Go to ...

on YouTubeRSS Feed

17/12/2017

Filosofia

O preconceito não é uma questão de mais ou menos energia gasta

Este artigo é indicado preferencialmente para o pública acadêmico “Nos iludimos ao imaginar que o preconceito seja erradicável. Somos preconceituosos de saída, uma vez que nosso cérebro economiza energia ao catalogar nossas experiências”. Esta é fórmula da psicanalista Vera Iaconelli para explicar o preconceito, em seu blog na Folha (28/11/2017). Mas as coisas não funcionam

Bin Laden e seu crochê! A revelação dos arquivos da CIA

Hitler adorava a pintura que ele próprio fazia, e que nunca lhe deu outra fama senão a de medíocre. Na Internet os neofascistas e os desescolarizados de sempre, quando olham alguma coisa feita por Hitler, ficam deslumbrados. A concepção de arte dessa gente é a concepção infantil: “quem é?”, pergunta a criança diante do desenho

O que é arte e o que não é arte?

A diferença entre o erótico e o pornográfico todos sabem: o erótico mantém sutilizas que provocam a imaginação, o pornográfico elimina sutilezas e castra qualquer relação ficcional que o observador possa ter com o que é exibido. A diferença entre o que é arte e  o que não é arte tem algo dessa distinção, mas

O que o neopragmatismo de Richard Rorty não é

Em um livro de título William James, a construção da experiência, publicado no Brasil pela Editora n-1 (2017), o autor David Lapoujade faz questão de dizer que o pragmatismo não é aquilo que Richard Rorty defende. A frase que ele usa é exatamente esta: “nada mais distante dele [James] que as recentes teses ditas ‘neopragmatistas’

Agostinho: a sexualização do pecado e a luta anti-narcisista

Um dos mais belos textos que conheço sobre o filósofo Santo Agostinho está em Temperamentos filosóficos, de Peter Sloterdijk. Neste, ele registra que o caminho do Bispo de Hipona se fez no traçado da “inquisição fundamental contra o amor-próprio do homem”. Sloterdijk faz menção a vários autores que teriam dado sequência ao feito de Agostinho,

Peter Sloterdijk, filósofo da revolução

Peter Sloterdijk é taxativo: “eu concebo a filosofia como introdução à ciência revolucionária universal”. (1) Essa formulação é bem explicada por ele: Eu penso após a falsa revolução e no meio da alteração global das coisas. Eu trabalho numa teoria não-marxista da revolução e afirmo que a ‘revolução’ permanece o tema central verdadeiro do pensamento.

A modernidade: indivíduo, sujeito e sonho

Em 1615 Miguel de Cervantes publicou D. Quixote de La Mancha. Vinte e seis anos depois, em 1641, René Descartes publicou as suas Meditações Metafísicas. Dois séculos depois, essas obras já eram tomadas como elementos fundantes da chamada modernidade. Cervantes trouxe à baila a ideia moderna do indivíduo, aquele que é o autor de sua

A sociedade da despedida da dor

Você já viu um porco morrer? Já olhou nos olhos de um boi antes um pouco dele ser abatido. No primeiro, os gritos são de socorro, no segundo, dá para perceber lágrimas. Os humanos, quando matam outros animais, fazem questão de dizer que não agem assim com outros humanos. Bobagem. Os humanos fazem menos drama

O que é a linguagem, afinal?

SE VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA nos Estados Unidos então você está pregnant. Se é uma brasileira nos Estados Unidos, grávida, pode entender “pregnant” muito bem, pois tem em sua língua o termo “impregnado”. Algo cheio está impregnado. Importa aí a quantidade. Mas se você está grávida na Espanha ou na Argentina e lugares do castelhano, você

O filósofo bobo da Corte

Ou se conhece Platão corretamente ou não se é filósofo. Todos nós sabemos disso. Todos nós, filósofos, não conseguimos não citar a frase de nosso colega de profissão Alfred North Whitehead: “A história da filosofia nada é senão um conjunto de notas de pé de página na obra de Platão”. Citamos e acreditamos nela. Conhecemos

O corpo que parece nosso – Heidegger, Nietzsche e Sloterdijk

Heidegger acreditava que Nietzsche não havia se desvencilhado da “metafísica da subjetividade”, uma das etapas, para ele, do trajeto condenável denominado “esquecimento do Ser”. Uma das “provas” fornecidas por Heidegger a respeito desse mal acabamento de Nietzsche foi a visão deste a respeito do corpo. De fato, o capítulo “Os desprezadores do corpo”, do Zarathustra,

As cabras não céticas de Santo Agostinho

Há filósofos profundamente mal-humorados, como Heráclito. Há outros, como Sade, que preferem perder o amigo que a piada. Mas há também os que jamais deixam de ser filosoficamente rigorosos quando se aliam ao bom-humor. Santo Agostinho é desse time. Entre outros adversários, os Acadêmicos foram seus alvos preferidos durante um bom tempo. Contra eles, Agostinho

O belo, a mentira e o desprestígio de Deus

A caminho da peregrinação em busca de um quentão de festa junina, Fran e eu paramos diante do jardim da casa de um vizinho para admirar uma flor. Belíssima. Muito antes de ter celular na mão, Fran sempre gostou de fotografia, então, nessa oportunidade, não deixou de registrar o quadro. Ao bater a foto, exclamou:

Nietzsche e a verdade pela vulva exposta

Em A gaia ciência Nietzsche escreve: “Já não acreditamos que a verdade continue a ser a verdade sem os seus véus – vivemos de mais para isso. Fazemos agora uma questão de decência de não querer ver tudo nu, de não assistir a tudo, de não assistir a tudo, de não procurar compreender tudo e tudo

João Pereira Coutinho quer ser uma galinha. Por quê?

O articulista lusitano da Folha (23/05/2017) saiu de seu costumeiro conservadorismo para aderir ao tão criticado “construtivismo social”, visto pela direita de ser tipicamente “esquerdista”. O seu lema é: se alguém que não é negro por pigmentação da pele quer se negro, acha-se negro, tem identidade social de negro, temos de tolerá-lo como estamos fazendo

Lula, o príncipe sem coroa e, claro, sem vergonha

Em um cargo de direção de uma universidade, pedi a nomeação de uma pessoa indicada por um amigo, quando então descobri que tal professor não tinha os diplomas exigidos para o cargo. Mesmo passando pelo vexame de não ter checado antes, fui imediatamente ao reitor, pedi desculpas e falei com ele que eu também me

Por que ler Peter Sloterdijk?

Escrevi Para ler Sloterdijk (Via Verita, 2017) em forma de livro. Penso que em forma de breve artigo cabe falar também em algo como “por que ler Sloterdijk?”. Sloterdijk é uma fonte de inspiração. Todavia, o elemento mais original de suas investigações, o que é propriamente exclusivo dele, é o que ele chama de antropotécnicas.

Older Posts››