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28/06/2017

Filosofia social

A sociedade masturbatória

Nós nos masturbamos. É o que nos restou. Quando veio a AIDS, nos anos 80, voltamo-nos ao sexo solitário. Mas agora, a masturbação não é mais só sexo, é um estilo de vida. Faz parte, de modo distintivo, da nossa transição ético-moral do mundo moderno para o mundo contemporâneo. No mundo moderno criamos o individualismo,

Os gays em ritmo de burguesia

“O comunismo foi uma fase do consumismo”. Sloterdijk diz essa frase e acerta em cheio. É uma verdade que ficou nublada durante bom tempo, justamente porque tínhamos na cabeça uma filosofia da história messiânica, judaico-cristã, chamada marxismo. A história nos levaria ao socialismo, à sociedade do proletariado e, depois, ao comunismo, a sociedade sem classes.

Rocha Loures: o indivíduo exemplar

Rocha Loures é um deputado amigo do presidente Temer. Há um vídeo rodando na TV brasileira incessantemente, onde ele aparece saindo da pizzaria Camelo, um lugar de jornalistas e políticos na cidade de São Paulo. Sai apressado e joga em um táxi uma mala cheia de dinheiro. Propina. O presidente está na corda bamba por

“Tirem da minha vista a cracolândia!”

Mais de 50% dos usuários de drogas que agora estão espalhados pelas novas cracolândias de São Paulo, ainda possuem relacionamento com os seus familiares. Todavia, não podem mais voltar para casa. O consumo exige permanência no local da chegada das drogas, tamanha é a necessidade pela qual o corpo drogado reclama. Além disso, em casa,

Capitalismo Emocional

Quase todos os analistas distinguem o capitalismo de produção do capitalismo de consumo de massa. Os filósofos sociais tendem a tirar conclusões psicopolíticas dessa segunda condição que, segundo eles, nos mostram características essenciais do modo de vida contemporâneo. O capitalismo de hoje não é aquele analisado por Weber. Todos sabemos disso. O filósofo germano coreano

João Pereira Coutinho quer ser uma galinha. Por quê?

O articulista lusitano da Folha (23/05/2017) saiu de seu costumeiro conservadorismo para aderir ao tão criticado “construtivismo social”, visto pela direita de ser tipicamente “esquerdista”. O seu lema é: se alguém que não é negro por pigmentação da pele quer se negro, acha-se negro, tem identidade social de negro, temos de tolerá-lo como estamos fazendo

Por que há devotos de políticos?

“Por que as pessoas só enxergam a vilania dos homens públicos das outras correntes políticas?” Esta é uma das perguntas de um artigo (Folha, 20/2017) do advogado criminal Luís Francisco Carvalho Filho. O calor da política é sempre mais popular que a inverno da filosofia. A questão de Carvalho Filho, que ele não responde, só

A vida sob a obscenidade máxima

A Bíblia é impossível de ser proveitosamente lida com olhos pornográficos. A pornografia caracteriza-se  pela exibição da carne sem seus mistérios. A leitura da Bíblia de modo literal, sem hermenêutica, é a transformação do texto na banalização do facilmente visível. Trata-se, nesse caso, da leitura pornográfica. A leitura pornográfica da Bíblia, promovida pelos pastores das

Somos todos dopados

Somos todos dopados. Aliás, só vivemos em função do doping. Nosso corpo produz substâncias que nos dão prazer semelhante ao que procuramos por conta de efeitos químicos do doping. A medicina sabe disso, mas comenta pouco. A filosofia sempre quis ignorar isso. A filosofia imagina que se a química nos diz algo, esse algo tem

Os cachorrinhos no colo dos pobres

Os nazistas tentaram corromper muita coisa sagrada, e uma dela foi a ideia do respeito aos filhos. “Não me mate, eu tenho filhos, como eles vão ficar sem mim?” Essa frase que foi aprendida a partir do século XVIII, com a invenção da infância como a entendemos hoje, por Rousseau, transformou-se no centro de uma

O Foucault de Byung-Chul Han e o meu Foucault

Foucault é o autor da constatação esquisita “a alma é a prisão do corpo”. Foi assim que eu o entendi e foi sob o impacto dessa sua frase que escrevi o capítulo oito do meu livrinho A filosofia como medicina da alma (Manole, 2012). Escrevi no sentido de contrariar aqueles que estavam lendo Foucault como

O ódio inventado pelos bonzinhos

Pondé e Karnal são bonzinhos, eles divergem, mas polidamente. Na verdade, não divergem. São posers.  Simples midiagogos posers. Conversam amigavelmente sobre orelhas de livros que não leram e, por isso mesmo, por não acreditarem em nada do que dizem, podem falar de modo tão pomposo quanto Renato Janine Ribeiro. Agora vamos ter Bial também “conversando”.

Hélio Schwartsman e o segredo da boa mentira política

É curto e excelente o artigo do Hélio Schwartsman sobre a mentira, publicado na Folha em 18/04/2017 com o título de “O cérebro causídico”. Ele explica como que mecanismos cerebrais nossos nos permitem mentir de modo a sermos eficazes na mentira. A melhor mentira é aquela na qual acreditamos, e acreditamos sempre naquilo que não

Os conservadores e seu medo irracional da “doutrinação”

Uma aula de um professor engajado politicamente, no sentido moderno da palavra (dicotomia esquerda-direita), mesmo que pareça “light”, é a coisa mais desagradável do mundo. É o que eu considero uma aula inútil. Os midiagogos que estão por aí atualmente, especialmente os chamados Três Patetas, também fazem isso, ministram a doutrinação do senso comum ao

O olhar filosófico sobre o “machão”

José Mayer nunca foi somente “o macho” ou “machão”. Interpretou papeis suaves, gays, mocinhos e bandidos. Fora dos palcos, ganhou também a fama de um homem polido. Mayer pode ter em algum momento, como ocorreu com Vera Fischer por um tempo maior do que ela desejou, incorporado seu último papel e homem ofensivo com as

O fluxo das camisetas

Em um brilhante artigo da época do governo Collor, a professora Marilena Chauí denunciou a estratégia populista do presidente jovem. Ela apontou para sua prática de vestimenta. Collor mandava recados diretos para seus eleitores, sem mediação de partidos ou porta vozes ou até mesmo de seu próprio discurso, por meio de slogans grudados em seu

A sociedade espelhada

Combustível fóssil, penicilina e espelho. Nosso universo contemporâneo é fruto deles três. A descoberta e a  utilização dos combustíveis fósseis libertou o homem da sua dependência de horas massacrantes de trabalho, dando oportunidade para uma reorganização completa do nosso modo de vida. A descoberta da penicilina nos fez abolir de vez a ligação entre filosofia

A subjetividade da sociedade sem tempo

Uma maneira de tratar Deus de modo a fazê-lo menos louco é tirá-lo do tempo. Boécio e Agostinho assim agiram. Deus não vive o nosso passado, presente e futuro, elementos que estão a cada dia juntos em cada uma de nossas percepções. Desse modo, Deus não convive com o problema que colocamos para ele, que

Identidade no espaço contemporâneo – quem eu sou?

A falta de emoção vai longe, chega aos rincões mais recônditos da vida. Assim avalia Peter Sloterdijk, ao teorizar sobre a modernidade como uma época de superabundância e, portanto, de crescente desoneração dos indivíduos. Ele diz: “o animal sem missão caminha tateante pela névoa; tudo é possível, nada é convincente. Já que nada me toca,

Gilles Lipovetsky vem aí. Mas como não viria?

Há dez anos, exatamente em 2007, Gilles Lipovetsky lançou com Jean Serroy o fácil A cultura-mundo, publicado no Brasil pela Cia. das Letras em 2011. Nesse livro, tentou falar do tripé que rege nossa vida: mercado, tecnologia e individualismo. Entre tantas denúncias que fez, retratando a fase de nossa modernidade, destacou no âmbito cultural como que viveríamos,

O espaço do rosto

Espacializamos o tempo para entendê-lo e dominá-lo. Ele é fugidio, mas nós o enclausuramos modernamente nos relógios. Ferramos o tempo com ponteiros e, depois, com visores digitais. Mas esse tempo assim espacializado pertence ao mundo dos mortos. No mundo dos vivos, nossa tentativa de apreender o tempo é uma via de mão dupla. Tentamos apanhá-lo,

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