A mulher bonita e inteligente deveria vencer
Conheço mulheres, moças ainda, lindíssimas e inteligentes. Mas, não raro, são pessoas que se recusam a aliar de modo correto a beleza à inteligência. Elas fazem uma maquiagem péssima, isso quando fazem. Teimam em se esconder dentro de roupas que até a minha bisavó acharia pouco sexy. Isso quando não se vestem de homem – mas não de homem bonito, de homem feio e deselegante! Não aprendem a andar de salto de modo algum e, pior de tudo, quando elogiadas pela beleza, se revoltam, fazem cara amarrada por estarem sendo julgadas “pela aparência”.
O resultado disso, depois de alguns anos, é muito triste: perdem todas as oportunidades para as mulheres burras, mas espertas. Algumas ficam amarguradas, ranzinzas – só isso levam das inúmeras derrotas. Outras se lembram de meus conselhos a tempo e se salvam, ainda que após vários anos de ostracismo, cabeçada e chute no traseiro.
O jornalismo e em boa parte de atividades correlatas são os típicos lugares em que as burras ganham das inteligentes exatamente porque as inteligentes bonitas, ao não competirem no quesito beleza, dão de burras. Dá dó de ver as moças não aprenderem a viver. Fico com pena de ver gente inteligente gastar uma vida achando que a cultura tem de mudar rapidamente. Aí a cultura não muda e a vida delas, que poderia ser brilhante, passa e termina na mediocridade.
A moça bonita precisa aprender que só a inteligência não dá! Ela precisa ser antes de tudo esperta. E bonita burra, porém esperta, é o que não falta. Então, o mercado de trabalho acaba nas mãos de gente pouco capaz.
A filosofia buscou ensinar as mulheres inteligentes a competir, e isso três vezes na história, mas nem sempre teve sucesso.
A primeira vez foi com Sócrates. Ele deu a dica, ao elogiar Aspásia, que ele disse que foi sua professora de retórica. Ela era estrangeira e, por isso mesmo, podia estudar e ensinar. Todavia, se estava isenta da subserviência por ser estrangeira e então não precisar cumprir as leis de Atenas, também não tinha o direito à proteção que as mesmas leis poderiam lhe dar. Um ateniense que estuprasse uma estrangeira, não a matando, não seria incomodado. Assim, mulheres inteligentes e bonitas como Aspásia, na condição de não-atenienses, procuram cair sob a proteção de homens poderosos – ou pelo dinheiro ou pela política. Aspásia ficou sob a proteção de ambos os tipos. Quando Péricles morreu, casou-se com um mercador imbecil, porém milionário. Durante a vida de Péricles, foi a primeira dama ideal, que reunia os filósofos, fazia inquéritos tão bons ou melhor que os dele, e tinha nada menos que Sócrates e seu trupe como admiradores.
A segunda vez foi com os libertinos. As mulheres das cortes dos séculos XVI, XVII e XVIII perceberam que estariam condenadas a uma vida terrível se não criassem um modo de reverter o poder dos homens. Não demoraram para agir. Viram que poderiam aprender muito com a filosofia libertina. Algumas aprenderam diretamente, por meio de seus primeiros amantes. Depois, essas mulheres, ao terem filhas, criaram para estas a garantia de uma vida dupla. Aos quatorze para quinze anos colocavam-nas nas mãos de libertinos que freqüentavam a corte, mas que mantinham sua má fama como algo meio dúbio, do qual não se podia falar abertamente sem ser chamado para um duelo. Esses homens levavam as meninas para a cama e, a pedido das mães, lhes ensinavam a prática de um sexo controlador e altamente autocontrolado, quase que no modelo de um novo estoicismo. Dois anos depois, essas garotas já estavam aptas a dominar qualquer homem na corte, e às vezes mais de dois. E, não raro, o rei ou o príncipe. Jamais se apaixonavam, e levavam vários ao desespero.
A terceira vez foi com Nietzsche. Ele cansou de escrever para as mulheres sobre o perigo do feminismo. Este, na sua conta, iria tirar a verdadeira força da mulher, ou seja, a de ser a única que poderia fazer as diabruras que o “sexo frágil” faz legitimamente. As mulheres queriam abdicar do título de seres do “sexo frágil” e Nietzsche, sabiamente, avisou-as de que isso lhes traria uma igualdade absurda, que só um idiota reivindicaria. A igualdade daria trabalho igual e salário menor. Daria jornada de trabalho, sim, mas dupla ou tripla. Daria condições de votar e opinar, mas, então, de ter de arcar com as responsabilidades em relação a tudo aquilo que faz quem é esperto fugir. Por exemplo, o serviço militar ou, pior ainda, os cargos burocráticos e executivos do estado. E isso com que retribuição? Nenhuma ou até pior, com uma sobrecarga, uma vez que os homens não iriam cuidar de seus filhos. Nietzsche não teve o êxito da filosofia socrática ou o sucesso dos libertinos. O feminismo o venceu.
Sócrates e os libertinos agiram a favor dos ventos, ainda que fossem só brisas. Nietzsche quis enfrentar o tsunami da modernidade. Não conseguiu, ainda que tenha traçado o melhor dos quadros sobre as desgraças futuras da mulher.
As lições que tento vender às mulheres não são nenhuma dessas três. Mas dependem delas. São coisas de bom senso, para as mulheres argutas. Os exemplos históricos da filosofia, no entanto, são sim algo que recomendo. Eles poderia deixar as bonitas e inteligentes menos teimosas, quando são teimosas. Mas isso, de fato, se elas realmente forem inteligentes. Pois algumas só à primeira vista são inteligentes. Aos poucos, por teimarem contra a filosofia, eles se mostram mais burras que as burras espertas.
Toda mulher não esperta, me dá pena. A vida é algo importante, não deveria ser desperdiçada por ninguém, menos ainda por uma mulher. Menos ainda por uma mulher bonita. E num mundo onde só é feio quem quer, nenhuma mulher deveria jogar fora suas chances de vencer.
© 2012 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ






































eu sou viado, paulo.
E daí? O que há de inusitado nisso?
Não sei… Também acho que as mulheres deveriam trabalhar menos que os homens. Muitas estão indo contra sua própria natureza. E sobrecarregadas não dão amor ao marido.
Gustavo, que papo é esse, ficou maluco? “Contra a natureza da mulher”?
Seria analisar e usar o bom senso com esperteza.
Retificando…Ergo sum qui sum
Paulo,adorei esse texto!!!
Andrea, bom saber!
Safo de Lesbos era feiosa,acho que também era chata,mas era multitarefa.
Ganhou o amparo econômico de um marido que eu não sei do que morreu.
(oxalá,ela não tenha enlouquecido ele)
Posteriormente, errou,ao falar demais nas “amigas”.
Então, retirou-se da cena pública.
Suponho que o suicídio por Faón,foi uma história que ela inventou,para poder se esconder dos seus críticos.
A inteligência pode aumentar a “beleza” ou amenizar a “não beleza”,mas se for mal usada, não irá dar um bom futuro a quem a tem.
Senhorita nihil, sabe-se lá sobre a boceta da Safo, mas se tem uma história sobre, será bem vinda.
Olá professor!
Resumindo:inteligência e beleza naturais não são tudo;e na obtenção de vantagens um bom senso prático e uma beleza(mesmo que criada)são muito mais eficientes(é isso mesmo ou me enganei?).Só não entendi uma coisa:isso vale só para mulheres ou para qualquer um?
Sobre as três tentativas de ensino à mulher:acho que Sócrates reconhece sim qualidades intelectuais na mulher e a possibilidade de desenvolvê-las tanto quanto nos homens,só reconhecendo diferenças físicas entre ambos.Parece-me que Sócrates e os libertinos reconheciam que aquela realidade de privilégios masculinos que impunham o desenvolvimento da astúcia na mulher em prol de sua sobrevivência existia,mas não necessariamente.Já Nietzsche,me parece que não.Parece que para ele essa organização social com seus atributos para cada gênero era absolutamente natural e inquestionável.Acho que essa é a grande diferença entre as três perspectivas.Agora quanto aos perigos e desconfortos anunciados por Nietzsche,e que de fato existem,acho que não tornam a existência pior do que a total e socialmente aprovada condição de ser inferior e de mera propriedade de outrem.E mais:essas dificuldades só existem porque a consciência de muitas pessoas ainda não reconhece a necessidade da divisão de tarefas,da igualdade civil e da isonomia entre os seres pensantes.É muito melhor ser mulher e poder responder por si com todas as dificuldades apontadas por Nietzsche do que ser forçada e violentamente compelida a ser o “sexo frágil” em toda a extensão da palavra.
Mas minha grande questão sobre o seu raciocínio,professor,é: se o objetivo era nos convidar a considerar que talvez o bom senso prático,a astúcia e a beleza(natural ou não)pode nos dar mais vantagens,por que o senhor usou as mulheres como exemplo?Segundo o senhor,isso só se aplica às mulheres?
Tatiana, a filosofia é para você pensar, não é para eu fornecer receita. Como você, ao contrário de vários chatos que passam por aqui, gosta de pensar, pense. Agora, um adendo: a naturalização de tudo não é uma prática dos intelectuais, de modo ingênuo. E Nietzsche não naturalizava à toa, ele o fazia antes no contraponto, no negativo, como propriamente uma tese.
Sem ironia e desprezo, dessa vez eu gostei do texto. Principalmente quanto é retratado a questão no Nietzsche. Faço História e vejo algumas mulheres bonitas e muito inteligentes, mas estas estão sempre sozinhas. As tidas ‘bonitas’ que são as mais modificadas o possível e assanhadas e rodadas são as mais….. nossa: burras! ou o pior, desinteressadas.
Nem todos pensam assim mas na minha opinião, é um homem com Nobreza que pode fazer ela desabrochar e descobrir a feminilidade graciosa nela mesma, quando ela se sentir valorizada, quando por exemplo ela vê que tem um homem que quer uma produção que por consequência a modifique, mas um jeito que ressalte e beleza natural dela, aliada com coisas delicadas que combinem com elas.
Em termos de exemplo e de moda: me refiro a… colocar um calçado que mais parece um tijolo do que calçado, é super normal ver coisas assim, ao invés de ver algo delicado e suave em pés femininos, é claro que aquela que se esconde na roupa nao usa nenhum dos dois, usa geralmente sempre um tenis(puramente funcional e só)mas eu sei que generalizei um pouco no exemplo, nao é pq alguem usa tenis que nao é feminina né.. mas no geral se vê isso…
quando por exemplo ela vê que tem um homem que NÃOO quer uma produção que por consequência a modifique*
Homem que quer mulher não maquiada ou bem vestida está com problemas mentais graves.
Paulo,conheço uma mulher assim! fiquei até espantado pq é verdade.
Taí quem disse que precisa ser profeta para profetizar? Quem avisa profeta é! (sobre Nietzsche)