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25/09/2017

Posts by: Paulo Ghiraldelli

A clínica de Hitler aguarda você!

Se não tivéssemos acoplado a noção de subjetividade moderna à noção de interior, e feito de ambas o lugar da verdade sobre nós, não teríamos criado a psicologia com a força que ela tem nos dias de hoje. Então, não estaríamos agora nesse briga sobre se a psicologia pode ou não pode dar a palavra

O que fez o juiz da tal “cura gay”?

O fato: o juiz de Brasília indiretamente lidou com a homossexualidade como se ela pudesse sofrer intervenção clínica, e o fez em nome da “liberdade científica” (confira aqui a matéria do Estadão). Sobre esse assunto, há o aspecto jurídico e o aspecto filosófico, ou seja, metafísico. Abaixo, abordo ambos, de modo breve. Sobre o aspecto

Conversa sobre a “cura gay” e correlatos

PERGUNTA do Ricardo Mantovani: até que ponto a operação de mudança de sexo não é uma cura-gay às avessas? Paulo Ghiraldelli Quando alguém vai pedir para que o corpo possa mudar para que ele se aproxime do que pede uma identidade moral e psicológica, já formada e que semanticamente aponta para um gênero que, por sua

Identidade moderna: a intensificação de si

Aprendemos no colégio, nas aulas de história, que as “grandes navegações” e o comportamento intrépido de gente que era chamada de “mercadores” deram o tom para a formação do homem moderno. Seguiram a estes os “empresários”, pessoas capazes de correr o risco com dinheiro investido tanto quanto os primeiros correram risco de vida. Max Weber

O que é arte e o que não é arte?

A diferença entre o erótico e o pornográfico todos sabem: o erótico mantém sutilizas que provocam a imaginação, o pornográfico elimina sutilezas e castra qualquer relação ficcional que o observador possa ter com o que é exibido. A diferença entre o que é arte e  o que não é arte tem algo dessa distinção, mas

O vitimismo chegou na direita!

Clint Eastwood representou o macho do cinema após John Wayne. Ambos tinham a carcaça republicana e reivindicaram para si e para seus personagens a silhueta do que seria o americano típico. Self-made-man durão, sedutor de mulheres até por meio da violência, incapaz de reclamar ou chorar, herói de uma selva do salve-se quem puder. Esse

O que o neopragmatismo de Richard Rorty não é

Em um livro de título William James, a construção da experiência, publicado no Brasil pela Editora n-1 (2017), o autor David Lapoujade faz questão de dizer que o pragmatismo não é aquilo que Richard Rorty defende. A frase que ele usa é exatamente esta: “nada mais distante dele [James] que as recentes teses ditas ‘neopragmatistas’

O 7 de setembro nos mostra mais ignorantes

Para o amigo Deonísio da Silva, da velha geração dos professores cultos A “HISTÓRIA NÃO CONTADA”, inventada pela esquerda e agora reencarnada pela direita, tornou-se oficial. Politizamos a história de modo demasiado, à esquerda e à direita, e com isso ficamos estúpidos. Nossa juventude está estúpida. Como isso ocorreu? Nos tempos da Ditadura Militar surgiu

Esquerda e direita em Peter Sloterdijk

Podemos falar em direita e esquerda atualmente? Claro que sim! Mas seria tolice, em filosofia social e política, não notar os deslocamentos dessa divisão na vida contemporânea, para além da prisão – e banalização – do vocabulário jornalístico. No meu entendimento, Peter Sloterdijk é quem melhor apreende as vicissitudes semânticas pelas quais estamos passando nesse

Anitta e o ejaculador

Anita é linda, sexy e tem ao seu lado produtores incríveis, que a fazem alcançar boas performances. Seus clipes são adoráveis, se respeitarmos o gênero de entretenimento no qual ela se propõe a trabalhar. Um vereador de Campinas, talvez daquela leva que xingou Simone de Beauvoir como personagem do ENEM (lembram da barbárie?), deu-lhe adjetivos

Peter Sloterdijk, filósofo da revolução

Peter Sloterdijk é taxativo: “eu concebo a filosofia como introdução à ciência revolucionária universal”. (1) Essa formulação é bem explicada por ele: Eu penso após a falsa revolução e no meio da alteração global das coisas. Eu trabalho numa teoria não-marxista da revolução e afirmo que a ‘revolução’ permanece o tema central verdadeiro do pensamento.

A modernidade: indivíduo, sujeito e sonho

Em 1615 Miguel de Cervantes publicou D. Quixote de La Mancha. Vinte e seis anos depois, em 1641, René Descartes publicou as suas Meditações Metafísicas. Dois séculos depois, essas obras já eram tomadas como elementos fundantes da chamada modernidade. Cervantes trouxe à baila a ideia moderna do indivíduo, aquele que é o autor de sua

O eterno tropeço da tropa de elite

A igualdade perante a lei fica ferida se há cota para negros em determinadas ocupações. Essa é uma interpretação liberal, mas de um liberalismo de Locke, não de um liberalismo atual, de John Dewey ou de Rawls. O liberalismo percebeu que precisava sair do século em que foi criado e se tornar um pouco mais

A sociedade da despedida da dor

Você já viu um porco morrer? Já olhou nos olhos de um boi antes um pouco dele ser abatido. No primeiro, os gritos são de socorro, no segundo, dá para perceber lágrimas. Os humanos, quando matam outros animais, fazem questão de dizer que não agem assim com outros humanos. Bobagem. Os humanos fazem menos drama

O que é em política direita e esquerda?

Direita e esquerda são posições políticas originárias do lugar ocupado nas cadeiras da Assembleia Nacional Constituinte francesa, no tempo de Luís 16, os anos finais do século XVIII. Os representantes dos nobres, burgueses ricos e elementos do clero ficavam à direita. Eram os que não queriam grandes alterações na ordem social e política, que os

Monumentos confederados não são inofensivos

Ninguém cultua a Santa “Rodovia Castelo Branco”. Nunca fiquei sabendo de gente que passa pela rodovia, no Estado de S. Paulo, e diz aos filhos: vamos parar aqui e orar pelo grande brasileiro Castelo Branco, que para nos salvar do comunismo (que não vinha de lugar algum!), nos colocou em uma ditadura de duas décadas”.

Trump, neonazistas e Bolsonaro

Cada país tem as suas chagas semi-abertas que não podem assim permanecer. Tentar fechá-las, quando elas de fato podem doer mais do que o portador delas aguenta, é obrigação dos médicos locais. Afinal, somos animais geradores de auto-imunização. Trabalhei nos Estados Unidos como pesquisador. Vivi na pequena Stillwater, no Estado de Oklahoma. Achava “folclórico” entrar

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