ovo para se mostrar ofendido.” Já escrevi sobre este

A Teoria Queer como a nossa última teoria

Este texto é indicado para o público acadêmico Se uma mulher fosse estuprada e viesse a perguntar a Kant o que deveria fazer, ele não titubearia em lhe dizer que deveria se matar. A vida para Kant não era, de modo algum, a vida que Agamben chama de zoe, ou seja, a “vida nua” que,

O óbvio de Antonio Gramsci

Este artigo é indicado para o público em geral Em um belo artigo na Folha, onde é seu diretor máximo, Otávio Frias Filho escreveu sobre Antonio Gramsci. Disse o óbvio. Mas como não falaria o óbvio? Gramsci é o autor do óbvio. O que Gramsci ofereceu aos comunistas como novidade, justamente contra certo tipo de

O que é “Bicho”, de Lygia Clark?

Existe o “dentro” e o “fora”? Sabemos que no mundo ocidental essa pergunta não era importante com os gregos, mas que recebeu atenção quando Santo Agostinho inventou a interioridade. Com o filósofo-bispo Deus passou para dentro do homem, por meio de leis incrustadas no coração humano. Séculos depois, Rousseau deu ainda mais importância – como

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