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24/04/2017

Filosofia social

O ódio inventado pelos bonzinhos

Pondé e Karnal são bonzinhos, eles divergem, mas polidamente. Na verdade, não divergem. São posers.  Simples midiagogos posers. Conversam amigavelmente sobre orelhas de livros que não leram e, por isso mesmo, por não acreditarem em nada do que dizem, podem falar de modo tão pomposo quanto Renato Janine Ribeiro. Agora vamos ter Bial também “conversando”.

Hélio Schwartsman e o segredo da boa mentira política

É curto e excelente o artigo do Hélio Schwartsman sobre a mentira, publicado na Folha em 18/04/2017 com o título de “O cérebro causídico”. Ele explica como que mecanismos cerebrais nossos nos permitem mentir de modo a sermos eficazes na mentira. A melhor mentira é aquela na qual acreditamos, e acreditamos sempre naquilo que não

Os conservadores e seu medo irracional da “doutrinação”

Uma aula de um professor engajado politicamente, no sentido moderno da palavra (dicotomia esquerda-direita), mesmo que pareça “light”, é a coisa mais desagradável do mundo. É o que eu considero uma aula inútil. Os midiagogos que estão por aí atualmente, especialmente os chamados Três Patetas, também fazem isso, ministram a doutrinação do senso comum ao

O olhar filosófico sobre o “machão”

José Mayer nunca foi somente “o macho” ou “machão”. Interpretou papeis suaves, gays, mocinhos e bandidos. Fora dos palcos, ganhou também a fama de um homem polido. Mayer pode ter em algum momento, como ocorreu com Vera Fischer por um tempo maior do que ela desejou, incorporado seu último papel e homem ofensivo com as

O fluxo das camisetas

Em um brilhante artigo da época do governo Collor, a professora Marilena Chauí denunciou a estratégia populista do presidente jovem. Ela apontou para sua prática de vestimenta. Collor mandava recados diretos para seus eleitores, sem mediação de partidos ou porta vozes ou até mesmo de seu próprio discurso, por meio de slogans grudados em seu

A sociedade espelhada

Combustível fóssil, penicilina e espelho. Nosso universo contemporâneo é fruto deles três. A descoberta e a  utilização dos combustíveis fósseis libertou o homem da sua dependência de horas massacrantes de trabalho, dando oportunidade para uma reorganização completa do nosso modo de vida. A descoberta da penicilina nos fez abolir de vez a ligação entre filosofia

A subjetividade da sociedade sem tempo

Uma maneira de tratar Deus de modo a fazê-lo menos louco é tirá-lo do tempo. Boécio e Agostinho assim agiram. Deus não vive o nosso passado, presente e futuro, elementos que estão a cada dia juntos em cada uma de nossas percepções. Desse modo, Deus não convive com o problema que colocamos para ele, que

Identidade no espaço contemporâneo – quem eu sou?

A falta de emoção vai longe, chega aos rincões mais recônditos da vida. Assim avalia Peter Sloterdijk, ao teorizar sobre a modernidade como uma época de superabundância e, portanto, de crescente desoneração dos indivíduos. Ele diz: “o animal sem missão caminha tateante pela névoa; tudo é possível, nada é convincente. Já que nada me toca,

Gilles Lipovetsky vem aí. Mas como não viria?

Há dez anos, exatamente em 2007, Gilles Lipovetsky lançou com Jean Serroy o fácil A cultura-mundo, publicado no Brasil pela Cia. das Letras em 2011. Nesse livro, tentou falar do tripé que rege nossa vida: mercado, tecnologia e individualismo. Entre tantas denúncias que fez, retratando a fase de nossa modernidade, destacou no âmbito cultural como que viveríamos,

O espaço do rosto

Espacializamos o tempo para entendê-lo e dominá-lo. Ele é fugidio, mas nós o enclausuramos modernamente nos relógios. Ferramos o tempo com ponteiros e, depois, com visores digitais. Mas esse tempo assim espacializado pertence ao mundo dos mortos. No mundo dos vivos, nossa tentativa de apreender o tempo é uma via de mão dupla. Tentamos apanhá-lo,

Somos todos terroristas – sociedade contemporânea e individualismo a partir de Buyng-Chul Han e Peter Sloterdijk

O terrorismo é um ato em busca de autenticidade. O filósofo germano-coreano Byung Chul Han endossa essa tese. Mas, o terrorismo também é provocado pelo excesso de leveza e consequente reação em busca de reoneração. Penso que o filósofo alemão Peter Sloterdijk endossaria essa tese. Nos resultados, essas teses possuem pontos em comum. Autenticar-se é

Síndrome de Dédalo

Vivemos na “sociedade da abundância”. Ricos ou pobres, vivemos em uma sociedade que ganhou leveza e que se desonerou em um nível nunca visto antes em toda a história da humanidade. Energia fóssil, motor de explosão, luz elétrica, penicilina, tratamento hormonal, Viagra e pílulas de contracepção, alfabetização em massa, diminuição de mortalidade infantil, aumento da

A Loucura da Transparência

Diante da noção de intimidade, todo cuidado é pouco. Dizemos coisas bem diversas com esse termo aparentemente simples. Byung-Chul Han lembra que Richard Sennett, ao falar das “tiranias da intimidade”, está se referindo a um mundo íntimo que, na verdade, se exige mostrável. Em Sennett, sabe-se, a sociedade não é vista (e criticada) na completude

Depressivos do mundo, uni-vos. Ou desuni-vos, sei lá!

As estatísticas indicaram durante vários anos o Brasil como o segundo país mais feliz do mundo, considerando aí a opinião das pessoas sobre si mesmas. Mesmo agora nesse período de recessão, como em outras épocas parecidas, o Brasil nunca saiu do topo do ranking da felicidade. Todavia, recentemente, uma pesquisa também confiável revelou que o Brasil

O autoritarismo da Era Pós Autoritária

O nazismo perdeu  a Guerra e ficou desacreditado de vez. Os crimes da direita vieram à tona e o termo fascista se tornou um xingamento. Mas o comunismo ainda teria sobrevida. Em 1989 caiu o Muro de Berlim. Logo depois veio o fim da URSS. Finalmente a última forma de opressão nascida no século XX,

Estamos vendendo carteirinha! Ou: o que é alienação

A garota Bruna passou na medicina da USP de Ribeirão Preto. Colocaram nas redes sociais a manchete: “negra e pobre passa na Fuvest em primeiro lugar”. Ela própria, pela entrevista que deu, parece estar orgulhosa disso, nos termos da manchete. Tratou de desfiar um rosário sobre a sua condição social a partir de jargões do