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19/08/2017

Filosofia

O que é a linguagem, afinal?

SE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA nos Estados Unidos então você está pregnant. Se é uma brasileira nos Estados Unidos, grávida, pode entender “pregnant” muito bem, pois tem em sua língua o termo “impregnado”. Algo cheio está impregnado. Importa aí a quantidade. Mas se você está grávida na Espanha ou na Argentina e lugares do castelhano, você

O filósofo bobo da Corte

Ou se conhece Platão corretamente ou não se é filósofo. Todos nós sabemos disso. Todos nós, filósofos, não conseguimos não citar a frase de nosso colega de profissão Alfred North Whitehead: “A história da filosofia nada é senão um conjunto de notas de pé de página na obra de Platão”. Citamos e acreditamos nela. Conhecemos

O corpo que parece nosso – Heidegger, Nietzsche e Sloterdijk

Heidegger acreditava que Nietzsche não havia se desvencilhado da “metafísica da subjetividade”, uma das etapas, para ele, do trajeto condenável denominado “esquecimento do Ser”. Uma das “provas” fornecidas por Heidegger a respeito desse mal acabamento de Nietzsche foi a visão deste a respeito do corpo. De fato, o capítulo “Os desprezadores do corpo”, do Zarathustra,

As cabras não céticas de Santo Agostinho

Há filósofos profundamente mal-humorados, como Heráclito. Há outros, como Sade, que preferem perder o amigo que a piada. Mas há também os que jamais deixam de ser filosoficamente rigorosos quando se aliam ao bom-humor. Santo Agostinho é desse time. Entre outros adversários, os Acadêmicos foram seus alvos preferidos durante um bom tempo. Contra eles, Agostinho

O belo, a mentira e o desprestígio de Deus

A caminho da peregrinação em busca de um quentão de festa junina, Fran e eu paramos diante do jardim da casa de um vizinho para admirar uma flor. Belíssima. Muito antes de ter celular na mão, Fran sempre gostou de fotografia, então, nessa oportunidade, não deixou de registrar o quadro. Ao bater a foto, exclamou:

Nietzsche e a verdade pela vulva exposta

Em A gaia ciência Nietzsche escreve: “Já não acreditamos que a verdade continue a ser a verdade sem os seus véus – vivemos de mais para isso. Fazemos agora uma questão de decência de não querer ver tudo nu, de não assistir a tudo, de não assistir a tudo, de não procurar compreender tudo e tudo

João Pereira Coutinho quer ser uma galinha. Por quê?

O articulista lusitano da Folha (23/05/2017) saiu de seu costumeiro conservadorismo para aderir ao tão criticado “construtivismo social”, visto pela direita de ser tipicamente “esquerdista”. O seu lema é: se alguém que não é negro por pigmentação da pele quer se negro, acha-se negro, tem identidade social de negro, temos de tolerá-lo como estamos fazendo

Lula, o príncipe sem coroa e, claro, sem vergonha

Em um cargo de direção de uma universidade, pedi a nomeação de uma pessoa indicada por um amigo, quando então descobri que tal professor não tinha os diplomas exigidos para o cargo. Mesmo passando pelo vexame de não ter checado antes, fui imediatamente ao reitor, pedi desculpas e falei com ele que eu também me

Por que ler Peter Sloterdijk?

Escrevi Para ler Sloterdijk (Via Verita, 2017) em forma de livro. Penso que em forma de breve artigo cabe falar também em algo como “por que ler Sloterdijk?”. Sloterdijk é uma fonte de inspiração. Todavia, o elemento mais original de suas investigações, o que é propriamente exclusivo dele, é o que ele chama de antropotécnicas.

A era do Bobo da Corte ou O Martírio dos Tímidos

Não tenho dúvidas que uma cultura que não valoriza pessoas tímidas pode se transformar no inferno de  um vedetismo insuportável. Aliás, no Brasil de hoje, ninguém mais, com bom senso, aguenta a superexposição de pessoas que reiteram o senso comum na mídia, principalmente com título de professor e até, ainda que injustamente, de filósofo. Hélio

Quem foi Platão e qual o seu projeto

Platão passou uma parte da vida tentando mostrar aos atenienses que Sócrates não foi um sofista. Gastou outra parte da vida procurando formular a teoria de uma cidade justa, e que deu origem ao platonismo propriamente dito. Dedicou seus últimos anos a uma severa autocrítica, no interior mesmo de sua escola, a Academia, e terminou

Trump em guerra revela “a outra América”

Cinco pensadores entenderam a América: Tocquevile, Dewey, Rorty e Sloterdijk. Mas só dois, Dewey e Rorty, compreenderam sua dupla face no seu cotidiano. Eles foram filósofos americanos no sentido mais autêntico da palavra. Viveram os dramas da criação dos chamados Founders Fathers. Dewey deixou claro que a “América” era uma coisa e os “Estados Unidos”

As crenças de um estudante de filosofia

Há uma esperança matreira na cabeça de muitos estudantes de filosofia. Eles imaginam que podem entrar num curso de filosofia e saírem sabendo mais e, no entanto,  com a mesma identidade. Ora, até podem, mas se isso acontece, não entraram num curso de filosofia, mas em um bacharelado de um algum saber de ordem não

O parlamento das coisas

Heráclito não acreditava falar por si mesmo. Aliás, o “si mesmo”,  esta expressão, é uma invenção nossa, não dos antigos. Heráclito entendia que o logos do cosmos utilizava de sua boca para falar de sua organização própria, a harmonia cosmológica. O Humanismo moderno nos tirou essa possibilidade. Então, se as coisas querem falar, hoje em

Contra Badiou. Nota sobre seu ensaio a respeito do realismo

Com tantas correntes diferentes de pensamento filosófico, como podemos falar em uma história unificada da filosofia? Em termos gerais medievais, modernos e contemporâneos compuseram uma só história uma vez que nunca se viram desligados da conversa inaugurada por Platão, relatando a disputa de Sócrates e sua própria com o sofistas. Por um lado, Platão sempre

Marcela Temer precisa nos dar um escândalo

Marcela Temer é linda, mas não estou procurando fotos dela nua na Internet. Nem do presidente – garanto. Também não estou procurando fofocas da vida íntima do casal, que poderiam estar no celular de Marcela, hackeado. Mas, segundo o entendimento de vários estudiosos do Direito, errou feio o juiz que autorizou a censura à Folha

Nietzsche, o heteronarcisista exemplar de Sloterdijk

Em um do seus textos mais belos, Peter Sloterdijk caracteriza Nietzsche “como o descobridor do ‘heteronarcisismo’”. Nesse caso, o que Nietzsche faz é afirmar em si mesmo nada senão os outros, ou seja, “as alteridades que entram nele formando uma composição que o atravessa, o encanta, o tortura e o surpreende”. “Sem surpresas, a vida

Estamos vendendo carteirinha! Ou: o que é alienação

A garota Bruna passou na medicina da USP de Ribeirão Preto. Colocaram nas redes sociais a manchete: “negra e pobre passa na Fuvest em primeiro lugar”. Ela própria, pela entrevista que deu, parece estar orgulhosa disso, nos termos da manchete. Tratou de desfiar um rosário sobre a sua condição social a partir de jargões do

O stress da sociedade da leveza contemporânea

Não é porque estamos lutando pelo fim do sacrifício dos animais que o sacrifício nosso acabou. E aí a palavra “sacrifício” tem vários sentidos: do voluntariado de guerra ao trabalho árduo e deste para deveres morais nada fáceis. Essa minha tese, portanto, se insere claramente no debate contemporâneo em contraponto à tese de Gilles Lipovetsky,

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