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São Paulo manipulada

Ozualdo Candeias - Exposição de Fotos Rua do Triumpho na Boca do Lixo em São PauloA prefeitura de São Paulo deixou de lado uma concepção fundamental sobre como administrar a cultura. Com a lei que autoriza a mudança de nome das ruas de São Paulo, o que vai possibilitar trocar os nomes de pessoas ligadas à Ditadura Militar por nomes de vítimas daquele período (que é o desejo dos autores da legislação), a prefeitura seguiu no rumo do estalinismo. Com isso, expôs a cultura à mira do revolver, ao invés de protegê-la. O que é cultura pode ser mudado pela violência protegida pela lei: arranco a placa de uma rua, sem mais nem menos, e ponho outro nome lá, sem mais nem menos.

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Melancólicos e profetas

Melancólicos e profetas – é assim que o filósofo argelino Jacques Rancière vê a esquerda e a direita atuais, particularmente em OFilósofo Jacques Rancière, Argelino nascido em 1940 e professor emérito da Universidade de Paris VIII espectador emancipado (Martins Fontes, 2012, La Fabrique-Éditions, 2008). Com essa abordagem, aproxima-se do modo como eu, do outro lado do Atlântico e colhendo registros aparentemente bem diferentes, também observo os críticos do contemporâneo ou do que há pouco tempo chamávamos de pós-moderno.

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Reinvenção tardia da “cultura branca”

RawlsDe um modo particular, específico, a direita brasileira reinventou a “cultura branca”. Nessa ficção conservadora, a “cultura branca” estaria desprestigiada porque o estado brasileiro atenta para a “cultura negra” através de algumas medidas, como as leis contra o racismo ou “políticas afirmativas”, o que envolve basicamente as “cotas étnicas” em escolas, cargos etc.

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O paradoxo da humildade (*)

B. PascalO grego Sócrates identificou o eu com a alma, o cristão Pascal mostrou o eu como o nada (1). Estranho, não? Isento de qualquer contaminação judaica, Sócrates traçou uma distinção entre corpo e alma, colocando o “si mesmo” como sendo a razão ou a inteligência, o que para ele nada mais era que a alma. Completamente imerso na devoção cristã, Pascal descasca o eu de suas qualidades para dizer que, sem elas, o eu não é senão o vazio.

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Ler a Bíblia inteligentemente

Os gregos não escutavam o que se transformou na Ilíada e na Odisseia com ouvidos ligados no “será verdade?”. O conjunto de feitos cantados nesses poemas era para os gregos inquestionáveis e ao mesmo tempo perfeitamente lendários. Eles acreditavam nos deuses, claro, mas não sem as mesmas dúvidas sobre tudo o que se pode ouvir na rua e no mercado. Ouvir os rapsodos não se fazia em função de “acreditar”, mas segundo a fruição de um prazer estético enorme e também como uma necessidade educacional de tornar-se heleno ao se identificar com os heróis do passado.

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