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29/03/2017

About Paulo Ghiraldelli

Filósofo

Posts by: Paulo Ghiraldelli

A vaca balconista

Para Paula e Mariana A vaca entrou na sala de aula. Não, não era uma escola rural. Era uma escola urbana, ainda que do interior. Ocorreu em 1965, ano em que minha professora começou conosco o livro de “Conhecimentos Gerais”. Neste, havia um capítulo só sobre os animais. Foi o ano que encontrei a vaca.

Amor e feras de Calligaris

O amor não transforma ninguém. Quando se ama alguém e se acredita que esse amor vai transformar o amado, fazendo dele uma pessoa melhor, já se deu o passo para um poço cujo fundo são os espinhos da mentira. Caso o amor transforme, só o faz em aparência, e tão logo as coisas esfriem o

Tercerize-lo-ei!

A “terceirização” aprovada no Congresso sem sombra de dúvidas enfraquece o trabalhador diante do empregador. Ninguém tem dúvida disso. O modo de dizer isso pode variar, mas o fato é sem dúvida este. Agora, se isso é bom ou ruim para o país nesse momento, então aí estão as dúvidas. Para as posições tradicionalmente à

Gilles Lipovetsky vem aí. Mas como não viria?

Há dez anos, exatamente em 2007, Gilles Lipovetsky lançou com Jean Serroy o fácil A cultura-mundo, publicado no Brasil pela Cia. das Letras em 2011. Nesse livro, tentou falar do tripé que rege nossa vida: mercado, tecnologia e individualismo. Entre tantas denúncias que fez, retratando a fase de nossa modernidade, destacou no âmbito cultural como que viveríamos,

As crenças de um estudante de filosofia

Há uma esperança matreira na cabeça de muitos estudantes de filosofia. Eles imaginam que podem entrar num curso de filosofia e saírem sabendo mais e, no entanto,  com a mesma identidade. Ora, até podem, mas se isso acontece, não entraram num curso de filosofia, mas em um bacharelado de um algum saber de ordem não

O espaço do rosto

Espacializamos o tempo para entendê-lo e dominá-lo. Ele é fugidio, mas nós o enclausuramos modernamente nos relógios. Ferramos o tempo com ponteiros e, depois, com visores digitais. Mas esse tempo assim espacializado pertence ao mundo dos mortos. No mundo dos vivos, nossa tentativa de apreender o tempo é uma via de mão dupla. Tentamos apanhá-lo,

O defunto nosso de cada dia, comei hoje!

Peter Sloterdijk defende a ideia de que uma história que responda aos nossos dias deve ser uma história que saiba integrar e uma só narrativa o que se deixava de lado por não possuir história: o mundo da natureza. Também Bruno Latour, com a ideia de parlamento das coisas, participa da mesma tese. Sei bem

Montaigne, os animais e o humanismo

Animais não devem sofrer crueldades de modo algum. Michel de Montaigne tinha essa lei no coração. Quando os movimentos de defesa dos animais se colocam hoje em visibilidade até agressiva, à primeira vista acreditamos estar diante de um novo pensar. Quase! Ainda estamos no interior da vaga humanista. O humanismo é uma grande onda cultural

Somos todos terroristas – sociedade contemporânea e individualismo a partir de Buyng-Chul Han e Peter Sloterdijk

O terrorismo é um ato em busca de autenticidade. O filósofo germano-coreano Byung Chul Han endossa essa tese. Mas, o terrorismo também é provocado pelo excesso de leveza e consequente reação em busca de reoneração. Penso que o filósofo alemão Peter Sloterdijk endossaria essa tese. Nos resultados, essas teses possuem pontos em comum. Autenticar-se é

O parlamento das coisas

Heráclito não acreditava falar por si mesmo. Aliás, o “si mesmo”,  esta expressão, é uma invenção nossa, não dos antigos. Heráclito entendia que o logos do cosmos utilizava de sua boca para falar de sua organização própria, a harmonia cosmológica. O Humanismo moderno nos tirou essa possibilidade. Então, se as coisas querem falar, hoje em

As regras do “meu corpo minhas regras”

“Meu corpo minhas regras” é uma expressão  das ativistas do feminismo atual. “Minhas regras” pode significar normas de conduta que desejo ver seguidas por quem me aborda corporalmente. “Minhas regras” pode significar simplesmente minhas menstruações. O termo é propositalmente ambíguo. Sua ambiguidade tem a ver com os objetivos do feminismo atual: por um lato, há

Só Temer acerta ao falar da mulher

Temer errou retoricamente ao falar da mulher como falou, enaltecendo valores que as feministas gostam de substituir por outros. Afinal, o feminismo quer sempre que os níveis de degradação e, quiçá de melhoria, cheguem não só para o trabalhador masculino, mas para todos. Então, o feminismo não gosta que gente em cargo executivo enalteça mulheres

Síndrome de Dédalo

Vivemos na “sociedade da abundância”. Ricos ou pobres, vivemos em uma sociedade que ganhou leveza e que se desonerou em um nível nunca visto antes em toda a história da humanidade. Energia fóssil, motor de explosão, luz elétrica, penicilina, tratamento hormonal, Viagra e pílulas de contracepção, alfabetização em massa, diminuição de mortalidade infantil, aumento da

A Loucura da Transparência

Diante da noção de intimidade, todo cuidado é pouco. Dizemos coisas bem diversas com esse termo aparentemente simples. Byung-Chul Han lembra que Richard Sennett, ao falar das “tiranias da intimidade”, está se referindo a um mundo íntimo que, na verdade, se exige mostrável. Em Sennett, sabe-se, a sociedade não é vista (e criticada) na completude

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