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24/04/2017

A revolução vegana é irreversível e rápida


Segundo as estatísticas projetivas de várias universidades americanas, em duzentos anos os veganos e vegetarianos serão maioria. Os consumidores de óleo diminuirão também. Isso será um fato!

A indústria da carne e derivados está apavorada, pois segundo suas próprias projeções, em menos de dez anos, já haverá uma queda significativa nos seus lucros. Aliás, isso já começou, e a reação foi imediata. Ninguém imaginava que no Brasil um peso pesado feito Tony Ramos – a imagem do Bem – fosse ser o contratado como garoto propaganda da Fri Boi. Menos ainda se imaginava que a Sadia precisaria trazer para o seu lado um Robert de Niro, para apresentar sua linha gourmet. O gasto em megapropaganda desse tipo, apelando para o personagens que se identificam com boas causas e bom gosto, pagos a preço de ouro, era completamente desnecessário há menos de dez anos.

O filósofo Peter Sloterdijk tem mostrado em seus livros que a “sociedade da abundância” (Galbraith) não vai ficar só no que já fez, diminuindo as horas de trabalho, aumentando a classe média, igualando-a no mundo todo, libertando a mulher do vínculo com a natureza, ampliando os anos de vida de cada um, gerando novo padrão de planejamento familiar, criando estruturas tecnológicas de imediatismo etc. Um dos itens que estará junto no pacote inovador é a diminuição da crueldade na zona de possíveis inclusões – coisa que Foucault estudou bem. E os animais estão nessa, além de, por estarem hormonizados e serem um canal de consumo de drogas, não poderem mais ser comidos, a não ser que tal prática queira se manter na contramão das tendências irreversíveis em aspiração por vida saudável. Tendências morais se casam com tendências econômicas, e num determinado momento a Vegan Industry pode querer de fato acreditar que já existe e que tem força para virar o jogo.

Nisso tudo, o veganismo caminha no positivo, Robert de Niro e Tony Ramos no negativo. A história pode não ter via férrea, como pensou o marxismo de boteco, mas que ela tem tendências possíveis de conjecturar, isso tem sim!

Os que não acreditam numa revolução vegana são os que não acreditavam que o homem chegaria à Lua – e sem internet e sem computador sofisticado!  São os mesmos que não acreditavam, até bem pouco tempo, que o consumo de cigarro cairia a ponto de fazer encolher a indústria do tabaco. São também aqueles que apostavam que a consciência ecológica não se modificaria, enquanto que hoje, sabemos bem, o mundo se reúne em conferências e tem sérias preocupações com todo tipo de mudança. Gasta-se muito na ampliação dessa consciência e no pensamento sobre como consertar a nave chamada Terra sem poder descer dela. O veganismo junto do cuidado com animal está vindo e vai se completar como revolução nos costumes com consequências inimagináveis. Quem experimentar o quibe vegano da Fran, minha esposa, não saberá que ele não tem carne e nem mesmo óleo, e ficará fã.

A adoção dos cachorros é um passo. Os outros passos, no âmbito do fim da crueldade, virão mais rápido do que imaginamos. Ao lado disso, o movimento por saúde cairá sobre as costas dos produtores de carne de tal modo que eles não aguentarão as pressões e, depois, os impostos. Aguardem, vocês, mesmo os não muito jovens, verão isso tudo. O mundo não será o paraíso, inventaremos outros problemas, aliás, já os temos. Falaremos, por exemplo, sobre a necessidade ou não de aborto de filhotes de foca, cometidos sem a autorização delas. Seremos mais frívolos. Mas algo frívolo vira um peso quando não se tem mais peso além dele. É assim que funciona.

Paulo Ghiraldelli, 59, filósofo. São Paulo 02/02/2017

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One Response “A revolução vegana é irreversível e rápida”

  1. 02/02/2017 at 20:52

    Texto maravilhoso. Me faz sentir calorosamente menos só…

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About Paulo Ghiraldelli

Filósofo